sábado, junho 27, 2009

"2020", um filme de ficção

Na década de 60, um filme de ficção me marcou muito. "2020", um clássico da época, mostrava nosso planeta arrasado. Nada se plantava, as pessoas famintas comiam uma ração que era distribuída para os mais jovens. Os mais velhos eram mortos. A única árvore que tinha sobrado, era referenciada por todos. Toda a vez que vejo descaso com o meio ambiente me vem a lembrança esse filme. Não consigo entender o porque do desmatamento, das queimadas e de medidas incentivadoras dessa insanidade. Para mim qualquer política menos restritiva com o meio ambiente é um desastre para a humanidade.

Em recente artigo, Paulo Barreto, mestre em Ciências Florestais pela Universidade de Yale, e pesquisador senior do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia, mostra como e porque temos que acabar com os desmatamentos. Só a Amazônia perdeu 70 milhões de hectares para o desmatamento. Uma área equivalente a França. A metade do peso de uma árvore é carbono, e as queimadas pós desmatamento, correspondem a 50% das emissões brasileiras.

Segundo o professor Barreto, as causas do desmatamento incluem falhas de políticas públicas e do mercado. Geralmente, é mais barato e lucrativo desmatar do que investir na recuperação de áreas já desmatadas. As políticas públicas devem estar voltadas para preservação das florestas- que produz benefícos coletivos, como a regulação climática e a proteção da biodiversidade. Cabe aos governos, federal e estadual, promoverem e criarem condições de remunerar quem preserva.

Aqui em Santa Catarina, já comentei sobre isso no blog, o governo propôs e a Assembléia aprovou um novo Código Ambiental bem menos restritivo. Sua constitucionalidade está sendo questionada. Independente do resultado, o estrago já foi feito. Passaram uma versão para a sociedade: os agricultores estão deixando o campo por causa de restrições ambientais. Ora, me poupem. Os agricultores deixam a terra, por causa de falta de financiamento, frustação na produção, por seca ou chuva em excesso, atravessadores inescrupulosos, falta de incentivo a atividade, ausência de uma política de preço minímo, e outras tantas incertezas próprias da atividade agrícola. Voces sabiam que temos, no Estado, milhões de hectares sem uso ? Será que não é hora do governo incentivar o uso dessas áreas ?

Nenhum comentário: