“Terra viva” procura resgatar uma viagem pelo mundo dos vinhedos feita por Jorge Lucki, publicada em setembro do ano passado pelo jornal Valor. Depois de assistir Avatar nesse domingo e escrever sobre o francês Michael Löwy no blog da última sexta-feira, resolvi tirar a poeira da matéria do Valor e escrever sobre vinhos. Aparentemente, vinhos e vinhedos não têm nada a ver com o filme de James Cameron e nem com as visões de uma sociedade ecossocialista de Löwy. No entanto, a mensagem que passam tem tudo a ver com o surgimento dos “vinhos biológicos” e as preocupações dos produtores com o meio ambiente.
O discurso dos benefícios do vinho à saúde não combina com vinhedos tratados com defensivos agrícolas. Importantes e tradicionais vinícolas já perceberam isso e o número de propriedades que adotou práticas orgânicas e cultura biológica é cada vez maior. Algumas delas já adotaram os conceitos antroposóficos desenvolvidos pelo filósofo austríaco Rudodf Steiner em 1924, comenta Jorge Lucki.
Segundo ele, “é uma proposta de retorno consciente do homem ao campo, com uma noção de respeito à terra e à vida, e na valorização das defesas naturais da planta, contando com as forças do universo. Todas as intervenções, que vão desde trabalhos específicos na vinha – plantar, podar, manejar o solo, lidar com as folhagens, e a colheita propriamente dita – até cada fase do processo de vinificação, seguem um calendário preciso que leva em consideração os ciclos lunares e a posição dos astros”.
O resultado não podia ser outro: vinhos de excelente qualidade. Embora seja cientificamente difícil de comprovar as benesses desse processo, experiências práticas, no entanto, atestam que os vinhos chamados de “biodinâmicos” atingem um grau de pureza e expressão superior. A aceitação desses vinhos no mercado internacional tem animado os produtores. Vinícolas reconhecidas por sua tradição tem se dedicado a produção de vinhos biodinâmicos consagrados, como, por exemplo: Breg Anfora 2004; Chianti Clássico Castello 2006; Weinbach Cuvée Riesling 2007; Matetic Syrah 2007; Pétalos do Bierzo 2006; Quinta Sardonia 2005; Rippon Pinot Noir 2005 entre outros.
A natureza agradece toda vez que dão a ela a possibilidade de se proteger da ação predatória do homem. Ela sabe tirar da própria terra o sustento, fechando o ciclo da vida (Avatar). O homem do campo, quando reconhece isso, encontra na natureza sua principal parceira. A agricultura orgânica é a resposta sustentável para sua atividade laboral. O campo agregando valor e dando qualidade de vida para os que na terra trabalham, é a única forma de se fazer o caminho inverso aliviando as grandes cidades do caos urbano. Ou alguém consegue imaginar viver em São Paulo com 30 milhões de pessoas? Ou em Florianópolis com cinco milhões de pessoas? (Terra doente/Löroy).
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