sexta-feira, janeiro 08, 2010

Terra doente.

Conforme programado o último comentário sobre o Le Monde Diplomatique deixei para o artigo de Michael Löwy, cientista social e diretor de pesquisas do Centre National de La Recherche Scientifique da França. Para ele, “enfrentar os problemas climáticos, só com mudanças radicais, que atinjam os fundamentos do sistema capitalista e altere nossos hábitos de consumo e nossa relação com a natureza”. Nem todos gostam do que ele escreve, nem todos concordam com o que ele pensa. No entanto, sua visão de mundo tende a crescer nas próximas décadas com o esgotamento das potencialidades naturais da Terra. Uma boa leitura para o final de semana.

“Qual é a situação do planeta em plena Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas? Primeiro balanço: tudo está bem mais acelerado do que se previa. A acumulação de gás carbônico, a elevação da temperatura, o derretimento das geleiras polares e das neves eternas, a desertificação dos terrenos, as secas, as inundações, tudo se precipita, e os balanços dos cientistas, mal secou a tinta dos documentos, revelam-se demasiadamente otimistas. Tende-se agora a variações cada vez maiores nas previsões para o futuro próximo. Não se fala mais sobre o que vai acontecer no final do século, ou daqui a meio século, mas nos próximos 20, 30 ou 40 anos. A questão não é mais simplesmente sobre o planeta que deixaremos para os nossos filhos e netos, e sim sobre o futuro da atual geração.”
“A discussão desses piores cenários não é um exercício apocalíptico em vão: trata-se dos perigos reais, contra os quais é preciso tomar as medidas possíveis. Tampouco é fatalismo. Ainda não está tudo decidido, é tempo de agir para inverter o curso dos acontecimentos. Mas é preciso o pessimismo da razão em vez de deixar todo o seu lugar para o otimismo da vontade.....”
..... “Agora para enfrentar as disputas relativas à mudança climática- e à crise ecológica em geral, das quais essas são a expressão mais ameaçadora- é preciso uma mudança radical e estrutural, que atinja os fundamentos do sistema capitalista: uma transformação não só nas relações de produção, mas também das forças produtivas. Isso envolve, antes de mais nada, uma verdadeira revolução do sistema energético e de transportes e dos modos de consumo atuais. Em suma, trata-se de uma mudança de paradigma da civilização.”
“Com certeza, inúmeras conquistas científicas e tecnológicas do passado são preciosas, mas o conjunto do sistema produtivo deve ser colocado em questão do ponto de vista de sua compatibilidade com as exigências vitais de preservação do equilíbrio ecológico. Isso significa, a princípio, uma revolução energética: a substituição das energias não renováveis e responsáveis pela poluição, pelo envenenamento do meio ambiente e pelo aquecimento do planeta- carvão, petróleo e nuclear – por energias naturais, limpas e renováveis, como água, vento, e sol.”

Michael Löwy deixa algumas demandas imediatas que podem se tornar em pontos de convergência do que ele chama de “sociedade ecossocialista”:
- a substituição progressiva da energia fóssil por fontes de energia “limpa”, principalmente a solar;
- a promoção de transportes públicos – trens, metrôs, ônibus, bondes – baratos, muito baratos;
- desenvolvimento subsidiado da agricultura orgânica;
- redução do tempo de trabalho.

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