Em março escrevi sobre os primeiros sinais de recuperação da indústria automotiva no Brasil. Ontem, anunciaram o resultado do semestre: 1,4 milhões de carros licensiados. Um número realmente impressionante. Em plena crise, um record de vendas. Especialistas atribuem a redução no IPI. Tenho minhas dúvidas. A redução é pequena comparada com os tributos que incidem no preço dos carros. Qualquer carro produzido lá fora é bem mais barato que o similar nacional. Nos EUA, maior produtor e consumidor de carros, as vendas da Ford cairam mais de 10%, da GM mais de 30% e da Chrysler quase 50%. E mesmo assim, com toda a crise no setor, o governo americano vem jogando duro. Tem imposto restrições e pressionado as montadoras para construirem veículos menos poluentes, híbridos e solares.
Aqui, o governo incentivou as vendas, criando uma condição de aquecimento no setor que não existe nos outros paises. A iniciativa, sob o ponto de vista do mercado, deu certo. Acho, que a explicação está no binômio sonho de consumo e oportunidade do momento, que: nesse caso da compra de carros pega todas as classe sociais. Os mais ricos estão comprando os importados dos seus sonhos, aproveitando o real valorizado. A classe média de olho na redução dos impostos e na oportunidade do crédito. Já as classes C e D, no embalo do crédito e do preço do combustível que vem caindo nas bombas. Em São Paulo, por exemplo, o preço do gás e do álcool (R$1,/lt), fazem carros de baixo consumo competirem com o preço cobrado por ônibus, vans e metrôs.
Não sei até quando essa situação vai se sustentar. Tenho três grandes preocupações em relação a isso: o prazo dos financiamentos (em alguns casos chega a 80 meses), os preços dos combustíveis (dificilmente vão se manter no patamar atual) e, por fim, aquele que mais me assusta, a mobilidade urbana. São milhões de novos carros trafegando nas mesmas ruas. Não há cidade que aguente!
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