A vida me ensinou que para começar de novo, tem que virar a página. Foi o que fiz depois de encerrar meu mandato. Invertendo a lógica que permeia a política, de ficar gravitando em torno do poder e dos partidos, optei por construir algo novo, futurista, onde eu pudesse dar minha contribuição. Em fevereiro de 2007 criamos o Instituto IDEAL. Um longo e penoso processo que começa dar certo. Estamos levando a discussão do papel e da importância das energias renováveis a todos os países da América Latina. Cada dia mais motivado, acredito no bem que estamos fazendo, introduzindo e promovendo nas universidades, junto aos jovens, a necessidade de se pensar na matriz energética do futuro.
Essa introdução é para justificar, em parte, as razões pelas quais me afastei da vida partidária. As cobranças existem dos dois lados, mas vou administrando. Espero que dentro do partido haja também essa compreensão. Até porque discutir mudanças climáticas, energia limpa, desenvolvimento sustentável, é fazer política – política do bem. Essas questões vão estar presentes no processo eleitoral que se avizinha e nos próximos governos que virão. No caso de Santa Catarina, a disputa ao governo vai colocar a Celesc na vitrine. Pelo seu baixo desempenho, os catarinenses vão querer saber do seu destino.
Por conhecer a empresa de longa data, vejo com preocupação seu futuro. Duas notícias recentes confirmam a gravidade dessa situação. A Cemig, interessada em comprar a Celesc, foi contratada para fazer um diagnóstico empresarial. A Eletrobrás, sócia da Celesc, está liberando 220 milhões de reais para cobrir o caixa da empresa. Acionistas privados e o Fundo de Pensão da Previ, cobram publicamente resultados e uma gestão mais profissional.
Durante o governo Luiz Henrique, pintaram e bordaram com a Celesc. Em fevereiro de 2005, como deputado federal encaminhei aos deputados estaduais, uma solicitação de audiência pública para tratar do futuro da Celesc. Na correspondência salientava: “que a empresa precisava de uma auditoria externa antes que aconteça o pior”. Nada fizeram. Passaram-se cinco anos, e o pior está batendo na porta.
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