quinta-feira, janeiro 28, 2010

Celesc, a ponta do iceberg (parte II)

No jornal Valor de ontem, uma grande reportagem sobre a Celesc. Novamente o que é destacado, é a má gestão da empresa. Dessa vez os acionistas minoritários, entre eles o Fundo de Pensão da Previ, estão recorrendo a Comissão de Valores Mobiliários- CVM, para impedir um acerto de contas entre o governo do Estado e a Celec. Segundo o que os demandantes alegam, esse acerto é lesivo aos interesses da empresa e não foi apreciado pelo conselho de administração.

O rombo é grande. Envolve um empréstimo feito pela Celesc ao governo do Estado. O que causa estranheza é que pelo acerto a Celesc de credora passa a devedora. Não é a primeira vez que negócios obscuros rondam a maior empresa pública catarinense durante o atual governo. No final de 2005, depois de uma audiência pública na Assembléia Legislativa, conseguiu-se evitar que a Celesc desembolsa-se milhões em função de um trabalho apresentado por uma empresa de consultoria contratada pela própria Celesc. Na época, ficou visível que outros interesses rondavam esse obscuro estudo.

Ao denunciar essa situação, como deputado, ganhei inimigos. E não foram poucos. Paguei um preço alto por não me omitir. Tempos mais tarde, cobrei de um líder sindical as razões dessa convivência excessivamente harmoniosa com a diretoria da Celesc. A resposta que me foi dada, fala por si: “Fizemos um pacto. Dividimos o poder. O PMDB ficou com a Celesc e nós da Intercel com a Fundação Celos”.

7 comentários:

Anônimo disse...

Caro Mauro,

Este pacto está destruindo a Celesc como empresa pública. Por este perverso pacto está se permitindo a dilapidação do patrimônio público. Ouvi falar de uma carta, em posse de líderes sindicais, na qual um certo político se compromete a manter a Celesc pública caso se eleja governador. Nos pactos existem compromissos mútuos; eu fico a imaginar qual seria o dos líderes sindicais.
Se no curto prazo não houver uma ação que que faça cessar os efeitos deste pacto, não haverá mais o que salvar. Então, empregados e sociedade clamarão: privatizem a Celesc!
Está em curso o progressivo desmanche do patrimônio material e imaterial da Celesc, este último representado pelas pessoas que nela trabalham. Isto é como um câncer que, se não for combatido a tempo, provoca a morte do paciente.
Pergunto: Ainda há tempo? Que ação é possível?
Um abraço.

Mauro Passos disse...

Concordo com sua preocupação. A Celesc sempre precisou de uma proteção quanto ao uso político da empresa. No passado, os sindicatos eram rigorosos nessa luta. Agora, .......

Leandro Nunes disse...

É execrável disparar denúncias ao vento, sem coragem para dar nome aos autores.

Questiono qual o motivo de tal omissão, de tal falta de força, ao utilizar transcrições vagas e provocantes?

Pergunto-me qual a real motivação do ex-deputado que afirma saber de um hipotético “pacto secreto” há algum tempo e escondeu de todos os interessados, os eletricitários celesquianos e o povo catarinense, supostamente compactuando com tal fato?

O ex-deputado que durante muito tempo partilhou das lutas dos eletricitários não tem o mínimo discernimento ao rotular o todo por parte? Ou acredita mesma que ao postar uma suposta alegação dessas sobre um “líder sindical” não coloca todos os empregados envolvidos no movimento sindical em um vórtice de desconfiança e suspeição perante toda a categoria?

Cabe agora, ex-deputado, citar o nome do líder sindical da postagem relacionada para que seja dado o direito ao debate e a ampla defesa deste e de outros que se acharem prejudicados pela sua acusação solta e incompleta.

Finalizando, avalio qual é a pior postura: a do ex-deputado que traz uma acusação à representação dos trabalhadores através do movimento sindical dos eletricitários catarinenses sem apontar o autor ou a de um Sr "anônimo" que recicla ideias de outrem sem assinar a sua própria falta de juízo.

Mauro Passos disse...

Tanto o celesquiano como o dirigente sindical são pessoas que eu me relaciono a anos e pediram para não ter seus nomes revelados. Foram eles que me procuraram há duas semanas atrás. Portanto, não escondi nada. E as denúncias "não são ao vento". Leia "a ponta do iceberg - Parte III". A consultora Galeazzi & Associados¨, contratada pela própria Celesc identificou pagamentos acima do previsto para a empresa MONREAL. Quanto a mim, minhas manifestações são antigas, de 2005. Feitas por escrito e encaminhadas a Assembléia Legislativca de Santa Catarina.

Anônimo disse...

Sr. Anônimo responde,

A revelação sobre a existência de uma carta-compromisso de um certo político catarinense afirmando que se for eleito não privatizará a Celesc foi feita por um líder sindical, cujo nome não sei, a um grupo de debates com mais de 30 pessoas reunidas no 7º Congresso dos Empregados da Celesc, realizado em Joinville, de 7 a 9 de maio de 2009.
Eu não vi a tal carta e gostaria que ela não existisse. Se de fato ela não existe, neguem-na os próprios sindicalistas. Porém, se esta carta é algo de que não se envergonham, afirmem-na.
Um abraço.

Jairo Gazola disse...

São duas as espécies de tentação

"Ainda que alguém tenha o seu olho interior purificado, isto é, possua coração simples e sincero, ninguém consegue penetrar no coração dos outros. Ora, as tentações revelam aquilo que nem as ações, nem as palavras manifestam. São duas as espécies de tentação: ou procedem do desejo de conseguir algum proveito temporal ou vêm do receio de perder tais vantagens"(Sto Agostinho).
Uma singela contribuição à nossa reflexão!
Respeitosamente,
Jairo Gazola
Fpolis-sc

Paulo R. K disse...

Realmente me causa estranheza a postura da Intercel, em muitos fatos que tem ocorrido na Celesc.
Existe uma total falta de sintonia com os sentimentos da categoria.
Por muito menos, já estivemos na porta do governo, cortando o pescoço dos diretores da empresa e, no entanto, parece que esta tudo bem.
Se existe pacto não sei, mas que nas eleições da celos correu froxo correu.
Acho que alguém alheio a Intercel, representando os empregados se elegeu diretor comercial e já esta pagando o preço acaba de se afastar.
E a Intercel nem um piu, será que tem a ver com o pacto.

Paulo R.k