O ministro Edson Lobão, em recente viagem a Espanha, deu duas declarações, aparentemente, contraditórias. Inicialmente, falando para empresários brasileiros e espanhóis, o ministro Lobão afirmou, que: " não necessitamos, neste momento, de grande capacidade de energia eólica". Logo depois, como corrigindo a declaração anterior, o ministro das Minas e Energia, assim se manifestou:" necessitamos dela no futuro, e a nossa presença aqui é a prova de que estamos antecipando o futuro".
Acho, em primeiro lugar, que o momento das eólicas é agora. Tanto assim que o próprio governo está anunciando para este ano um leilão específico para elas. Quanto a outra afirmação do ministro Lobão, de necessitarmos ou não, da presença da geração eólica no Brasil, tenho a dizer que no nosso caso, ela sempre será complementar. A base da nossa matriz energética continuará sendo a geração hidráulica. Só que o potencial que nós temos, de mais de 120 mil MW, vai atrair investimentos neste setor, possibilitando a criação de empregos e de desenvolvimento de novas tecnologias. Portanto, a entrada da energia eólica no Brasil, é fato consumado. O custo de geração vem caindo em todo o mundo e logo ela se tornará uma fonte limpa e competitiva de produção de energia.
Ainda agora estou em Rio Grande, minha cidade natal. Localizada no extremo sul do Brasil, onde o vento é uma presença constante. No Mapa Eólico Brasileiro, esta região é considerada própria para a instalação de aerogeradores de grande porte. Por coincidência, também é uma região com grandes áreas reflorestadas. São mais de 20o mil hectares, que vão de Osório até Chuí, na fronteira com o Uruguaí. Estudar a possibilidade de um projeto energético que contemple biomassa e energia eólica, é uma excelente oportunidade de se introduzir nos municípios da região o bom debate sobre criação de emprego e renda, da produção de energia limpa e de um programa de desenvolvimento regional.
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