segunda-feira, março 02, 2009
Lixo eletrônico, para onde ele vai?
Dando continuidade ao tema lixo eletrônico, flagelo ambiental do mundo atual, com milhões de toneladas descartadas anualmente, retomo o conteúdo da reportagem de Bruno Romani, colaborador da Fôlha de São Paulo, em Berkeley. Segundo ele, em 2006, o Brasil recebeu 1.190 toneladas de lixo eletrônico produzido na Califórnia. A informação partiu do DTSC (sigla em inglês para o Departamento de Controle de Substâncias Tóxicas da Califórnia). Pela Convenção da Basileia, da qual o Brasil é signatário, isto não poderia ter ocorrido. O tratado proibe o trânsito internacional de resíduos perigosos dos países desenvolvidos para nações em desenvolvimento. O mapa da rota do lixo eletrônico, além do Brasil, aponta também como destino identificado México, China, Tailândia, Índia, Malásia, Paquistão e Cingapura. A idéia inicial de reciclar o lixo recebido não se sustenta mais porque, com o mercado de metais desvalorizado, as empresas não veem mais vantagem no reaproveitamento. Os próprios consumidores dos países em desenvolvimento também descartam este tipo de produto. Ouvida pela reportagem, a gerente de resíduos perigosos da Secretaria de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Zilda Veloso, diz que "causa surpresa a afirmação de que o Brasil importa lixo eletrônico". Segundo ela, a destinação de resíduos urbanos e dos chamados resíduos pós-consumo são da competência dos orgãos municipais de limpeza urbana. Sem uma fiscalização federal do lixo eletrônico, o Ministério do Meio Ambiente não soube informar à reportagem a quantidade de toneladas produzida anualmente no Brasil, tampouco o que vai para os aterros e o que é reciclado. Convém ficarmos atentos. O volume de lixo no mundo não pára de crescer. A responsabilidade sobre este passivo ambiental é nossa. Não podemos nos omitir deixando esta conta para nossos filhos e netos.
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