segunda-feira, agosto 03, 2009

Kassab versus fretados, todos perderam

Pela primeira vez, no mês de julho, não foi a crise do Senado e do seu presidente José Sarney, o tema mais comentado pelo Painel do Leitor da Folha de São Paulo. Um assunto que já tínhamos comentado no blog, ganhou a preferência dos leitores: a polêmica decisão do prefeito Kassab contra "os fretados". Resolvi sair da superficialidade do primeiro comentário, e conhecer melhor o problema que está mechendo com os paulistanos: a mobilidade urbana.

Mestre em engenharia de transporte pela USP, Horácio Augusto Ferreira, conhece os problemas do trânsito saturado de São Paulo. Estudioso do assunto, considera o transporte individual (automóveis), o meio de transporte que mais afeta a chamada mobilidade urbana. Consome mais energia, exige mais investimentos no sistema viário, provoca mais acidentes e polui mais. Só isso já seria o bastante para o prefeito Kassab rever sua posição.

Entretanto, o professor Horácio foi além disso. Estudou, em termos de engenharia de tráfego, o impacto de cada segmento na ocupação das principais vias de São Paulo. Enquanto carros/motos e utilitários ocupam 87% do espaço das vias, transportam, em contrapartida, apenas 48% das pessoas. Por sua vez, o transporte coletivo como um todo representa apenas 11,8% da ocupação total das vias e transporta 50,9% das pessoas. Já os ônibus fretados, motivo de toda a polêmica, representam apenas 2,6% do tráfego mas transportam 17,5% das pessoas no horário pesquisado. O professor afirma na sua análise, o que já sabiamos: o congestionamento em São Paulo (como em qualquer outra cidade) é causado pelo transporte individual, que ocupa cerca de dez vezes mais espaço no sistema viário.

A energia, o meio ambiente, as mudanças climáticas e a mobilidade urbana nas grandes cidades, são grandes desafios desse século. Aguardem para breve "Kassab versus fretados - Parte II".

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