quarta-feira, dezembro 23, 2009

Um balanço de 2009

Para manter um blog por um ano, com 300 comentários, se precisa de disciplina e muita leitura. Durante o ano priorizei escrever sobre meio ambiente, clima, energia renovável e desenvolvimento sustentável. Temas atuais e ao mesmo tempo futuristas. Abordei, mas com certa reserva, os fatos políticos. A grande mídia se encarregou de noticiar os maus exemplos praticados por boa parte dos nossos políticos. O resultado, não poderia ser pior. As pessoas a cada dia que passa se afastam mais dessa atividade vital para a democracia que é a política.

Na noite de ontem, o Presidente Lula falou à nação, fazendo um balanço do ano de 2009. O presidente estava feliz e apresentou dados de um país que enfrentou uma crise mundial com competência, e saí dela fortalecido e respeitado internacionalmente. O futuro que o presidente sinalizou, também é promissor. Dois grandes eventos globais, a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, vão dar visibilidade e trazer investimentos para o Brasil. Faltou a meu ver, o presidente com a popularidade que tem cobrar dos partidos rigor com que é público e compromisso com país.

No meio acadêmico, onde minhas atividades tem me levado com freqüência, sou indagado pelos jovens sobre o que nos falta para sermos uma grande nação. A resposta é imediata e com toda a convicção: faltam aos nossos governantes e representantes valores e princípios. Essa perda de consciência ética, do respeito ao que é público, tem contaminado em maior ou menor grau todos os partidos, e, por conseqüência, a base da democracia, que é a boa prática política.

Ferreira Gullar, uma das minhas leituras obrigatórias, mas de quem discordo muitas vezes, soube retratar como ninguém a crise que atingiu os partidos e o Congresso nos últimos anos. Na Folha de S.Paulo, do dia 20, assim ele escreveu:

“Os graves escândalos que têm abalado a vida política nacional não podem ser explicados como resultado apenas de desvios de conduta de alguns políticos, mas, sim, como resultado de causas mais complexas, de um processo de deterioração dos valores políticos e éticos que vem de longe.
Na verdade, a conjunção de diversos fatores, somados ao baixo nível moral dos atores da cena política, levou ao afrouxamento de certos princípios fundamentais que devem nortear a ação daqueles que se pretendem representantes do povo. As causas desse afrouxamento serão muitas, tantas que não me acho capaz de identificá-las, mas é inegável que elas atuaram e atuam não apenas no Congresso, mas igualmente em todas as áreas em que se desenvolve a ação política. A sensação é de que os políticos, na sua maioria, em vez de servirem à sociedade, optaram por dela se servirem para granjear poder e riqueza.”

Depois dessa precisa radiografia do quadro político, Ferreira Gullar, acredita que a própria crise de credibilidade irá possibilitar as mudanças necessárias. Segundo ele, dialeticamente, a crise moral que atingiu os partidos e o próprio Congresso Nacional criou, ao mesmo tempo, as condições propícias para mudanças radicais

Como comentei no início, aí vem, novamente, minha discordância com o autor. Do que já vivenciei, nem os partidos e muito menos os maus políticos querem corrigir e reorientar a prática de se fazer política. Corruptos e corruptores se completam. Eles fazem parte do mesmo jogo. Transitam com naturalidade na ilegalidade. Dinheiro sem origem, como o gravado e divulgado no episódio chamado de “mensalão do DEM”, envolvendo o governador de Brasília, só veio à tona, por desentendimento entre parceiros da falcatrua. Aquelas imagens, que até hoje nos revoltam, mostram o quanto estão se lixando para o povo que os elegeu. Esperar que pessoas públicas, já contaminadas, sem compromisso com a ética, irão de repente refletir sobre o que fizeram e abraçar a bandeira do arrependimento, se comprometendo com mudanças, transparência e respeito aos cidadãos, só se for uma graça do Natal. Para mim, do Papai Noel, essa turma só quer o saco. Afinal, cabe muito mais dinheiro que nas meias e nas cuecas.

Boas Festas para todos. Volto dia 4 de janeiro.

terça-feira, dezembro 22, 2009

Copenhague: li e gostei.

"O dia que tudo mudou em Copenhague", texto de Saleemul Huq, merece ser lido. Não só por ter sido escrito por um Prêmio Nobel, como também por ser uma oportuna e ponderada reflexão sobre Copenhague.

Boa leitura.


Trabalhei em temas de mudança climática por muitos anos, primeiro como pesquisador em minha Bangladesh natal e depois no Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, e como membro do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática. Vi com meus próprios olhos as ameaças que representam a mudança climática nas regiões secas da África, nas montanhas do Himalaia e nos vastos deltas baixos da Ásia. Testemunhei anos de falta de ação nas cúpulas da Organização das Nações Unidas, que não deram a resposta necessária porque os negociadores escolheram proteger estreitos interesses nacionais e econômicos em lugar de assumir o desafio de proteger as gerações futuras.
Discuti com os que negam a mudança climática e têm fortes vínculos com indústrias poluentes, e que nunca estiveram nas aldeias e comunidades vulneráveis, onde a mudança climática já mostra seus impactos. Se o fizessem, notariam o dano que sua ideologia causa nas pessoas que menos contribuíram com esta ameaça mundial. E agora, em dezembro de 2009, em Copenhague, creio que chegamos a um ponto de inflexão. Copenhague será lembrada nos próximos anos. Não pelo que ocorrer hoje, quando os líderes mundiais encerrarem a 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP15), mas pelo que ocorreu no sábado passado.
Naquele dia, gente dos mais diversos estilos de vida de todo o mundo assumiu a iniciativa que deveria ser ostentada pelos que se dizem nossos líderes. Além das palavras que estes presidentes e primeiros-ministros decidirem incluir em um “protocolo” ou “acordo”, é o povo do mundo que tem de escrever no muro. Os líderes que decidirem ler essas palavras nos farão avançar. Aqueles que as ignorarem serão arrastados pela maré da história. O dia 12 deste mês assinala o momento em que grande parte do mundo se levantou para executar uma mudança verdadeiramente global. Haverá retrocessos (como um acordo medíocre esta semana), mas a maré já se movimentou. E não pode voltar atrás.
Mais além do que conseguirmos em Copenhague - e sou otimista, apesar das manobras políticas - estamos em um caminho novo e inexorável. Os líderes que compreenderem isso podem proceder dos lugares mais inesperados. Vejamos, por exemplo, o presidente Mohammad Nasheed, da diminuta Maldivas.
Em poucos meses voltarei a Bangladesh para combater a mudança climática real, para opor-me às más (ou inadequadas) políticas que a abordam. Minha ambição para os próximos anos é ajudar a população de um dos países mais pobres e vulneráveis - e, entretanto, mais resiliente e inovadora - para que deixe de ser o emblema mundial de vulnerabilidade e passe a ser reconhecido como, talvez, o que melhor se adapta.
Volto à minha pátria para criar um novo Centro Internacional para a Mudança Climática e o Desenvolvimento, no qual aspiramos aprofundar a capacidade de governos, organizações da sociedade civil, pesquisadores, acadêmicos, jornalistas e muitos outros atores das nações em desenvolvimento para responder aos desafios que a mudança climática apresenta. O novo centro oferecerá capacitação sobre como sobreviver (e inclusive prosperar) em um mundo aquecido. Focará principalmente na adaptação à mudança climática nas nações menos adiantadas, mas não se deterá nisso.
Na verdade, planejamos criar instrumentos para que os países industrializados possam enfrentar impactos climáticos adversos. Paradoxalmente, o mundo rico que causou este problema não planejou em detalhe com adaptar-se a ele. Volto à frente de combate à mudança climática, onde a luta real já está em marcha. Vou sabendo que milhões de pessoas de todo o mundo compartilham minhas esperanças e meu otimismo quanto a que a humanidade pode unir-se para enfrentar o desafio que pode determinar nossa vida sobre a Terra.

* Saleemul Huq é membro do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento e autor principal dos informes do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC), ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2007.

Algumas outras declarações pos-Copenhague:

Thom Yorke, líder do grupo britânico Radio head, ativista militante das causas ambientais: " os líderes que se apresentaram em Copenhague são homens reprimidos de meia idade, que enxergam através das suas próprias esferas de interesses particulares, e não veem o processo como todo".

O presidente da França, Nicolas Sarkosy: "A Conferência de Copenhague não pode consistir em uma sucessão de discursos que não se confrontam nunca. Não estamos aqui para um colóquio sobre o aquecimento climático, estamos aqui para tomar decisões".

O presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva: "O mundo não chegará a um acordo climático com meias palavras e barganhas....".

O presidente dos EUA, Barack Obama: " ..... ....... .............. ... ............... .............................".

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Os franceses estão chegando

O protocolo assinado na última sexta-feira entre o governo da Bahia e a Alstom para implantar uma fábrica de aerogeradores naquele estado já é um dos primeiros resultados do leilão das eólicas. A presença da gigante francesa, fabricante de equipamentos pesados e com forte presença no setor elétrico, demonstra o interesse por investimentos em novos projetos no Brasil. Outra empresa de origem francesa, a Tractebel, controlada pelo grupo GDF Suez, que participou do leilão mas sem êxito, já está operando parques eólicos no Piauí e no Ceará. A intenção do grupo é intensificar a sua participação na energia dos ventos, não só no Brasil como em países vizinhos. Outro setor de interesse dos franceses é a geração de energia a partir da biomassa. Oriunda de matéria orgânica, tanto da cana-de-açúcar como de resíduos de madeira, a biomassa já faz parte da Louis Dreyfus, empresa francesa que recentemente comprou a Santelisa, uma tradicional usina do setor sucroalcooleiro de São Paulo. Com isso, a Dreyfus, além de abastecer de energia suas cinco usinas, tem um excedente de geração de 24 MW que comercializa no mercado livre.
Toda essa movimentação e interesse ganhou visibilidade em função do Ano da França no Brasil. Em outubro, no Rio de Janeiro, aconteceu um seminário específico sobre energias renováveis e biocombustíveis, promovido pelo governo da França e pela Câmara de Comércio França-Brasil. Nada acontece por acaso, o trabalho de prospecção e promoção tem sido intenso e muito se deve às boas relações de Lula com Sarkozy.

domingo, dezembro 20, 2009

Mercosul pós Copenhague

Bem antes da conferência do clima em Copenhague, já começavamos a discutir um seminário sobre o Mercosul pós Copenhague. No final de novembro, levamos a idéia ao ministro Carlos Minc. Em dezembro, apresentamos o projeto nas Comissões do Meio Ambiente e na de Energia, durante a última reunião do Parlasul, em Montevidéu. Para mim debater com os países membros do Mercosul esse tema é fundamental como política de integração regional. Salta aos olhos o potencial das energias renováveis como instrumento de integração energética. Podos os países têm condições e potencial natural de desenvolverem projetos nessa área. Com o frustante resultado da semana passada em Copenhague cresce a necessidade de novos encontros. Buscar o consenso de todos, como é a metodologia da ONU, dificilmente vai dar certo. Tentar aproximar grupos de países com interesses comuns é bem mais fácil.
A 38ª reunião da cúpula do Mercosul, realizada dia 8 de dezembro, em Montevidéu, terminou com críticas à paralisia e aos desencontros do bloco. Sobrou para o Brasil. Todos alegam que o desequilíbrio entre a economia brasileira e as demais é muito grande. Na área comercial, buscar sinergia entre economias tão desiguais como forma de atenuar a crise é quase impossível. O Paraguai, por exemplo, acumula um déficit de 600 milhões de dólares junto aos sócios do Mercosul. E não tem na sua lista de exportação produtos com valor agregado que possam recuperar esse déficit. No entanto, pelos condições do país, o Paraguai poderia se tornar um grande produtor e exportador de biomassa. A energia eólica, que acaba de dar um grande salto em função do leilão realizado no Brasil, tem tudo para se estabelecer no litoral sul da Argentina, conhecido pelo seu regime de ventos fortes e permanentes. O Uruguai, que importa todo o petróleo que consome, poderia perfeitamente ter uma matriz energética mais limpa e independente se incorporasse o sol, o vento e a biomassa como fonte de energia. São coisas factíveis, que podem evoluir dentro de um projeto de integração regional. Por isso, acreditamos no evento que estamos propondo para março do ano que vem. "Mercosul pós Copenhague", pode se tornar um encontro com respostas para a integração regional e para as mudanças climáticas. Se der certo, vai ser bom para todos. O evento vai ser aqui em Florianópolis, na Universidade Federal.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Eco_Lógicas

Enquanto na distante e fria Copenhague o clima não era dos melhores, no sul do Brasil, em Florianópolis, num ambiente aconchegante, jovens da UNB, UFMG, UNICAMP e UFSC recebiam o prêmio do Concurso Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento em Energias Renováveis e Eficiência Energética, promovido pelo Instituto IDEAL. Com certeza essas cabeças arejadas e brilhantes, num futuro próximo, estarão em posição de destaque nas suas atividades profissionais, contribuindo com sua sensibilidade e saber na construção de um país comprometido com o clima e com a produção de energia limpa. Nas fotos abaixo, da esquerda para a direita, Evelise Didoné, da Arquitetura da UFSC, recebe das mãos do representante da Eletrobrás, George Alves Soares, o prêmio de R$ 15 mil pelo melhor trabalho apresentado. Na foto seguinte, os sete alunos de pós-graduação premiados no Concurso Nacional. Da esquerda para a direita: Conrado, Clarissa, Evelise, Marina, Ana Maria, Iara e Manfred. Por último, na foto de baixo: o representante da Eletrobrás, George Soares, eu, Karim Ould-Chih do Banco KfW da Alemanha e o Diretor da Eletrosul, Antonio Waldir Vituri.














São Paulo x Floripa

São Paulo, em menos de duas décadas, deixou de ser a “terra da garoa” para se transformar na capital do dilúvio. O que antes molhava e logo passava, hoje mata! A cidade ficou refém da sua desorganização. Nada acontece de um dia para o outro, é um processo. É um aterro, um morro ocupado, árvores cortadas, asfalto impermeabilizando o solo, o loteamento clandestino, a avenida mal projetada, o vereador venal, o fiscal corrupto, o empresário depredador, o prefeito omisso, e o caos se estabelece. Essa tem sido a regra do crescimento desordenado das nossas cidades. “Mortes, desabamentos, perdas materiais de toda a ordem, momentos de desespero, transtornos e, mesmo para os não diretamente atingidos pelas enchentes, uma sensação de impotência e revolta”. Nada que está entre aspas foi escrito agora. Trata-se de um editorial da Folha de março de 1999, como nos lembra Fernando de Barros e Silva. A morte urbana de São Paulo já vinha sendo anunciada há muito tempo. Seus gestores pouco fizeram. Alagamentos e congestionamentos fazem parte do cotidiano da cidade.
Aos munícipes, cabe pagar impostos devidamente corrigidos e a conta crescente com a propaganda oficial. Afinal para dar seqüência aos projetos políticos dos nossos ilustres prefeitos nada como uma boa campanha de marketing.
Duas recentes decisões da Câmara Municipal de Florianópolis estão na contra mão da boa gestão urbana: a não aprovação do defeso do Itacorubi e do Estudo de Impacto de Vizinhança. O que mais chamou a atenção é de que numa Câmara, onde o prefeito tem folgada maioria, o resultado tenha sido contra ao encaminhamento do Poder Executivo. Ou estamos diante de uma encenação, o que é grave, ou os vereadores precisam explicar seus votos a seus eleitores. Nos dois projetos, só identificamos um setor interessado nesse resultado. Portanto não é a vontade da cidade. Florianópolis, embora muito menor que São Paulo, já vem dando sinais de esgotamento e caminha a passos largos para o colapso urbano. Votações como as citadas agravam essa situação e comprometem o futuro da cidade.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Trens: de um passado distante a um futuro incerto

As poucas experiências que eu tive com os trens foram sempre prazerosas. Me lembro bem da minha primeira viagem. Foi de Rio Grande a Bagé, no Rio Grande do Sul. Estudante do “científico”, fomos participar dos jogos estudantis. Uma viagem demorada mas inesquecível. Como nos governos Collor e FHC acabou-se com o pouco que havia de transporte ferroviário, acredito que aquela linha esteja desativada. Depois só voltei a andar nos trens fora daqui. Modernos, pontuais e rápidos, comprovam o equívoco histórico do Brasil que foi não priorizar uma malha ferroviária nacional.
Agora, começam a discutir o trem-bala. A ligação Rio/São Paulo por um trem de alta velocidade (TAV). O governo tem pressa, quer implantá-lo até a Copa. Os riscos são grandes. O maior deles é do projeto não ser sustentável. Os estudos apontam que a demanda não vai viabilizar o projeto. O número de passageiros por ano teria que ser bem acima de 10 milhões. Difícil de ser alcançado, já que as duas cidades são atendidas por uma ponte aérea eficiente e tradicional, que deixa os passageiros no centro do Rio. O preço estimado da passagem é alto, está acima de R$200,00. Isso já deixa de fora um considerável número de pessoas. E um projeto dessa envergadura precisa de volume de passageiros, é que nem metrô.
Alias, nunca vou esquecer da sabedoria de um taxista de Brasília, sobre o metrô de lá. Logo que começou a operar, perguntei para ele: tá dando certo? “Deu certo prá quem construiu”, respondeu ele. “Não tem ramificação doutor, essas coisas sem ramificação não funcionam”. A ramificação que ele se referia, é a porta de entrada de mais pessoas no sistema. É a possibilidade que se tem de ampliar o número de usuários, permitindo um preço mais acessível na passagem. Fora isso, é subsídio em cima de subsídio, o que não deixa de ser estranho, para um trem moderno, ligando as duas mais importante cidades do país, transportando, quase que exclusivamente, pessoas de alto poder aquisitivo.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Copenhague: impasses e desorganização

O que ninguém queria é o que começa ser noticiado sobre o encontro de Copenhague: impasses nas negociações e desorganização. A informação de que a presidente da cúpula, Connie Hedegaard, se afastou hoje da coordenação confirma o que já vinha sendo objeto de crítica, a desorganização do evento. Foram liberadas 35 mil credenciais para um espaço físico que comporta 10 mil pessoas. Filas intermináveis, dificuldades de locomoção, constrangimentos a autoridades e outras falhas organizativas, prejudicam o evento e podem ter sido a causa do afastamento de Connie Hedegaard. Por outro lado, o tempo passa e os entendimentos não acontecem. Embora todos se comprometam com o clima, o clima em Copenhague não é dos melhores. Além do frio( já esperado), das manifestações e protestos( também esperado), ministros de um mesmo país não se acertam e declarações contraditórias atrapalham a busca do entendimento e do consenso. Faltam poucos dias. Muita gente, por esse mundo afora, espera por compromissos e respostas.

Enquanto isso, longe de lá, no Brasil, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê a criação de pelo menos 20 milhões de empregos verdes até 2030 em todo o mundo. Segundo o relatório da OIT, no Brasil, os empregos verdes deverão ser o segundo maior setor do país em ocupação de mão de obra especializada. São consideradas atividades verdes a produção e o manejo florestal, geração e distribuição de energias renováveis, saneamento, gestão de resíduos, projetos sustentáveis e outros. Dentre esses outros está o cultivo de cana de açucar, um dos maiores empregadores do setor agrícola brasileiro. Nesse segmento é esperada uma forte redução do número de empregos em razão de que nos próximos três anos 90% da colheita serão feitos de forma mecanizada. Parte dessa mão de obra será deslocada para outros setores que serão estimulados pelo próprio governo de criarem empregos verdes.

terça-feira, dezembro 15, 2009

Abrem-se as portas para os bons ventos

O leilão das eólicas, encerrado ontem a noite, foi um sucesso. Serão contratados quase dois mil MW. Isso representa quatro vezes mais do que o Brasil tem instalado. Os novos parques eólicos ficarão assim distribuídos: Bahia 390 MW, Ceará 541 MW, Rio Grande do Norte 657 MW, Rio Grande do Sul 186 MW e Sergipe 30 MW. Os investimentos serão da ordem de 9,4 bilhões de reais, o que por si só já justifica a ampliação da indústria eólica no nosso país. O preço médio do leilão ficou em R$ 148,00/MWh muito próximo do praticado nas PCH's e nas usinas de cogeração com bagaço de cana. Dessa forma as eólicas entram definitivamente na matriz energética brasileira, somando-se a outras fontes de energia limpa.
Uma boa notícia para o Brasil anunciar em Copenhague. Cabe ao governo incentivar essas iniciativas. É o que tem feito: na semana passada anunciou a redução do IPI para equipamentos de geração de energia limpa. No entanto, o lado negativo ficou por conta dos governos estaduais, que na véspera do leilão sinalizaram que não iriam mais prorrogar a isenção do ICMS. O impacto na receita das empresas seria de 17 %, podendo inviabilizar alguns projetos.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Em Copenhague, a incerteza. Aqui boas notícias.

Em Copenhague, a semana começa com a chegada dos ministros e líderes mundiais. O mundo espera que o bom senso e a responsabilidade com o planeta prevaleçam. Um acordo que defina novos padrões de desenvolvimento, onde sustentabilidade, energia limpa e empregos verdes sejam a tônica das próximas décadas, é o que todos esperamos.
Enquanto isso, distante de lá, num país chamado Brasil, com muito sol e vento, a semana começa com duas excelentes notícias. Hoje acontece o primeiro leilão de usinas eólicas. Foram habilitados 339 projetos, totalizando 10.000 MW. Quase uma Itaipu. A maioria dos projetos previstos estão localizados na região nordeste e no Rio Grande do Sul. Dependendo do resultado do leilão, o Brasil entrará no rol dos países com forte presença dessa nova fonte de energia limpa, como China, Espanha, EUA, Alemanha, Dinamarca, Índia e Portugal. Com isso, cria-se o mercado estabelecendo no país um novo segmento industrial.
Para Steve Sawyer, secretário-geral do Conselho Global de Energia Eólica, o mercado brasileiro, com o leilão, deixou de ser uma promessa, para se tornar em algo real e promissor. Ele compara o Brasil com a China de 2004 e a Índia de 1998. A China, por exemplo, em cinco anos passou a liderar a implantação de parques eólicos no mundo.
Mas as boas notícias, não estão apenas relacionadas com os “bons ventos”. Em Salvador, a Coelba, empresa de energia de lá, juntamente com o Governador Jaques Wagner, anunciaram a solarização do Estádio Pituaçu. Foram meses de tratativas junto a Aneel até a aprovação do projeto. A Universidade Federal de Santa Catarina e o Instituto IDEAL estiveram presentes em todos os momentos dessa importante iniciativa. Aliás, tudo começou em abril desse ano quando estivemos vistando os estádios solares na Alemanha e Suíça. O Pituaçu, embora não sendo um dos estádios da Copa, vai servir de modelo e de aprendizagem para os demais. A Bahia, que já foi porta de entrada dos primeiros colonizadores, agora se apresenta como porta de entrada da energia solar no nosso continente. Estamos todos de parabéns. Como dizia um bom baiano, Raul Seixas: sonho que sonha junto é realidade.

sábado, dezembro 12, 2009

Fundo Amazônia

A redução do desmatamento, a produção da conservação e do manejo sustentável das florestas são oportunidades claras de se obter benefícios climáticos imediatos. Portanto, a preservação da maior floresta tropical do planeta é imprescindível à sobrevivência da espécie humana.
A Floresta Amazônica tem uma extensão aproximada de 5,5 milhões de km2, sendo cerca de 60% em território brasileiro. Ela abriga 33% das florestas tropicais do mundo e cerca de 30% das espécies conhecidas da flora e da fauna. A cada ano, ela libera para a atmosfera - por meio da evaporação e da transpiração da vegetação - mais de sete trilhões de toneladas de água.
Como forma de obter recursos para incentivar a preservação da floresta, foi criado, em 1º de Agosto de 2008, o FUNDO AMAZÔNIA. O objetivo central é promover projetos para a prevenção e o combate ao desmatamento e também para a conservação e o uso sustentável das florestas no bioma amazônico.
A gestão do Fundo cabe ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os recursos do FUNDO AMAZÔNIA serão aplicados sob a forma de financiamentos não reembolsáveis. O BNDES apresentou o projeto na quarta-feira, na COP 15, em Copenhague, na Dinamarca. Por coincidência, boa parte dos recursos da Fundo Amazônia vem da vizinha Noruega. (Fonte: Ambiente Brasil - Especial de Copenhague)

Ainda sobre o Fundo - O Instituto IDEAL está estudando a possibilidade de incluir entre os projetos financiados pelo Fundo a "solarização da Amazônia", através de pequenas usinas solares, em regiões onde a energia elétrica ainda não chegou e dificilmente irá chegar.

E SOBRE A MENTIRA - voce encontra no blog do César Valente (www.deolhonacapital.com.br), o poema de Afonso Romano sobre a mentira. Segue abaixo um pequeno trecho para despertar seu interesse.

"E de tanto mentir tão brava/mente constroem um país de mentira diaria/mente"
"Mentem no passado. E no presente passam a mentira a limpo. E no futuro mentem novamente".

Como voce pode ver, atual e aplicável: tanto para falsos ambientalistas como para inúmeros políticos.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Estádios Solares, mais uma etapa vencida.

Nesta sexta, apresento na Eletrobrás o relatório sobre os estádios solares. Sem dúvida uma bela experiência. Com recursos da GTZ pude visitar a maioria das cidades sede da COPA de 2014, conhecer os projetos das novas arenas e mostrar que a energia fotovoltaica é uma alternativa viável para uma Copa limpa e sustentável. Posso garantir que depois das apresentações que fizemos o interesse por essa nova tecnologia é total. Quanto mais me envolvo com essa temática, mais confiante fico que em 2014, além da alegria do futebol, vamos ter a energia do sol.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

E a China vai me ajudar......




Se urso falasse, o nosso amigo aí do lado estaria dizendo para os chineses: calor demais derrete. A China, país que mais emite CO² no mundo, pode sair de Copenhague anunciando boas notícias. Mesmo sem ter apresentado metas, assumiu compromissos com a diminuição de lançamento de CO². Embora possa parecer uma decisão tímida, para a China reduzir carbono significa promover mudanças profundas na sua economia. Nem sempre os governantes estão dispostos a correr riscos em relação às políticas econômicas. Parece não ser esse o caso da China. Seu governo é o que mais tem investido em eficiência energética e energias limpas.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Mudanças Climáticas: você também se sente responsável?

O vídeo fala por si. Mas, por mais que cada um precise fazer a sua parte, a humanidade necessita de orientação. Os governos, em todas as esferas, precisam agir. Que o diga a população da cidade de São Paulo. Pela falta de um planejamento urbano, vem pagando caro pelas consequências.





terça-feira, dezembro 08, 2009

Hospital energeticamente eficiente


Ontem, durante todo o dia, trabalhamos na construção de um dos mais importantes projetos de auditoria energética: a do Hospital Universitário da UFSC. Reunidos com o Reitor Álvaro Prata, com a Diretora Geral do HU Marisa Helena Coral e o Vice-Diretor Felipe Felício, foi dado o primeiro passo para o HU se tornar um hospital energéticamente sustentável. Esse projeto piloto idealizado pelo Instituto IDEAL, pode vir a ser aplicado nos outros hospitais universitários. Além da UFSC estão envolvidos nos estudos o Instituto IDEAL e a Agência de Desenvolvimento da Alemanha, GTZ. Na foto ao lado, da esquerda para a direita: o prof. Trajano, o consultor da ENNED - clean energy solutions, Willi Krebser, o professor da UFSC e diretor do IDEAL, Ricardo Ruther, o representante do Programa Energia Brasil da GTZ, Andreas Nieters e eu.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Corrupção: o lado obscuro da política.

Boa parte dos políticos, que diante das câmaras se apresentam como pessoas dignas, honestas e fiéis as suas convicções, costumam trocar de partido como trocam de camisa e também enriquecem, numa velocidade espantosa, incompatível com uma atividade política honesta e transparente. Nos meus 10 anos de mandato pude constatar um incremento considerável do lado obscuro da política que permeia todo o processo: desde a definição das candidaturas até chegar ao tipo de mandato do parlamentar. Essa forma condenável de se fazer política tem se tornado uma prática constante. Com a corrupção contaminando todo o processo, passa a fazer parte da nossa cultura, o que explica a recorrência dos escândalos e a nossa incapacidade histórica em lidar institucionalmente com eles, como nos ensina Sandra Jovchelovitch.

Essa jovem senhora, psicóloga social e professora da London School of Economics, no Reino Unido, acaba de publicar seus estudos sobre os políticos no Brasil. Um belo trabalho, uma boa leitura. Embora reconhecendo que a corrupção e o uso do bem público não são um privilégio brasileiro, segundo ela, o que nos diferencia em relação a um escândalo de corrupção britânico, é que lá a opinião pública exige respostas, e o Estado pune os corruptos. Enquanto aqui um corrupto de carteirinha tem grandes chances de se reeleger como o mais votado. Vai ter muito dinheiro para sua campanha, e pouca reação da sociedade. No Brasil, segundo Sandra, há uma reafirmação de um fatalismo: “a política é assim”, “esses caras são todos iguais”, “quem pode faz o mesmo”. Então o eleitor, desgostoso com o que vê, acaba votando no corrupto que já conhece, o que em parte responde pelo retorno de figuras políticas à vida pública mesmo após escândalos.

Lamentavelmente quem promove escândalos, só pensa em si. Busca no que é público, o ganho fácil. Não tem noção do mal que está fazendo a imagem do país e o constrangimento que submete a nação. A corrupção é um crime. E a criminalidade é uma patologia social que tem origem, de certa forma, nas desigualdades da nossa sociedade. A professora Sandra coloca o dedo na ferida quando descreve a relação do criminoso exatamente como a relação do político corrupto que rouba na esfera pública. A dinâmica do psicopata é de não sentir culpa, não se sentir responsável. E essa dinâmica é muito semelhante à da corrupção na esfera política, afirma a doutora Sandra.

Vejam que análise precisa. Qual o político pego com dinheiro nas cuecas, nas meias, nos bolsos que demonstrou arrependimento? Qual o gestor público que sonegou informações à Receita está arrependido? Mansões, castelos, fazendas todos virtuais. Seus proprietários desconheciam o bem que tinham? Ou preferiram se utilizar da “imunidade parlamentar” para encobrir e proteger seus interesses privados? Pense nisso você também. Principalmente na hora de votar.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Por toda minha vida


A população do Uruguai é pequena, 45 vezes menor que a do Brasil. No último domingo, numa noite fria, chuvosa e ventosa, um mar de gente tomou conta da Rambla para comemorar a vitória da Frente Ampla. A razão de tamanha manifestação, segundo os uruguaios, está no encantamento que as pessoas têm pela história de "Pepe". É o reconhecimento coletivo a alguém que por toda sua vida lutou por sonhos.

Ontem à noite, quando escrevia, interrompi meus trabalhos para assistir “Por toda a minha vida”. Um belo documentário da Rede Globo sobre a vida de Raul Seixas, morto há vinte anos. O “maluco beleza”, como ficou conhecido, assim como “Pepe” tinha uma magia. Era também um sonhador, inquieto, polêmico e que segundo seus amigos só fazia o que lhe dava prazer. Casado seis vezes, pai de três filhas, cada uma de uma mãe, Raul viveu intensamente. Alguém, como ele, que já misturava naquela época “maluques com lucidez” e que falava nas suas músicas em “sociedade alternativa”, era um gênio fora do seu tempo. Sua percepção em relação às agressões praticadas pelo homem na natureza e as conseqüências disso, aparece com realismo no documentário. Raul passeando com sua Brasília pelo Leblon, são atingidos por uma grande onda num dia de forte ressaca. A Brasília é arrastada pela água e fica bastante danificada. O repórter da TV entrevista Raul sobre o ocorrido. Sua resposta: “o mar ta certo quem mandou aterrar a praia”. No seu enterro em Salvador, sua terra natal, milhares de fãs queriam levar seu caixão embora. Para eles Raul não tinha morrido.

Vinte anos depois em Montevidéu, uma população explode de felicidade, “Pepe” é o novo presidente. Confirma-se mais uma profecia de Raul “sonho que se sonha junto é realidade”.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Copenhague: seguridade energética e cambio climático.

Estamos a poucos dias do encontro sobre clima em Copenhague. Por mais que queiram reduzir a importância desse encontro, a expectativa é grande. Líderes dos principais países vão estar lá. A opinião pública mundial, em cada canto desse Planeta Terra, mesmo a quilômetros de distancia, também estará de olho lá. E eles sabem disso! Portanto, não tratar mudanças climáticas com responsabilidade será cobrado por toda a humanidade.

O último documento público do G-20 sobre seguridade energética e cambio climático, se cumprido por todos, já é um bom começo. Ao afirmar que o acesso a fontes de energia diversas, acessíveis e limpas é fundamental para o crescimento sustentável, os países se comprometem com mudanças. Melhorar a eficiência energética, por exemplo, deve ter um papel importante nas próximas décadas. Com os preços crescentes dos combustíveis fósseis, a tendência é acabar com os subsídios que alguns países insistem em manter. Dessa forma, combate-se o desperdício no consumo e cria-se a cultura da eficiência energética.

Em paralelo, o documento propõe medidas objetivas de estímulo a investimentos, promoção e transferência de tecnologia em energia limpa. Com o aumento da oferta mundial de energias renováveis, promove-se um crescimento sustentável e ameniza-se o efeito perverso das mudanças climáticas.

Com isso os líderes do G-20 respondem para o mundo a vontade de se comprometerem com o futuro. Eles sabem que a recuperação econômica para ser duradora precisa incorporar o novo, e o novo está na sustentabilidade, nos carros elétricos, na energia solar e nos empregos verdes. Eles vão buscar em Copenhague um acordo que contemple medidas de mitigação, transferência tecnológica e financiamentos de seus projetos futuristas que irão sinalizar para um novo modelo de desenvolvimento.

terça-feira, dezembro 01, 2009

Corrupção: não dá mais pra aguentar

Até parece que fazer política virou a arte de roubar, de se apropriar do que é público de se utilizar do mandato para enriquecer por meios obscuros. O descrédito é tamanho que a opinião pública começa a construir o pior dos quadros: são todos iguais. Para agravar mais a situação, ainda hoje saiu a publicação do ranking da corrupção 2009 na América Latina, divulgada pela Transparência Internacional. Destaque para o Uruguai e Chile, considerados os países onde há menos corrupção. Entre os mais corruptos: Venezuela, Paraguai, Equador, Bolívia e Argentina. O Brasil aparece na faixa intermediária, junto com México, Colômbia e Peru.

Dois fatos recentes confirmam, em tese, o que aponta a pesquisa. Durante o processo eleitoral uruguaio inexistiram denuncias de corrupção. Nada nos jornais e muito menos na campanha eleitoral. A impressão que tive é que o governo Tabaré passou seus cinco anos sem se envolver com “mensaleiros”, acordos espúrios e obras super faturadas. Já no Brasil, o mar de lama da política volta a tomar conta do noticiário. As cenas na TV são chocantes. Deixam-nos revoltados. São cenas de corrupção explícita. O que passou a ser chamado de mensalão do DEM é caso de polícia.

Nunca houve nada igual. Vamos ver no que vai dar. Espero que não fique só no panetone.