sexta-feira, julho 31, 2009

Ainda sobre a "gripe suína"

Tenho procurado acompanhar as diferentes versões e opiniões sobre a gripe suína e suas consequências. Até o momento, há pouca evidência de que este surto da gripe A seja mais perigoso que as infecções rotineiras, que cada ano causam a morte de 250 mil a 500 mil pessoas no planeta.
Quem não pensa assim, é Ignácio Ramonet, jornalista, sociólogo e diretor da versão espanhola do Le Monde Diplomatique. Para ele, o problema é grave e a causa está na industrialização da produção pecuária. " O impiedoso sistema de criação intensiva de porcos, amontoando dezenas de milhares de animais que, em meio à fetidez e sob calor asfixiante, trocam vírus patogênicos com grande intensidade". Não foi por acaso que a gripe suína apareceu no México, comenta Ramonet. Por exigências ambientais severas, grandes criatórios de suínos deixaram os EUA e se estabeleceram no México, onde as leis ambientais são mais relaxadas ou inexistem. O que voce acha: a pecuária intensiva e sem controle pode ser responsável pela pandemia em curso?

quinta-feira, julho 30, 2009

Itaipu, fretados e o google

ITAIPU -O acordo de Itaipu tem ocupado boa parte do noticiário. A vontade do Paraguai rever o acordo, não é de hoje. Há mais de dez anos essa reivindicação vem sendo feita pelos paraguaios. O presidente Lugo incorporou na sua campanha em 2008 essa bandeira. E deu certo. Se elegeu. Coerente com o seu discurso de campanha começou a negociar um novo acordo. Nada de imoral ou ilegal. O tratado de Itaipu, assinado em abril de 1973, portanto há 36 anos atrás, pode ser revisto pelas partes desde que haja concordância. Pessoalmente, acho que as condições políticas, ambientais, econômicas e sociais da época, não tem nada a ver com as atuais. Tenho minhas dúvidas se Itaipu seria construída hoje da forma como foi naquela época. A novidade que a nova proposta de acordo trás, é a comercialização por parte da Ande do excedente que cabe ao Paraguaí, passando a vender direto para o mercado livre brasileiro. Até isso, tem que ser entendido como uma justa reivindicação. Os chamados consumidores livres não existiam até então no Brasil. Fomos nós que criamos com o novo modelo do setor. E eles podem agora comprar energia de quem quiserem. Não sei se vale a pena comprar dos paraguaios. Como também não sei se os paraguaios estão fazendo um bom negócio se libertando da Eletrobrás. Pois, dependendo da conjuntura, a tarifa pode até baixar. Isso só o tempo vai poder dizer. O que LULA e LUGO fizeram, foi um acordo: sem vencedores e vencidos.

FRETADOS - não gosto de falar sobre o que não conheço. São Paulo, por exemplo, conheço tanto quanto o Ciro Gomes. A diferença que eu não sou candidato a nada. Agora, mesmo sem conhecer, essa história do prefeito Gilberto Kassab de impedir a circulação dos ônibus fretados, é um tiro no pé. São mais de 40 mil pessoas que utilizam um tipo de transporte coletivo, que irão substituí-lo pelo uso do transporte individual(os carros)que tanto prejudicam o trãnsito de São Paulo.

GOOGLE - comentei ontem que o Concurso Nacional sobre energias renovavéis, promovido pelo Instituto IDEAL, estava disponível no Google e o VT no Youtube. Em apenas um dia, foram registrados: 93 acessos no Google e o VT foi visto 31 vezes no Youtube.

quarta-feira, julho 29, 2009

O charme e o poder das renováveis

Em termos globais, as energias renováveis respondem por apenas 4% da energia que o mundo consome. Embora possa parecer pouco, esse dado é de uma década. Só em 2008, o setor das energias renováveis investiu U$$ 223 bilhões, 7% a mais do que em 2007.(Fonte:ONU)
Embora as energias renováveis ainda sejam mais caras, seu custo de produção vem caindo a cada ano. Entre as fontes de energia renovável, o vento é a mais promissora e desenvolvida. O potencial do Brasil é de 143 GW: são 10 Itaipu's. Estão inscritos para o leilão de novembro, 441 projetos. A tecnologia vem cortando custos, ganhando escala e aumentando a produtividade das máquinas. Grandes geradores eólicos (6MW), com pás de 65 metros de comprimento, já estão operando na Europa.

Depois da eólica, a energia que mais cresce no mundo é a solar fotovoltaica. Duas camadas de material semicondutor, são montadas juntas em painéis fotovoltaicos. Quando o material absorve a luz solar os elétrons excedentes se movem de uma camada para outra criando uma corrente elétrica. Esse efeito foi observado pela primeira vez há 163 anos atrás. (Fonte: Revista Scientific American). Sua primeira aplicação prática foi no programa espacial, sendo até hoje a energia presente nas estações espaciais. Os painéis fotovoltaicos tem uma imensa possiblidade de aplicações: cobertura de telhados, fachadas, estádios, aeroportos e grandes usinas fora da área urbana. Entre suas vantagens, estão: baixo custo de instalação, operação e manutenção, produção junto ao consumo, pico de produção ajustado ao pico da demanda.

Outra fonte renovável que começa a ganhar espaço é a geotérmica. O suprimento é confiável, opera na base e o calor no interior da Terra e está sempre disponível. Nem sempre se tem acesso a esse calor. Em lugares apropriados a água quente flui naturalmente para a superfície, fazendo com que o custo de produção seja bem competitivo (US$ 0,07/kwh). No Havaí, 25% da energia consumida é produzida dessa forma, e na Califórnia 6%. (Fonte: Revista Scientific American)

Por fim, um setor já consolidado no Brasil: o dos biocombustíveis. Pela condição que temos de produção e de mercado somos líder nesse segmento. No entanto, precisamos acompanhar a evolução tecnológica que se anuncia. Nos EUA, a maioria dos pesquisadores já concorda que produzir etanol de milho é um tiro no pé. Segundo estudos da Universidade de Cornell, são necessários 9,5 litros de milho para produzir 3,7 litros de etanol. E a produção dele demanda metade disso em combustíveis fósseis. É, portanto, um balanço energético incompatível com a sustentabilidade. O que o futuro aponta para esse setor são os biocombustíveis de segunda e terceira geração. Serão algas e micro-organismos com capacidade semelhante às plantas de transformar luz solar em energia por meio da fotossíntese. (Fonte: Institute for Genomic Research, em Maryland)

Como voce vê, esse é um mercado futurista e em expansão. Para incentivar o meio acadêmico a desenvolver estudos e projetos nessa área, o Instituo IDEAL está promovendo o Concurso Nacional de Monografias em Energia Renováveis e Eficiência Energética. Divulgue e participe.

terça-feira, julho 28, 2009

Energia e Civilização

O editorial da revista Sientific American da semana passada, trata o tema: energia e civilização. Diante da convergência da abordagem com o que há anos estamos pregando, trago para o blog algumas citações interessantes para contribuir numa melhor compreensão do futuro da humanidade. Boa leitura.

- "Desde meados do século 19, por arte, entre outros, de um físico-químico absolutamente genial, o sueco Svante Arrhenius, sabe-se que o dióxido de carbono é capaz de reter calor atmosférico e, em consequência disso, sua maior concentração produziria inevitavelmente elevação das temperturas globais".

- " O efeito estufa, com impacto direto nas mudanças climáticas, caminha rapidamente para se tornar o maior desastre ambiental da história da civilização. Antes disso, cometemos tolices como a destruição do mar de Aral".

- " No caso do petróleo, identificado como o recurso que sustentou a Segunda Revolução Industrial, tanto sua finitude como inviabilidade ambiental sugerem que seu reinado está chegando ao fim.... O problema está no chegar ao fim antes que alternativas à altura estivessem disponíveis para assegurar a qualidade de vida a que se habituou boa parte da população".

- " O que temos pela frente, neste momento, é literalmente uma corrida contra o tempo no esforço de minimizar a deterioração ambiental que ameaça o planeta.... Energia, neste momento, é a palavra que expressa preocupação em boa parte das línguas faladas na Terra. E energia alternativa é o sonho que, aos poucos e a custo, começa tornar realidade aqui e ali, refazendo as feições do planeta. Cidades reconstruídas, desperdícios reconsiderados, sistemas energeticamente eficientes e em harmonia com Natureza".

P.S. - segundo o Editor, Ulisses Capazzoli, o mar de Aral ficava na ex-União Soviética. A morte do mar ocorreu porque na época, as autoridades desviaram dois rios para aumentar a produção de algodão. As consequências, hoje custam caro em termos de saúde pública, devastação ambiental e uma diversidade de outros impactos sociais negativos. Alías, nada como um dia depois do outro. Temos chamado a atenção sobre o novo Código Ambiental de Santa Catarina onde o cuidado com rios e córregos foi desconsiderado.

segunda-feira, julho 27, 2009

LIXO, um problema mundial

A chegada de toneladas de lixo nos portos de Santos e Rio Grande trouxe visibilidade para um problema global. Tenho tratado do lixo no blog, mas tenho consciência de que é um tema que interessa a poucos ainda. Lixo limpo, sujo, hospitalar e agora o eletrônico, é da responsabilidade das prefeituras. No entanto, são raras as que tratam o lixo com a devida responsabilidade. Os prefeitos precisam encarar de frente esse problema, que se agrava a cada ano, e fazer "do limão uma limonada".

Dar valor econômico ao lixo é o caminho. Seja no processo seletivo, educando as pessoas e ampliando a coleta, seja na produção de energia, produzindo gás em aterros sanitários apropriados, ou no novo mercado dos lixos eletrônicos. Arrisco a dizer que a indústria do lixo precisa se estabelecer para atender essa produção crescente, abandonada ao tempo pelas autoridades responsáveis.

O novo, nessa história, é o lixo eletrônico. Segundo a revista Galileu desta semana, 39 milhões de aparelhos celulares serão descartados no Brasil. No mundo, a cada ano, 1,5 bilhão de celulares serão subtituídos. O descarte é capaz de carregar uma composição de vagões de trem que faz a volta na Terra. Segundo a ONU, serão cerca de 150 milhões de toneladas anuais.

Os maiores produtores mundiais de lixo eletrônico são EUA, Europa e Japão. Reciclam apenas 30% do que produzem. Com o argumento de estimular a inclusão digital, exportam o resto para os países pobres. Os principais destinos dessa pilha inútil são alguns países da África,o Paquistão e a Índia, que chegam a receber 500 contêineres mensais.

No Brasil, a reciclagem eletrônica não chega a 1%, e uma das razões é a falta de leis que obriguem as empresas a reciclar pilhas e baterias. Já sobre o lixo comum, produzimos por dia 228 mil ton, das quais 146 mil ton são jogadas sem qualquer tratamento em lixões, vazadouros e áreas alagadas. Uma vergonha! (Fonte: Revista Galileu)

domingo, julho 26, 2009

Perguntas e observações da semana

A PERGUNTA da semana é do Lula para o Suplicy, durante a visita que fazia a José de Alencar no hospital: " O Eduardo você está há 18 anos no Congresso e não sabia de nada?" (referindo-se aos escândalos no Senado)

A OBSERVAÇÃO que faço, da semana que passou, é sobre a gripe A e a maneira como está sendo tratada pela mídia. Já falei outras vezes sobre esse tema, no entanto após ler o que o ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, coloca com a devida propriedade sobre o que chama na sua coluna de "no limite da irresponsabilidade", me animei e resolvi escrever um pouco mais sobre o assunto.

Segundo Eduardo, a chamada de capa no domingo passado, constitui um dos maiores erros jornalísticos cometidos pela Folha. O título: "Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses", é uma notícia que gera pânico e leva milhares de pessoas procurarem hospitais já lotados. Diante do clima que se estabeleceu com a gripe A, todo o cuidado na sua divulgação é fundamental. Não é hora de leigos darem sua opinião.

LIXO TIPO EXPORTAÇÃO, vou voltar a falar sobre isso. O Brasil (acreditem se quiser), gastou 257 milhões de dólares importando lixo. Só em 2008, foram 175 mil toneladas. Reciclamos apenas 20% do lixo que poduzimos, estamos deixando de faturar 12 bilhões de dólares por ano.

sexta-feira, julho 24, 2009

Meio ambiente e a Corte Penal Internacional

A criação de uma Corte Penal Internacional do Meio Ambiente, começa a ganhar corpo. A idéia que partiu do Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, é muito oportuna. Os crimes ambientais de grande impacto e repercussão, precisam ser julgados numa Corte Internacional sob o olhar da opinião pública mundial.

Presidente da Academia do Ambiente de Veneza, Esquivel colocou todo o seu prestígio nessa iniciativa. E não está sozinho nessa caminhada. Já subscreveram a proposta pela criação da Corte Penal: Betty Willians, Dalai Lama, Mairead Maguire, Shirin Ebadi, Rigoberta Menchu Tum, todos Prêmios Nobel da Paz.

O movimento mal começou e já ganhou centenas de importantes adesões: da academia, da literatura e de organizações ambientalistas mundiais. Todos convencidos da importância de uma Corte que julgue os grandes desastres ambientais que afetam a vida planetária. A campanha é conscientizadora e educativa sobre os bens e recursos naturais que hoje se encontram ameaçados.

O Instituto IDEAL aderiu formalmente a campanha e través do seu site http://www.institutoideal.org/ voce poderá acompanhar melhor esse esforço coletivo em defesa do nosso planeta.

quinta-feira, julho 23, 2009

Cidades (sem) soluções

David Satterthwaite, sociólogo inglês e urbanista do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento entrevistado pelo jornal francês Le Monde(17/7/2009), mostra suas preocupações com o crescimento desordenado das grandes cidades nos paises em desenvolvimento e suas vulnerabilidades em relação a qualidade de vida e as mudanças climáticas. Ele comenta, por exemplo, que:

- as populações dos paises em desenvolvimento vão dobrar até 2050;

- atualmente, 1 bilhão de pessoas vivem em favelas;

- a verdadeira urgência para os paises pobres é o de se adaptarem aos efeitos das mudanças climáticas;

- as populações mais pobres vivem nas zonas de risco, em terrenos mais expostos, em zonas inundáveis, encostas instáveis, justamente porque são os lugares ao seu alcance;

- a agenda climática e a do desenvolvimento é a mesma. No entanto, as Agências Internacionais insistem em tratá-las de forma diferenciada. As políticas ligadas ao clima precisam incorporar medidas anti-pobreza.



MORRO DA FUMAÇA - confesso que fiquei abalado com o amanhecer no Morro da Fumaça. A pequena cidade do sul de Santa Catarina, conhecida por produzir tijolos e telhas, estava totalmente coberta pela fumaça de suas olarias. É uma cena chocante. As pessoas, literalmente, respiram fumaça. Não sei se o governo está acompanhando o impacto daquela atividade, altamente poluidora, na qualidade de vida das pessoas.

quarta-feira, julho 22, 2009

Na economia vamos bem...já na política...

NA ECONOMIA, conforme se esperava a reunião do COPOM, por unanimidade, reduziu o juro em mais 0,5%. Agora a taxa SELIC é de 8,75%, a menor dos últimos tempos. É um bom sinal. Outra boa notícia são os recursos liberados pelo governo para a agricultura familiar. O setor, responsável por 70% da produção de alimentos, ocupa apenas 20% da área agriculturável do país. São 4,5 milhões de propriedades, o financiamento pode chegar até R$40 mil e o juro de 1,5% ao ano. Essa boa prática fortalece a presença do homem no campo e mostra compromisso do governo com a agricultura familiar. No entanto, sinais de preocupação vem do setor sucroalcooleiro, onde havia uma expectativa de cogeração de energia a partir do bagaço de cana. Mergulhadas numa crise financeira as usinas estão com seus projetos comprometidos e só irão gerar 10% da energia prometida.

NA POLÍTICA, cada dia uma agonia. A de hoje, foram as gravações da Polícia Federal envolvendo a familía Sarney. Era a neta de Sarney, Maria Beatriz, pedindo emprego para o namorado, Henrique. O pedido foi atendido. Os detalhes das conversas entre a neta, o filho Fernando e o Senador Sarney, não deixam dúvidas do descaso como as coisas são tratadas no Senado. Até quando esses senhores que nos representam (apesar de muitos não terem tido um voto), vão proceder de forma afrontosa se "lixando" para a opinião pública. O risco que correm, é da situação se inverter: os eleitores se lixarem para os senadores.

terça-feira, julho 21, 2009

Fique ligado - curtas

SOBRE A GRIPE SUÍNA

- o vírus dura até 10 horas;
- o uso do álcool de gel é útil pois mata o vírus;
- a forma de contágio se dá nas partes úmidas(mucosa do nariz/boca/olhos)
- o vírus não voa e não alcança mais de um metro de distância;
- lavar as mãos mais de 10 vezes por dia é uma boa medida;
- o período de incubação é de 5 a 7 dias. Os sintomas aparecem quase que imediatamente;

Fonte: prof. Dr. Roberto Rubler
Obs.- Não se deixe levar por notícias alarmistas.

SOBRE ENERGIAS ALTERNATIVAS

As notícias são promissoras. As energias alternativas devem triplicar até 2017. Boa parte se deve aos projetos eólicos previstos para o leilão de novembro. Já o agronegócio deve ter um novo impulso. A comercialização de crédito de carbono deve dar um retorno de U$$ 160 milhões/ano.

SINAL VERMELHO

Até 2015, 33 mil jovens serão assassinados. Estudos da UNICEF em parceria com a Secretária
Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República apresentam essa preocupante estatística. As cidades identificadas nesse estudo com alto Índice de Homicídio na Adolescência (IHA), são: Foz do Iguaçu, Maceió, Recife, Vitória, Rio de Janeiro e São Paulo.

segunda-feira, julho 20, 2009

Lixo tipo exportação

Só faltava essa. Agora ficamos sabendo que tem um brasileiro nesse negócio de trazer lixo da Grã-Bretanha. Julio Costa é o cara. Dono da Worldwide Biorecyclabs Ltda e da UE Multiplas Recycling Ltda, empresas que estão sendo responsabilizadas por exportarem 89 contêineres de lixo para o Brasil. As toneladas de "lixo tipo exportação", atravessaram o oceano e estão retidas nos portos de Rio Grande e Santos. Mui amigo esse Júlio. Quer ficar rico trazendo lixo para cá.

No quesito lixo, o Brasil não é nenhuma Brastemp. No entanto, tem um trabalho reconhecido na área de reciclagem seca de lixo urbano - que inclui papel, metais, plásticos e vidro. Em muitos municípios, programas de coleta seletiva e a própria organização dos catadores, tem permitido que mais de 20% do lixo produzido seja reciclado. Embora seja um índice que esteja acima dos demais paises em desenvolvimento, o problema "lixo urbano" ainda carece de uma política pública. As autoridades municipais, responsáveis pela coleta e tratamento do lixo, costumam fugir desse assunto. Os dados fornecidos pela ONG Cempre, que atua nessa área, chamam a atenção para o fato de mais de 50% do lixo que produzimos ainda é depositado em precários lixões.

sábado, julho 18, 2009

Um banquete para o rei

François Vatel faz parte da história da França. O filme sobre ele, "Um banquete para o rei", foi escolhido para abrir o Festival de Cannes de 2000. No papel de Vatel, o admirável Gérard Depardieu. O filme retrata com extrema fidelidade o esplendor e a pobreza de espírito que existia dentro da corte de Luis XIV, na França, no século 17. Durante três dias o rei e sua corte, deixam Paris e se instalam na Castelo de Chantilly. Lá encontram François Vatel, um gênio da cozinha. Seu trabalho é logo reconhecido pelo Rei Sol. Um homem simples que queria apenas mostrar sua grande criatividade, logo é envolvido pelas intrigas da alta corte, que invadem seu mundo interior, destruindo seus princípios e valores. Vatel não aguenta a pressão. Se suicida antes de preparar seu último banquete.
Já tinha escrito sobre "castelos" e "duques", me referindo ao Congresso Nacional. Escrever sobre Vatel, é uma viagem no tempo, que serve para mostrar como a insensibilidade do poder faz mal as pessoas.

P.S. - para quem aprecia café com chantilly, agradeça a Vatel.

sexta-feira, julho 17, 2009

Onde podemos economizar energia


Nos últimos anos as campanhas para eficiência enegética têm sido intensificadas. Mas ainda assim é grande o desperdício. Esse vídeo, excelente sugestão do amigo Frank Maia, mostra o quanto gastamos de energia, muitas vezes até sem saber. A narração é em inglês, mas as imagens falam por si.

quinta-feira, julho 16, 2009

Castelos e duques...

O Congresso Nacional precisa de uma profunda mudança. As pessoas estão cada vez mais distantes dos seus representantes. Os mandatos parlamentares estão descolados do sentimento das ruas. Convivi com a Casa Legislativa e sei do que estou falando. Na legislatura passada os constrangimentos já foram grandes, no entanto nada comparável com os atuais. A Câmara acaba de absolver o deputado Edmar Moreira(o do Castelo) e arquivou o caso. A decisão foi festejada pelo deputado Sérgio Moraes, aquele que declarou estar se lixando para a opiniao pública.
No Senado, um senador até então desconhecido, busca seus momentos de fama. Paulo Duque, aliado de Sarney, assumiu o Conselho de Ética. Suas primeiras declarações já mostram o que nos espera. Para ele os atos secretos são uma grande bobagem, algo inventado "por alguém". Pilar da democracia, o Congresso Nacional agoniza. Como nos tempos medievais, os duques se isolavam nos castelos para não ouvir a voz do povo. Na moderna Brasília, do século XXI, "duques" e "castelos" se lixam para a opinião pública. Até quando?

quarta-feira, julho 15, 2009

Acredite se quiser

Curtas... notícias de hoje.....

- Os jornais não podiam deixar de registrar: LULA e COLLOR juntinhos. Quem diria!
- "Estou morrendo de vergonha. Dá vontade de ir pra casa." (Sen. Pedro Simon)
- No Senado, começam aparecer os primeiros pedidos de renúncia de Sarney.
- Na Câmara de Florianópolis, o PP vai fazer rodízio. O prazo: 1 mês. Na Assembléia, o PT também fez: dois meses. Não tenho nada contra o rodízio, agora me respondam: dá para fazer alguma coisa em 1 ou 2 meses?
- Lina Maria Vieira, a Secretária Geral da Receita, foi demitida. O motivo: investigação em relação à mudança contábil realizada pela Petrobras.
- E os Kirchner, hein? A fortuna do casal aumentou 158% só no ano passado!
- E o pedágio da Palhoça? Para os moradores da cidade vão implantar uma via alternativa. Já a questão de fundo, que nos envergonha, cobrar pedágio de uma estrada que não está pronta, como fica?
- O Conselho de Ética do Senado ainda não foi instalado. Só falta alegarem que não há motivo para a sua instalação.

POR ÚLTIMO, um furo que não saiu nos jornais. Fábio Rosa, diretor do Instituto IDEAL, me telefonou avisando que tinha saído de uma reunião com o Diretor de Patrimônio do INTERNACIONAL. O Beira Rio Solar está prestes a ser aprovado. Fábio, para quem não conhece, é reconhecido internacionalmente por seus projetos sustentáveis. Recentemente, foi premiado pelo Banco Itaú, por seu trabalho na Lagoa dos Patos, chamado Farol do Sol. No Quênia, trabalha para instalar a energia solar num campo de refugiados da ONU, onde vivem 50 mil pessoas.
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terça-feira, julho 14, 2009

Sonhar é bom e não há limite

O sol é a mais importante fonte de energia do planeta. Vou repetir isso sempre. O que nos falta é tecnologia e mercado para o custo de produção da energia solar cair. A grande vantagem da energia solar, sobre as demais, é que você sempre poderá afirmar que ela será a energia que irá nos mover no futuro. Quando irá acontecer, só o tempo dirá. No entanto, ter essa certeza, é algo mágico.

Os japoneses, por exemplo, prometem para 2030 o futurista projeto desenvolvido pela Agência de Exploração Espacial, que vai por em órbita um gerador solar que transformará a energia do sol em um raio lazer. Transmitido à terra se converte em energia elétrica, gerando o equivalente a uma usina nuclear de 1000MW. Talvez, quem sabe, num dia, uma estação orbital não poderá produzir mini baterias de grande poder energético, disponíveis no mercado para voce levar para a casa ou colocar no seu carro. Imaginem, promoção de baterias: leve a da sua casa e ganhe a do seu carro. Poluição zero!

Outra grande novidade, á chamada energia inteligente. Essa não é sonho, é realidade. Concessionárias já estão se preparando para substituir os atuais medidores por outros "inteligentes". Isso vai possibilitar monitorar os gastos, criar tarifas diferenciadas e identificar aparelhos domésticos com baixa eficiência energética. O projeto conta com parceria dos fabricantes de eletrodomésticos. Os aparelhos terão chips, ficarão conectados à internet e poderão ser desligados via celular. Segundo o presidente da Silver Springs Networks, John O' Farrel, pelo menos 12 companhias brasileiras de energia estão aptas para essa evolução.

segunda-feira, julho 13, 2009

Essa tal governabilidade....

Governar é cuidar dos interesses maiores da sociedade. Segundo o incansável e atento Rubem Alves, os representantes do povo, eleitos pelos votos dos cidadãos, em princípio, são pessoas que abriram mão dos seus interesses e passaram a cuidar dos interesses do povo. Imagino, comenta o escritor em recente artigo, como as crianças devam ficar confusas com as notícias da política. Preocupado com o futuro do nosso país, preparou uma pequena cartilha para explicar às crianças um pouco da política. Para ele, embora no Brasil haja muitos partidos, no frigir dos ovos se reduzem a dois: o das raposas e o das galinhas. “ Como há muito milho, as raposas dão para as galinhas. As galinhas acreditam nas boas intenções das raposas e tomam esse gesto de dar milho como expressão da amizade. E nessa confiança nascida do milho....” E, assim segue a parábola.
E aos jovens, professor, o que dizer? Eles já votam e se sentem responsáveis com o que é noticiado. Perplexos, ficam sem entender, por exemplo, o significado da palavra “governabilidade.” Afinal, se perguntam, o que é essa tão falada governabilidade? Se sua origem vem de governar e se governar é cuidar dos nossos interesses, por que então tem sido usada para encobrir irregularidades e proteger agentes públicos de deslizes éticos? Nossos representantes, num regime democrático, sejam eles vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e presidente, são autoridades já que representam os poderes executivo e legislativo. Cabe às autoridades constituídas, pela função e visibilidade que têm, dar o bom exemplo. Precisam ser honestos, dedicados, austeros, criativos e trabalharem para o bem da coletividade. Nunca utilizarem de subterfúgios para encobrir suas mazelas e leviandades. Fora desse ideal, estamos no caminho do empobrecimento da política como atividade e instrumento para o fortalecimento da democracia e da cidadania. Não há futuro para as nações que não preservarem as novas gerações dos constrangimentos criados pela má prática da atividade política. E isso só é possível se os jovens acreditarem nas pessoas e nas instituições.

domingo, julho 12, 2009

Escolas do Amanhã

No sábado, um dia cinzento, escrevi sobre a condenável presença do trabalho infantil em Santa Catarina. Hoje, um domingo ensolarado, escrevo sobre as "Escolas do Amanhã". Uma bela contribuição de Gilberto Dimenstein, que destaca iniciativas voltadas para um novo modelo de inclusão de crianças e jovens da periferia de nossas grandes cidades. Foram selecionadas 126 áreas infestadas de violência nas cidades do Rio e de SãoPaulo. A meta é ambiciosa: levar para outros paises a experiência brasileira. O projeto vem sendo acompanhado pela Unicef e integra todos os níveis de poder: governos federal, estadual e municipal, além de entidades não governamentais.

Ainda nessa semana, 120 secretários de Educação se reuniram, em Brasília, para relatar experiências exitosas em seus municípios que pudessem ser implementadas em outras cidades. Exemplos de Londrina, Sorocaba, Recife, Belo Horizonte e Nova Iguaçu, abrindo espaço nos clubes para os jovens, visita de médicos às escolas, implantação de bairros educativos, mostram seus primeiros resultados. Somam-se a elas, outras experiências privadas, bem sucedidas, como a do Instituto Unibanco que ajudou 250 escolas de ensino médio a melhorar sua gestão e, por consequência, elevar a qualidade do aprendizado.

De todas essas iniciativas, as "Escolas do Amanhã", projeto focado nas regiões mais vulneráveis, se destaca por estar ganhando escala. Para Dimenstein, vai atingir milhões de jovens. Como a Bolsa Escola que começou no governo Cristovão, em Brasília, se expandiu e virou a Bolsa Família, as "Escolas do Amanhã", serão de grande valia como programa de desenvolvimento das nossas crianças e jovens.

Na mesma direção segue o programa "Mais Educação", em que se envolvem vários ministérios e prefeituras para aumentar a jornada escolar. A mais recente adesão foi a do Ministério da Defesa. O motivo, pasmem! Abrir as portas dos quartéis da Marinha, do Exército e da Aeronáutica para as crianças e jovens utilizarem suas áreas esportivas. Uma verdadeira revolução. As aulas podem acontecer, em qualquer lugar, dentro ou fora da escola. Até mesmo dentro de um quartel, comenta Dimenstein.

sábado, julho 11, 2009

Trabalho infantil

Uma boa leitura para um final de semana sombrio, é o livro publicado pela Editora Insular: " A persistência do trabalho infantil". Um levantamento sobre a mão de obra infantil na indústria e na agricultura catarinense através do olhar apurado de Bernadete Aued, Célia Regina Vendramini, Claudio Marcelo Garcia de Araújo, Daiana Castoldi Lencina, Fabiana Duarte, José Kauling Sobrinho, Maria dos Anjos Viella, Ricardo Selke e Soraya Franzoni Conde. O trabalho de pesquisa realizado na Universidade Federal de Santa Catarina pelo Departamento de Sociologia e Ciência Política, mostra que aqui no nosso estado ainda se encontra presente o trabalho infantil, com todas as suas mazelas e consequências.

No prefácio, Suzanna Sochaczewski, doutora em sociologia pela USP, comenta: " a criança que trabalha neste início de século XXI é explorada... pois executa tarefas além de sua capacidade e força e lhe está sendo roubada a possibilidade de tornar-se um adulto com os requisitos necessários para viver no século XXI".

De José Saramago, incluiram os autores do livro: " Sou um produto da criança que fui. Continuo sendo neto de meus avós. Tenho sido capaz de mantê-los vivos até hoje."

De Gilka Girardello, seu poema, "Por que as crianças precisam brincar?", nos faz lembrar que se as crianças não brincarem - muito - não conseguirão aprender direito depois. " As crianças precisam brincar hoje e todos os dias de sua infância".

O livro nos mostra fotos, relatos e dados resultantes do trabalho precoce, de jornadas de trabalho longas e de trabalho intenso entre crianças. E isso tudo acontecendo do nosso lado, em: Alfredo Wagner, Araranguá, Canelinha, Palhoça, São João Baista......

quinta-feira, julho 09, 2009

Desenvolvimento?


Muito boa a narração deste vídeo, do arquiteto Marcelo Cabral, da Universidade Federal de Santa Catarina. Em menos de dois minutos ele apresenta a história de Florianópolis - e seu desenvolvimento(?), como quem narra uma partida de futebol para rádio.... A plateia são seus alunos. Mas aqui tomo a liberdade de reproduzir a gravação, pois é importante que as pessoas entendam um pouco do processo que está acontecendo na Ilha de Santa Catarina.

Pedras no caminho

Na leitura matinal que faço, dos jornais do dia, encontrei várias pedras no caminho. De forma telegráfica, passo para voces:

- acabam de aprovar o uso de uniforme para os motoristas de taxis de Florianópolis. O problema nunca foi esse. O que precisa ser feito aqui, é aumentar a frota e baixar a bandeirada;
- o ex-presidente da Celesc, Eduardo Pinho Moreira, afastado do cargo, ainda não sabe se saiu prestigiado ou defenestrado;
- enquanto os senadores continuam se batendo, o Conselho de Ética do Senado ainda não se reuniu;
- por falar em Senado, que mico a bancada do PT está passando em nome da tal "governabilidade". Que pedreira ......;
- já na Câmara, Edmar Moreira, o deputado "do Castelo", teve o relatório que pedia a sua suspensão rejeitado. Vai, com a amizade dos seus pares, tirando as pedras do seu caminho. Se continuar assim, de tantas pedras que tirou, pode até construir um novo castelo;
- quem está comendo o pão que o diabo amassou é a presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Depois da derrota eleitoral, agora, a dificuldade em controlar a gripe A. Já chega quase a uma centena o número de mortos no país vizinho;
- sequestrador em Santa Catarina, não se cria! Eles tem pela frente uma pedreira: a equipe do delegado Renato Hendges. Mais uma vez elucidaram um sequestro e prenderam os sequestradores em poucas horas. Parabéns;
- já que estou falando em "pedras no caminho", eu também tenho a minha. Está no meu rim e vou tirá-la hoje de tarde. Até breve.

quarta-feira, julho 08, 2009

Está chegando a hora.....

O Brasil quer ampliar a integração energética com seus vizinhos. Essa notícia de hoje, vem ao encontro das inicativas que venho pregando nos últimos anos. Integrar a América com a produção de energia limpa. Essa possibilidade está batendo na nossa porta. E tem que ser com energia renovável! Primeiro porque ela está presente em todos os países. Segundo porque não gera disputa. Terceiro porque desenvolve tecnologia, cria empregos em larga escala e aproxima os povos. Tenho defendido essa idéia em todos os fóruns. Estou convencido de sua viabilidade técnica, ambiental, econômica, política e social. O Brasil, por exemplo, já consolidou a biomassa na sua matriz energética e caminha para se tornar um grande produtor em energia eólica. Projetos na área da energia solar, começam a aparecer. São sinalizações muito positivas. Os países vizinhos também precisam incorporar nas suas matrizes energéticas as fontes renováveis. A única dificuldade a ser superada é a do custo de produção. Custo se reduz com tecnologia e escala. Uma política de integração energética regional, baseada em energia limpa, cria mercado e dá escala. Com o mercado assegurado vem os interesses econômicos, desenvolve-se novas tecnologias e criam-se empregos. Como voces podem ver, produzir energia limpa é o começo.

terça-feira, julho 07, 2009

A China "verde"

A China está investindo bilhões para se tornar uma superpotência em energia verde. Neste ano, a China vai ultrapassar os Estados Unidos como o maior mercado comprador de turbinas eólicas. Vem dobrando a sua capacidade instalada a cada ano. Um dado impressionante.
Mas será no Deserto de Gobbi, ao lado da famosa Rota da Seda, que no passado deu visibilidade à China no ocidente com seus produtos e especiarias, que agora, a China do futuro se apresentará para o mundo, como a grande produtora de energia produzida pelo vento e pelo sol.

Segundo, Steve Sawyer, secretário geral do Global Wind Energy Council, no planalto quase sem vida a sudeste de Dunhuang, seis imensos projetos de energia eólica estão sendo implantados. Cada um dos seis "ofusca totalmente, qualquer outra coisa que tenha sido feita no mundo", comenta o secretário.

Para Li Jun Feng, vice-diretor de Pesquisa Energética da China, a meta do governo é instalar 10 mil MW por ano de aerogeradores. Só para dar um idéia, seria quase que uma Itaipú por ano. A meta prevista para o ano de 2020, era de 30 mil MW. A continuar o ritmo atual, será alcançada já no próximo ano. (Fonte: Estadão)

segunda-feira, julho 06, 2009

O QUE ANDAM FALANDO DO SARNEY

Até tenho evitado falar no Senador Sarney. Em relação as denúncias envolvendo o Senado, penso que não dá para canalizar tudo num único senador. Concordo com a tese de que todos tem sua parcela de responsabilidade. Quem não é cumplice do ocorrido, foi omisso em relação as irregularidades existentes na Casa. Sarney, pelo poder que tinha, representa as duas faces dessa moeda.
Sobre Sarney, Beatriz Fagundes escreveu no Jornal O SUL : " Deixem Sarney na Presidência. Queremos uma tomografia computadorizada do sistema doente denominado Senado da República. Qualquer leigo admite que para curar uma doença precisamos detalhar o sistema comprometido. Sarney substituído significa lançar mais uma vez para debaixo do tapete, como sempre se fez, as barbáries praduzidas pela andar de cima."
Já Miguel Velasquez, Promotor de Justiça, escreveu no mesmo Jornal: " Por que não entendemos os atos secretos e a solidariedade de alguns senadores de todos os partidos políticos com o seu presidente? Por que somos tão injustos com esses homens que acabaram de aprovar na Comisssão de Constituição e Justiça a redução da maioridade penal quando, na verdade, a pior das criminalidades é sangrar os cofres públicos? Crimes esses praticados por homens maiores de 35 anos."
Do sempre atento e profundo conhecedor dos bastidores de Brasília, Ricardo Noblat: " somente Sarney presidiu o Senado três vezes. Foi ele que nomeou e ajudou a manter Agaciel Maia como diretor-geral do Senado durante 14 anos. A Agaciel são atribuídas grossas patifarias que não poderia ter cometido sem o consentimento dos seus superiores." Segundo Noblat, sobrou até para o Presidente Lula. Seu amigo e também senador, Tião Viana (PT/AC), saiu-se com essa:" Lula nada fez para evitar a descontrução e a perda de moral do Congresso."

RESUMO DA ÓPERA - até as próximas denúncias, fica tudo como tá. As novidades do final de semana, são: a casa não declarada do Senador Sarney, uma obscura e milionária conta bancária e o inquérito do Agaciel. Uma carga explosiva para um começo de semana.

sexta-feira, julho 03, 2009

Descarbonização, uma solução para a crise

Na sexta-feira, falei sobre carros. No final de semana, folhando e lendo o material que guardo, encontrei uma matéria de Daniela Chiaretti (Jornal O Valor, de 6/3/2009), com três comentários de renomados professores relacionados com o assunto. Para eles, especialistas em aquecimento global, o mundo tem dois caminhos: ou ataca a crise climática ou ataca a crise climática.

LUIZ GYLVAN MEIRA FILHO, pesquisador-visitante do Instituto de Estudos Avançados/USP

" Ninguém está contente com a crise, claro, mas por incrível que pareça é uma boa oportunidade para a descarbonização. Os governos podem introduzir um viés de meno carbono na economia."


JOSÉ GOLDEMDERG, físico

" A crise financeira, por pior que seja, é uma crise reversível. Já passamos por isso no passado e, mesmo que seja terrível, a economia acaba se superando - mas se o clima mudar mesmo, como está acontecendo, a mudança é irreversível. Criar emprego é a coisa mais importante que existe em época de recessão e a opção de gerar empregos verdes é interessante. Veja a Petrobras, diz que tem 50 mil empregados e produz 2 milhões de barris por dia - ou 40 barris por empregado. O etanol de cana no Brasil produz o equivalente a 300 mil barris por dia e gera 600 mil empregos - ocupa mais de 10 vezes o número de emprego."


EDUARDO VIOLA, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília

" A resposta que o Brasil está dando para a crise não tem nada de verde. Algumas comparações são constrangedoras. Os Estados Unidos ajudaram fabricantes de carros a recuar do precipício, mas lá veículos a hidrogênio já circulam nas ruas e o governo Obama sinaliza que quer ir se libertando da dependência dos fósseis. Até 2011 as fábricas terão que produzir carros e caminhões 40% mais eficientes por litro de combustível consumido. No Brasil, a redução do IPI dos automóveis mirou não paralizar as vendas e talvez exigir que o desemprego não aconteça. Mas não se fala na contrapartida ambiental. Qual é a idéia? Manter a venda de carros numa estrutura urbana estrangulada?"

P.S - Amanhã, em Porto Alegre, tenho uma reunião onde vou apresentar para o Internacional o Beira Rio Solar. Será a primeira de muitas. Implantar "Os Estádios Solares" para a Copa de 2014, é um grande desafio. É um processo que exige paciência e muita vontade de sonhar..... o sonho possível.

O brasileiro é louco por carro - PARTE II

Em março escrevi sobre os primeiros sinais de recuperação da indústria automotiva no Brasil. Ontem, anunciaram o resultado do semestre: 1,4 milhões de carros licensiados. Um número realmente impressionante. Em plena crise, um record de vendas. Especialistas atribuem a redução no IPI. Tenho minhas dúvidas. A redução é pequena comparada com os tributos que incidem no preço dos carros. Qualquer carro produzido lá fora é bem mais barato que o similar nacional. Nos EUA, maior produtor e consumidor de carros, as vendas da Ford cairam mais de 10%, da GM mais de 30% e da Chrysler quase 50%. E mesmo assim, com toda a crise no setor, o governo americano vem jogando duro. Tem imposto restrições e pressionado as montadoras para construirem veículos menos poluentes, híbridos e solares.

Aqui, o governo incentivou as vendas, criando uma condição de aquecimento no setor que não existe nos outros paises. A iniciativa, sob o ponto de vista do mercado, deu certo. Acho, que a explicação está no binômio sonho de consumo e oportunidade do momento, que: nesse caso da compra de carros pega todas as classe sociais. Os mais ricos estão comprando os importados dos seus sonhos, aproveitando o real valorizado. A classe média de olho na redução dos impostos e na oportunidade do crédito. Já as classes C e D, no embalo do crédito e do preço do combustível que vem caindo nas bombas. Em São Paulo, por exemplo, o preço do gás e do álcool (R$1,/lt), fazem carros de baixo consumo competirem com o preço cobrado por ônibus, vans e metrôs.

Não sei até quando essa situação vai se sustentar. Tenho três grandes preocupações em relação a isso: o prazo dos financiamentos (em alguns casos chega a 80 meses), os preços dos combustíveis (dificilmente vão se manter no patamar atual) e, por fim, aquele que mais me assusta, a mobilidade urbana. São milhões de novos carros trafegando nas mesmas ruas. Não há cidade que aguente!

quinta-feira, julho 02, 2009

Uma boa energia

Gerar uma boa energia é investir em energia limpa. Essa é a campanha publicitária da EDP, a Energia de Portugal. Com duas distribuidoras e 8 milhões de consumidores, a empresa vem se credenciando como uma geradora de energia limpa global. Seu plano de investimentos no Brasil chega a 3 bilhões de reais. A EDP, como tantas outras empresas, está se preparando para o próximo leilão de energia eólica. Como será o primeiro a ser realizado no Brasil, é grande a expectativa.

Fora do mundo empresarial, mas com o olhar voltado para a produção de energia limpa, a proposta do Greenpeace para a sustentabilidade energética brasileira, reforça a necessidade do Congresso aprovar uma lei de renováveis. Para o Greenpeace (como para mim), transformar esse enorme potencial em uma sólida indústria de renováveis que gere desenvolvimento tecnológico, além de emprego e renda, depende de um único fator: vontade política.

No documento apresentado aos parlamentares, o Greenpeace, ressalta: " o estímulo à geração de energia renovável não é apenas uma questão ambiental, mas econômica e de segurança energética. O desenvolvimento do setor de energia renovável significa a inserção do Brasil em um mercado que movimentou cerca de US$ 148 bilhões em 2007 e que vem obtendo taxas anuais de crescimento próximas a 30%".

ENQUANTO ISSO, no Congresso Nacional, as prioridades são outras. No Senado, senadores ainda em dúvida sobre o futuro de Sarney, temerosos, aguardam a próxima denúncia. Já na Câmara, o Conselho de Ética se reuniu para absorver o deputado Edmar, aquele do "Castelo".

P.S.- um projeto de minha autoria, o PL 7692/2006, trata da legislação para energias renováveis. Ainda está lá! Maiores informações acesse o blog Vozes do Clima (quadro do Fantástico, apresentado pelo ator Marcos Palmeira).

quarta-feira, julho 01, 2009

É a economia seu tolo (parte II)

Quando escrevi no blog " É a economia seu tolo", foi pensando no Brasil. Quis mostrar a relação direta que existe do bolso com o bom humor do eleitor. Agora, ao escrever a parte II, faço em função do resultado eleitoral da Argentina. Para mim já esperado. Comentei das artimanhas do casal Kirchner, antecipando as eleições, incentivando os candidatos laranjas e colhendo, no último domingo, como resposta das urnas, o pior dos resultados. O eleitor argentino votou com o bolso vazio. A economia argentina dá sinais de estagnação. Os investimentos tanto públicos como privados caíram. O retorno da inflação preocupa, como também preocupa, a forma como vem sendo calculado o índice. Há uma desconfiança em relação ao cálculo. Com a queda dos juros, a tendência é dos investidores migrarem para a atividade produtiva. No entanto, na Argentina, o resultado é outro. Um ambiente de incertezas tem afastado companhias do país.

ENQUANTO ISSO, no Brasil, cresce o interesse de grupos de fora pelo mercado imobiliário brasileiro. E a novidade é que querem entrar no segmento popular. Nós temos o que poucos paises tem: a necessidade e as condições de construirmos milhões de moradias. O programa habitacional do governo federal, "Minha Casa, Minha Vida", é um projeto perene de grande alcance social. Esse projeto também pode servir para alavancar um novo segmento industrial: o da energia solar. As casas podem ser concebidas como geradoras de sua própria energia. O que hoje parece um sonho, amanhã pode ser realidade. Alías, sonhar faz bem e não custa nada.