Certos produtores insistem em derrubar a floresta para transformá-la em pasto. Reivindicam limite maior para desmatamento. Alegam, que o veto a carne do "boi do desmate", derruba o preço da carne. Ora, é preferível cair o preço da carne do que cair a mata. Essa história de criar gado na Amazônia, para mim, sempre foi muito mal explicada. O erro começa na origem. Grilheiros, ocupam terras da União, promovem o desmatamento e passam a produzir carne em larga escala. Só no Pará, onde, até pouco tempo atrás, não havia tradição na atividade pecuária, o rebanho bovino já representa 17% do rebanho nacional. O procurador da República no Pará, Daniel Avelino, um dos responsáveis pelas ações que pediram o embargo da carne de área desmatada ilegalmente, disse a Folha de São Paulo, que o respeito às leis tem um "custo". E, conclui: de 1996 a 2006, o desmatamento na Amazônia foi de 209.000km², nesse período o rebanho cresceu 100% na Amazônia e 10% no resto do país.
P.S. - Falando em lei, ela foi aplicada com todo o rigor(lá nos EUA). O mega investidor da Bolsa americana, Bernard Madoff, que através do conhecido "golpe da pirâmide" deu um prejuízo bilionário, foi condenado a pena máxima de 150 anos pela Corte americana.
SÓ POR CURIOSIDADE - 209.000 km², representa a área equivalente a 400 ilhas como a nossa. Seria o mesmo que desmatar uma Ilha de Santa Catarina por dia durante um ano. Pode!
P.S. - Por falar na Ilha, o nosso sempre atento Sérgio da Costa Ramos, na sua Coluna de hoje, comentou que a briga em relação ao "guard-rail" continua. E, nos lembra, que a Ponte Hercílio Luz, motivo de toda a polêmica, levou quatro anos para ser construída e está interditada para manutenção há 24 anos. Pode!
terça-feira, junho 30, 2009
segunda-feira, junho 29, 2009
Eletrosul: no sol, o recomeço

Para mim, que trabalhei mais de trinta anos na Eletrosul, essa última quarta-feira, dia 24, foi um dia muito especial. Como presidente do Instituto IDEAL, testemunhei a assinatura do Projeto de 1 MW Solar, a ser instalado no telhado da sede da empresa. A iniciativa faz parte do acordo de Cooperação Brasil-Alemanha, de Proteção Climática. Foram meses de tratativas sobre a importância desse projeto. Depois de ter todo o seu parque gerador privatizado, a Eletrosul volta a gerar utilizando a energia solar.
A Eletrosul e o governo alemão, através do Banco Kfw, financiaram um estudo de viabilidade para a instalação da primeira usina solar de grande porte conectada à rede. O Instituto IDEAL e a UFSC executaram o estudo com o apoio da Agência de Desenvolvimento da Alemanha, a GTZ.
O custo total do Projeto, estimado em 4,5 milhões de euros, terá, como incentivo a essa nova tecnologia no Brasil, uma parcela a fundo perdido do governo alemão de 2,7 milhões de euros. Com isso estaremos conhecendo e dominando novas tecnologias e nos habilitando para novos modelos de comercialização de energia limpa. A grande "sacada" na viabilização desse tipo de projeto, é associá-lo a ganhos de marketing. Aliás, essa é a estratégia embutida no projeto do Instituto IDEAL, conhecido como ESTÁDIOS SOLARES. Na foto, sentados, os representantes da GTZ, do Kfw, o presidente e diretores da Eletrosul e eu.
sábado, junho 27, 2009
"2020", um filme de ficção
Na década de 60, um filme de ficção me marcou muito. "2020", um clássico da época, mostrava nosso planeta arrasado. Nada se plantava, as pessoas famintas comiam uma ração que era distribuída para os mais jovens. Os mais velhos eram mortos. A única árvore que tinha sobrado, era referenciada por todos. Toda a vez que vejo descaso com o meio ambiente me vem a lembrança esse filme. Não consigo entender o porque do desmatamento, das queimadas e de medidas incentivadoras dessa insanidade. Para mim qualquer política menos restritiva com o meio ambiente é um desastre para a humanidade.
Em recente artigo, Paulo Barreto, mestre em Ciências Florestais pela Universidade de Yale, e pesquisador senior do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia, mostra como e porque temos que acabar com os desmatamentos. Só a Amazônia perdeu 70 milhões de hectares para o desmatamento. Uma área equivalente a França. A metade do peso de uma árvore é carbono, e as queimadas pós desmatamento, correspondem a 50% das emissões brasileiras.
Segundo o professor Barreto, as causas do desmatamento incluem falhas de políticas públicas e do mercado. Geralmente, é mais barato e lucrativo desmatar do que investir na recuperação de áreas já desmatadas. As políticas públicas devem estar voltadas para preservação das florestas- que produz benefícos coletivos, como a regulação climática e a proteção da biodiversidade. Cabe aos governos, federal e estadual, promoverem e criarem condições de remunerar quem preserva.
Aqui em Santa Catarina, já comentei sobre isso no blog, o governo propôs e a Assembléia aprovou um novo Código Ambiental bem menos restritivo. Sua constitucionalidade está sendo questionada. Independente do resultado, o estrago já foi feito. Passaram uma versão para a sociedade: os agricultores estão deixando o campo por causa de restrições ambientais. Ora, me poupem. Os agricultores deixam a terra, por causa de falta de financiamento, frustação na produção, por seca ou chuva em excesso, atravessadores inescrupulosos, falta de incentivo a atividade, ausência de uma política de preço minímo, e outras tantas incertezas próprias da atividade agrícola. Voces sabiam que temos, no Estado, milhões de hectares sem uso ? Será que não é hora do governo incentivar o uso dessas áreas ?
Em recente artigo, Paulo Barreto, mestre em Ciências Florestais pela Universidade de Yale, e pesquisador senior do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia, mostra como e porque temos que acabar com os desmatamentos. Só a Amazônia perdeu 70 milhões de hectares para o desmatamento. Uma área equivalente a França. A metade do peso de uma árvore é carbono, e as queimadas pós desmatamento, correspondem a 50% das emissões brasileiras.
Segundo o professor Barreto, as causas do desmatamento incluem falhas de políticas públicas e do mercado. Geralmente, é mais barato e lucrativo desmatar do que investir na recuperação de áreas já desmatadas. As políticas públicas devem estar voltadas para preservação das florestas- que produz benefícos coletivos, como a regulação climática e a proteção da biodiversidade. Cabe aos governos, federal e estadual, promoverem e criarem condições de remunerar quem preserva.
Aqui em Santa Catarina, já comentei sobre isso no blog, o governo propôs e a Assembléia aprovou um novo Código Ambiental bem menos restritivo. Sua constitucionalidade está sendo questionada. Independente do resultado, o estrago já foi feito. Passaram uma versão para a sociedade: os agricultores estão deixando o campo por causa de restrições ambientais. Ora, me poupem. Os agricultores deixam a terra, por causa de falta de financiamento, frustação na produção, por seca ou chuva em excesso, atravessadores inescrupulosos, falta de incentivo a atividade, ausência de uma política de preço minímo, e outras tantas incertezas próprias da atividade agrícola. Voces sabiam que temos, no Estado, milhões de hectares sem uso ? Será que não é hora do governo incentivar o uso dessas áreas ?
sexta-feira, junho 26, 2009
Corrupção e Educação
Interessante a análise feita pelo socíologo e professor, Alberto Carlos Almeida, autor do livro " A Cabeça do Brasileiro", sobre a dificuldade de se combater a corrupção no Brasil (EU&-26/7). Para ele, quanto maior a escolaridade, mais a sociedade reage contra a corrupção. Em recente pesquisa nacional, mil entrevistados, nos dias 25 a 30 de maio, em plena semana de escândalos no Senado, o resultado aponta, que: ela incomoda pouco os que tem escolaridade até o primeiro grau, e muito para os que cursaram nível superior.
Os dados mostram que na medida que aumenta a escolaridade, cresce a cobrança da sociedade. No Paraná acabou de acontecer uma grande mobilização da classe média, com manifestações de rua, contra um deputado que atropelou um carro e matou dois jovens. O deputado renunciou e vai responder pelo que cometeu. Esse mesmo episódio, em outro Estado, com menos escolaridade e poder de mobilização, teria outro desfecho.
Na semana passada os principais jornais britânicos estamparam tarjas pretas cobrindo o Big Ben e o Parlamento britânico. O resultado foi imediato: ministros e parlamentares foram afastados. Se formos comparar o que fizeram lá com o que nossos senadores estão fazendo aqui, percebemos que os escândalos de lá são infinitamente menores que os escândalos daqui. Essa constatação vai além da corrupção. Ela está presente no cotidiano da sociedade moderna: nas drogas, violência no trânsito, prostituição infantil e tantas outras mazelas.
Afinal, o que nos diferencia? Segundo o professor Alberto, o grau de escolaridade. As sociedades mais ricas são quase sempre mais escolarizadas. Isso faz uma grande diferença. A impunidade não sobrevive numa sociedade consciente e exigente com seus direitos. A pressão social sobre as instituições, quebra os acordos tácitos existente entre a elite dominante, expondo-a perante a opinião pública. Assim se dão as mudanças. Assim se constrói a cidadania.
Os dados mostram que na medida que aumenta a escolaridade, cresce a cobrança da sociedade. No Paraná acabou de acontecer uma grande mobilização da classe média, com manifestações de rua, contra um deputado que atropelou um carro e matou dois jovens. O deputado renunciou e vai responder pelo que cometeu. Esse mesmo episódio, em outro Estado, com menos escolaridade e poder de mobilização, teria outro desfecho.
Na semana passada os principais jornais britânicos estamparam tarjas pretas cobrindo o Big Ben e o Parlamento britânico. O resultado foi imediato: ministros e parlamentares foram afastados. Se formos comparar o que fizeram lá com o que nossos senadores estão fazendo aqui, percebemos que os escândalos de lá são infinitamente menores que os escândalos daqui. Essa constatação vai além da corrupção. Ela está presente no cotidiano da sociedade moderna: nas drogas, violência no trânsito, prostituição infantil e tantas outras mazelas.
Afinal, o que nos diferencia? Segundo o professor Alberto, o grau de escolaridade. As sociedades mais ricas são quase sempre mais escolarizadas. Isso faz uma grande diferença. A impunidade não sobrevive numa sociedade consciente e exigente com seus direitos. A pressão social sobre as instituições, quebra os acordos tácitos existente entre a elite dominante, expondo-a perante a opinião pública. Assim se dão as mudanças. Assim se constrói a cidadania.
quinta-feira, junho 25, 2009
Nada será como antes...amanhã...
A última fórmula sobre os empregos da próxima década, publicada pela revista Galileu, considera como determinante: meio ambiente, qualidade de vida e inovação. Dentro desse triângulo, os jovens devem buscar seu trabalho futuro. Será uma outra sociedade em formação. Com coisas boas e ruins. O que se percebe, é que nada será como antes. Amanhã será um novo dia. As cidades ficarão mais difíceis de se viver. O caos no trânsito, tem tudo para se agravar. Os números são assustadores: 13 mil veículos entram em circulação por dia no País. Ninguém pergunta se tem espaço para eles. Eu me arrisco a dizer que não. A qualidade de vida, identificada como uma das partes do triângulo, esta diretamente vinculada a essas cidades ameaçadas.
Os jovens também tem com o meio ambiente, compromisso e razão de preocupação. Não foi por acaso que o presidente LULA recebeu mais de 7 mil mensagens para vetar a Medida Provisória 458, que cria novas regras para a regularização de terras na Amazônia (já comentado no blog). A preocupação com o desmatamento é crescente. No ano de 2008, foram quase 10.000km². Para efeitos comparativos, derrubaram mais do que uma Ilha de Santa Catarina, por mês, de mata. Isso é um crime. Os jovens, que terão no meio ambiente, possibilidade de trabalho futuro, terão um papel fundamental na luta pela preservação de nossas florestas e recursos naturais.
Por fim a inovação. Acredito que esse lado do triângulo, é o mais instigante. Na capa da revista Galileu, a provocação à reflexão. Segundo a revista: " Em 2020, você trabalhará em casa, seu chefe terá menos de 30 anos e será uma mulher". Confesso que a inovação tecnológica, é de uma velocidade tamanha que não me permite afirmar nada. Façam seus comentários......
Os jovens também tem com o meio ambiente, compromisso e razão de preocupação. Não foi por acaso que o presidente LULA recebeu mais de 7 mil mensagens para vetar a Medida Provisória 458, que cria novas regras para a regularização de terras na Amazônia (já comentado no blog). A preocupação com o desmatamento é crescente. No ano de 2008, foram quase 10.000km². Para efeitos comparativos, derrubaram mais do que uma Ilha de Santa Catarina, por mês, de mata. Isso é um crime. Os jovens, que terão no meio ambiente, possibilidade de trabalho futuro, terão um papel fundamental na luta pela preservação de nossas florestas e recursos naturais.
Por fim a inovação. Acredito que esse lado do triângulo, é o mais instigante. Na capa da revista Galileu, a provocação à reflexão. Segundo a revista: " Em 2020, você trabalhará em casa, seu chefe terá menos de 30 anos e será uma mulher". Confesso que a inovação tecnológica, é de uma velocidade tamanha que não me permite afirmar nada. Façam seus comentários......
quarta-feira, junho 24, 2009
Usinas nucleares: um novo problema para Obama
Além da crise que atingiu profundamente a economia americana, um novo problema na área de energia, vem causando grande preocupação. Com a divulgação da investigação feita pela Associated Press em relação a situação dos reatores nucleares nos EUA, acendeu a luz vermelha. O governo autorizou 19 usinas nucleares a desativarem seus reatores. O que, aparentemente, seria uma boa notícia, tem causado preocupação nas pessoas. Paralizar ou desativar uma central nuclear, é um grande problema. O lixo radioativo pode vazar das usinas abandonadas. Para evitar qualquer desastre, as empresas são obrigadas a criarem um fundo para a desativação. No caso dos EUA, a crise também atingiu os fundos de reserva, que perderam US$ 4 bilhões. Agora, a situação é crítica: precisam dos fundos só que eles são insuficentes para desativar as usinas e remover o material radioativo.
Na sexta-feira, a Comissão Reguladora Nuclear dos EUA (NRC), divulgou relatório querendo saber como às operadoras pretendem resolver o problema. A NRC avalia que o custo de desmantelamento de um reator nuclear varia hoje de US$ 300 milhões a US$ 600 milhões. O tempo para um reator se manter ocioso, pelas regras americanas, é de 60 anos. Especialistas acham que, daqui a 60 anos, as empresas responsáveis pela descontaminação dos seus reatores, não existirão mais.
O exemplo que melhor ilustra esta preocupação, é a usina de Vermont Yankee, no sudeste de Vermont, que começou a funcionar em 1972, e sua licença se expira em 2012. Seu fundo para desativação tem menos da metade do dinheiro considerado necessário. Em dezembro de 2007, o fundo acumulava US$ 416 milhões. Com a crise caiu para US$ 384 milhões, nem perto do valor estimado para o desmantelamento da usina de US$932 milhões. (Fonte: Jornal O Valor)
Fico imaginando essa situação no Brasil, onde os equipamentos( comprados e pagos) de Angra 3, estão armazenados há mais de 20 anos. Quanto a criação do fundo para a desativação das usinas, o assistente da presidência da Eletronuclear, Leonan Guimarães, disse que o recolhimento dos recursos demorou para começar a ser feito por falta de uma legislação específica. Sinceramente, é hora de se pensar em construir 10 usinas nucleares aqui no Brasil ? Por favor, respondam!
(Fonte: Jornal O Valor)
Na sexta-feira, a Comissão Reguladora Nuclear dos EUA (NRC), divulgou relatório querendo saber como às operadoras pretendem resolver o problema. A NRC avalia que o custo de desmantelamento de um reator nuclear varia hoje de US$ 300 milhões a US$ 600 milhões. O tempo para um reator se manter ocioso, pelas regras americanas, é de 60 anos. Especialistas acham que, daqui a 60 anos, as empresas responsáveis pela descontaminação dos seus reatores, não existirão mais.
O exemplo que melhor ilustra esta preocupação, é a usina de Vermont Yankee, no sudeste de Vermont, que começou a funcionar em 1972, e sua licença se expira em 2012. Seu fundo para desativação tem menos da metade do dinheiro considerado necessário. Em dezembro de 2007, o fundo acumulava US$ 416 milhões. Com a crise caiu para US$ 384 milhões, nem perto do valor estimado para o desmantelamento da usina de US$932 milhões. (Fonte: Jornal O Valor)
Fico imaginando essa situação no Brasil, onde os equipamentos( comprados e pagos) de Angra 3, estão armazenados há mais de 20 anos. Quanto a criação do fundo para a desativação das usinas, o assistente da presidência da Eletronuclear, Leonan Guimarães, disse que o recolhimento dos recursos demorou para começar a ser feito por falta de uma legislação específica. Sinceramente, é hora de se pensar em construir 10 usinas nucleares aqui no Brasil ? Por favor, respondam!
(Fonte: Jornal O Valor)
terça-feira, junho 23, 2009
Desativar usinas nucleares, um novo desafio
As declarações dadas hoje em Viena, por Rejandra Pachauri, Prêmio Nobel da Paz em 2007, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) da ONU, que a revolução energética deve ser dramática e imediata, soou como um alerta. A transição para uma matriz energética de base renovável, biomassa, eólica e solar, precisa ser entendida como uma necessidade da humanidade.
O Brasil, pela sua potencialidade natural e tecnológica, tem um papel determinante nesse processo de transição/transformação. Todos os esforços nessa direção são muito bem vindos. Dentro da estrutura do Estado brasileiro, me parece que esta questão ainda não está de todo incorporada. Diferentes visões de como irá se desenvolver o setor de energia no nosso país, me fazem pensar que precisamos investir mais na divulgação do papel das renováveis no Brasil e na América Latina.
Por exemplo, o Ministro da Minas e Energia, Edson Lobão, tem falado muito na retomada do Programa Nuclear brasileiro. Serão 10 novas usinas. Essa é uma discussão que, no meu ponto de vista, precisa ser melhor debatida.: uma coisa é voce terminar uma obra que está 20 anos parada(como é o caso de Angra 3), outra é ressuscitar um projeto nuclear de grande porte para o país, sem compará-lo com outras alternativas.
A preocupação com usinas nucleares em relação a seus rejeitos e a desativação dos reatores, cresce no mundo. O Brasil, com o potencial renovável que tem, não pode abraçar a energia nuclear como uma alternativa futura. Angra 1, operando desde 1985, custou (sem os equipamentos)R$1,5 bilhões. Angra 2, operando desde 2001, custou R$ 5 bilhões. Já o preço de Angra 3, está estimado em 10 bilhões. É muito dinheiro! Fora isso, vem sendo cobrado na tarifa de energia, um valor considerável, para criar um fundo para a desativação dessas usinas no futuro. Cerca de 300 milhões de dólares para Angra 1 e 420 milhões de dólares para Angra 2(Fonte: Jornal O Valor, 22/6).
Nos EUA, país onde o número de reatores nucleares é expressivo, os fundos criados para desativar as usinas nucleares, após sua vida útil, são insuficientes. Segundo uma investigação da Associated Press, divulgada recentemente, as companhias proprietárias de quase metade dos reatores nucleares dos EUA não estão reservando dinheiro para desmanchá-los. Um sério problema está criado: muitas ficarão abandonadas, a mercê do tempo, criando risco de segurança pessoal e física. Amanhã falo mais sobre esse tema. Ele é muito mais grave do que se pensa.
O Brasil, pela sua potencialidade natural e tecnológica, tem um papel determinante nesse processo de transição/transformação. Todos os esforços nessa direção são muito bem vindos. Dentro da estrutura do Estado brasileiro, me parece que esta questão ainda não está de todo incorporada. Diferentes visões de como irá se desenvolver o setor de energia no nosso país, me fazem pensar que precisamos investir mais na divulgação do papel das renováveis no Brasil e na América Latina.
Por exemplo, o Ministro da Minas e Energia, Edson Lobão, tem falado muito na retomada do Programa Nuclear brasileiro. Serão 10 novas usinas. Essa é uma discussão que, no meu ponto de vista, precisa ser melhor debatida.: uma coisa é voce terminar uma obra que está 20 anos parada(como é o caso de Angra 3), outra é ressuscitar um projeto nuclear de grande porte para o país, sem compará-lo com outras alternativas.
A preocupação com usinas nucleares em relação a seus rejeitos e a desativação dos reatores, cresce no mundo. O Brasil, com o potencial renovável que tem, não pode abraçar a energia nuclear como uma alternativa futura. Angra 1, operando desde 1985, custou (sem os equipamentos)R$1,5 bilhões. Angra 2, operando desde 2001, custou R$ 5 bilhões. Já o preço de Angra 3, está estimado em 10 bilhões. É muito dinheiro! Fora isso, vem sendo cobrado na tarifa de energia, um valor considerável, para criar um fundo para a desativação dessas usinas no futuro. Cerca de 300 milhões de dólares para Angra 1 e 420 milhões de dólares para Angra 2(Fonte: Jornal O Valor, 22/6).
Nos EUA, país onde o número de reatores nucleares é expressivo, os fundos criados para desativar as usinas nucleares, após sua vida útil, são insuficientes. Segundo uma investigação da Associated Press, divulgada recentemente, as companhias proprietárias de quase metade dos reatores nucleares dos EUA não estão reservando dinheiro para desmanchá-los. Um sério problema está criado: muitas ficarão abandonadas, a mercê do tempo, criando risco de segurança pessoal e física. Amanhã falo mais sobre esse tema. Ele é muito mais grave do que se pensa.
segunda-feira, junho 22, 2009
Interoceânica, estamos chegando no Pacífico
Conforme já tinha comentado, o primeiro hóspede do NOVOTEL em Lima fui eu. O segundo, também brasileiro, foi Alexandre Rego, pernambucano, responsável pelos negócios da Odebrecht na América Latina. Nos conhecemos no café da manhã. Durante a conversa, ficamos sabendo o que cada um estava fazendo em Lima. Fiquei, por exemplo, conhecendo um pouco da ligação do Brasil ao Oceano Pacífico. Um projeto secular, que está muito perto de se tornar realidade. O consórcio responsável pela obra, é liderado pela Odebrecht e emprega 7000 pessoas. A estrada encurta o caminho das exportações brasileiras para a Ásia em 4ooo km.
Nesse domingo, por coincidência, a Folha de São Paulo produziu uma grande matéria sobre a Estrada do Pacífico. A reportagem, do enviado especial ao Peru, nos dá uma idéia da grandiosidade do projeto. Só no lado brasileiro ela passa por quatro Estados: Acre, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso. No lado peruano ela atravessa a cordilheira dos Andes, passando por Abra Pirhyuani, a 4725 metros do nível do mar. O ar escasso dificulta a obra como a floresta também. Quando pronta irá passar por Cusco e chegará ao porto de San Juan, ao sul de Lima.
No futuro, esse corredor irá incrementar a economia de uma região esquecida, onde vivem cerca de 12 milhões de habitantes e um PIB de U$$ 30 bilhões, segundo estimativa do centro de Investigações da Universidade do Pacífico, de Lima. São esses números que começam a estimular negócios, até então nem sequer imaginados, comenta o enviado da Folha.
Nesse domingo, por coincidência, a Folha de São Paulo produziu uma grande matéria sobre a Estrada do Pacífico. A reportagem, do enviado especial ao Peru, nos dá uma idéia da grandiosidade do projeto. Só no lado brasileiro ela passa por quatro Estados: Acre, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso. No lado peruano ela atravessa a cordilheira dos Andes, passando por Abra Pirhyuani, a 4725 metros do nível do mar. O ar escasso dificulta a obra como a floresta também. Quando pronta irá passar por Cusco e chegará ao porto de San Juan, ao sul de Lima.
No futuro, esse corredor irá incrementar a economia de uma região esquecida, onde vivem cerca de 12 milhões de habitantes e um PIB de U$$ 30 bilhões, segundo estimativa do centro de Investigações da Universidade do Pacífico, de Lima. São esses números que começam a estimular negócios, até então nem sequer imaginados, comenta o enviado da Folha.
domingo, junho 21, 2009
Semana agitada
Com certeza, a semana que passou foi das mais agitadas. Na política, tanto aqui como fora daqui, não faltaram notícias. A mais comentada vem do Irã, onde passada as eleiçoes, crescem as manifestações contra o resultado eleitoral. Na capital Teerã, o líder supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, ordenou a fim das mobilizações contra a reeleição do presidente Ahmadinejad. De nada adiantou. O povo está na rua denunciando fraude no processo eleitoral. Independente do que vier a ocorrer, a imagem de Ahmadinejad sai desse processo muito arranhada.
Na Argentina, onde as eleições foram antecipadas para o próximo domingo, numa jogada visando reverter a perda de popularidade do casal Kirchner, a oposição denuncia o uso de recursos públicos na campanha. O atual governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli, tem percorrido com o helicóptero oficial cidades da Provícia em campanha eleitoral. Tanto Scioli como Kirchner são candidatos à Câmara e esperam uma expressiva votação para assegurar maioria governista no Congresso. Imaginem voces, um governador, em pleno exercício do seu mandato, saindo para concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados. Só mesmo na Argentina.
Em Lima, o que eu vi, logo que cheguei, se modificou bastante durante a semana. A posição do governo, de não aceitar as reivindicações das populações indígenas, foi vencida. Após os conflitos da semana passada que levaram a morte 24 policiais, 10 civís e um número ainda incerto de indígenas, a pressão internacional sobre o ocorrido, fez o governo peruano revogar os Decretos 1064 e 1090. Essa revolta dos índios da Amazônia peruana, mostrou ao mundo a dura realidade daqueles povos. Até então, no Peru, só havia um olhar para os povos indígenas da cordilheira. São as comunidades próximas ao Vale Sagrado, Cusco e Machu Pichu, onde a presença de milhões de turistas por ano deu visibilidade à eles e a sua cultura. Segundo dados oficiais, os peruanos de origem indígena, nos Andes e na selva, são os mais pobres. Enquanto a média de pobreza extrema no país é de 12%, em Apurimac, região do conflito da semana passada, a taxa chega a 70%.
ENQUANTO ISSO NO BRASIL ..... o nosso Senado não para de nos envergonhar. Até quando!
P.S. - Não dá para passar a semana sem comentar a posiçao do Supremo Tribunal Federal, sobre o jornalista sem diploma. Por ser pai e amigo de dezenas de jornalistas, acabei lendo muito sobre a polêmica decisão. Para reflexão de voces, selecionei o comentário de dois dos nossos principais jornalista:
" O presidente do STF, Gilmar Mendes, ao justificar o fim do diploma, comparou o jornalista ao cozinheiro. Também não acredito que um cozinheiro, no futuro, prospere sem diploma de ensino superior." ( Gilberto Dimeinstein - FSP 21/6)
" É um argumento rústico a afirmação de que diploma obrigatório de jornalismo desrespeita a Constituição, por restringir o direito à liberdade de expressão. É falsa essa idéia de que o jornalismo profissional seja o repositório da liberdade opinativa. São inúmeros os meios de expressão de ideias e opiniões. E, não menos significativo, a muito poucos, nos milhares de jornalistas, é dada a oportunidade de expressar sua opinião, e a pouquíssimos a liberdade incondicional de escolha e tratamento dos seus temas."( Janio de Freitas - FSP 21/6)
Na Argentina, onde as eleições foram antecipadas para o próximo domingo, numa jogada visando reverter a perda de popularidade do casal Kirchner, a oposição denuncia o uso de recursos públicos na campanha. O atual governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli, tem percorrido com o helicóptero oficial cidades da Provícia em campanha eleitoral. Tanto Scioli como Kirchner são candidatos à Câmara e esperam uma expressiva votação para assegurar maioria governista no Congresso. Imaginem voces, um governador, em pleno exercício do seu mandato, saindo para concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados. Só mesmo na Argentina.
Em Lima, o que eu vi, logo que cheguei, se modificou bastante durante a semana. A posição do governo, de não aceitar as reivindicações das populações indígenas, foi vencida. Após os conflitos da semana passada que levaram a morte 24 policiais, 10 civís e um número ainda incerto de indígenas, a pressão internacional sobre o ocorrido, fez o governo peruano revogar os Decretos 1064 e 1090. Essa revolta dos índios da Amazônia peruana, mostrou ao mundo a dura realidade daqueles povos. Até então, no Peru, só havia um olhar para os povos indígenas da cordilheira. São as comunidades próximas ao Vale Sagrado, Cusco e Machu Pichu, onde a presença de milhões de turistas por ano deu visibilidade à eles e a sua cultura. Segundo dados oficiais, os peruanos de origem indígena, nos Andes e na selva, são os mais pobres. Enquanto a média de pobreza extrema no país é de 12%, em Apurimac, região do conflito da semana passada, a taxa chega a 70%.
ENQUANTO ISSO NO BRASIL ..... o nosso Senado não para de nos envergonhar. Até quando!
P.S. - Não dá para passar a semana sem comentar a posiçao do Supremo Tribunal Federal, sobre o jornalista sem diploma. Por ser pai e amigo de dezenas de jornalistas, acabei lendo muito sobre a polêmica decisão. Para reflexão de voces, selecionei o comentário de dois dos nossos principais jornalista:
" O presidente do STF, Gilmar Mendes, ao justificar o fim do diploma, comparou o jornalista ao cozinheiro. Também não acredito que um cozinheiro, no futuro, prospere sem diploma de ensino superior." ( Gilberto Dimeinstein - FSP 21/6)
" É um argumento rústico a afirmação de que diploma obrigatório de jornalismo desrespeita a Constituição, por restringir o direito à liberdade de expressão. É falsa essa idéia de que o jornalismo profissional seja o repositório da liberdade opinativa. São inúmeros os meios de expressão de ideias e opiniões. E, não menos significativo, a muito poucos, nos milhares de jornalistas, é dada a oportunidade de expressar sua opinião, e a pouquíssimos a liberdade incondicional de escolha e tratamento dos seus temas."( Janio de Freitas - FSP 21/6)
sexta-feira, junho 19, 2009
Notícias e curiosidades
Hoje pela manhã, no Hospital Universitário da UFSC, mais uma mini usina solar foi inaugurada. Com essa é a quarta este ano em Florianópolis. A primeira foi no estacionamento da Eletrosul, duas na UFSC e outra no terminal de carga do Aeroporto Hercílio Luz. A visibilidade desses projetos solares, vai servir de exemplo para novas iniciativas voltadas para uma matriz energética limpa, tendo o aproveitamento do sol como fonte futura de produção de energia elétrica. Os recursos que viabilizaram as instalações na UFSC e no aeroporto são da Tractebel.
Curiosidades :
- Lima, a capital do Peru, é a cidade no mundo que mais tem taxis. O governo estima que circulam pela cidade de 250 mil taxis. O preço é muito barato. Com 5 reais, se roda quase 10 km. Qualquer pessoa faz do seu carro um taxi. A maioria funciona na informalidade. Não tem taxímetro, voce negocia o preço direto com o motorista. O trânsito é caótico. A poluição é tanta que os protestos são diários (veja a foto). Lima tem 8 milhões de habitantes, não tem metro, o transporte coletivo é de péssima qualidade e os taxis acabam sendo a alternativa de mobilidade da maioria das pessoas.
- em Lima, no domingo, ao chegar no hotel, tive uma recepção inesperada: era aguardado por todos. Quando indaguei o motivo de tamanha atenção, fiquei sabendo que eu era o primeiro hóspede daquele hotel. Para minha surpresa o NOVOHOTEL de Lima, era um hotel novo. Assinei o livro de registro como seu primeiro hóspede.
Curiosidades :
- Lima, a capital do Peru, é a cidade no mundo que mais tem taxis. O governo estima que circulam pela cidade de 250 mil taxis. O preço é muito barato. Com 5 reais, se roda quase 10 km. Qualquer pessoa faz do seu carro um taxi. A maioria funciona na informalidade. Não tem taxímetro, voce negocia o preço direto com o motorista. O trânsito é caótico. A poluição é tanta que os protestos são diários (veja a foto). Lima tem 8 milhões de habitantes, não tem metro, o transporte coletivo é de péssima qualidade e os taxis acabam sendo a alternativa de mobilidade da maioria das pessoas.
- em Lima, no domingo, ao chegar no hotel, tive uma recepção inesperada: era aguardado por todos. Quando indaguei o motivo de tamanha atenção, fiquei sabendo que eu era o primeiro hóspede daquele hotel. Para minha surpresa o NOVOHOTEL de Lima, era um hotel novo. Assinei o livro de registro como seu primeiro hóspede.
quinta-feira, junho 18, 2009
Pedágio na Palhoça
Dia 17 de maio vai ficar marcado na memória de muita gente. Pelo silêncio dos omissos, pela indignação dos cidadãos e pelo oportunismo dos de sempre. Pela primeira vez no Brasil, se cobra pedágio numa estrada inacabada. A praça de pedágio da Palhoça, é um escândalo
Em 1995, começamos a conviver com a prática dos pedágios em nossa região. A polêmica duplicação da SC-401, que liga o centro de Florianópolis às praias do Norte da Ilha. Foram anos de muita luta. A sociedade se mobilizou, mostrando o absurdo que era pagar pedágio numa estrada dentro do Município. Depois, surgiram divergências contratuais que agravaram ainda mais a situação. Até agora, livres do pedágio, quem passa pela praça desativada, relembra o esforço de todos.
Os anos se passaram e uma nova "praça" surge em nossas vidas. Em plena região metropolitana, interferindo diretamente na mobilidade de milhares de pessoas, o pedágio na Palhoça é uma agressão à todos nós. O silêncio dos que lutaram no passado contra a cobrança de pedágio na SC 401, é contrangedor. Tenho cobrado dos nossos parlamentares uma posição sobre o compromisso histórico que sempre tivemos com esta causa. Infelizmente, não respondem.
Agora mesmo cheguei de Lima. A praça de pedágio que liga Lima a Callao, onde fica o aeroporto, está desativada há mais de um ano. São 5 pistas de cada lado. Perguntei para o taxista o que tinha havido, ele com um sorriso maroto, respondeu: " pedágio dentro da cidade não dá doutor. Fizemos um barulho grande e eles tiveram que recuar."
Em 1995, começamos a conviver com a prática dos pedágios em nossa região. A polêmica duplicação da SC-401, que liga o centro de Florianópolis às praias do Norte da Ilha. Foram anos de muita luta. A sociedade se mobilizou, mostrando o absurdo que era pagar pedágio numa estrada dentro do Município. Depois, surgiram divergências contratuais que agravaram ainda mais a situação. Até agora, livres do pedágio, quem passa pela praça desativada, relembra o esforço de todos.
Os anos se passaram e uma nova "praça" surge em nossas vidas. Em plena região metropolitana, interferindo diretamente na mobilidade de milhares de pessoas, o pedágio na Palhoça é uma agressão à todos nós. O silêncio dos que lutaram no passado contra a cobrança de pedágio na SC 401, é contrangedor. Tenho cobrado dos nossos parlamentares uma posição sobre o compromisso histórico que sempre tivemos com esta causa. Infelizmente, não respondem.
Agora mesmo cheguei de Lima. A praça de pedágio que liga Lima a Callao, onde fica o aeroporto, está desativada há mais de um ano. São 5 pistas de cada lado. Perguntei para o taxista o que tinha havido, ele com um sorriso maroto, respondeu: " pedágio dentro da cidade não dá doutor. Fizemos um barulho grande e eles tiveram que recuar."
terça-feira, junho 16, 2009
ENERGIA E CLIMA - parte 2
Direto de Lima, no Peru, que eu ate entao nao conhecia, por uma feliz coincidencia, acabei indo duas vezes em menos de um mes: a primeira, uma semana de ferias nos Andes, e agora a convite da OEA, participando do Simposio de Energia e Clima.(desculpas pelos erros, nao domino o teclado daqui)
Lima, com todo o caos no transito, tem historia, cultura, um povo amigavel e uma culinaria invejavel. Para todos no seminario, o encontro acontece num momento muito delicado, em razao dos recentes episodios envolvendo a populacao indigena na regiao de Bagua. O confronto teve enorme repercussao, com a morte de 24 policiais e 10 civis.
A manchete de hoje de um dos principais jornais do pais, El Comercio, anuncia que o primeiro ministro Yehude Simon, acordou com os 12 pontos reinvidicados pela populacao indigena. Entre eles a revogacao dos Decretos Legislativos 1090 e 1064, responsaveis, em parte, pela reacao dos indios da Amazonia peruana. Outra noticia divulgada hoje foi a aprovacao, por unanimidade, por parte do Congresso da criacao de uma comissao para investigar as mortes. Para colaboradores do governo que participam do seminario, o que houve foi falta de dialogo com as comunidades indigenas e erros primarios de percepcao dos valores culturais e pela terra daquele povo.
Quanto ao Simposio, foi de grande valia. Uma fotografia precisa da matriz energetica dos paises da America Latina e o compromisso dos governos de trabalharem projetos sustentaveis. O programa, rigorosamente cumprido, mostrou a necessidade de se priorizar e investir em eficiencia energetica e energias renovaveis.
Presentes no simposio os seguintes paises:
Peru/EUA/Brasil/Mexico/Colombia/Canada/Chile/Argentina/Uruguai/Equador/Bolivia/Costa Rica/Republica Dominicana/Haiti/Santa Lucia/Belice e Honduras. Durante dois dias foram apresentados 9 paineis com a participacao de 50 debatedores.
Lima, com todo o caos no transito, tem historia, cultura, um povo amigavel e uma culinaria invejavel. Para todos no seminario, o encontro acontece num momento muito delicado, em razao dos recentes episodios envolvendo a populacao indigena na regiao de Bagua. O confronto teve enorme repercussao, com a morte de 24 policiais e 10 civis.
A manchete de hoje de um dos principais jornais do pais, El Comercio, anuncia que o primeiro ministro Yehude Simon, acordou com os 12 pontos reinvidicados pela populacao indigena. Entre eles a revogacao dos Decretos Legislativos 1090 e 1064, responsaveis, em parte, pela reacao dos indios da Amazonia peruana. Outra noticia divulgada hoje foi a aprovacao, por unanimidade, por parte do Congresso da criacao de uma comissao para investigar as mortes. Para colaboradores do governo que participam do seminario, o que houve foi falta de dialogo com as comunidades indigenas e erros primarios de percepcao dos valores culturais e pela terra daquele povo.
Quanto ao Simposio, foi de grande valia. Uma fotografia precisa da matriz energetica dos paises da America Latina e o compromisso dos governos de trabalharem projetos sustentaveis. O programa, rigorosamente cumprido, mostrou a necessidade de se priorizar e investir em eficiencia energetica e energias renovaveis.
Presentes no simposio os seguintes paises:
Peru/EUA/Brasil/Mexico/Colombia/Canada/Chile/Argentina/Uruguai/Equador/Bolivia/Costa Rica/Republica Dominicana/Haiti/Santa Lucia/Belice e Honduras. Durante dois dias foram apresentados 9 paineis com a participacao de 50 debatedores.
segunda-feira, junho 15, 2009
Cúpula das Américas - Energia e Clima
Em Lima, os países da América Latina reunidos hoje e amanha, discutem políticas de integracao energética e energias renováveis. O ponto alto do encontro, que acabou a pouco, foi a apresentacao do vice-secretário de energia dos EUA, David Sandalow, sobre a política do Presidente Obama para o setor. Amanha detalho o programa.
sexta-feira, junho 12, 2009
CURTAS... meio ambiente e política
MEIO AMBIENTE, boas novas.
- Tijolo de casca de coco, é a nova invenção do INPA (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia). Segundo o pesquisador Jair Rocha, o novo tijolo não utiliza barro em sua composição e isso evita a queima de madeira para a secagem. A casca do coco também está sendo estudada para produzir plástico.
- Álcool a partir da celulose, dá início a corrida pelo chamado álcool de segunda geração. O Ministério de Ciência e Tecnologia está investindo 70 milhões de reais num centro de pesquisa em Campinas, para pesquisar bioetanol.
- Três das principais redes de supermercado o Pão de Açucar, Carrefour e Wal-Mart decidiram suspender a compra de carne de frigoríficos que abatem gado criado em áreas desmatadas da Amazônia. Uma bela iniciativa, que poderia ser utilizada para outros produtos. Os consumidores conscientes agradecem.
- Ao contrário do que alguns apregoam, desmatar não gera riqueza. Causa empobrecimento e depressão socioeconômica na região do desmatamento. Estudos publicados hoje na renomada
revista Science, mostra que a MP da regularização fundiária(já comentada no blog), é um mecanismo que estimula a ocupação de florestas públicas e seu desmatamento. Os "benefícios econômicos", duram o tempo da derrubada da mata. Quando acaba a exploração da madeira volta a pobreza.
POLÍTICA ... continua sem boas novas
E o nosso Senado, hem? Que vergonha! Agora, ficamos sabendo através dos "atos secretos", que até o neto do Sarney, ganhava por lá. E o avô, mais uma vez, não sabia de nada. Exonerado o jovem João Fernando, não perderam tempo. Indicaram para o lugar sua mãe, Rosângela Terezinha. O senador Delcídio do Amaral(PT/MS), que dava guarida no seu gabinete a um dentista, Ricardo Zoghbi, filho do ex-diretor do Senado, João Carlos, também alegou que não conhecia o rapaz. (Fonte: Folha de São Paulo)
Até quando vamos conviver com isso. Tive mandato por 10 anos. Nunca indiquei para o gabinete ou para outras instituições, públicas ou privadas, familiares ou parentes de qualquer grau. A atividade política está perdendo seu rumo. Isso é muito grave.
Com tantos escândalos no Congresso Nacional, se esqueceram da lista e da reforma política. Já Elio Gaspari, pensa diferente. Segundo ele, instituir o voto de lista no sistema eleitoral "não é uma manobra destinada a desviar a atenção dos escândalos que corroem o Congresso. Ela é o próprio escândalo". Para ele, serão eleitos os candidatos articulados com a panelinha da burocracia partidária. Para mim, de todos os problemas levantados, o mais grave é que a lista acaba com a renovação e com a possibilidade do surgimento de novas lideranças. Ela é um facilitador da reeleição.
- Tijolo de casca de coco, é a nova invenção do INPA (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia). Segundo o pesquisador Jair Rocha, o novo tijolo não utiliza barro em sua composição e isso evita a queima de madeira para a secagem. A casca do coco também está sendo estudada para produzir plástico.
- Álcool a partir da celulose, dá início a corrida pelo chamado álcool de segunda geração. O Ministério de Ciência e Tecnologia está investindo 70 milhões de reais num centro de pesquisa em Campinas, para pesquisar bioetanol.
- Três das principais redes de supermercado o Pão de Açucar, Carrefour e Wal-Mart decidiram suspender a compra de carne de frigoríficos que abatem gado criado em áreas desmatadas da Amazônia. Uma bela iniciativa, que poderia ser utilizada para outros produtos. Os consumidores conscientes agradecem.
- Ao contrário do que alguns apregoam, desmatar não gera riqueza. Causa empobrecimento e depressão socioeconômica na região do desmatamento. Estudos publicados hoje na renomada
revista Science, mostra que a MP da regularização fundiária(já comentada no blog), é um mecanismo que estimula a ocupação de florestas públicas e seu desmatamento. Os "benefícios econômicos", duram o tempo da derrubada da mata. Quando acaba a exploração da madeira volta a pobreza.
POLÍTICA ... continua sem boas novas
E o nosso Senado, hem? Que vergonha! Agora, ficamos sabendo através dos "atos secretos", que até o neto do Sarney, ganhava por lá. E o avô, mais uma vez, não sabia de nada. Exonerado o jovem João Fernando, não perderam tempo. Indicaram para o lugar sua mãe, Rosângela Terezinha. O senador Delcídio do Amaral(PT/MS), que dava guarida no seu gabinete a um dentista, Ricardo Zoghbi, filho do ex-diretor do Senado, João Carlos, também alegou que não conhecia o rapaz. (Fonte: Folha de São Paulo)
Até quando vamos conviver com isso. Tive mandato por 10 anos. Nunca indiquei para o gabinete ou para outras instituições, públicas ou privadas, familiares ou parentes de qualquer grau. A atividade política está perdendo seu rumo. Isso é muito grave.
Com tantos escândalos no Congresso Nacional, se esqueceram da lista e da reforma política. Já Elio Gaspari, pensa diferente. Segundo ele, instituir o voto de lista no sistema eleitoral "não é uma manobra destinada a desviar a atenção dos escândalos que corroem o Congresso. Ela é o próprio escândalo". Para ele, serão eleitos os candidatos articulados com a panelinha da burocracia partidária. Para mim, de todos os problemas levantados, o mais grave é que a lista acaba com a renovação e com a possibilidade do surgimento de novas lideranças. Ela é um facilitador da reeleição.
quinta-feira, junho 11, 2009
Cúpula das Américas
Entre os dias 17 e 19 de abril, aconteceu em Porto Espanha, Trinidad e Tobago, a Quinta Cúpula das Américas. Foi a primeira e ainda a única visita de Barack Obama à América Latina. Os desdobramentos dessa reunião, tendem a aparecer com o fim de uma hostilidade de 50 anos com Cuba, mudanças nas regras de imigração, meio ambiente, direitos humanos e desenvolvimento na produção de energia limpa. Uma agenda como essa, propositiva e voltada para uma maior integração dos países da América Latina, vem em boa hora.
Para o professor Abraham Lowenthal, da Universidade do Sul da Califórnia, um profundo conhecedor dos problemas latinos, os desafios são muito semelhantes, o que pode nos unir numa política regional. Para ele, desaceleração econômica e desemprego, a necessidade de desenvolver fontes de energias renováveis, segurança e cidadania, combate às desigualdades sociais e a discriminação, cabem num projeto de desenvolvimento latino-americano.
O papel dos Estados Unidos, nesse momento, sem excesso de retórica, sem promessas excessivas, olhando para a América Latina, com uma nova mentalidade, respeitando as diferenças culturais, econômicas, sociais e políticas, pode viabilizar oportunidades concretas de cooperação. Acredito que o presidente Obama tem essa percepção. Sabe que, na crise econômica a qual seu país está submetido, melhorar as relações com a América Latina, é um bom começo.
Na próxima semana, como consequência da Cúpula das Américas, está programado para Lima, no Peru, dias 15 e 16, o Simpósio das Américas sobre Energia e Clima. Será a primeira reunião para fazer frente as mudanças climáticas no nosso continente, tendo como prioridade para garantir o suprimento de energia, a eficiência energética e a produção de energias renováveis.
No domingo, viajo para Lima para participar desse Simpósio, a convite da Organização dos Estados Americanos (OEA). Mando notícias de lá.
Para o professor Abraham Lowenthal, da Universidade do Sul da Califórnia, um profundo conhecedor dos problemas latinos, os desafios são muito semelhantes, o que pode nos unir numa política regional. Para ele, desaceleração econômica e desemprego, a necessidade de desenvolver fontes de energias renováveis, segurança e cidadania, combate às desigualdades sociais e a discriminação, cabem num projeto de desenvolvimento latino-americano.
O papel dos Estados Unidos, nesse momento, sem excesso de retórica, sem promessas excessivas, olhando para a América Latina, com uma nova mentalidade, respeitando as diferenças culturais, econômicas, sociais e políticas, pode viabilizar oportunidades concretas de cooperação. Acredito que o presidente Obama tem essa percepção. Sabe que, na crise econômica a qual seu país está submetido, melhorar as relações com a América Latina, é um bom começo.
Na próxima semana, como consequência da Cúpula das Américas, está programado para Lima, no Peru, dias 15 e 16, o Simpósio das Américas sobre Energia e Clima. Será a primeira reunião para fazer frente as mudanças climáticas no nosso continente, tendo como prioridade para garantir o suprimento de energia, a eficiência energética e a produção de energias renováveis.
No domingo, viajo para Lima para participar desse Simpósio, a convite da Organização dos Estados Americanos (OEA). Mando notícias de lá.
terça-feira, junho 09, 2009
É a economia seu tolo....
Os ingleses adoram usar a expressão " is the economy your fool", para explicar que as pessoas estão de bem com a vida se a economia estiver indo bem. O bolso e o humor caminham juntos. Faço esse comentário, depois de ouvir no noticiário que a aprovação do governo LULA bateu nos 80%, um dos mais altos índices obtidos por um governante. Em plena crise mundial, passando por um segundo mandato, próximo de um novo processo eleitoral. Realmente, 80% de aprovação, é um índice que impressiona.
Na leitura diária que costumo fazer, vou catando notícias para formar minha opinião. Do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, lí que " o mundo aposta no Brasil". A entrada de US$2,7 bilhões em maio, reforça a tese de que o Brasil vai sair mais rápido e mais forte da crise. Para Mário Mesquita, diretor de Política Econômica do BC, a relação dívida/PIB do Brasil, comparada com outros países, é outro fator a nosso favor. No mesmo mês de maio, o fluxo cambial, que mede a entrada e a saída de dólares no país, ficou positivo em US$3,1 bilhões. Esse fluxo mostrou-se positivo, tanto na área comercial (mais exportação que importação) como nas operações financeiras (entrou mais dólar para investimento do que saiu em remessa ou realização de lucro).
Embora cientes que a crise nos afeta (e muito), os brasileiros estão ligados no estrago que ela vem fazendo em economias bem mais estruturadas que a nossa. Na zona do euro, leia-se países da Europa, a retração do PIB é inedita desde a criação do euro como moeda única, em 1999. Nos EUA, maior economia do mundo, afetado como poucos pela crise atual, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, advertiu que o déficit histórico das contas públicas de US$1,8 trilhões, pode impedir estabilidade financeira e crescimento econômico.
O Brasil tem conseguido navegar na turbulência das águas da crise mundial, com sabedoria e com instrumentos da macro e micro economia que não estão disponivéis em outros paises. Estamos reduzindo taxas e ampliando prazos para o financiamento imobiliário. O Banco do Brasil, por exemplo, anunciou 8,4% mais TR, e o valor a ser financiado foi de 80% para 90%, desde que a prestação não comprometa mais do que 30% da renda líquida. A taxa básica de juros, a SELIC, atualmenta acima de 10%, tem margem para cair. Ao cair movimenta a economia e gera novos empregos.
Embora o nosso PIB, registre queda em dois trimestres consecutivos, o que não acontecia há muitos anos, analistas atribuem esse mal desempenho ao comércio exterior, em razão do agravamento da crise nos países compradores e ao real valorizado em relação ao dólar. No entanto, todos comungam de uma recuperação da economia para breve, baseado num outro diferencial nosso em relação aos outros países: o consumo familiar. Internamente, as familías de classe D e E, apresentam um considerável aumento no seu consumo. O que consomem é basicamente produzido aqui. Essa conjugação consumo/produção interna, é um excelente instrumento para a recuperação da economia brasileira.
Na leitura diária que costumo fazer, vou catando notícias para formar minha opinião. Do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, lí que " o mundo aposta no Brasil". A entrada de US$2,7 bilhões em maio, reforça a tese de que o Brasil vai sair mais rápido e mais forte da crise. Para Mário Mesquita, diretor de Política Econômica do BC, a relação dívida/PIB do Brasil, comparada com outros países, é outro fator a nosso favor. No mesmo mês de maio, o fluxo cambial, que mede a entrada e a saída de dólares no país, ficou positivo em US$3,1 bilhões. Esse fluxo mostrou-se positivo, tanto na área comercial (mais exportação que importação) como nas operações financeiras (entrou mais dólar para investimento do que saiu em remessa ou realização de lucro).
Embora cientes que a crise nos afeta (e muito), os brasileiros estão ligados no estrago que ela vem fazendo em economias bem mais estruturadas que a nossa. Na zona do euro, leia-se países da Europa, a retração do PIB é inedita desde a criação do euro como moeda única, em 1999. Nos EUA, maior economia do mundo, afetado como poucos pela crise atual, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, advertiu que o déficit histórico das contas públicas de US$1,8 trilhões, pode impedir estabilidade financeira e crescimento econômico.
O Brasil tem conseguido navegar na turbulência das águas da crise mundial, com sabedoria e com instrumentos da macro e micro economia que não estão disponivéis em outros paises. Estamos reduzindo taxas e ampliando prazos para o financiamento imobiliário. O Banco do Brasil, por exemplo, anunciou 8,4% mais TR, e o valor a ser financiado foi de 80% para 90%, desde que a prestação não comprometa mais do que 30% da renda líquida. A taxa básica de juros, a SELIC, atualmenta acima de 10%, tem margem para cair. Ao cair movimenta a economia e gera novos empregos.
Embora o nosso PIB, registre queda em dois trimestres consecutivos, o que não acontecia há muitos anos, analistas atribuem esse mal desempenho ao comércio exterior, em razão do agravamento da crise nos países compradores e ao real valorizado em relação ao dólar. No entanto, todos comungam de uma recuperação da economia para breve, baseado num outro diferencial nosso em relação aos outros países: o consumo familiar. Internamente, as familías de classe D e E, apresentam um considerável aumento no seu consumo. O que consomem é basicamente produzido aqui. Essa conjugação consumo/produção interna, é um excelente instrumento para a recuperação da economia brasileira.
segunda-feira, junho 08, 2009
SOS Amazônia
Ontem, comentei no blog a preocupação de setores progressistas da Igreja Católica com o futuro da Amazônia e do Brasil. O bispo auxiliar da arquidiocese de São Paulo, D.Pedro Stringhini, e o teólogo Roberto Malvezi, escreveram na Folha de São Paulo de domingo suas preocupações com o crescente desmatamento e o descontrole das queimadas. No artigo destacam as MP 458 e 452, aprovadas na semana passada pelo Senado, e chamam atenção para as suas consequências.
Afinal, o que há de errado com elas? Por que tanta polêmica? Ambientalista e a igreja, juntos. Em Brasília, líderes do PT e do PSDB, buscam o veto presidencial as MP's. Formadores de opinião, utilizam seus espaços na mídia para alertar que por trás dessa "regularização fundiária" esta a entrega definitiva da Amazônia.
O que a Câmara e o Senado aprovaram, realmente preocupa. As alterações promovidas pelos congressistas, abriu a porteira. O que era para ser um instrumento de regularização de terras de pequenos proprietários, se transformou num negócio imobiliário. Com direito a especulação e tudo. As areas públicas, serão doadas. As doações, e vendas a preços simbólicos, desde R$1,00 por hectare(lembrando que um hectare são 10 mil metros quadrados), vão transformar a Amazônia num grande balcão de negócios.
Nessa "muvuca fundiária", as árvores serão as grandes vítimas. Ou alguém está achando que elas vão ser respeitadas. Com os subsídios que estão sendo dados, para propriedades até 1500 hectares, vai haver uma corrida por terra. As pessoas vão querer o seu pedaço. E vão desmatar na busca do lucro fácil. Por isso é que eu espero que o Presidente LULA vete as Medidas Provisórias. Elas só vão aumentar a migração, abrir o caminho para novas fronteiras agrícolas e acelerar o desmatamento na Amazônia.
Afinal, o que há de errado com elas? Por que tanta polêmica? Ambientalista e a igreja, juntos. Em Brasília, líderes do PT e do PSDB, buscam o veto presidencial as MP's. Formadores de opinião, utilizam seus espaços na mídia para alertar que por trás dessa "regularização fundiária" esta a entrega definitiva da Amazônia.
O que a Câmara e o Senado aprovaram, realmente preocupa. As alterações promovidas pelos congressistas, abriu a porteira. O que era para ser um instrumento de regularização de terras de pequenos proprietários, se transformou num negócio imobiliário. Com direito a especulação e tudo. As areas públicas, serão doadas. As doações, e vendas a preços simbólicos, desde R$1,00 por hectare(lembrando que um hectare são 10 mil metros quadrados), vão transformar a Amazônia num grande balcão de negócios.
Nessa "muvuca fundiária", as árvores serão as grandes vítimas. Ou alguém está achando que elas vão ser respeitadas. Com os subsídios que estão sendo dados, para propriedades até 1500 hectares, vai haver uma corrida por terra. As pessoas vão querer o seu pedaço. E vão desmatar na busca do lucro fácil. Por isso é que eu espero que o Presidente LULA vete as Medidas Provisórias. Elas só vão aumentar a migração, abrir o caminho para novas fronteiras agrícolas e acelerar o desmatamento na Amazônia.
domingo, junho 07, 2009
Sinais dos tempos
O artigo publicado na Folha de São Paulo de hoje, é para ser guardado. De autoria de D.Pedro Stringhini, bispo auxiliar da arquidiocese de São Paulo, e de Roberto Malvezi, formado em filosofia e teologia, mostra as relações da Igreja Católica ante o aquecimento global. Começa lembrando que Jesus ensinou seus discípulos a ler " os sinais dos tempos". Nesse caso não se trata de um olhar de um cientista sobre as mudanças climáticas, mas da interpretação de como Deus se manifesta diante de uma natureza ameaçada.
Para os autores do artigo, " entre tantas mudanças que acontecem na humanidade e no planeta que habitamos, uma parece mais desafiadora que todas as outras: o aquecimento global. Provocado pela emissão de gases na atmosfera, resultado da ação humana sobre a natureza, a própria Terra parece não dar conta de equilibrar os gases que mantém sua temperatura em níveis apropriados para a existência da vida".
Muda o clima, o regime das chuvas, surgem fenômenos extremos, dificultando a produção de alimento, o acesso à água potável, forçando migrações, aumentando as doenças, pondo em risco a vida de bilhões de pessoas em todo o planeta. No Brasil, fala-se em desertificação no semiárido e savanização da Amazônia. Hoje já vemos, como nos lembram os autores, fenômenos extremos, como furacões em Santa Catarina, seca no Rio Grande do Sul e enchentes diluvianas no território nordestino.
Para o bispo auxiliar, D. Pedro, e o teólogo Malvezi, diante das evidências, é imperativo um novo comportamento das pessoas para evitar a pior das tragédias humanas: a mudança brusca da natureza. O Brasil em razão das queimadas e desmatamentos, prática nefasta que nos indigna mas que continuam acontecendo, se torna o quarto país mais poluidor do mundo. Não dá para fechar os olhos para esta insanidade. Os autores lembram, que:"pesquisas indicam que 93% dos brasileiros são contra a queima e a derrubada de nossas florestas, no entanto, o processo destrutivo continua, não só ilegalmente, mas com mudanças na legislação ambiental para facilitar o processo predador".
E, concluem:" Causam inquietação as medidas provisórias 458 e 452, além da proposta de mudança no Código Florestal. É de absoluta responsabilidade das autoridades evitar essa tragédia seja legalmente ampliada. Preservar nossas florestas em pé, com meta política de desmatamento zero, é um bem inestimável para o povo brasileiro e uma generosa e viável contribuição para toda a humanidade".
Este comentário, além do blog, vou repassar para todos os parlamentares ( Câmaras de Vereadores, Assembléias Estaduais e o Congresso Nacional), para que se concientizem e se posicionem sobre "os sinais dos tempos".
P.S. - acabo de ver, no noticiário da noite, que encontraram 17 corpos de passageiros do voo da Air France. Aos familiares, envolvidos pela dor da perda e a tensão da espera, como consolo nessa hora difícil, lembrem de uma das letras do saudoso Raul Seixas: " Tenha fé em Deus... tenha fé na vida..."
Para os autores do artigo, " entre tantas mudanças que acontecem na humanidade e no planeta que habitamos, uma parece mais desafiadora que todas as outras: o aquecimento global. Provocado pela emissão de gases na atmosfera, resultado da ação humana sobre a natureza, a própria Terra parece não dar conta de equilibrar os gases que mantém sua temperatura em níveis apropriados para a existência da vida".
Muda o clima, o regime das chuvas, surgem fenômenos extremos, dificultando a produção de alimento, o acesso à água potável, forçando migrações, aumentando as doenças, pondo em risco a vida de bilhões de pessoas em todo o planeta. No Brasil, fala-se em desertificação no semiárido e savanização da Amazônia. Hoje já vemos, como nos lembram os autores, fenômenos extremos, como furacões em Santa Catarina, seca no Rio Grande do Sul e enchentes diluvianas no território nordestino.
Para o bispo auxiliar, D. Pedro, e o teólogo Malvezi, diante das evidências, é imperativo um novo comportamento das pessoas para evitar a pior das tragédias humanas: a mudança brusca da natureza. O Brasil em razão das queimadas e desmatamentos, prática nefasta que nos indigna mas que continuam acontecendo, se torna o quarto país mais poluidor do mundo. Não dá para fechar os olhos para esta insanidade. Os autores lembram, que:"pesquisas indicam que 93% dos brasileiros são contra a queima e a derrubada de nossas florestas, no entanto, o processo destrutivo continua, não só ilegalmente, mas com mudanças na legislação ambiental para facilitar o processo predador".
E, concluem:" Causam inquietação as medidas provisórias 458 e 452, além da proposta de mudança no Código Florestal. É de absoluta responsabilidade das autoridades evitar essa tragédia seja legalmente ampliada. Preservar nossas florestas em pé, com meta política de desmatamento zero, é um bem inestimável para o povo brasileiro e uma generosa e viável contribuição para toda a humanidade".
Este comentário, além do blog, vou repassar para todos os parlamentares ( Câmaras de Vereadores, Assembléias Estaduais e o Congresso Nacional), para que se concientizem e se posicionem sobre "os sinais dos tempos".
P.S. - acabo de ver, no noticiário da noite, que encontraram 17 corpos de passageiros do voo da Air France. Aos familiares, envolvidos pela dor da perda e a tensão da espera, como consolo nessa hora difícil, lembrem de uma das letras do saudoso Raul Seixas: " Tenha fé em Deus... tenha fé na vida..."
sexta-feira, junho 05, 2009
Meio ambiente e desenvolvimento
Não só nosso estado, mas o mundo vive essa dicotomia e dá sinais do esgotamento desse modelo de desenvolvimento. Está mais do que no hora de produzir energia sem extinguir espécies, retirar famílias de suas casas e contribuir para o aquecimento global utilizando produtos fósseis . E essa chance nos é dada pelas energias alternativas. Sou otimista porque, pela primeira vez na história, os investimentos mundiais em energia limpa foram maiores que o montante aplicado em energia de fonte fóssil: 155 bilhões de dólares em 2008, 5% a mais que no ano anterior. Do conjunto das energias renováveis, coube ao sol o maior incremento nos investimentos, 49% a mais do que no ano anterior. Esses bons números, são oficiais, constam do Relatório do Programa do Meio Ambiente da ONU, divulgado ontem, no Canadá.
Iniciativas como a produzida pela engenheira Clarice, coordenadora da Sala Verde da UFSC são muito importantes, pois nos permitem discutir os erros, aprender com eles, e vislumbrar um novo momento: o da energia renovável. A todos que, como eu, acreditam nisso, Feliz Dia do Meio Ambiente. (Para saber mais sobre as ações da Sala Verde, acesse o blog (www.salaverdeufsc.blogspot.com)
quinta-feira, junho 04, 2009
Semana do Meio Ambiente
Ontem não consegui postar o blog. Pela manhã estive na reunião da Frente Ambientalista, em Brasília, participando da entrega das propostas do Greenpeace para a sustentabilidade energética brasileira e a tarde, no Rio, envolvido numa agenda tratando do projeto dos Estádios Solares para a Copa de 2014. Amanhã, em Florianópolis, vou mediar um debate relacionado a Semana do Meio Ambiente, na Universidade Federal. Gosto de falar e de me relacionar com os estudantes, principalmente quando o tema é meio ambiente, variações climáticas, energia limpa e o futuro que os espera.
Para esse encontro não levo boas notícias. Embora o Brasil tenha transformado o Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, numa "Semana do Meio Ambiente", pouco temos feito de concreto para preservar nosso país de ações continuadas de predadores ambientais. Na Amazônia, no Pantanal, nas grandes cidades, as agressões ao meio ambiente são diárias. As consequências, já começam a ser sentidas. Na próxima década, segundo o Inpe, é que vamos saber se as alterações do clima serão permanentes. Infelizmente, para os cientistas, estamos na direção do pior cenário. O ritmo atual de emissões poluentes, é insustentável.
Os efeitos desse desatino irresponsável, são: aumento das queimadas, desertificação na Amazônia, perda da biodiversidade marinha, empobrecimento do solo, morte dos manguesais, enchentes e secas se alternando, perda da produtividade agrícola e cidades se inviabilizando. A base científica destas informações são públicas e constam de um recente estudo da Unicamp, por encomenda da ONG ambientalista WWF. Se os estudos mostram este cenário, por que nossas autoridades não agem? Ou o que é pior, quando agem é para agravar o quadro: aprovando legislações ambientais mais flexíveis, facilitando a especulação imobiliária, permitindo a ocupação desordenada das cidades.
Uma pesquisa exclusiva, feita pela ONU, respondida por 500 mil brasileiros, revela que a preocupação com o meio ambiente está em sexto lugar entre os problemas mais graves do país. Em Santa Catarina, a pesquisa mostra que a questão ambiental fica em quarto lugar como proridade para os catarinenses. Só perde para a educação, políticas públicas e segurança.
Para esse encontro não levo boas notícias. Embora o Brasil tenha transformado o Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, numa "Semana do Meio Ambiente", pouco temos feito de concreto para preservar nosso país de ações continuadas de predadores ambientais. Na Amazônia, no Pantanal, nas grandes cidades, as agressões ao meio ambiente são diárias. As consequências, já começam a ser sentidas. Na próxima década, segundo o Inpe, é que vamos saber se as alterações do clima serão permanentes. Infelizmente, para os cientistas, estamos na direção do pior cenário. O ritmo atual de emissões poluentes, é insustentável.
Os efeitos desse desatino irresponsável, são: aumento das queimadas, desertificação na Amazônia, perda da biodiversidade marinha, empobrecimento do solo, morte dos manguesais, enchentes e secas se alternando, perda da produtividade agrícola e cidades se inviabilizando. A base científica destas informações são públicas e constam de um recente estudo da Unicamp, por encomenda da ONG ambientalista WWF. Se os estudos mostram este cenário, por que nossas autoridades não agem? Ou o que é pior, quando agem é para agravar o quadro: aprovando legislações ambientais mais flexíveis, facilitando a especulação imobiliária, permitindo a ocupação desordenada das cidades.
Uma pesquisa exclusiva, feita pela ONU, respondida por 500 mil brasileiros, revela que a preocupação com o meio ambiente está em sexto lugar entre os problemas mais graves do país. Em Santa Catarina, a pesquisa mostra que a questão ambiental fica em quarto lugar como proridade para os catarinenses. Só perde para a educação, políticas públicas e segurança.
terça-feira, junho 02, 2009
COPA LIMPA
Hoje a tarde, na Comissão Mista do Congresso Nacional Sobre Mudanças Climáticas, apresentei o projeto do Instituto IDEAL, Estádios Solares para a COPA de 2014. A Comissão presidida pela Senadora Ideli Salvati, recebeu o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, representantes da Casa Cívil, dos ministérios do Meio Ambiente e do Turismo, deputados e senadores membros da Comissão, bem como do representante do presidente da CBF. A Copa Limpa é o objetivo de todos. O projeto dos 12 estádios solares desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina, foi muito bem recebido. Todos afirmaram que ele chegava em boa hora. A Comissão deliberou que vai procurar o presidente LULA, e os presidentes da FIFA e da CBF, para que a COPA 2014, no Brasil, seja limpa e solar.
segunda-feira, junho 01, 2009
Energia Limpa - curtas
Um estudo inédito com dados públicos da Nasa e informações meteorológicas de uma bóia da Marinha e plataformas da Petrobras indicou um potencial de 100 GW de energia eólica offshore no Sul do Brasil. O valor é muito expressivo, são quase 10 Itaipu's. O autor dos estudos é o oceanógrafo, Felipe Pimenta, que concluiu seus estudos com o apoio da Universidade de Delaware, nos EUA. (Fonte: Revista Brasil Energia)
Que o plástico é um dos maiores inimigos da natureza todos sabem(use sacola de algodão). Produzir plástico a partir de fontes renováveis, o chamado plástico verde, será uma grande contribuição. A Brasken, apesar da queda do preço do petróleo, continua investindo no projeto de polietileno verde em Triunfo, no RS. São investimentos de 500 milhões de reais, para uma capacidade de produção de 200 mil t/ano. Será a primeira unidade no mundo a operar em escala comercial para a produção de polietileno verde a partir de matéria-prima 100% renovável. (Fonte: Brasil Energia)
E ESTA AGORA, desenvolvido por pesquisadores americanos e ingleses, o equipamento de 12 mil dólares pode abastecer uma residência de energia elétrica. É uma árvore artificial, com folhas que se movem com o evento e recebem também as radiações do sol. As folhas repletas de sensores fotovoltaicos aproveita o sol. Quando o vento ou a chuva agitam as monofolhas, o movimento aciona cristais piezo-elétricos instalados na fixação do caule, transformando a agitação mecânica em eletricidade. (Fonte:Brasil Energia)
Que o plástico é um dos maiores inimigos da natureza todos sabem(use sacola de algodão). Produzir plástico a partir de fontes renováveis, o chamado plástico verde, será uma grande contribuição. A Brasken, apesar da queda do preço do petróleo, continua investindo no projeto de polietileno verde em Triunfo, no RS. São investimentos de 500 milhões de reais, para uma capacidade de produção de 200 mil t/ano. Será a primeira unidade no mundo a operar em escala comercial para a produção de polietileno verde a partir de matéria-prima 100% renovável. (Fonte: Brasil Energia)
E ESTA AGORA, desenvolvido por pesquisadores americanos e ingleses, o equipamento de 12 mil dólares pode abastecer uma residência de energia elétrica. É uma árvore artificial, com folhas que se movem com o evento e recebem também as radiações do sol. As folhas repletas de sensores fotovoltaicos aproveita o sol. Quando o vento ou a chuva agitam as monofolhas, o movimento aciona cristais piezo-elétricos instalados na fixação do caule, transformando a agitação mecânica em eletricidade. (Fonte:Brasil Energia)
Assinar:
Postagens (Atom)