segunda-feira, janeiro 18, 2010

Uma boa leitura

Ler, na segunda-feira, Luiz Felipe Pondé, faz bem. Na semana passada escreveu sobre turismo. Para quem vive em Florianópolis, um prato cheio. Começa assim: “turismo tem que ser barato e, como tudo que é barato se torna brega”. Relembra, de quando esteve na Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha, em 1992. Descreve, com rara beleza, a visita que fez à catedral, quando: “numa tarde de outono, os sinos tocavam e pombas voavam no pátio. O silêncio na catedral era uma prova da presença de Deus ou Alá. Meus olhos, diante daquela beleza moura, eram como pulmões sem ar em meio a tanto ar puro. Voltei lá depois. Não se ouve mais os sinos. As pombas se suicidaram diante da horda de invasores de férias. O silêncio fugiu. A beleza se recolheu. Só se ouve o ruído da horda e de suas câmaras filmadoras”.

Nessa segunda, na Folha de São Paulo, você pode acompanhar as inquietudes literárias de Pondé, na viagem que faz sobre a vida futura. Chama a atenção para um fenômeno em curso, aonde as pessoas vão perdendo a alegria, asfixiadas pela burocracia. “Lembre que vivemos em shoppings nos entupindo de alegria, pensando em alimento saudável e calculando o colesterol, correndo em esteiras em academias, pesquisando parceiros que possam trazer saúde para os filhos que pretendemos ter, tomando remédios que nos deixem felizes como apenas os cegos conseguem ser, temendo o tempo todo o que esse monstro – o poder informatizado do povo -, decidirá sobre nossa vida, enfim, escravos ridículos da ciência e sua mania de sucesso fisiológico e de qualidade de vida”. Enfim, segundo ele, nunca deveríamos achar que estamos num porto seguro. A alma morreria. E, conclui: num vaso limpo, sem sujeiras, nada brota.

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