No dia da greve dos trabalhadores do transporte coletivo de Florianópolis, que deixou à mostra uma das fragilidades de nossa cidade, uma matéria publicada no DC (21/5) me chamou a atenção: a do goleiro do Avaí, Eduardo Martini. Diferente da maioria dos jogadores de futebol, que costumam se deslocar com seus carrões, Eduardo pega a sua bicicleta e vai treinar na Ressacada. Um exemplo a ser seguido. Tenho certeza de que é muito mais agradável pedalar do que ficar retido no trânsito, buzinando e sendo xingado. Na cidade de Freiburg, na Alemanha, cerca de 30% da mobilidade urbana é feita usando a bicicleta como meio de locomoção. Estudos recentes mostram que o trânsito nas grandes cidades, ou em cidades mal planejadas, tem sido a principal causa do estresse e da falta de qualidade de vida.
Precisamos repensar nossa relação com as cidades. Encontrar formas de racionalizar horário de trabalho e de serviços, introduzir a cultura da carona, do horário único e do saudável hábito de caminhar e pedalar.Guardadas as proporções, no Instituto Ideal já implantamos o horário diferenciado. Das 9 às 13 horas e das 13 às 19 horas. No meu caso, pela proximidade de onde eu moro com o escritório, faço tudo a pé. Caminho cerca de 10 km por dia. Quando chove uso guarda-chuva, quando o sol está forte, um chapéu. É uma questão de opção.
Está provado que num raio de 2km você pode fazer tudo a pé. Esta mudança de comportamento pode começar por você ou por imposição do esgotamento físico de nossas cidades. Acredito que é melhor partir de você. Veja o exemplo de Jum Nakao, um dos mais badalados estilistas brasileiros, que, cansado do mundo fashion, abandonou as passarelas em 2004. Hoje, feliz consigo mesmo, dedica-se às pessoas, lidando com suas potencialidades e resgatando seus valores. Ministra cursos no sertão nordestino e desenvolve projetos sustentáveis na Amazônia.
O goleiro do Avaí e o estilista paulista são pessoas bem diferentes. Uma diferença tão grande como qualquer tipo de comparação entre Florianópolis e SãoPaulo. O que quero deixar como reflexão, ao citar esses dois exemplos, é de que está na hora de repensar nosso modo de vida e optar por aquilo que nos dê satisfação e motivação.
* Artigo publicado originalmente no Diário Catarinense (26/05/2009)
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