domingo, junho 21, 2009

Semana agitada

Com certeza, a semana que passou foi das mais agitadas. Na política, tanto aqui como fora daqui, não faltaram notícias. A mais comentada vem do Irã, onde passada as eleiçoes, crescem as manifestações contra o resultado eleitoral. Na capital Teerã, o líder supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, ordenou a fim das mobilizações contra a reeleição do presidente Ahmadinejad. De nada adiantou. O povo está na rua denunciando fraude no processo eleitoral. Independente do que vier a ocorrer, a imagem de Ahmadinejad sai desse processo muito arranhada.

Na Argentina, onde as eleições foram antecipadas para o próximo domingo, numa jogada visando reverter a perda de popularidade do casal Kirchner, a oposição denuncia o uso de recursos públicos na campanha. O atual governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli, tem percorrido com o helicóptero oficial cidades da Provícia em campanha eleitoral. Tanto Scioli como Kirchner são candidatos à Câmara e esperam uma expressiva votação para assegurar maioria governista no Congresso. Imaginem voces, um governador, em pleno exercício do seu mandato, saindo para concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados. Só mesmo na Argentina.

Em Lima, o que eu vi, logo que cheguei, se modificou bastante durante a semana. A posição do governo, de não aceitar as reivindicações das populações indígenas, foi vencida. Após os conflitos da semana passada que levaram a morte 24 policiais, 10 civís e um número ainda incerto de indígenas, a pressão internacional sobre o ocorrido, fez o governo peruano revogar os Decretos 1064 e 1090. Essa revolta dos índios da Amazônia peruana, mostrou ao mundo a dura realidade daqueles povos. Até então, no Peru, só havia um olhar para os povos indígenas da cordilheira. São as comunidades próximas ao Vale Sagrado, Cusco e Machu Pichu, onde a presença de milhões de turistas por ano deu visibilidade à eles e a sua cultura. Segundo dados oficiais, os peruanos de origem indígena, nos Andes e na selva, são os mais pobres. Enquanto a média de pobreza extrema no país é de 12%, em Apurimac, região do conflito da semana passada, a taxa chega a 70%.

ENQUANTO ISSO NO BRASIL ..... o nosso Senado não para de nos envergonhar. Até quando!

P.S. - Não dá para passar a semana sem comentar a posiçao do Supremo Tribunal Federal, sobre o jornalista sem diploma. Por ser pai e amigo de dezenas de jornalistas, acabei lendo muito sobre a polêmica decisão. Para reflexão de voces, selecionei o comentário de dois dos nossos principais jornalista:
" O presidente do STF, Gilmar Mendes, ao justificar o fim do diploma, comparou o jornalista ao cozinheiro. Também não acredito que um cozinheiro, no futuro, prospere sem diploma de ensino superior." ( Gilberto Dimeinstein - FSP 21/6)
" É um argumento rústico a afirmação de que diploma obrigatório de jornalismo desrespeita a Constituição, por restringir o direito à liberdade de expressão. É falsa essa idéia de que o jornalismo profissional seja o repositório da liberdade opinativa. São inúmeros os meios de expressão de ideias e opiniões. E, não menos significativo, a muito poucos, nos milhares de jornalistas, é dada a oportunidade de expressar sua opinião, e a pouquíssimos a liberdade incondicional de escolha e tratamento dos seus temas."( Janio de Freitas - FSP 21/6)

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