Os trabalhadores do transporte coletivo de Florianópolis anunciaram início da greve para hoje. Nada mais justo, visto que as negociações não avançam. No entanto, temerosos de não ter como voltar para casa, provavelmente muitos outros trabalhadores usarão seus carros particulares. E o trânsito, que já é complicado em dias normais, deverá ter mais um capítulo caótico. Isso tudo porque, além de vivermos numa ilha sem transporte marítimo (estamos de costas para o mar), ainda há o permanente incentivo ao transporte individual em detrimento do coletivo. Já falamos sobre isso em outro momento. E cada vez me convenço mais da necessidade de mudarmos nossa forma de agir com relação à mobilidade urbana.
Inspirou-me ainda mais o artigo de Lincoln Paiva, da Envolverde. No seu texto, ele fala da cidade de São Paulo, com seus 11 milhões de habitantes e cerca de seis milhões de automóveis! Diz Paiva: "Se seguirmos a lógica de alguns especialistas, que defendem que a economia mundial tende a dobrar de tamanho a cada 14 anos, no futuro haverá mais carros circulando nas cidades à medida que cresce o ritmo da produção e o poder aquisitivo da população. A capital paulista, em pouco tempo, entrará em colapso por falta de espaço para circulação de pessoas, isso se continuarmos optando pelo deslocamento individual."
O que Paiva comenta, como a aprovação do projeto em São Paulo (mas não ainda a implantação) para pista exclusiva acaronistas e de as empresas incentivarem a carona entre seus trabalhadores, são ações que vi na Europa e que dão certo. De nada adiantam as ousadas metas de redução das emissões de gases de efeito estufa se governos e sociedades não agirem de fato para isso. O papel aceita tudo. A natureza não.
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