segunda-feira, agosto 31, 2009

Um pouco de cultura milenar



A China comunista caminha para se tornar, além de uma gigante geográfica, numa gigante consumista. E isso acarretará sérios problemas ao planeta, a não ser que, em escala global, consiga-se mudar os hábitos de consumo. Mas esse mesmo país que aposta na alta tecnologia, é uma nação que cultua e valoriza sua história e costumes. Uma mostra disso está exposta no National Palace Museum, em Taiwan: trata-se da mais famosa pintura da China Imperial, desenhada entre 1085 e 1145. Feita a dezenas de mãos, a obra de arte original em livro mede 5,28 metros de largura e 24,8 centímetros de altura e retrata um cotidiano que só agora começamos a estudar. Afinal, para nós, ocidentais, esse foi um período que conhecemos como Idade Média ou "Idade das Trevas", mas que não trazia informações sobre o Oriente.

Vale a pena ver a obra, que está disponível na internet: http://u.nu/4r843 . Com o cursor sobre ela, você poderá ver os detalhes de uma festividade tradicional - O Festival Ching-Ming. E ainda, com uma ajudinha da nossa atual tecnologia, a cada "recorte", você entra na cena. A sensação é que estamos participando do tradicional festival.

sábado, agosto 29, 2009

Vizinhos não se escolhe

E a cúpula da Unasul se reuniu em Bariloche. O resultado, um bate-boca e o impasse entre os 12 países da região. Na pauta, o acordo EUA-Colômbia para a instalação de bases militares americanas naquele país. Contrariado, o presidente Lula viu suas propostas cairem no vazio e, sem esconder sua frustação, saiu reclamando da falta de objetividade do encontro. Mesmo nós, simples mortais, observadores distantes dos conflitos e dos interesses regionais, sabíamos que as chances de haver consenso sobre as bases americanas eram praticamente nulas. Como as decisões da Unasul são por consenso, estava na cara que não ia dar em nada. O presidente Lula confirma nossa análise quando declara, que:
"uma reunião desse tipo, aberta e televisionada, perde o sentido porque cada um passa a falar para o seu público interno".

Vizinhos não se escolhe, se convive. E quanto mais harmoniosa for a convivência, melhor. O governo brasileiro tem se mostrado sintonizado com isso. Entretanto, percebo que esse movimento da diplomacia brasileira de distencionamento, não é por todos compreendido. Vale a pena ler o professor Marcelo Coutinho, fundador e coordenador do Observatório Político Sul-Americano, que destaca a necessidade de agirmos com inteligência e de termos muita compreensão sobre o papel do Brasil na região. Seguem alguns dos seus comentários:

" O Brasil conseguiu agregar valor às suas exportações graças à América Latina"
" Em um contexto de maior imprevisibilidade, assegurar um ambiente de paz e cooperação no espaço onde vivemos e no âmbito de democracias com apelo social, pode ser ingrediente de sucesso".
" Não obstante as diferenças, estamos ocupando o lugar deixado pelos Estados Unidos na região, com uma diferença, sem ser violento e sem ser imperealista".
" Nenhum tipo de pragmatismo pode ser mais importante do que esses princípios, que em nada se confundem a períodos passados, quando alguns se imaginavam ser superiores aos vizinhos".

sexta-feira, agosto 28, 2009

Uma proveitosa semana

Nem sempre as semanas rendem como essa que passou. Em Brasília, podemos acompanhar as preocupações do Brasil com as mudanças climáticas. De forma resumida, a nossa vulnerabilidade está no desmatamento da Amazônia. Até Copenhague, vamos precisar mostrar nossas reais intenções. Outro momento importante foi com o deputado Fernando Ferro, relator do projeto que contempla as energias renováveis. Avançamos bastante. Na ANEEL, tivemos a oportunidade de tratar com o presidente Nelson Rubner o projeto piloto do estádio solar de Pituaçu, em Salvador. Como há interesse por parte da Coelba, a concessionária de lá, e do governo do Estado, proprietário do estádio, vejo como boas as perspectivas de implantação dessa cobertura pioneira. Seria o primeiro passo para os futuros estádios da Copa.

Nesse dia, na Aneel, tive também a oportunidade de acompanhar o debate e a aprovação da internet e TV pela rede elétrica. A Anatel já havia regulamentado a sua participação nessa tecnologia, conhecida como Power Line Communications(PLC), e agora, com a aprovação da Aneel, a rede de distribuição de energia elétrica poderá ser usada para acesso à internet por banda larga e também para transmissão de vídeo e voz. Na prática, a tecnologia permitirá o uso dos fios de energia elétrica para transmisssão dos dados de multimídia. A nova tecnologia deverá estimular a concorrência e ampliar a oferta do serviço de internet via banda larga já que a rede de energia elétrica tem cobertura maior do que as outras tecnologias disponíveis.

Em São Paulo, por onde também andei, visitei a Hydro, empresa norueguesa bastante interessada em plantas solares e novas tecnologias na área das energias renováveis. Sua intenção: fornecer materiais e projetos de qualidade a serem empregados nos estádios da Copa e no mercado da construção civil.

Em resumo, notícias que apontam para o futuro: no meio ambiente, na tecnologia, na legislação de incentivo a produção de energias renováveis e nos projetos da Copa Verde e Sustentável.

quinta-feira, agosto 27, 2009

Mudanças climáticas e o capitalismo do bem

Nesta semana, em São Paulo, lideranças das maiores empresas do Brasil e o Ministério de Meio Ambiente debateram compromissos e propostas do Brasil para as discussões da Conferência de Copenhague, em dezembro. No evento intitulado Brasil e as Mudanças Climáticas: Oportunidades para uma Economia de Baixo Carbono, discutiu-se que empresas que perceberam a necessidade de efetivar compromissos socioambientais estão na vanguarda de um nicho de mercado importante para o futuro. Assim, as empresas que quiserem se estabelecer em novos tempos onde o cuidado ambiental será o tema central, terão que agir rápido para se enquadrar no novo modelo que surge. Neste evento foi lançada ainda a "Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas". Assinado por 22 empresas, numa iniciativa da Vale, Fórum Amazônia Sustentável e o Instituto Ethos, o documento traz uma série de compromissos voluntários das empresas signatárias com os esforços para a redução dos impactos das mudanças climáticas. Apresenta também propostas ao governo federal relacionadas à sua posição na Conferência de Copenhague e ao estabelecimento, em âmbito nacional, de “um sistema estável e previsível de governança para as questões de mudanças climáticas”. Seria esse o sinal de um "capitalismo" do bem? O tempo dirá.
Para ler a carta na íntegra, acesse http://u.nu/84v23

quarta-feira, agosto 26, 2009

Mudanças climáticas: sem tempo para postergações

Promovido pelo Instituto Acende Brasil, participei ontem, em Brasília, de um encontro preparativo para a 15a Conferência das Partes na Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que vai ocorrer em dezembro, na cidade dinamarquesa de Copenhague.
Presentes representantes dos ministérios do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia e Minas e Energia, além do Instituto EDP e da WWF. A grande dívida ambiental brasileira, diferentemente de outos países, não está na nossa matriz energética. O que vai ser cobrado é a nossa responsabilidade pelo desmatamento em larga escala. Uma intervenção que considerei importante, foi do prof.Gilvan, quando questionou o
horizonte de longo prazo que os países utilizam para suas medidas de controle às variações climáticas. Quando se estabelece metas para 2050, são promessas, nada mais que promessas. Num horizonte tão distante não se identifica responsáveis. Os compromissos de governo a serem acordados em Copenhague devem começar agora. Não há tempo para discutirmos o futuro se não nos comprometermos com o presente.
Aliás, está no ar um site da Conferência, que pode ser acessado pelo link www.cop15.dk

segunda-feira, agosto 24, 2009

Biomassa residual

A agroenergia foi o grande tema do 4ºCongresso Internacional, semana passada em Curitiba. Um dos principais momentos, foi o lançamento do livro Agroenergia : perspectivas energéticas, socioeconômicas e ambientais, que teve o apoio da Itaipu Binacional e da FAO, orgão ligado a ONU, voltado para a agricultura e alimentos.

O livro é rico em informações e trás na sua apresentação um olhar diferenciado da fronteira Brasil, Argentina e Paraguai. Ao contrário do que é normalmente comentado, tráfego, violência e criminalidade, Jorge Samek, presidente da Itaipu e filho da região, destaca a importância de dois valiosos patrimônios naturais: solos férteis e muita água.

"Essas condições permitiram construir no Brasil - e mais precisamente no Oeste Paranaense - um dos mais promissores segmentos da economia rural brasileira, com milhares de pequenos produtores rurais, em sua maioria de caráter familiar, organizados na forma de cooperativas", comenta Samek.

Sou testemunha do progresso daquela região. Conheci experiências bem sucedidas que tratam da agroenergia como alternativa econômica, agregando valor a atividade rural, sem perder de vista o compromisso com o meio ambiente. E isso é mérito da Itaipu Binacional, promotora de um esforço de levar conhecimento, educação ambiental e apoio técnico às atividades agropecuárias ao redor do reservatório.

Nesse contexto, entra a agroenergia da biomassa residual, que vamos abordar em novas postagens.

sábado, agosto 22, 2009

O constrangimento de Mercadante

Se tem três coisas que não gosto, são: ler jornal do dia anterior, chutar "cachorro morto" e chorar o leite derramado. Nesse sábado, ainda tomado pela indignação com o resultado do Conselho de Ética do Senado, resolvi falar sobre o que eu não gosto.

REGISTROS DE JORNAIS PASSADOS - "Foi-se o líder - o senador Aloizio Mercadante declarou que queria deixar a liderança, a bancada disse que não mais o queria, o governo quis vê-lo pelas costas e o partido não ficou feliz com sua atuação -, saída que deveria ter sido (e não foi) oficializada ontem ".
"Mercadante conseguiu a proeza de transformar uma posição eticamente recomendável e desejável, a de opor-se ao arquivamento das representações contra Sarney, em uma decisão destinada unicamente a salvar a sua própria pele."
" Seus avanços e recuos para tentar salvar seu mandato nas urnas, no ano que vem, podem produzir o efeito inverso". É bom lembrar que Mercadante se elegeu com mais de 10 milhões de votos.

UM SENADOR ARROGANTE - depois de adiar por um dia o pronunciamento onde anunciaria a sua renúncia ao cargo de liderança, Mercadante mudou de idéia. Na sexta-feira, usou a Tribuna para anunciar o "Dia do Fico". Para um plenário vazio, uma figura patética. Sem qualquer brilho nos olhos, cumprindo um lamentável papel. Uma imagem muito diferente do arrogante senador. Mercadante, é sempre lembrado por seus pares, assessores e funcionários da Casa como uma pessoa de difícil trato.

O SENTIDO DA VIDA - em 2005, comi o "pão que o diabo amassou". Foram meses de muita pressão e incompreensão. Recém saido de um mandato de vereador entrei no olho do furacão. Por defender e cobrar que bandeiras históricas do Partido, como a ética, a transparência, rigor nos gastos públicos, não fugissem de nossas mãos, fui isolado. Nas eleições de 2006, sem apoio político e sem os recursos partidários, não deu outra: fiquei sem mandato. Agora, diante de tudo que vejo, do constrangimento, da tristeza e da vergonha que sinto, chego a agradecer pelos votos que não tive.
Como nos ensina o pensador alemão, Immanuel Kant: só com sabedoria e ética, podemos pensar o sentido da vida.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Mais uma boa idéia


COMO UMA ANTIGA CEGONHEIRA VIROU UMA BIOREFINARIA
MÓVEL


O PROJETO É DA BIOMINAS


4° CONGRESSO INTERNACIONAL DE BIOENERGIA


NA FOTO: eu, Alex Nogueira(o responsável pelo projeto) e José Tobino - o responsável da FAO no Brasil


No Congresso, dividi a Mesa com Washington Novaes, renomado jornalista e experiente painelista. O tema: o papel das energias renováveis na construção de modelos socioeconômicos sustentáveis. Com informações atualizadas do mundo, Novaes demonstrou, com dados, que a Terra não suporta os atuais níveis de produção e consumo de energia. Da minha parte, comentei da necessidade e da urgência de se repensar o modelo e se criar condições para os projetos sustentáveis. Repensar um modelo global sustentável de produção e consumo de energia, é tarefa para mais do que uma geração. Mas é preciso começar. Ressaltei que a hora é agora. E que a crise financeira internacional em vez de ser inibidora, deve ser promotora das transformações culturais e incentivadora das políticas públicas necessárias.

quarta-feira, agosto 19, 2009

4º Congresso Internacional de Bioenergia

Numa Curitiba fria e chuvosa, as energias renováveis tomam conta do debate. Para um público jovem e atento, são elas que irão mover a humanidade nas próximas décadas. As experiências com diferentes oleaginosas, a química verde, as biorrefinarias, a biomassa celulósica, a biomassa residual e o biogás no contexto da distribuição distribuída, encontram espaço e eco nesse público que terá a responsabilidade de planejar a matriz energética do fututo.

Amanhã, teremos dois painéis futuristas: a produção de microalgas e a energia solar. No primeiro, vamos saber o quanto avançaram as pesquisas com microalgas, no Brasil e no exterior, e suas perspectivas econômicas. As algas, têm se apresentado como alternativa interessante como fonte de energia. No segundo, vamos ter uma participação direta. Tanto eu, quanto o prof. Ricardo Ruther, em momentos distintos, colocaremos a visão do Instituto IDEAL no tocante à geração distribuída e o desafio de se construir modelos socioeconômicos sustentáveis.

terça-feira, agosto 18, 2009

Um belo exemplo

O nome pode parecer estranho - Um Teto para o Meu País, mas o trabalho da ONG é exemplar. Criada em 1977 pelo jesuíta chileno Felipe Bérrios, chamada carinhosamente por seus membros de "Teto", a ONG já atua em 15 paises, todos da América Latina. O Chile foi o laboratório que deu certo, comenta Bérrios. Lá, a ONG mudou o cenário que encontrou há 13 anos atrás. "Eram 135 mil famílias vivendo em favelas, hoje, são 20 mil", afirma o sacerdote Bérrios, que além de teologia e fisosofia estudou também construção civil.

A ONG chilena, está instalada em São Paulo há três anos. Já construímos 195 casas de emergência comenta a jovem Marina Santos, 20 anos, filha de um auditor e de uma professora, entusiasmada com o trabalho voluntário que faz. As casas são pequenas e de madeira, "nós mesmos construímos em mutirão, sai por R$3.500,00", comenta Larissa Dantas, 24 anos, diretora social da ONG.

Do outro lado do balcão, dona Jucelia, 29 anos, mãe de cinco filhos, acaba de receber sua casa e pagar a sua parte, R$150,00. Emocionada, abre o sorriso e solta o verbo:"paguei muito aluguel e sofri muita humilhação. Não acreditava nessas pessoas até ver eles erguendo a minha casa". (Fonte:FSP- matéria de Márcia Pereira)

UM MAU EXEMPLO

O clima na Assembléia Legislativa de Santa Catarina não é dos melhores. Em nota paga em jornal de grande circulação, os servidores atacaram o deputado Jailson Lima(PT) por suas denúncias em relação à insalubridade paga pela Assembléia a um número considerável de sevidores. O deputado, no legítimo uso de suas atribuições, tem todo o direito de apurar se o pagamento de insalubridade está dentro do que estabelece a legislação vigente.

segunda-feira, agosto 17, 2009

Cidades e soluções

Nossos gestores públicos deviam gostar de ler. Muitas vezes o hábito de ler abre o caminho para uma boa idéia. Sei como os políticos são pragmáticos e se movem pelo voto. No entanto, se ler não dá voto, uma boa idéia pode dar. Gilberto Dimenstein, por exemplo, é uma boa leitura. Costuma escrever sobre tecnologia, cultura, lazer, educação e cidades...

Na sua última coluna, intitulada "Cidades inteligentes", comenta como o futuro da gestão pública é um manifesto pelas cidades inteligentes. A cidade inteligente é aquela que integra ao máximo seus serviços, tirando proveito das tecnologias de comunicação, segundo o texto de Rosabeth Kanter, professora de Harvard e apontada pelo jornal "Times", de Londres uma das 50 mulheres mais influentes no mundo de negócios.

Em essência, a proposta baseia-se na idéia de que as novas tecnologias permitem uma gestão integrada. Batizado de "Bairros do Futuro", pelo presidente Obama, no Harlem, em Nova York, o programa integra uma rede de serviços que vai do atendimento às jovens grávidas, passa pelos serviços à primeira infância, cuida da evasão escolar, ajuda com a lição de casa, apoia os pais que buscam emprego, estimulam os jovens a concluirem o ensino médio e entrarem nas universidades, até chegar na revitalização urbana, dando ao bairro condições de promover a cultura, o lazer e o esporte.

Como podem ver, senhores gestores públicos, uma bela iniciativa. Ahh! Se bem implantada pode até dar voto.

JÁ QUE ESTOU FALANDO EM CIDADES E SOLUÇÕES......

Enquanto a novela do Porto de Itajaí continua, confirmando uma boa trapalhada político/administrativa, chega hoje na cidade de Rio Grande/RS a maior draga que já operou no Brasil. O objetivo: aprofundar o canal de 14 metros para 16,5 metros, tornando o porto mais competitivo. A dragagem vai levar um ano e retirar 18 milhões de m3 de sedimentos. A obra está orçada em R$196 milhões, com recursos do PAC. Enquanto isso, aqui ainda se discute quem vai recuperar o berço do Porto de Itajaí, arrastado pelas águas da enchente de novembro......

sábado, agosto 15, 2009

Bancos Públicos - Parte II

Durante a onda das privatizações, na década de 90, quem defendia a presença do Estado na economia, era logo rotulado de dinossauro. Com a crise financeira internacional, conceitos sobre o papel do Estado foram revistos. Ficou evidenciado, para surpresa de muitos analistas e governantes, que a intensidade da crise foi maior onde o sitema financeiro estava nas mãos do mercado. Já tinha comentado sobre o importante papel que os bancos públicos brasileiros tiveram no combate a crise. Busco, agora, na vizinha Argentina, onde o processo de privatização foi arrasador, informações sobre o papel dos bancos públicos que sobraram, no combate as turbulências financeiras internacionais.

Lá, sobraram poucos bancos públicos. Os mais importantes são o Banco de la Nación e o Banco de la Provincia de Buenos Aires. Pelo que lí, foram eles que aguentaram a crise e amenizaram seus efeitos num país onde a economia vem se mostrando bastante vulnerável. O caso do Banco de la Nación, é emblemático. Fundado em 1891 justamente para resolver uma crise que afetava o sistema bancário da época, 118 anos depois, abre suas portas e libera créditos para evitar o pior. A presidente do Banco, Mercedes del Pont, lembra que em épocas de crise econômica os mecanismos de mercado tendem a agravar a crise. Os bancos privados passam a restringir o crédito, com medo da inadiplência, prolongando e aprofundando a queda de demanda e o nível de emprego.

Segundo um estudo do Centro de Economia e Finanças da Argentina, os bancos públicos, ao contrário dos privados, com ou sem crise, procuram preservar níveis elevados de assistência financeira, que contribuem para moderar a queda do PIB, nos momentos de retração. (Fonte:Valor Financeiro)

sexta-feira, agosto 14, 2009

Na contramão do mundo

Lutar por uma matriz limpa, não é uma tarefa fácil. Precisa estar muito comprometido para resistir as facilidades oferecidas pelo modelo atual e não sucumbir ao pragmatismo de nossos planejadores. Enquanto nos animamos com o potencial eólico do Nordeste e a aproximação do primeiro leilão para energias eólicas, a região está sendo tomada por usinas térmicas "sujas". São 14 térmicas: 4 no Maranhão, 3 no Ceará, 1 no Rio Grande do Norte, 2 em Pernambuco e 4 na Bahia. Pasmem: todas alimentadas por carvão ou óleo. Segundo o presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, no jornal O Valor de hoje, a forte presença das térmicas no Nordeste decorreu da "maior facilidade que as empresas tiveram para obter lisenças ambientais para se instalar". Sem comentários!

quinta-feira, agosto 13, 2009

Bancos Públicos: a nossa grande arma

O Brasil vem enfrentando a crise mundial com sabedoria. Através do Banco do Brasil, da Caixa e do BNDES, o governo brasileiro implementou sua política de crédito, fundamental para evitar o contágio maior da crise. Graças a esse tripé de bancos públicos, foi possível amenizar os efeitos de uma crise econômica sem precedentes.Os resultados começam a aparecer. O anúncio da liderança do BB no ranking dos bancos brasileiros é atribuída a sua ação determinada na liberação do crédito. Os bancos estatais brasileiros, enfrentaram a crise e "aguentaram o tranco". A Caixa Econômica Federal, intensificou a concessão de crédito habitacional. Em 2009, a CEF está disponibilizando R$30 bilhões para o financiamento da casa própria. O BNDES, não só atuou como banco de desenvolvimento para investimentos estratégicos do país, como também funcionou na ponta, irrigando o mercado até com capital de giro. O Banco do Brasil, atuou de forma agressiva colocando no mercado recursos em moeda estrangeira, garantindo as relações com o comércio exterior, sem perder de vista o seu papel com o mercado interno, suprindo de crédito as empresas de menor porte.

Segundo a Revita Valor, analistas mostram que os bancos públicos de hoje são bastante competitivos, mais eficientes e mais lucrativos do que no passado. Foi essa condição que possibilitou a ação das instituições públicas como instrumento de combate a crise financeira. Segundo o professor doutor do Instituto de Economia da Unicamp, Márcio Percival Alves Pinto, "foi graças aos bancos públicos que o país não mergulhou numa recessão profunda, como consequência da crise financeira internacional". E, conclui: "não é possível deixar de reconhecer o papel vital dos bancos públicos para uma economia como a do Brasil, especialmente enquanto parte integrante das políticas de regulação nos períodos de crise e de bonança".

quarta-feira, agosto 12, 2009

Novos ventos

Foi com esse título que o Editorial da Folha fez um comparativo entre a China e o Brasil, no tocante a produção de energia eólica. A Folha destaca "que os chineses incluem energia eólica entre prioridades estratégicas, enquanto no Brasil essa alternativa é pouco explorada". O Editorial faz também referência ao filósofo romano Sêneca, que afirmava:"não existe vento a favor para quem não sabe onde quer chegar", e cobra do governo à ausência de uma política audaciosa para fazer deslanchar no nosso país as chamadas energias alternativas.

A eletricidade gerada pelos ventos, é hoje uma realidade. Dos 121 mil MW instalados no mundo, apenas 403 estão no Brasil. Pela ordem EUA, Alemanha, Espanha e China, representam 70% desse novo segmento de geração de energia. Nossa tímida participação de 0,3%, não se justifica. O potencial existente no território nacional, em particular no Nordeste e no Sul, superior a 150 GW, precisa de apoio e incentivos governamentais. Afinal, estamos falando de energia limpa, da matriz energética do futuro.

Agora em novembro está marcado um leilão específico para energia eólica no Brasil. Estão habilitados 441 projetos, que totalizam 13 mil MW. É um bom sinal. Vamos aguardar o resultado. Pode sair do leilão o sinal que todos esperam: a demanda interna, cria escala e permite a implantação de uma indústria nacional de aerogeradores.

terça-feira, agosto 11, 2009

Turquia: onde a Europa encontra a Ásia

Li, recentemente, uma bela reportagem sobre a Turquia, da jornalista Christiani Moraes. Quanta história e cultura afloram desse país peculiar e misterioso, que pouco conhecemos. Segundo o relato de Christiane Mores, Ankara, a capital, desaparece diante da bela e pujante Istambul. Com 9 milhões de habitantes, Istambul é a única cidade do mundo onde uma ponte separa a Europa da Ásia.

Além de monumentos, muralhas e palácios históricos, Istambul é guardiã das relíquias dos impérios romano, bizantino e otomano. A Istambul dos dias de hoje é moderna, limpa e tem transporte coletivo rápido e barato. É a porta de entrada da Turquia.

A Turquia, com uma população de 80 milhões de habitantes, surpreende todos que a visitam. É um país euroasiático, com visível integração com a Europa. No entanto, o velho e bom chá turco, continua sendo tomado nas ruas, a qualquer hora do dia, pelo país inteiro, seja inverno, seja verão.

domingo, agosto 09, 2009

Pai

Uma palavra com apenas três letras mas de grande significado. Ser pai é muito bom. Me lembro até hoje do meu. Estaria fazendo 101 anos. Há quase vinte nos deixou. Ainda continuo pensando nele. Filhos, desde quando sua chegada é anunciada, até nos despedirmos, representam a continuidade da vida. Quer estejam próximos ou distantes, fazem parte das nossas expectativas e preocupacões. A nossa geracão que conviveu com outro tipo de relacionamento entre pais e filhos, e que agora se depara com um mundo mais aberto, globalizado e com uma velocidade da informacão impensável na nossa época, precisa se adaptar a essa nova realidade. A resposta à esse desafio, passa pelo amor que devemos ter sempre para com nossos filhos e a responsabilidade de mostrar o bom caminho. O Dia dos Pais, deveria ser mais do que um momento de presentear, um dia de reflexão. Pensem nisso.

P.S. o teclado usado é um pouco diferente. Desculpas pelas falhas.

sexta-feira, agosto 07, 2009

A vida não é apenas o que o Senado nos mostra, é um pouco mais.....

UM PÉSSIMO EXEMPLO, é o que o Senado e os senadores vem dando. O ataque verbal de ontem entre os senadores Tasso Jereissati e Renan Calheiros, mostram o nível da Casa. Presidindo "os trabalhos", o Senador Sarney, responsável em parte pela crise, assistia o bate-boca, impassível. Aos berros se chamavam de "cangaceiros de terceira". Uma ofensa aos cangaceiros. Eles pelo menos tinham história e lutavam por seus ideais. Já os senadores....

UM BOM EXEMPLO, vem do Rio Grande do Sul. Nosso amigo e diretor do Instituto IDEAL, o agrônomo Fábio Rosa, é identificado como um dos 80 homens capazes de mudar o mundo. Durante 18 meses, dois jovens jornalistas franceses, Sylvain Darnil e Mathieu Le Roux, viajaram pelo mundo, percorreram 65 mil quilômetros, atrás de projetos sustentáveis de grande valor social. Conheceram 113 iniciativas e selecionaram 80. Dentre elas, o uso de painéis solares na zona rural do Rio Grande do Sul, um projeto pioneiro e futurista, que leva um pouco de conforto a regiões carentes e isoladas há mais de dez anos. Parabéns Fábio! Para nós do Instituto IDEAL é uma honra contarmos com você na nossa diretoria.

A adaptação da letra da música "Sei lá, Mangueira", de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, ao título da postagem, é uma referência a tristeza que o Senado nos causa e a felicidade pelo trabalho do Fábio.

P.S. - o livro: "80 Homens para Mudar o Mundo", está disponível nas livrarias ao preço de R$40,00.

quinta-feira, agosto 06, 2009

De olho no futuro

O fato novo da semana não foi a abertura do Congresso, o arquivamento das denúncias sobre Sarney no Conselho de Ética, a abertura da CPI da Petrobras, a reação de Collor e Renan, nem a saída justa do senador Mercadante. O novo foi o convite feito pelo PV à Senadora Marina Silva, do PT, para se candidatar à Presidência da República. Suas primeiras declarações, "eu me mobilizo pelo avivamento da utopia para a economia do século XXI", mexem com boa parte do eleitorado. Reacendem sonhos e apontam para o futuro. Não sei qual decisão Marina irá tomar, só sei que esse convite traz o novo para o debate das idéias.

FALANDO EM FUTURO, os EUA vão investir US$ 2,4 bilhões para produção de carros elétricos. Segundo o presidente Obama, essa medida visa reduzir a dependência de petróleo, proteger o meio ambiente, proporcionar trabalho e reafirmar o papel da indústria americana com o futuro.

FALANDO EM FUTURO, Brasil e Alemanha firmaram acordo para avançar nos estudos da chamada "química verde". O objetivo é chegar aos solventes verdes e de celulose de diversas procedências. A redução do impacto ambiental nos processos químicos promete revolucionar a indústria e a economia. Leia mais em www.ambientebrasil.com.br

quarta-feira, agosto 05, 2009

O valor das idéias

Joseph Stiglitz, sempre foi muito preciso em suas análises. O reconhecimento de sua formação acadêmica apurada, veio com o Prêmio Nobel da Economia em 2001. Para ele, um dos legados da crise que passamos, será a criação de um movimemto de alcance global em torno de idéias. Novas idéias: que até então não faziam parte da agenda dos paises ricos. Se olharmos para o mundo pós-crise, percebemos que não há ganhadores. No entanto, se olharmos os números com atenção, lembra Stiglitz: "verificamos que os grandes perdedores foram justamente os que sempre deram as cartas no jogo de uma economia globalizada".

Esse é o fato novo dessa crise, que nos obriga repensar o modelo vigente. Repensar, significa pensar e olhar para onde ainda não se olhou. Nossos olhos vão ter que estar voltados para a Ásia, África e América Latina, onde vivem 1,4 bilhões de pessoas que subsistem com menos de 1,25 dólares por dia. Para Stiglitz, mudar esse grau de miserabilidade é uma revolução social de grande alcance.

Por outro lado, também ressalta: "se os pobres sofrem com o fundamentalismo do mercado, seguirão sofrendo com regimes que não geram crescimento. Sem crescimento não pode haver redução sustentável da pobreza. E a pobreza estimula a desafeição".

Para mim, o pacote das novas idéias para a humanidade tem que contemplar: políticas públicas de combate a fome e a miséria, estimular a participação das energias renováveis na matriz energética de todos os paises e preservar o meio ambiente, protegendo planeta da ameaça do aquecimento global. Com isso seremos capazes de projetar um mundo pós-crise sustentável, mais justo e próspero.

terça-feira, agosto 04, 2009

Kassab versus fretados - Parte II

Na última sexta-feira, a Justiça de São Paulo concedeu liminar liberando a circulação em toda a cidade dos ônibus fretados. Para a juíza que concedeu a liminar, Simone Gomes Casoretti, houve, por parte da prefeitura, falta de planejamento e a "população foi afetada pela ineficiência do poder público".

Para Fernando Serapião, arquiteto e urbanista, "os ônibus fretados, tal como locações, surgiram da incapacidade do poder público em oferecer soluções que prestem um serviço público de transporte com conforto, segurança e qualidade". Ele lembra, que a malha de ruas e avenidas não cresceu na mesma proporção que a frota de veículos da cidade, razão do seu saturamento. E o que é pior: não há recursos para novas vias e desapropriações.

A municipalidade, ao invés de coibir, deveria estimular este tipo de solução, constuindo, por exemplo, terminais adequados e vias de circulação restrita aos ônibus. Os fretados, são um transporte de massa, viável e realista, conclui o urbanista.

Por essas e outras é que não avançamos na questão do transporte coletivo e afundamos cada vez mais nossas cidades no caos da mobilidade. Improvisar soluções e transformar o passageiro em cobaia não dá certo em São Paulo e em lugar nenhum.

segunda-feira, agosto 03, 2009

Kassab versus fretados, todos perderam

Pela primeira vez, no mês de julho, não foi a crise do Senado e do seu presidente José Sarney, o tema mais comentado pelo Painel do Leitor da Folha de São Paulo. Um assunto que já tínhamos comentado no blog, ganhou a preferência dos leitores: a polêmica decisão do prefeito Kassab contra "os fretados". Resolvi sair da superficialidade do primeiro comentário, e conhecer melhor o problema que está mechendo com os paulistanos: a mobilidade urbana.

Mestre em engenharia de transporte pela USP, Horácio Augusto Ferreira, conhece os problemas do trânsito saturado de São Paulo. Estudioso do assunto, considera o transporte individual (automóveis), o meio de transporte que mais afeta a chamada mobilidade urbana. Consome mais energia, exige mais investimentos no sistema viário, provoca mais acidentes e polui mais. Só isso já seria o bastante para o prefeito Kassab rever sua posição.

Entretanto, o professor Horácio foi além disso. Estudou, em termos de engenharia de tráfego, o impacto de cada segmento na ocupação das principais vias de São Paulo. Enquanto carros/motos e utilitários ocupam 87% do espaço das vias, transportam, em contrapartida, apenas 48% das pessoas. Por sua vez, o transporte coletivo como um todo representa apenas 11,8% da ocupação total das vias e transporta 50,9% das pessoas. Já os ônibus fretados, motivo de toda a polêmica, representam apenas 2,6% do tráfego mas transportam 17,5% das pessoas no horário pesquisado. O professor afirma na sua análise, o que já sabiamos: o congestionamento em São Paulo (como em qualquer outra cidade) é causado pelo transporte individual, que ocupa cerca de dez vezes mais espaço no sistema viário.

A energia, o meio ambiente, as mudanças climáticas e a mobilidade urbana nas grandes cidades, são grandes desafios desse século. Aguardem para breve "Kassab versus fretados - Parte II".

sábado, agosto 01, 2009

É preciso perseverar

Quando se fala em produzir energia elétrica no Brasil, tem muito interesse em jogo: da cogeração as grandes barragens, das usinas térmicas a óleo até a queima de carvão, dos que não cansam de querer retomar o programa nuclear até aqueles poucos, muito poucos, que insistem na busca por uma matriz energética cada vez mais limpa.

Eu até tenho uma explicação para isso. O setor elétrico se criou com as grandes usinas térmicas e hidro. Seus técnicos se formaram com essa visão. Só em 2002, com a sanção da Lei 10.438, foi outorgado o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas, o Proinfa. É tudo muito recente. Não há uma massa crítica nos ministérios, empresas de energia e bancos de fomento, que dê atenção as chamadas energias renováveis.

O primeiro grande teste vai se dar agora em novembro, com o leilão das eólicas. Se der certo, podemos comemorar a consolidação de uma fonte limpa, muito promissora e de grande potencial que é a energia dos ventos. No entanto, vai depender muito da participação dos investidores públicos e privados. Pelo Plano Decenal de Energia, no horizonte de 2017, as usinas eólicas vão representar apenas 0,9% da oferta nacional, enquanto as térmicas a óleo representarão 5,7%. Mais uma vez, no planejamento, se prioriza as fontes não renováveis em detrimento do imenso potencial eólico que temos. A EPE,empresa de planejamento do setor, precisa incorporar as novas fontes e sinalizar claramente que o Brasil vai utilizar em larga escala seu imenso potencial eólico e solar, possibilitando, com isso, o surgimento de uma indústria nacional que irá baratear os preços finais dessas energias. Está sendo assim no resto do mundo. Precisamos perseverar!

PERSEVERAR, é também o que está fazendo a Honda, ao produzir em série o Clarity. Considerado o "Carro verde do ano", o Clarity é movido a hidrogênio. Para muitos uma precipitação, já que ainda não existe uma infraestrutura para carros a hidrogênio. A aposta da Honda é futurista, para um mundo sem petróleo e sem poluição ambiental, já que o único resíduo do hidrogênio é a água.