Essa é uma pergunta que muitos brasileiros estão se fazendo. Poucos conhecem ou já ouviram falar no novo presidente do Uruguai. José Mujica, o “Pepe”, é o mais uruguaio dos uruguaios. Nem os anos sombrios do regime militar o afastaram do país. Para não ser preso morou durante meses dentro de um buraco. Sua simplicidade e sua história de vida, foram devidamente reconhecidas nas urnas pelos uruguaios. Ontem pude ver o quanto as pessoas o consideram. Da guerrilha, como líder tupamaro, a presidência uma vida com distintos caminhos de luta por suas idéias e seu projeto de país. “Pepe” não muda de lado, não se deslumbra com o poder, não convive com a corrupção que permeia a politica latina. É um homem que acorda cedo, às seis da manhã, lê muitos livros, anda de bicicleta e come pouco. Afável com os amigos, duro com os bajuladores. Sua companheira de muitos anos, Lucia Topolansky, também teve o reconhecimento do povo uruguaio. Foi a senadora mais votada do país. Segundo consta, se conheceram na clandestinidade depois da segunda fuga de “Pepe” da cadeia de Punta Carretas. Voltaram a ser presos, e outra vez voltaram a se encontrar. Moram numa pequena chácara próxima de Montevidéu. Seu sonho era construir ali uma escola rural. Viu seu projeto ser adiado em função do resultado eleitoral.
Rincón del Cerro – será lá a nova Casa Oficial do presidente do Uruguai, é o que todos se perguntam? Mujica diz que sim. Segundo informou a imprensa, dedicou toda a tarde de domingo, “arrumando umas peças para alojar a guarda presidencial”. De lá só saiu às 18 horas, momento em que se dirigiu para o hotel NH Colúmbia, esperar o resultado junto com seus companheiros. Esse é o Mujica que a todos encanta. De tão verdadeiro que é, depois de arrumar a casa, tirou uma “siesta”. Foi lá que Carlos de Lannoy, o correspondente da TV Globo para a América Latina, encontrou Mujica e Lucia Topolansky no sábado. Ele comentou comigo que quase foi corrido da casa. Não queriam saber de repórteres importunando o sossego do Rincón del Cerro. A casa é um lugar para os amigos. Segundo ele, a entrevista só aconteceu depois de se apresentar como um uruguaio já que é natural de Trinta e Três, cidade próxima de Jaguarão.
Uma noite de muita emoção – nem a forte chuva tocada a vento afastou a multidão da Rambla. Todos foram para a rua comemorar a esmagadora vitória da Frente Ampla. Mujica, não demonstrava tanta emoção quanto seus pares. O Ministro da Energia, Raúl Sendic, filho do histórico dirigente tupamaro Raúl Sendic, morto pela ditadura, era um dos mais emocionados. Lembrava a toda a hora da luta do pai e de sua profunda relação com Mujica. “Pepe es un hombre que estuvo tan cercano al viejo que, de alguna manera sintetiza toda aquella lucha”. Não podia escrever sobre Mujica noutro lugar que não fosse no Uruguai. Aqui tudo tem a ver com sua história. O relato fica mais verdadeiro em função da proximidade com os fatos. Mesmo sem querer, preciso parar. Tenho três horas para dormir antes de seguir para o aeroporto.
segunda-feira, novembro 30, 2009
Eficiência Energética dá lucro
Outra razão para acreditarmos na nossa inteligência e determinação para vencermos os desafios que as mudanças climáticas irão impor na próxima década é o avanço que a eficiência energética terá daqui para frente. A consciência, e também o bolso irão ajudar. Não há nada que sinalize que o preço da energia baixará, portanto o desperdício vai acabar. A Califórnia, por exemplo, com um Produto Interno Bruto de US$ 1,8 trilhão, maior do que o Brasil, criou leis de eficiência para construções e aparelhos domésticos. Graças a isso se estima que economize por ano, US$ 25 bilhões na conta de energia anual. Hoje, seu consumo per capita é metade dos demais Estados americanos. (Fonte: Revista Época)
domingo, novembro 29, 2009
Uruguai, exemplo de democracia.
Os bons ventos sopram no país vizinho. A eleição do segundo turno, que ocorre hoje, foi participativa e tranqüila. Durante o dia observei várias sessões eleitorais, conversei com algumas pessoas. Vi em todos uma satisfação muito grande por estarem participando de mais um processo eleitoral. Pessoas idosas, com dificuldades de se locomoverem, também se fizeram presentes. De uma senhora, com 93 anos, acompanhada pelo neto, ouvi: “mi gusta votar, mi encanta toda la movimentacíon”. A votação começou às 8 hs e se encerra às 18:30 hs. Logo as pesquisas de boca de urna vão começar a apresentar os primeiros resultados. Tudo aponta para uma vitória folgada do candidato da Frente Ampla, José Mujica sobre Luís Alberto Lacalle, do Partido Nacional, respaldado pelos Colorados.
Três felizes coincidências me relacionam com eleições no Uruguai. A primeira, foi quando da eleição de Tabaré Vásquez, em 2004, quando estive aqui como observador internacional. Depois, no primeiro turno, quando estava à convite do CEFIR apresentando nosso projeto de integração regional, através de uma matriz energética limpa, e pude acompanhar toda a movimentação das ruas. E, agora, participando do segundo turno, em função da última reunião do Parlasul, marcada para amanhã. E o mais surpreendente é que no hotel que sempre ficamos, o NH Colúmbia, é o QG da Frente Ampla. Portanto, estou escrevendo, literalmente, em cima dos fatos. Da janela do meu quarto começo a ver as bandeiras azuis, vermelhas e brancas tomarem conta da Rambla. Logo, Mujica, Astori e seus correligionários, chegam no hotel. Toda a imprensa mundial, os aguarda. Afinal, não é para menos, a se confirmar o que vimos, Mujica será o primeiro presidente tupamaro do Uruguai.
Por necessidade de conhecer o que está ocorrendo com os países latinos, em função do Instituto IDEAL, tenho acompanhado as movimentações políticas da região com atenção. Essa mudança do eleitorado, nos últimos anos, buscando alternativas mais a esquerda, veio para ficar. Novamente utilizo o que está se passando com o Uruguai para justificar esse meu comentário. Um país que conviveu com uma ditadura sangrenta, historicamente conservador, sem indústria e, por conseqüência, sem grandes sindicatos, e que durante anos assistiu “brancos” e “colorados” se alternando no poder, vê agora, a esquerda cair nas graças da sociedade uruguaia, confirmando nas urnas o voto pelas mudanças.
São governos que melhoraram a vida do povo e souberam se comunicar. As pessoas reconhecem o que fizeram. Não é diferente no Brasil. O sentimento é o mesmo. O que vejo de diferente no Uruguai em relação ao Brasil, é que a Frente Ampla é a grande referência do povo. Não há o personalismo, nem em relação a Tabaré como também em relação a Mujica. Por incrível que pareça, Mujica não era o candidato de Tabaré, e chegaram a ficar 3 meses sem se falar. No entanto, esse desencontro não impediu que os uruguaios, na hora do voto, se identificassem com o projeto que trouxe trabalho, cidadania e esperança.
Três felizes coincidências me relacionam com eleições no Uruguai. A primeira, foi quando da eleição de Tabaré Vásquez, em 2004, quando estive aqui como observador internacional. Depois, no primeiro turno, quando estava à convite do CEFIR apresentando nosso projeto de integração regional, através de uma matriz energética limpa, e pude acompanhar toda a movimentação das ruas. E, agora, participando do segundo turno, em função da última reunião do Parlasul, marcada para amanhã. E o mais surpreendente é que no hotel que sempre ficamos, o NH Colúmbia, é o QG da Frente Ampla. Portanto, estou escrevendo, literalmente, em cima dos fatos. Da janela do meu quarto começo a ver as bandeiras azuis, vermelhas e brancas tomarem conta da Rambla. Logo, Mujica, Astori e seus correligionários, chegam no hotel. Toda a imprensa mundial, os aguarda. Afinal, não é para menos, a se confirmar o que vimos, Mujica será o primeiro presidente tupamaro do Uruguai.
Por necessidade de conhecer o que está ocorrendo com os países latinos, em função do Instituto IDEAL, tenho acompanhado as movimentações políticas da região com atenção. Essa mudança do eleitorado, nos últimos anos, buscando alternativas mais a esquerda, veio para ficar. Novamente utilizo o que está se passando com o Uruguai para justificar esse meu comentário. Um país que conviveu com uma ditadura sangrenta, historicamente conservador, sem indústria e, por conseqüência, sem grandes sindicatos, e que durante anos assistiu “brancos” e “colorados” se alternando no poder, vê agora, a esquerda cair nas graças da sociedade uruguaia, confirmando nas urnas o voto pelas mudanças.
São governos que melhoraram a vida do povo e souberam se comunicar. As pessoas reconhecem o que fizeram. Não é diferente no Brasil. O sentimento é o mesmo. O que vejo de diferente no Uruguai em relação ao Brasil, é que a Frente Ampla é a grande referência do povo. Não há o personalismo, nem em relação a Tabaré como também em relação a Mujica. Por incrível que pareça, Mujica não era o candidato de Tabaré, e chegaram a ficar 3 meses sem se falar. No entanto, esse desencontro não impediu que os uruguaios, na hora do voto, se identificassem com o projeto que trouxe trabalho, cidadania e esperança.
sexta-feira, novembro 27, 2009
A sociedade está cobrando medidas a favor do clima
Os consumidores conscientes estão exigindo mudanças. Recente pesquisa da Delloite mostra isso. Quase 60% dos entrevistados já levam em consideração os critérios ambientais na hora de escolher o que comprar. Dos entrevistados, 95% afirmam que estão dispostos a comprar marcas que invistam em sustentabilidade. “Os consumidores e os investidores estão atentos às mudanças climáticas e cobrando uma posição das empresas, independentemente do que aconteça em Copenhague”, afirma Daniel Esty, diretor de Políticas Ambientais da Universidade de Yale, nos Estados Unidos (Fonte: Revista Época). Todos começam a perceber que na próxima década começa o desenho da economia pós-combustíveis fósseis. Vide a anunciada e esperada chegada dos carros elétricos.
quinta-feira, novembro 26, 2009
Aquecimento global, a luta continua... (cinco razões para acreditarmos)
Parte I – As energias renováveis fazem sentido econômico
A pergunta que mais respondemos é quando as energias renováveis vão se tornar competitivas? A resposta que damos, é: depende do país. Em alguns, elas já competem com as fontes convencionais. No Brasil, essa condição ocorrerá na próxima década. Para isso temos que nos preparar, como estão fazendo os demais países. A China, por exemplo, já anunciou investimentos nesse setor de US$ 590 bilhões. Pretende gerar até 2020, 100 gigawatts de energia eólica. Isso é quase tanto quanto tudo que o Brasil tem instalado.
A pergunta que mais respondemos é quando as energias renováveis vão se tornar competitivas? A resposta que damos, é: depende do país. Em alguns, elas já competem com as fontes convencionais. No Brasil, essa condição ocorrerá na próxima década. Para isso temos que nos preparar, como estão fazendo os demais países. A China, por exemplo, já anunciou investimentos nesse setor de US$ 590 bilhões. Pretende gerar até 2020, 100 gigawatts de energia eólica. Isso é quase tanto quanto tudo que o Brasil tem instalado.
quarta-feira, novembro 25, 2009
Lula x Ahnmadinejad
Impossível não comentar a visita do presidente do Irã ao Brasil. Primeiro porque está em todos os jornais, daqui e do exterior, depois porque o líder iraniano é notícia por onde passa. Não vejo grandes problemas nesse encontro. São dois Chefes de Estado que mantêm relações diplomáticas e comerciais. O Brasil, no atual governo, tem dado ênfase às relações internacionais. Isso é visível, e não há nada de errado. Só nesse mês recebemos os presidentes de Israel, da Autoridade Palestina e agora do Irã. Já comentei no blog que vizinhos não se escolha e presidente se recebe. Essa tem sido a pratica de nossa bem sucedida história no campo das relações exteriores. A diplomacia brasileira é reconhecida no mundo todo por ser facilitadora de encontros. Faz parte da nossa cultura nos relacionarmos com todos. A questão nuclear, uma das divergências do mundo com o nosso visitante, têm fórum próprio para ser resolvida. O enriquecimento do urânio em si, não tem nada demais. No interior de São Paulo, há duas décadas, o Brasil vem trabalhando para deter essa tecnologia. Nem por isso somos ameaça para o mundo. O que precisamos separar são as declarações infelizes do presidente iraniano, que acabam personificando como política do Irã suas atitudes pessoais. Essa mistura cria resistências e dificulta o relacionamento. No entanto, nada que a diplomacia brasileira e a conversa política com o presidente Lula não resolvam. O balanço final, com certeza será positivo para o Brasil. Conversar com quem divergimos, sempre é uma boa experiência. O que toma tempo e não nos ensina nada, é conversar com os bajuladores de plantão.
terça-feira, novembro 24, 2009
Curiosidades de La Paz 1
Dr. Roger Carvajal é o Vice Ministro de Ciência e Tecnologia. Profundo conhecedor do seu país, apresentou as enormes potencialidades da Bolívia. Para o governo, produzir energia renovável é um compromisso. A Bolívia utiliza apenas 5% do seu potencial hídrico. Tem regiões de grande insolação e também de boas condições de vento. Apenas uma usina hidrelétrica é responsável por 30% do abastecimento de energia do país, graças a enorme queda d'água.
Curiosidades de La Paz 2
Curiosidades de La Paz 3
Conforme tinha comentado, esse é o "jacaré". Até agora ainda não entendi porque botaram o nome de jacaré num avião. Só falta ser porque aterrisa de barriga. Brincadeiras a parte o 'jacaré" se saiu muito bem. Entre montanhas e nuvens, estacionou sem problemas em La Paz. Lá não se aterrisa, se estaciona. O aeroporto fica a 4060 metros de altura. Quem chega já recebe todo o atendimento necessário. Da nossa comitiva fui o único que não precisei de cuidados. Suportei bem a altitude.
segunda-feira, novembro 23, 2009
Energia: boas e más notícias
Quando comecei com o blog, minha preocupação era se teria assunto para escrever todos os dias. Hoje, diante de tantas opções que o noticiário global te dá, a seleção do tema passa por um processo de depuração. É um exercício diário que faço. Sempre ficam na lista de espera boas matérias para futuros comentários.
Minha idéia inicial era falar um pouco sobre o “jacaré”, como é chamado o avião que me transportou na Bolívia. A pintura de um enorme jacaré ocupa toda sua fuselagem. Confesso que fiquei curioso, mas não perguntei os motivos que levaram um avião ser batizado com esse nome. Depois queria também falar um pouco das incríveis estradas bolivianas. São próprias de um filme do Indiana Jones. De alto risco. No final se semana deixaram 20 mortos. Qualquer descuido ou falha mecânica a morte é certa. No entanto, deixei as aventuras para comentar noutro momento quando ao chegar em casa li na Revista Época, a seguinte chamada de capa: EXCLUSIVO – A usina de R$ 150 milhões nunca ficou pronta.
UMA MÁ NOTÍCIA – toda a obra que não fica pronta é uma má notícia. Se for uma usina para atender de energia o país, pior ainda. Se for com dinheiro público então nem se fala. Agora, se for com dinheiro destinado a honrar compromissos futuros de aposentados, tem que ser apurado e os responsáveis devidamente punidos. O que era para ser uma hidrelétrica em Rondônia é um buraco sem fundo que consumiu R$150 milhões de reais de fundos de pensão de empresas públicas. Segundo a matéria, as vítimas são os fundos: da Petros, Prece e Celos. O último, muito conhecido nosso, é formado pelos funcionários da Celesc. Até agora, não receberam um centavo de volta do dinheirão investido. Por trás de tudo uma tal de Gallway Projetos e Energia do Brasil. O nome do empreendimento, também é bem sugestivo “Usina do Apertadinho”, que foi, literalmente, por água abaixo. Quem vai ficar “apertadinho”, são os gestores desse obscuro negócio que terão que explicar para milhares de participantes dos respectivos fundos de pensão, os recursos que foram levados rio abaixo.
UMA BOA NOTÍCIA – independente de uma possível frustração em relação à conferência de Copenhague, a luta contra o aquecimento global continua. E existem cinco razões para se ser otimista em relação ao clima, nos conta Alexandre Mansur. As nuvens de desconfiança em relação aos resultados da conferência se adensaram após as declarações do presidente dos EUA, Barack Obama e do seu colega da China, Hu Jintao. No entanto, mesmo sem um tratado abrangente para controlar o aquecimento global, há bons motivos para acreditar que o mundo continuará caminhando para uma economia com menores emissões, capaz de evitar as piores conseqüências de um colapso do clima. A seguir, as cinco principais razões:
1 – AS ENERGIAS RENOVÁVEIS FAZEM SENTIDO ECONÔMICO
2 – A EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DÁ LUCRO
3 – OS CONSUMIDORES ESTÃO COBRANDO
4 – OS INVESTIDORES PREFEREM CORTAR EMISSÕES AGORA
5 – LEIS LOCAIS ESTÃO EXIGINDO A REDUÇÃO DAS EMISSÕES
PS – Fonte Revista Época (vou falar depois sobre cada um desses pontos)
Minha idéia inicial era falar um pouco sobre o “jacaré”, como é chamado o avião que me transportou na Bolívia. A pintura de um enorme jacaré ocupa toda sua fuselagem. Confesso que fiquei curioso, mas não perguntei os motivos que levaram um avião ser batizado com esse nome. Depois queria também falar um pouco das incríveis estradas bolivianas. São próprias de um filme do Indiana Jones. De alto risco. No final se semana deixaram 20 mortos. Qualquer descuido ou falha mecânica a morte é certa. No entanto, deixei as aventuras para comentar noutro momento quando ao chegar em casa li na Revista Época, a seguinte chamada de capa: EXCLUSIVO – A usina de R$ 150 milhões nunca ficou pronta.
UMA MÁ NOTÍCIA – toda a obra que não fica pronta é uma má notícia. Se for uma usina para atender de energia o país, pior ainda. Se for com dinheiro público então nem se fala. Agora, se for com dinheiro destinado a honrar compromissos futuros de aposentados, tem que ser apurado e os responsáveis devidamente punidos. O que era para ser uma hidrelétrica em Rondônia é um buraco sem fundo que consumiu R$150 milhões de reais de fundos de pensão de empresas públicas. Segundo a matéria, as vítimas são os fundos: da Petros, Prece e Celos. O último, muito conhecido nosso, é formado pelos funcionários da Celesc. Até agora, não receberam um centavo de volta do dinheirão investido. Por trás de tudo uma tal de Gallway Projetos e Energia do Brasil. O nome do empreendimento, também é bem sugestivo “Usina do Apertadinho”, que foi, literalmente, por água abaixo. Quem vai ficar “apertadinho”, são os gestores desse obscuro negócio que terão que explicar para milhares de participantes dos respectivos fundos de pensão, os recursos que foram levados rio abaixo.
UMA BOA NOTÍCIA – independente de uma possível frustração em relação à conferência de Copenhague, a luta contra o aquecimento global continua. E existem cinco razões para se ser otimista em relação ao clima, nos conta Alexandre Mansur. As nuvens de desconfiança em relação aos resultados da conferência se adensaram após as declarações do presidente dos EUA, Barack Obama e do seu colega da China, Hu Jintao. No entanto, mesmo sem um tratado abrangente para controlar o aquecimento global, há bons motivos para acreditar que o mundo continuará caminhando para uma economia com menores emissões, capaz de evitar as piores conseqüências de um colapso do clima. A seguir, as cinco principais razões:
1 – AS ENERGIAS RENOVÁVEIS FAZEM SENTIDO ECONÔMICO
2 – A EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DÁ LUCRO
3 – OS CONSUMIDORES ESTÃO COBRANDO
4 – OS INVESTIDORES PREFEREM CORTAR EMISSÕES AGORA
5 – LEIS LOCAIS ESTÃO EXIGINDO A REDUÇÃO DAS EMISSÕES
PS – Fonte Revista Época (vou falar depois sobre cada um desses pontos)
sábado, novembro 21, 2009
Direto de La Paz
Gosto de escrever de onde estou. É uma forma das pessoas acompanharem o que voce está fazendo e ao mesmo tempo conhecerem a extraordinária diversidade latina. Não conhecia La Paz. Quero ver se hoje, antes de voltar, consigo passear um pouco. Já deu prá ver que para quem gosta de caminhar como eu, nem pensar. A altura, a topografia e as calçadas não permitem. A Universidad Católica Boliviana, onde fiz minha apresentação ontem, fica numa colina e não tem elevador. Para chegar até o auditório no terceiro andar, falta ar. É uma sensação desagradável. Já o evento, foi muito produtivo. As pessoas da universidade agradáveis e hospitaleiras, os debatedores com muita informação e conteúdo acadêmico. A universidade líder do Projeto JELARE, que envolve universidades do Brasil, Chile, Alemanha, Guatemala, Letônia e Bolivia, é a Universidade de Hamburgo, na Alemanha. Ralf Behrens, responsável pela relação universidade/empresas, apresentou a boa parceria da universidade com a Airbus, maior fabricantes de aviões do mundo, cuja sede é em Hamburgo. A Airbus emprega 10 mil engenheiros e a universidade teve que adaptar seus cursos para atender essa demanda. Segundo Ralf, o mesmo está acontecendo com a indústria eólica e solar de lá. É um novo setor que precisa de qualificação, são os empregos verdes, que não faziam parte do histórico escolar das universidades. Também gostei muito da apresentação do Dr. Roger Carvajal, Viceministro de Ciência e Tecnologia da Bolivia. Embora bastante questionado pelo plenário, saiu-se bem mostrando os compromissos do governo com a inovação tecnológica.
No entanto, se na academia era esse o clima, propositivo e fraterno, nas ruas de La Paz os jornais estampavam na capa manchetes como a do La Razón: "Sube la tensión en Sudamérica por dos conflitos bilaterales". A principal matéria do jornal tratava dos quatro governos, de paises vizinhos, que se enfrentam: Chile x Perú e Venezuela x Colombia. Até parece a Copa América, mas não é. São agressões verbais crescentes, movimentação de tropas nas fronteiras, ameaças de conflitos bélicos. Um despropósito total. Paises que precisam se integrar para responder em bloco os desafios sociais e econômicos, direcionam agora seus escassos recursos para compra de armas e deslocamento de tropas. Aonde querem chegar? Num conflito armado, onde todos perderão? Acho que está na hora do Brasil, com a liderança que tem na região, buscar o diálogo e o entendimento entre nossos irmãos latinos, antes que seja tarde.
No entanto, se na academia era esse o clima, propositivo e fraterno, nas ruas de La Paz os jornais estampavam na capa manchetes como a do La Razón: "Sube la tensión en Sudamérica por dos conflitos bilaterales". A principal matéria do jornal tratava dos quatro governos, de paises vizinhos, que se enfrentam: Chile x Perú e Venezuela x Colombia. Até parece a Copa América, mas não é. São agressões verbais crescentes, movimentação de tropas nas fronteiras, ameaças de conflitos bélicos. Um despropósito total. Paises que precisam se integrar para responder em bloco os desafios sociais e econômicos, direcionam agora seus escassos recursos para compra de armas e deslocamento de tropas. Aonde querem chegar? Num conflito armado, onde todos perderão? Acho que está na hora do Brasil, com a liderança que tem na região, buscar o diálogo e o entendimento entre nossos irmãos latinos, antes que seja tarde.
sexta-feira, novembro 20, 2009
LUIZA ERUNDINA
Convivi quatro anos com Luiza na Câmara dos Deputados. Mulher simples e atenciosa, deputada atuante e preparada, companheira sempre presente e solidária. Um exemplo de mulher. Para minha surpresa fiquei sabendo que foi condenada em última instância a pagar R$ 353 mil à Prefeitura de São Paulo. Interessado pelo caso, li com atenção toda a matéria. E pela primeira vez, vi na condenação de um gestor público, a confirmação da pessoa extraordinária que é Luiza Erundina.
Foi condenada em função de ação popular movida por um advogado de São Paulo, por ter usado verba pública na greve geral dos transportes de 1989. A matéria faz referência que a ex-prefeita só foi condenada porque colaborou com a Justiça, agilizando o processo. Centenas de outras ações contra os ex-prefeitos de São Paulo, Paulo Maluf, Celso Pitta, mofam na Justiça, porque os advogados utilizam todo o tipo de subterfúgio para que os seus processos prescrevam.
Outra prova da pessoa que é Erundina foi oferecer o apartamento em que vive para a penhora. O apartamento de 80 metros quadrados é o seu único bem. A primeira prefeita de São Paulo, eleita em 1989, com mais de vinte anos de mandatos, tem como patrimônio um pequeno apartamento. Pensem nisso! Só essa informação já é um salvo conduto para Luiza Erundina. Num país onde política se confunde com corrupção, deputado com magnata e poder com dinheiro, alguém que fez política por tantos anos, controlou o terceiro maior orçamento da nação, teve o poder nas mãos de administrar a maior cidade da América Latina, dá provas de sua honestidade e do seu caráter ao apresentar para a Justiça seu patrimônio: um pequeno apartamento.
Foi condenada em função de ação popular movida por um advogado de São Paulo, por ter usado verba pública na greve geral dos transportes de 1989. A matéria faz referência que a ex-prefeita só foi condenada porque colaborou com a Justiça, agilizando o processo. Centenas de outras ações contra os ex-prefeitos de São Paulo, Paulo Maluf, Celso Pitta, mofam na Justiça, porque os advogados utilizam todo o tipo de subterfúgio para que os seus processos prescrevam.
Outra prova da pessoa que é Erundina foi oferecer o apartamento em que vive para a penhora. O apartamento de 80 metros quadrados é o seu único bem. A primeira prefeita de São Paulo, eleita em 1989, com mais de vinte anos de mandatos, tem como patrimônio um pequeno apartamento. Pensem nisso! Só essa informação já é um salvo conduto para Luiza Erundina. Num país onde política se confunde com corrupção, deputado com magnata e poder com dinheiro, alguém que fez política por tantos anos, controlou o terceiro maior orçamento da nação, teve o poder nas mãos de administrar a maior cidade da América Latina, dá provas de sua honestidade e do seu caráter ao apresentar para a Justiça seu patrimônio: um pequeno apartamento.
quinta-feira, novembro 19, 2009
Pesquisa e desenvolvimento, uma forma de se integrar
Hoje à noite viajo para a Bolívia. Amanhã, na Universidade Católica, a convite do Joint European-Latin American Universities – JELARE, que é uma rede de universidades com projetos de pesquisa na área das energias renováveis, vou falar sobre a experiência brasileira. No Instituto IDEAL temos priorizado essa relação com a academia. Acreditamos que a integração dos nossos países ocorrerá através de temas que contemplem igualmente a todos. Pesquisa e desenvolvimento interessam a todos. Energia renovável também.
Sair da agenda do confronto ou do conflito, seja na área comercial ou da geopolítica, é fundamental para avançarmos na integração dos nossos povos. Se olharmos para o noticiário da semana, só encontramos dificuldades na árdua tarefa de nos integramos. Argentina e Brasil impondo barreiras comerciais. Chile e Peru se acusando mutuamente. Colômbia e Venezuela trocando ameaças. Argentina e Uruguai em guerra por causa das papeleiras. E assim por diante...
E essas dificuldades se ampliam tanto quando há enfrentamento político ou crise econômica. Bastou o presidente Hugo Chávez recomendar aos venezuelanos, na semana passada, que se preparem para a guerra com a Colômbia, que a votação do protocolo de adesão da Venezuela ao MERCOSUL, foi adiada no Senado. A inconseqüente declaração, obviamente atrapalha um projeto de integração. E o que é pior são países vizinhos, dependentes um do outro, com forte relação comercial.
O recente Encontro Mundial sobre Segurança Alimentar, da FAO, em Roma, poderia se transformar num grande projeto de integração da América do Sul. Todos os líderes desse encontro saíram preocupados em alimentar um bilhão de pessoas que passam fome no mundo. Boa parte delas no nosso continente. Segundo a FAO precisa-se investir US$ 83 bilhões por ano em agricultura nos países em desenvolvimento. Para isso, são necessários investimentos públicos e privados em grande escala. A mesma matéria publicada recentemente na Reuters destaca que o Brasil, através da Embrapa é um bom exemplo. Sua “revolução verde” começou nos anos 70 com a criação da empresa. O resultado é mais diversificação e melhor produtividade das colheitas. Todos os anos, a Embrapa mensura o retorno à sociedade de suas pesquisas em agricultura. Os dados mais recentes mostram que para cada dólar investido em pesquisa agrícola, há um retorno de US$13,50.
Imaginem um grande projeto de produção de alimentos, com tecnologia própria, sendo aplicado em terras férteis do nosso continente, ganhando em escala, trazendo renda ao campo, agregando valor e conhecimento na atividade agrícola. Esse é um projeto concreto de integração, onde todos participam e todos se beneficiam. Criando milhões de “empregos verdes”, em total sintonia com um novo modelo de desenvolvimento para o mundo.
Sair da agenda do confronto ou do conflito, seja na área comercial ou da geopolítica, é fundamental para avançarmos na integração dos nossos povos. Se olharmos para o noticiário da semana, só encontramos dificuldades na árdua tarefa de nos integramos. Argentina e Brasil impondo barreiras comerciais. Chile e Peru se acusando mutuamente. Colômbia e Venezuela trocando ameaças. Argentina e Uruguai em guerra por causa das papeleiras. E assim por diante...
E essas dificuldades se ampliam tanto quando há enfrentamento político ou crise econômica. Bastou o presidente Hugo Chávez recomendar aos venezuelanos, na semana passada, que se preparem para a guerra com a Colômbia, que a votação do protocolo de adesão da Venezuela ao MERCOSUL, foi adiada no Senado. A inconseqüente declaração, obviamente atrapalha um projeto de integração. E o que é pior são países vizinhos, dependentes um do outro, com forte relação comercial.
O recente Encontro Mundial sobre Segurança Alimentar, da FAO, em Roma, poderia se transformar num grande projeto de integração da América do Sul. Todos os líderes desse encontro saíram preocupados em alimentar um bilhão de pessoas que passam fome no mundo. Boa parte delas no nosso continente. Segundo a FAO precisa-se investir US$ 83 bilhões por ano em agricultura nos países em desenvolvimento. Para isso, são necessários investimentos públicos e privados em grande escala. A mesma matéria publicada recentemente na Reuters destaca que o Brasil, através da Embrapa é um bom exemplo. Sua “revolução verde” começou nos anos 70 com a criação da empresa. O resultado é mais diversificação e melhor produtividade das colheitas. Todos os anos, a Embrapa mensura o retorno à sociedade de suas pesquisas em agricultura. Os dados mais recentes mostram que para cada dólar investido em pesquisa agrícola, há um retorno de US$13,50.
Imaginem um grande projeto de produção de alimentos, com tecnologia própria, sendo aplicado em terras férteis do nosso continente, ganhando em escala, trazendo renda ao campo, agregando valor e conhecimento na atividade agrícola. Esse é um projeto concreto de integração, onde todos participam e todos se beneficiam. Criando milhões de “empregos verdes”, em total sintonia com um novo modelo de desenvolvimento para o mundo.
quarta-feira, novembro 18, 2009
Rodízio em Florianópolis, só faltava essa.
O IPUF, Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, quer diminuir os congestionamentos, introduzindo o rodízio de carros no centro da capital. Incapazes de administrar o crescimento da cidade, função primeira de um órgão de planejamento urbano, partem agora para uma medida extrema, só utilizada em São Paulo. Sempre é bom lembrar, como já fiz em outros comentários, que São Paulo é 25 vezes maior que Florianópolis. Partir para o rodízio, numa cidade do porte da nossa, é simplificar o problema. O que precisa ser cobrado dos órgãos públicos responsáveis pelo trânsito em Florianópolis, é competência. Durante anos pouco foi feito para evitar o caos que a cidade está submetida. No verão a culpa é dos turistas, no inverno da chuva. E assim segue o barco. Transporte marítimo, ciclovias, metrô de superfície, nem pensar. Continuam agindo como há trinta anos. Acham um exagero, olhem para o Pantanal. Desde quando a Universidade foi implantada e depois com a vinda da Eletrosul, a rua que corta o bairro é a mesma. Conhecida de todos os prefeitos e postulantes por ter o pior trânsito e o pior asfalto da cidade. E o que é pior, segue engarrafada sem qualquer sinal de solução. Querem mais, tentem ir ao aeroporto. Quantos desavisados já devem ter perdidos seus vôos trancados na “Via Expressa”. Não se surpreendam, é esse o nome do acesso ao Aeroporto Hercílio Luz, na Capital do Turismo do MERCOSUL, onde todo o final de tarde você leva mais de uma hora para percorrer poucos quilômetros. Agora a novidade é o rodízio. Mas é só no centro, informa o diretor de operações do atuante IPUF. Ora, meu caro, e quem precisa ir para o centro, faz o que com o carro? Por acaso vão ser criados bolsões de estacionamento para os carros não circularem pelo centro? E quem mora no centro, estará liberado? E aqueles que nos visitam, vão estar livres do rodízio?
terça-feira, novembro 17, 2009
Uma noite para ficar na lembrança...
Os dias 12 de fevereiro de 2007 e, agora, 16 de novembro de 2009, são duas datas para serem lembradas por todos que acreditaram na idéia de se criar um instituto voltado para a busca do conhecimento, da legislação e dos investimentos na produção de energia limpa no nosso continente. Um sonho compartilhado por 53 pessoas, que se juntaram em torno de uma idéia: criar um instituto privado, sem fins lucrativos, que promovesse as energias renováveis na América Latina. Assim nasceu, em fevereiro de 2007, o Instituto IDEAL. Ontem, antes de completar três anos de existência, em sessão solene da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, recebeu a outorga da Comenda do Legislativo Catarinense pelas ações relevantes e de destaque no Estado.
Foram três anos de muita dedicação. Superamos inúmeros desafios. Não nos desviamos dos objetivos desse projeto futurista. Definimos coletivamente nosso caminho e realizamos nossa caminhada. Cada dia uma superação, uma nova experiência e um novo desafio. O Projeto Estádios Solares para a COPA de 2014 é a mais ambiciosa das nossas iniciativas. No entanto, em nenhum momento deixamos de cuidar do concurso nacional de monografia de pesquisa e desenvolvimento na área das energias renováveis, aproximando a academia do Instituto. Sabemos também, que esse futuro que sonhamos não se realizará se não tivermos uma legislação adequada para uma nova matriz energética. Contribuímos diretamente na formulação e no encontro desses projetos legislativos.
Já tínhamos sido reconhecidos por organismos internacionais. Já tínhamos apresentado o Instituto em inúmeras Embaixadas do Brasil. No entanto ontem à noite, diante da sociedade catarinense que através dos seus legítimos representantes nos acolheu e nos outorgou a Comenda, um sentimento muito especial tomou conta de todos nós, fundadores do IDEAL. Foi um momento mágico, próprio de noites inesquecíveis.
segunda-feira, novembro 16, 2009
Nosso IDEAL, há três anos
Recebi o comentário abaixo da Alessandra, que trabalha comigo no Instituto IDEAL. Reproduzo porque acho que traduz meu sentimento no dia de hoje.
"Mauro, eu te conheço faz tempo: 12 anos para ser exata. Acompanhei sempre teu trabalho e dele participei em boa parte desses anos. Mas a alegria de termos criado o Instituto IDEAL é algo que ficará para toda minha vida, que, espero, seja longa. Há três anos, inspirados pelas experiências do mandado de deputado federal, pensamos num espaço onde poderíamos pautar a importância das energias renováveis para o nosso país e continente. Sabíamos dos desafios que teríamos.... E não foram poucos. Hoje, 16 de novembro, o nosso filho "Instituto IDEAL", será homenageado na Assembléia de Santa Catarina com a Comenda do Legislativo Catarinense. Que honra fazer parte dessa pequena e dinâmica equipe. Em quase três anos, por sua teimosia e crença, chegamos às embaixadas do Brasil na Europa e na América Latina, fizemos convênios com o Parlamento do Mercosul e com o Conselho Mundial de Energias Renováveis, propusemos e foram aceitos os projetos de energia solar na Eletrosul, estamos levando a idéia dos Estádios Solares para as cidades da Copa do Mundo de 2014 e discutimos com crianças e jovens a força que está neles para mudar o mundo. Soma-se a isso o Concurso Eco_Lógicas de Monografias, que está nos mostrando o quanto incentivar a pesquisa acadêmica para as energias limpas é um caminho certo e necessário. Tenho muita satisfação e orgulho de trabalhar com você nesse projeto visionário. O Instituto IDEAL recebe hoje sua primeira honraria institucional em Santa Catarina, onde é nossa sede, mas ele já é do mundo, daqueles que acreditam no Brasil renovável e na juventude criativa. Parabéns a todos nós. " Alessandra Mathyas
"Mauro, eu te conheço faz tempo: 12 anos para ser exata. Acompanhei sempre teu trabalho e dele participei em boa parte desses anos. Mas a alegria de termos criado o Instituto IDEAL é algo que ficará para toda minha vida, que, espero, seja longa. Há três anos, inspirados pelas experiências do mandado de deputado federal, pensamos num espaço onde poderíamos pautar a importância das energias renováveis para o nosso país e continente. Sabíamos dos desafios que teríamos.... E não foram poucos. Hoje, 16 de novembro, o nosso filho "Instituto IDEAL", será homenageado na Assembléia de Santa Catarina com a Comenda do Legislativo Catarinense. Que honra fazer parte dessa pequena e dinâmica equipe. Em quase três anos, por sua teimosia e crença, chegamos às embaixadas do Brasil na Europa e na América Latina, fizemos convênios com o Parlamento do Mercosul e com o Conselho Mundial de Energias Renováveis, propusemos e foram aceitos os projetos de energia solar na Eletrosul, estamos levando a idéia dos Estádios Solares para as cidades da Copa do Mundo de 2014 e discutimos com crianças e jovens a força que está neles para mudar o mundo. Soma-se a isso o Concurso Eco_Lógicas de Monografias, que está nos mostrando o quanto incentivar a pesquisa acadêmica para as energias limpas é um caminho certo e necessário. Tenho muita satisfação e orgulho de trabalhar com você nesse projeto visionário. O Instituto IDEAL recebe hoje sua primeira honraria institucional em Santa Catarina, onde é nossa sede, mas ele já é do mundo, daqueles que acreditam no Brasil renovável e na juventude criativa. Parabéns a todos nós. " Alessandra Mathyas
domingo, novembro 15, 2009
Ainda sobre o “apagão”
Como era de se esperar deixar no escuro milhões de pessoas exige cuidado nas respostas e responsabilidade na apuração do que realmente ocorreu. “Encerrar o caso”, como alguns pretendiam, não deu certo. Atribuir à natureza as causas do “apagão” tem que vir acompanhada de evidências e provas. Um raio, por exemplo, deixa marcas. O presidente LULA, que de bobo não tem nada, percebendo que a linha adotada por seus ministros Lobão, Dilma e Tarso Genro, era simplista e equivocada, não pensou duas vezes: mandou apurar as causas.
Hoje, o Ministério de Minas e Energia, do ministro que queria dar o “caso como encerrado”, anunciou a criação de uma comissão técnica para estudar o apagão da última terça-feira. Ainda bem que o bom senso prevaleceu. Como nos lembra C. Celso Camargo, outro aposentado da Eletrosul, na Folha de S.Paulo, sobre o apagão de Nova York de 1965: “O governo (de lá) não buscou evasivas, não fez uso político do evento e palpiteiros de plantão não foram ouvidos. A preocupação foi esclarecer tecnicamente o que aconteceu”.
Antes de qualquer coisa, deve-se apurar e conhecer as causas. Aqui, o óbvio não funciona. Culpa e responsabilidade não faz parte da nossa cultura política. Governo e oposição trabalham numa outra lógica. E o povo. O povo que se dane e continue rezando para que o raio caie noutro lugar.
PS – por uma feliz coincidência, quem levantou o risco de um apagão, foi um aposentado da Eletrosul, três dias antes do ocorrido. Agora, depois do apagão, também vem de um aposentado da Eletrosul a mais óbvia das orientações: apure-se!
Hoje, o Ministério de Minas e Energia, do ministro que queria dar o “caso como encerrado”, anunciou a criação de uma comissão técnica para estudar o apagão da última terça-feira. Ainda bem que o bom senso prevaleceu. Como nos lembra C. Celso Camargo, outro aposentado da Eletrosul, na Folha de S.Paulo, sobre o apagão de Nova York de 1965: “O governo (de lá) não buscou evasivas, não fez uso político do evento e palpiteiros de plantão não foram ouvidos. A preocupação foi esclarecer tecnicamente o que aconteceu”.
Antes de qualquer coisa, deve-se apurar e conhecer as causas. Aqui, o óbvio não funciona. Culpa e responsabilidade não faz parte da nossa cultura política. Governo e oposição trabalham numa outra lógica. E o povo. O povo que se dane e continue rezando para que o raio caie noutro lugar.
PS – por uma feliz coincidência, quem levantou o risco de um apagão, foi um aposentado da Eletrosul, três dias antes do ocorrido. Agora, depois do apagão, também vem de um aposentado da Eletrosul a mais óbvia das orientações: apure-se!
sexta-feira, novembro 13, 2009
“Chefia” e o apagão
Na última sexta-feira, como fazemos de tempos em tempos, um fiel grupo de amigos se reúne para almoçar. O que temos em comum: trabalhamos e nos aposentamos na mesma empresa, a Eletrosul, gostamos de uma boa carne e de relembrarmos os bons momentos. Nesse dia, o tema que tomou conta da mesa foi o risco de um futuro “apagão”. “Chefia”, um excelente técnico, 40 anos de setor elétrico e que conhece como poucos o nosso sistema, alertava com seu vozeirão e batia na mesa: “tão brincando, o sistema está no limite ... vai dar ...”
Como se fosse uma profecia, na noite de terça-feira veio o “apagão”. Não falei com o “Chefia” depois disso. Tenho certeza que no próximo almoço, em função do desgaste político, dos prejuízos e transtornos que o “apagão” provocou, “Chefia” irá apresentar seus motivos sobre o ocorrido.
Até lá, vamos ouvir de tudo. Oposição e situação fazendo o debate conforme suas conveniências. “Apagão” tira voto. Que o diga FHC. Muita explicação, também não resolve. O povo desconfia. Buscar as causas reais é o melhor caminho. Acidentes acontecem, falhas humanas também. O que não pode ser a causa é a vulnerabilidade no nosso sistema. Primeiro, por ser interligado, causando o efeito dominó, atingindo boa parte do país. Segundo, porque estaria se confirmando as preocupações do “Chefia”, falta de investimento e de mão de obra qualificada. Por último, muito cuidado em botar toda a responsabilidade sobre a natureza. Descargas atmosféricas, fortes ventos e muita chuva, dependendo da região e da época do ano, é o que mais temos. Nem por isso vem acompanhada de “apagões”.
Como se fosse uma profecia, na noite de terça-feira veio o “apagão”. Não falei com o “Chefia” depois disso. Tenho certeza que no próximo almoço, em função do desgaste político, dos prejuízos e transtornos que o “apagão” provocou, “Chefia” irá apresentar seus motivos sobre o ocorrido.
Até lá, vamos ouvir de tudo. Oposição e situação fazendo o debate conforme suas conveniências. “Apagão” tira voto. Que o diga FHC. Muita explicação, também não resolve. O povo desconfia. Buscar as causas reais é o melhor caminho. Acidentes acontecem, falhas humanas também. O que não pode ser a causa é a vulnerabilidade no nosso sistema. Primeiro, por ser interligado, causando o efeito dominó, atingindo boa parte do país. Segundo, porque estaria se confirmando as preocupações do “Chefia”, falta de investimento e de mão de obra qualificada. Por último, muito cuidado em botar toda a responsabilidade sobre a natureza. Descargas atmosféricas, fortes ventos e muita chuva, dependendo da região e da época do ano, é o que mais temos. Nem por isso vem acompanhada de “apagões”.
quinta-feira, novembro 12, 2009
Copenhague, esperança ou frustração?
Poucos dias nos separam da Conferência do Clima em Copenhague. A reunião preparatória em Barcelona terminou nesta sexta-feira (6) após seis dias de negociações. A falta de proposta por parte dos EUA na redução de emissão de CO² frustrou os negociadores. E o que é pior: deixa no ar uma incerteza em relação aos resultados da convenção de Copenhague.
Com o impasse em Barcelona, só os líderes podem salvar o acordo do clima. Os esperançosos defendem a tese de que as indefinições de Barcelona foram criadas para os líderes brilharem em Copenhague, como salvadores do planeta. Os céticos, já acham que os interesses econômicos que estão por trás de uma matriz energética suja e das emissões de carbono nos países mais industrializados, impede grandes mudanças no atual modelo.
Faço parte do grupo dos esperançosos. Acho que seria uma irresponsabilidade tamanha sair desse encontro tão aguardado, sem metas, compromissos e obrigações. O Brasil, que chega a Copenhague precisando responder sobre os altos índices de desmatamento no nosso país, vai apresentar suas metas e serão ambiciosas, afirma o chefe da delegação brasileira em Barcelona, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado.
Estudos preparados pela Rede Clima, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, que reúne técnicos e pesquisadores do país inteiro, vão apresentar metas de corte de um bilhão de toneladas de CO² em seis setores da economia: energia, biocombustíveis, agricultura, reflorestamento, desmatamento no cerrado e desmatamento na Amazônia.
Nossa situação, comparada com a dos demais países, é confortável. E o governo sabe disso. Podemos sair de Copenhague, melhor do que vamos chegar. O nosso “calcanhar de Aquiles”, perante a opinião pública, é o desmatamento. Combatê-lo, tanto na Amazônia como no cerrado, vai dar ao Brasil um reconhecimento internacional em relação aos compromissos com as mudanças climáticas e com a humanidade. Precisamos nos apresentar como propositivos, como parte da solução. Sair do discurso que tem tomado conta desses encontros como o de Barcelona, onde se busca no passado as responsabilidades, mas não se criam as alternativas para o futuro.
Com o impasse em Barcelona, só os líderes podem salvar o acordo do clima. Os esperançosos defendem a tese de que as indefinições de Barcelona foram criadas para os líderes brilharem em Copenhague, como salvadores do planeta. Os céticos, já acham que os interesses econômicos que estão por trás de uma matriz energética suja e das emissões de carbono nos países mais industrializados, impede grandes mudanças no atual modelo.
Faço parte do grupo dos esperançosos. Acho que seria uma irresponsabilidade tamanha sair desse encontro tão aguardado, sem metas, compromissos e obrigações. O Brasil, que chega a Copenhague precisando responder sobre os altos índices de desmatamento no nosso país, vai apresentar suas metas e serão ambiciosas, afirma o chefe da delegação brasileira em Barcelona, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado.
Estudos preparados pela Rede Clima, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, que reúne técnicos e pesquisadores do país inteiro, vão apresentar metas de corte de um bilhão de toneladas de CO² em seis setores da economia: energia, biocombustíveis, agricultura, reflorestamento, desmatamento no cerrado e desmatamento na Amazônia.
Nossa situação, comparada com a dos demais países, é confortável. E o governo sabe disso. Podemos sair de Copenhague, melhor do que vamos chegar. O nosso “calcanhar de Aquiles”, perante a opinião pública, é o desmatamento. Combatê-lo, tanto na Amazônia como no cerrado, vai dar ao Brasil um reconhecimento internacional em relação aos compromissos com as mudanças climáticas e com a humanidade. Precisamos nos apresentar como propositivos, como parte da solução. Sair do discurso que tem tomado conta desses encontros como o de Barcelona, onde se busca no passado as responsabilidades, mas não se criam as alternativas para o futuro.
quarta-feira, novembro 11, 2009
OBAMA e o Nobel da Paz – Parte II
Há um mês, após ter sido premiado com o Nobel da Paz, escrevi sobre o pouco que Obama tinha feito por merecer tamanha honraria. Pensei que as críticas viriam. Não vieram. Um bom sinal tem gente pensando como eu. De lá para cá, continuo mais convencido da minha tese. A situação no Iraque e no Afeganistão piora a cada dia. O Irã é uma pedra no seu sapato. O recente episódio dentro de uma importante base militar nos EUA repercutiu muito mal. O responsável pela chacina, além de ser um militar graduado era contra o envio de mais tropas para o front. As apurações em curso devem esclarecer o lamentável episódio.
Sobre os equívocos da indicação de Obama, gostei demais do comentário de Luiz Felipe Pondé (F.S.Paulo – 2/11), “deviam anunciar que ninguém merecia o prêmio Nobel da Paz este ano e, como na Mega Sena, ficaria acumulado para o próximo ano”. Genial. Imaginem a disputa que seria o ano que vem. E a chamada então: “Senhores façam alguma coisa pela Paz porque o Prêmio está acumulado”.
Sobre os equívocos da indicação de Obama, gostei demais do comentário de Luiz Felipe Pondé (F.S.Paulo – 2/11), “deviam anunciar que ninguém merecia o prêmio Nobel da Paz este ano e, como na Mega Sena, ficaria acumulado para o próximo ano”. Genial. Imaginem a disputa que seria o ano que vem. E a chamada então: “Senhores façam alguma coisa pela Paz porque o Prêmio está acumulado”.
terça-feira, novembro 10, 2009
Por baixo do pano...
Como que milhares de toras com mais de 20 metros de comprimento passam “por baixo do pano”, sem chamar a atenção da fiscalização no Pará? Confesso que não consigo entender essa facilidade. Quando os estudos mostram que 89% do corte é ilegal e que nos 11% de corte autorizado, 37% apresentam irregularidades, aí mesmo que eu fico envergonhado. É um escândalo.
Os dados foram fornecidos pelo Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia) obtido pela Folha de S.Paulo. Segundo a matéria até agora ninguém sabia direito qual a quantidade de madeira clandestina na região. Ora, me poupem! São milhares de toras, que precisam de centenas de caminhões, balsas e navios para serem exportadas. Madeira, não é cocaína, que dá para levar na cueca. Será que nunca chamou a atenção de um órgão responsável pela fiscalização à logística toda que envolve movimentar volume tão grande de madeira? Na própria matéria da Folha aparece a foto de uma balsa empurrando pelo rio centenas de toras, em Portel(PA), município com maior derrubada ilegal. Será que não dá para perguntar para o barqueiro de onde vem aquela madeira?
Os dados foram fornecidos pelo Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia) obtido pela Folha de S.Paulo. Segundo a matéria até agora ninguém sabia direito qual a quantidade de madeira clandestina na região. Ora, me poupem! São milhares de toras, que precisam de centenas de caminhões, balsas e navios para serem exportadas. Madeira, não é cocaína, que dá para levar na cueca. Será que nunca chamou a atenção de um órgão responsável pela fiscalização à logística toda que envolve movimentar volume tão grande de madeira? Na própria matéria da Folha aparece a foto de uma balsa empurrando pelo rio centenas de toras, em Portel(PA), município com maior derrubada ilegal. Será que não dá para perguntar para o barqueiro de onde vem aquela madeira?
segunda-feira, novembro 09, 2009
Muro de Berlim: vinte anos depois
O tempo passa. Dia 9 de novembro de 1989, Günter Schabowski, um dirigente da RDA (República Democrática Alemã), anunciava que os cidadãos do país comunista poderiam atravessar livremente as fronteiras. Horas depois, caía o Muro de Berlim. Por trás desse anúncio, historiadores buscam as razões de uma das decisões mais impactantes do século passado.
O próprio Schabowski, em entrevista ao historiador e cientista político brasileiro Luiz Alberto Moniz Bandeira, confirma que só foi possível tomar a decisão de abrir as fronteiras, após a queda do primeiro-secretário, Erich Honecker, em outubro. Fico imaginando as pressões internas e externas que antecederam esses dias. No seu livro “A Reunificação da Alemanha – do ideal socialista ao socialismo real”, Moniz Bandeira, mostra que a economia ia de mal a pior. A indústria local não respondia mais, as dívidas como Ocidente, era tecnicamente impagável e 250 mil alemães tinham deixado em poucos dias o país pelas fronteiras da Tchecoslováquia e Polônia. Os ventos por mudança sopravam forte. E a economia, nessas horas, é determinante.
Passados vinte anos, a sonhada reunificação da Alemanha, não é um mar de rosas. Quem é da antiga Alemanha Ocidental, reclama do alto custo da reunificação. Já os outros se sentem marginalizados, tanto em termos de salário como de oportunidades. O saudosismo é forte e a nostalgia do leste vira moda. Um fenômeno que vem ganhando força nos últimos cinco anos, a “Ostalgia” (mistura de “Ost, leste, com nostalgia), é a busca por referências que se perderam da noite para o dia com a reunificação, como nos conta Luciana Coelho e James Cimino, enviados da Folha a Berlim.
Berlim e o seu “muro” foram o foco das atenções mundiais. A grande mídia estava ali para anunciar o fim de um regime. No entanto, distante dali, duas cidades Leipzig e Dresden, tinham muito a comemorar. Com movimentos crescentes de rua elas lideraram os protestos na época. A impossibilidade de viajar e as restrições econômicas aumentavam de forma exponencial a insatisfação popular. Em Leipzig, dia 9 de outubro 70 mil pessoas foram às ruas desta cidade de 1400 anos exigir a abertura. Na véspera, 40 mil tinham feito o mesmo em Dresden, ao sul.
Se a transição política é lenta e custosa, o mesmo ocorre na economia. Na excelente cobertura dos enviados da Folha, podemos acompanhar o desafio que é diminuir o desequilíbrio que ainda hoje persiste dentro do país. Quando as barreiras caíram, o que se encontrou no Leste foi um parque industrial anacrônico. O que se pensava sobre o baixo custo da mão de obra como uma vantagem, também sumiu diante da paridade cambial.
Na época havia uma preocupação em relação aos jovens deixarem a região em busca de oportunidades no outro lado. Estima-se que dois milhões deles tenham deixado a região. Para evitar essa situação foi preciso injetar volume considerável de recursos, aproximando o PIB per capita das duas regiões. Mesmo assim a diferença é considerável, e isso é um fator de decepção na região. O custo de vida é igual, mas os salários, na média, são 30% mais baixos. O desemprego no Leste chega 12%, enquanto no Oeste, é de 6%. O PIB numa é cinco vezes maior do que na outra.
Como se pode ver, dificuldades não faltam dentro do processo de unificação da Alemanha. Ela ainda está dividida no bolso e na mente. Cabe a eles resolverem. Afinal foram eles que conviveram, durante 28 anos, com um muro de 4 metros de altura e 127 km de cerca elétrica, separando-os!
O próprio Schabowski, em entrevista ao historiador e cientista político brasileiro Luiz Alberto Moniz Bandeira, confirma que só foi possível tomar a decisão de abrir as fronteiras, após a queda do primeiro-secretário, Erich Honecker, em outubro. Fico imaginando as pressões internas e externas que antecederam esses dias. No seu livro “A Reunificação da Alemanha – do ideal socialista ao socialismo real”, Moniz Bandeira, mostra que a economia ia de mal a pior. A indústria local não respondia mais, as dívidas como Ocidente, era tecnicamente impagável e 250 mil alemães tinham deixado em poucos dias o país pelas fronteiras da Tchecoslováquia e Polônia. Os ventos por mudança sopravam forte. E a economia, nessas horas, é determinante.
Passados vinte anos, a sonhada reunificação da Alemanha, não é um mar de rosas. Quem é da antiga Alemanha Ocidental, reclama do alto custo da reunificação. Já os outros se sentem marginalizados, tanto em termos de salário como de oportunidades. O saudosismo é forte e a nostalgia do leste vira moda. Um fenômeno que vem ganhando força nos últimos cinco anos, a “Ostalgia” (mistura de “Ost, leste, com nostalgia), é a busca por referências que se perderam da noite para o dia com a reunificação, como nos conta Luciana Coelho e James Cimino, enviados da Folha a Berlim.
Berlim e o seu “muro” foram o foco das atenções mundiais. A grande mídia estava ali para anunciar o fim de um regime. No entanto, distante dali, duas cidades Leipzig e Dresden, tinham muito a comemorar. Com movimentos crescentes de rua elas lideraram os protestos na época. A impossibilidade de viajar e as restrições econômicas aumentavam de forma exponencial a insatisfação popular. Em Leipzig, dia 9 de outubro 70 mil pessoas foram às ruas desta cidade de 1400 anos exigir a abertura. Na véspera, 40 mil tinham feito o mesmo em Dresden, ao sul.
Se a transição política é lenta e custosa, o mesmo ocorre na economia. Na excelente cobertura dos enviados da Folha, podemos acompanhar o desafio que é diminuir o desequilíbrio que ainda hoje persiste dentro do país. Quando as barreiras caíram, o que se encontrou no Leste foi um parque industrial anacrônico. O que se pensava sobre o baixo custo da mão de obra como uma vantagem, também sumiu diante da paridade cambial.
Na época havia uma preocupação em relação aos jovens deixarem a região em busca de oportunidades no outro lado. Estima-se que dois milhões deles tenham deixado a região. Para evitar essa situação foi preciso injetar volume considerável de recursos, aproximando o PIB per capita das duas regiões. Mesmo assim a diferença é considerável, e isso é um fator de decepção na região. O custo de vida é igual, mas os salários, na média, são 30% mais baixos. O desemprego no Leste chega 12%, enquanto no Oeste, é de 6%. O PIB numa é cinco vezes maior do que na outra.
Como se pode ver, dificuldades não faltam dentro do processo de unificação da Alemanha. Ela ainda está dividida no bolso e na mente. Cabe a eles resolverem. Afinal foram eles que conviveram, durante 28 anos, com um muro de 4 metros de altura e 127 km de cerca elétrica, separando-os!
sexta-feira, novembro 06, 2009
"A Cabeça do Brasileiro"
Esse é o título do livro do socíologo e professor universitário, Alberto Carlos Almeida, comentado pelo próprio autor no Jornal Valor, nesse final de semana. No livro ele relata a pesquisa feita na eleição de 1992 na Grã-Bretanha, considerado um dos erros de pesquisa mais conhecido pelos estudiosos do tema. A Market Research Society realizou um estudo sobre aquele fenômeno e concluiu que todas as fontes de erro foram "não amostrais". Um fator de grande peso foi a recusa em responder às pesquisas.
Isso ocorreu na Grã-Bretanha, há quase vinte anos atrás. O autor no seu livro trás para a nossa realidade o que aprendeu analisando os erros cometidos pelos institutos de pesquisa naquela eleição. Para ele, não existe profissão isenta de erros. O que acontece no Brasil é que é dada uma importância desproporcional as pesquisas. No Brasil há uma guerra ferrenha por cada ponto percentual que um candidato sobe ou desce, como se isso fosse definir seu destino, ganhar ou perder. Portanto, admitir os erros nem pensar. Vendem seus trabalhos pelo preço que pode vir a valer. Esse fenômeno é próprio daqui. Para eles as pesquisas não erram jamais. E assim segue a vida: de eleição em eleição. Agora mesmo, já começam a influenciar nos acordos para as futuras coligações.
Isso ocorreu na Grã-Bretanha, há quase vinte anos atrás. O autor no seu livro trás para a nossa realidade o que aprendeu analisando os erros cometidos pelos institutos de pesquisa naquela eleição. Para ele, não existe profissão isenta de erros. O que acontece no Brasil é que é dada uma importância desproporcional as pesquisas. No Brasil há uma guerra ferrenha por cada ponto percentual que um candidato sobe ou desce, como se isso fosse definir seu destino, ganhar ou perder. Portanto, admitir os erros nem pensar. Vendem seus trabalhos pelo preço que pode vir a valer. Esse fenômeno é próprio daqui. Para eles as pesquisas não erram jamais. E assim segue a vida: de eleição em eleição. Agora mesmo, já começam a influenciar nos acordos para as futuras coligações.
quinta-feira, novembro 05, 2009
"Freedom", é mais que liberdade
Pensei que não ia voltar a falar de tartarugas. Depois que escrevi sobre a "Vitória", me lembrei do seu olhar: da força e determinação para chegar até o mar. Depois de tanto sofrer, sentir de novo a brisa do mar deve ter sido um sentimento único. Na língua portuguesa nós não temos uma palavra que expresse algo acima da liberdade. Como se fosse um estado de espírito, próprio de alguém que se sinta dono de sua vida, de seu destino. "Freedom", em inglês, segundo Robert Wong, tem essa dimensão. Não consegui falar com a "Vitória" para saber se era esse seu sentimento. Ela logo desapareceu diante as primeiras ondas do mar. Nunca vou saber como ela se sentiu naquele momento. (Fotos tiradas na praia de Busca-Vida, no Hotel Bahia Plaza, base do Projeto Tamar)
quarta-feira, novembro 04, 2009
"Vitória" de volta à vida
Meu nome é "Vitória". Nasci no litoral da Bahia. Sou uma guerreira. De mil tartarugas que nascem, apenas uma sobrevive. Quando nos tornamos adultas (cerca de 30 anos), voltamos para o lugar que nascemos para a desova. Assim começa um novo ciclo de vida. Coisas que só a natureza consegue explicar. Quando estava chegando na praia, fiquei presa numa rede de pesca. Sofri muito. Pensei que ia morrer. Ferida e adoentada, fui levada para os cuidados do Projeto Tamar. Fizeram de tudo para que eu voltasse a viver. No sábado passado, já recuperada, voltei para o mar.
O PROJETO TAMAR está completando 30 anos de atividades no Brasil. Mantém 23 bases de pesquisa e conservação. Uma das últimas implantadas é a de Santa Catarina, na Barra da Lagoa. O Tamar integra o Programa Petrobras Ambiental. Entre os bons resultados destacam-se: 3,5 milhões de pessoas envolvidas, 188 municípios beneficiados, 825 parcerias estabelecidas, mais de 4 mil cursos, 250 publicações especializadas.
No mundo há sete espécies de tartaruga. Cinco delas são encontradas no Brasil. A maior delas, a Tartaruga de Couro, pode chegar a pesar 900 quilos. Vive sempre em alto mar e há raras desovas no litoral do Espírito Santo. A Tartaruga Verde, pesa em média 250 quilos. É a espécie que aparece em maior número no nosso litoral. Normalmente é vista entre o litoral norte do Rio de Janeiro até as praias do Rio Grande do Norte.
Anualmente o Tamar protege e monitora cerca de 20 mil desovas, com 900 mil filhotes liberados ao mar. Ao completar 30 anos em janeiro, o Tamar supera a marca de aproximadamente dez milhões de filhotes nascidos sob sua proteção. É considerado um dos mais importantes programas de conservação marinha do mundo. E a "Vitória" agradece!
terça-feira, novembro 03, 2009
Código Florestal: o golpe tucano
"Sob a liderança do PSDB, os ruralistas tentaram dar um golpe ontem no processo de votação do Código Florestal. A discussão do Código em si já é uma ameaça. Pior é o golpe tucano, porque ele tentava atropelar tudo e votar já a anistia para os desmatadores e a permissão de plantar espécies exóticas na Amazônia. O barulho das sirenes do Greenpeace parou a votação, por uma semana." Essa denúncia é de Miriam Leitão. Ela mesma, para surpresa de muita gente. No dia de ontem, Finados, quantos ambientalistas devem ter pulado nos seus túmulos, diante do silêncio dos nossos congressistas. Precisou o Greenpeace agir dentro do Congresso para que a votação fosse adiada.
Eu fico impressionado como tem gente se fazendo de morto nessas dicussões sobre Código Florestal no Brasil. Todos sabem que o mundo está discutindo como proteger o que resta de reservas ambientais no planeta. Que em dezembro, todos os paises vão estar reunidos em Copenhague para debater a mais aguardada negociação climática do mundo. E nós aquí, pagando o mico: assistindo nossos congressistas agindo como facilitadores da destruição.
E o que é pior, como sabem que desmatar só agrada quem desmata, ficam tramando na surdina. Não querem assumir de público o desgaste de serem responsabilizados pela degradação do meio ambiente. Vide o que aconteceu em Santa Catarina. Insisto nesse tema, porque não me conformo com o resultado da votação na Assembléia Legislativa. " O argumento de que o Brasil é grande, e tem ecossistemas diferentes, e que, por isso, os estados devem decidir, é falacioso. A diversidade brasileira é fato, e por isso há normas diferenciadas. Mas topo de morro, encostas e beira do rio têm que estar protegido em qualquer lugar do mundo. Não há relatividade possível." M.L.
Eu fico impressionado como tem gente se fazendo de morto nessas dicussões sobre Código Florestal no Brasil. Todos sabem que o mundo está discutindo como proteger o que resta de reservas ambientais no planeta. Que em dezembro, todos os paises vão estar reunidos em Copenhague para debater a mais aguardada negociação climática do mundo. E nós aquí, pagando o mico: assistindo nossos congressistas agindo como facilitadores da destruição.
E o que é pior, como sabem que desmatar só agrada quem desmata, ficam tramando na surdina. Não querem assumir de público o desgaste de serem responsabilizados pela degradação do meio ambiente. Vide o que aconteceu em Santa Catarina. Insisto nesse tema, porque não me conformo com o resultado da votação na Assembléia Legislativa. " O argumento de que o Brasil é grande, e tem ecossistemas diferentes, e que, por isso, os estados devem decidir, é falacioso. A diversidade brasileira é fato, e por isso há normas diferenciadas. Mas topo de morro, encostas e beira do rio têm que estar protegido em qualquer lugar do mundo. Não há relatividade possível." M.L.
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