Ontem falei sobre o prefeito Gilberto Kassab e as mortes em São Paulo. A cidade que chorou suas mortes, hoje está isolada com o transbordamento de seus rios e córregos. Para o prefeito, a desculpa de sempre: a culpa é da chuva e da ocupação desordenada.
O engarrafamento chegou a 120 km. Túneis, como o do Tribunal de Justiça e o vizinho Ayrton Senna, ficaram debaixo d’água. O tempo para percorrer os 1,7 km foi de duas horas. O cartunista Maurício de Souza, preso com seu filho no carro tomado pela água, assim descreveu sua angústia, até ser resgatado: “fiquei entre o risco de doença ou morrer afogado”. Entrevistado, Maurício falou o que todos de bom senso estão falando: “a culpa não é só da natureza. Temos que conscientizar os governantes de que o Plano Diretor da cidade, o lado urbano, é que está em falta. É uma tragédia anunciada”.
O que me impressiona é justamente como que o paulistano, considerado exigente, profissional, dinâmico, convive com isso. Todos sabem que se chover, ficará preso em imensos engarrafamentos. Aceitar, como “tragédia anunciada”, os constantes alagamentos, incorporando esse estresse à sua vida, é um desatino. Não sei como os paulistanos agüentam essa situação. Está na hora de computar o custo do transtorno provocado pelas enchentes. Talvez, aparecendo os cifrões, se encontre as soluções.
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