terça-feira, maio 26, 2009

Quantas pessoas o planeta é capaz de alimentar?

A questão torna-se ainda mais pontual quando vislumbramos, num horizonte de 40 anos, uma população de 9,2 bilhões de habitantes. Essa preocupação, no entanto, não é algo tão recente. O historiador Luiz Marques, da Unicamp, em recente artigo, lembra que Thomas R. Malthus, em 1798 escreveu o livro Um ensaio sobre o príncípio da população e sobre o modo como afeta o aperfeiçoamento futuro da sociedade. Segundo o historiador, Malthus manifestava seu pessimismo ao afirmar que “há uma constante tendência em todas as formas de vida animada a crescer além dos estoques de alimentação disponíveis para ela”.
Não há como não nos preocuparmos ao ler a frase de Malthus. A ONU informou, em um de seus relatórios, que em 2008 a população urbana do planeta estava se equiparando à população rural. A continuar a projeção verificada nas últimas décadas, teremos só nas cidades, em 2020, 50% a mais que a população de 2000. Projetando um pouco mais - até 2050, cerca de 6,4 bilhões de pessoas, praticamente a população mundial atual, estará somente nos centros urbanos. E quem produzirá, onde produzirá, como serão os alimentos para tanta gente?
O historiador da Unicamp comenta ainda que a revolução verde atingiu seus limites, pois contou com petróleo abundante e barato e a conseqüente petroquímica dos fertilizantes e defensivos agrícolas que contribuíram para a produção alimentar em grande escala.
Não tem outro jeito. É preciso rever os padrões de consumo e investir em políticas públicas de planejamento familiar. Mas não em um ou outro país: tem que ser em escala global. Vencer as diferenças culturais mostrando a finitude da capacidade da produção mundial é urgente e vital para as futuras gerações.

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