A chegada de toneladas de lixo nos portos de Santos e Rio Grande trouxe visibilidade para um problema global. Tenho tratado do lixo no blog, mas tenho consciência de que é um tema que interessa a poucos ainda. Lixo limpo, sujo, hospitalar e agora o eletrônico, é da responsabilidade das prefeituras. No entanto, são raras as que tratam o lixo com a devida responsabilidade. Os prefeitos precisam encarar de frente esse problema, que se agrava a cada ano, e fazer "do limão uma limonada".
Dar valor econômico ao lixo é o caminho. Seja no processo seletivo, educando as pessoas e ampliando a coleta, seja na produção de energia, produzindo gás em aterros sanitários apropriados, ou no novo mercado dos lixos eletrônicos. Arrisco a dizer que a indústria do lixo precisa se estabelecer para atender essa produção crescente, abandonada ao tempo pelas autoridades responsáveis.
O novo, nessa história, é o lixo eletrônico. Segundo a revista Galileu desta semana, 39 milhões de aparelhos celulares serão descartados no Brasil. No mundo, a cada ano, 1,5 bilhão de celulares serão subtituídos. O descarte é capaz de carregar uma composição de vagões de trem que faz a volta na Terra. Segundo a ONU, serão cerca de 150 milhões de toneladas anuais.
Os maiores produtores mundiais de lixo eletrônico são EUA, Europa e Japão. Reciclam apenas 30% do que produzem. Com o argumento de estimular a inclusão digital, exportam o resto para os países pobres. Os principais destinos dessa pilha inútil são alguns países da África,o Paquistão e a Índia, que chegam a receber 500 contêineres mensais.
No Brasil, a reciclagem eletrônica não chega a 1%, e uma das razões é a falta de leis que obriguem as empresas a reciclar pilhas e baterias. Já sobre o lixo comum, produzimos por dia 228 mil ton, das quais 146 mil ton são jogadas sem qualquer tratamento em lixões, vazadouros e áreas alagadas. Uma vergonha! (Fonte: Revista Galileu)
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