terça-feira, junho 23, 2009

Desativar usinas nucleares, um novo desafio

As declarações dadas hoje em Viena, por Rejandra Pachauri, Prêmio Nobel da Paz em 2007, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) da ONU, que a revolução energética deve ser dramática e imediata, soou como um alerta. A transição para uma matriz energética de base renovável, biomassa, eólica e solar, precisa ser entendida como uma necessidade da humanidade.

O Brasil, pela sua potencialidade natural e tecnológica, tem um papel determinante nesse processo de transição/transformação. Todos os esforços nessa direção são muito bem vindos. Dentro da estrutura do Estado brasileiro, me parece que esta questão ainda não está de todo incorporada. Diferentes visões de como irá se desenvolver o setor de energia no nosso país, me fazem pensar que precisamos investir mais na divulgação do papel das renováveis no Brasil e na América Latina.

Por exemplo, o Ministro da Minas e Energia, Edson Lobão, tem falado muito na retomada do Programa Nuclear brasileiro. Serão 10 novas usinas. Essa é uma discussão que, no meu ponto de vista, precisa ser melhor debatida.: uma coisa é voce terminar uma obra que está 20 anos parada(como é o caso de Angra 3), outra é ressuscitar um projeto nuclear de grande porte para o país, sem compará-lo com outras alternativas.

A preocupação com usinas nucleares em relação a seus rejeitos e a desativação dos reatores, cresce no mundo. O Brasil, com o potencial renovável que tem, não pode abraçar a energia nuclear como uma alternativa futura. Angra 1, operando desde 1985, custou (sem os equipamentos)R$1,5 bilhões. Angra 2, operando desde 2001, custou R$ 5 bilhões. Já o preço de Angra 3, está estimado em 10 bilhões. É muito dinheiro! Fora isso, vem sendo cobrado na tarifa de energia, um valor considerável, para criar um fundo para a desativação dessas usinas no futuro. Cerca de 300 milhões de dólares para Angra 1 e 420 milhões de dólares para Angra 2(Fonte: Jornal O Valor, 22/6).

Nos EUA, país onde o número de reatores nucleares é expressivo, os fundos criados para desativar as usinas nucleares, após sua vida útil, são insuficientes. Segundo uma investigação da Associated Press, divulgada recentemente, as companhias proprietárias de quase metade dos reatores nucleares dos EUA não estão reservando dinheiro para desmanchá-los. Um sério problema está criado: muitas ficarão abandonadas, a mercê do tempo, criando risco de segurança pessoal e física. Amanhã falo mais sobre esse tema. Ele é muito mais grave do que se pensa.

Nenhum comentário: