Não gostaria de continuar falando sobre o Haiti. No entanto, as imagens que nos chegam, de desespero e dor, nos impedem de esquecer essa tragédia. Passada a fase mais sofrida, a de enterrar os mortos, atender os sobreviventes, alimentar o povo, manter a ordem, evitar os saques e dar as condições mínimas para que o Estado se restabeleça, começa outra etapa: a de recuperar um país arrasado. É sobre ela o meu comentário de hoje.
O governo brasileiro já anunciou que vai continuar no Haiti por mais cinco anos e que quer participar da etapa de reconstrução. Outros países também se comprometeram a ser solidários com o Haiti. Infelizmente, sabemos como funcionam, na prática, essas ajudas internacionais. Passada a fase de grande exposição midiática, quando as imagens tocam profundamente às pessoas, e a sociedade sensibilizada cobra uma participação efetiva de seus governos, a tendência é dos governantes se afastarem lenta e gradualmente dos compromissos que assumiram.
Espero que isso não ocorra com o Haiti. Seria mais uma grande tragédia. Sem estrutura alguma, a reconstrução do país passa, obrigatoriamente, por uma bem articulada e planejada ajuda internacional. Ontem, foram veiculadas notícias de desentendimentos em relação à presença dos EUA, em Porto Príncipe. Não é hora de se discutir quem vai cuidar do espaço aéreo ou dos hospitais de campanha, quando centenas de pessoas são operadas sem anestesia e outros milhares ficam perambulando pelas ruas sem ter o que comer e nem o que beber.
Poupem-nos desses desencontros. Façam o que é melhor para o Haiti. Dêem esperança e futuro aos sobreviventes dessa tragédia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário