A reportagem de Paula Pacheco, da Agência Estado, sobre os brasileiros que voltam para a casa, em consequência da crise econômica mundial, retrata bem a extensão e a gravidade da mesma.
Eu, por exemplo, desconhecia que a Irlanda era um dos destinos preferidos pelos brasileiros que tentavam a sorte no exterior. Segundo a reportagem, os brasileiros que lá estavam, tiveram que interromper seus sonhos de construir carreira no exterior e voltar para casa. A crise, num primeiro momento, desempregou os próprios irlandeses que ganhavam mais, mas logo em seguida pegou os brasileiros porque o trabalho e as oportunidades minguaram.
Na Espanha, Portugal, Japão, EUA e outros paises bastante procurados por brasileiros, o quadro se repete. Segundo o Banco Central, a remessa de dólares de trabalhadores brasileiros no exterior teve uma considerável queda em razão do desemprego. De setembro de 2008 até janeiro deste ano, a queda foi de 20%.
O BID(Banco Interamericano de Desenvolvimento), que tem os dados de remessas dos latino-americanos que moram fora dos seus países, informou que no ano de 2008 cerca de 70 bilhões de dólares foram remetidos pelos trabalhadores aos seus países de origem. Em 2009, este volume deverá cair em razão do desemprego e do aviltamento dos salários. Além disso, a crise também faz crescer a hostilidade contra imigrantes. Nos Estados Unidos, principal destino dos trabalhadores latinos, a ONG America Wolker intensificou os ataques à mão de obra estrangeira com campanhas na TV e na Internet.
Durante o encontro que tive com os embaixadores dos Países Membros do Mercosul, na semana passada em Montevidéu, pude mostrar a importância de uma política regional voltada para o desenvolvimento das energias renováveis, também como forma de se criar empregos no nosso continente. Citei, como exemplo, a Alemanha, onde o setor da energia limpa já emprega 600 mil trabalhadores, mais que a reconhecida indústria automobilística daquele país.
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