sexta-feira, junho 26, 2009

Corrupção e Educação

Interessante a análise feita pelo socíologo e professor, Alberto Carlos Almeida, autor do livro " A Cabeça do Brasileiro", sobre a dificuldade de se combater a corrupção no Brasil (EU&-26/7). Para ele, quanto maior a escolaridade, mais a sociedade reage contra a corrupção. Em recente pesquisa nacional, mil entrevistados, nos dias 25 a 30 de maio, em plena semana de escândalos no Senado, o resultado aponta, que: ela incomoda pouco os que tem escolaridade até o primeiro grau, e muito para os que cursaram nível superior.

Os dados mostram que na medida que aumenta a escolaridade, cresce a cobrança da sociedade. No Paraná acabou de acontecer uma grande mobilização da classe média, com manifestações de rua, contra um deputado que atropelou um carro e matou dois jovens. O deputado renunciou e vai responder pelo que cometeu. Esse mesmo episódio, em outro Estado, com menos escolaridade e poder de mobilização, teria outro desfecho.

Na semana passada os principais jornais britânicos estamparam tarjas pretas cobrindo o Big Ben e o Parlamento britânico. O resultado foi imediato: ministros e parlamentares foram afastados. Se formos comparar o que fizeram lá com o que nossos senadores estão fazendo aqui, percebemos que os escândalos de lá são infinitamente menores que os escândalos daqui. Essa constatação vai além da corrupção. Ela está presente no cotidiano da sociedade moderna: nas drogas, violência no trânsito, prostituição infantil e tantas outras mazelas.

Afinal, o que nos diferencia? Segundo o professor Alberto, o grau de escolaridade. As sociedades mais ricas são quase sempre mais escolarizadas. Isso faz uma grande diferença. A impunidade não sobrevive numa sociedade consciente e exigente com seus direitos. A pressão social sobre as instituições, quebra os acordos tácitos existente entre a elite dominante, expondo-a perante a opinião pública. Assim se dão as mudanças. Assim se constrói a cidadania.

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