quinta-feira, dezembro 23, 2010

Dilma, boa sorte!

Há oito anos atrás, na semana que antecedeu o Natal, recebi uma ligação da então nomeada Ministra das Minas e Energia (no primeiro governo LULA), Dilma Rousseff. Cuidadosa em sua nova tarefa procurava ouvir o setor para definir os melhores nomes que iriam compor sua equipe. Na época, deputado federal por Santa Catarina, eleito pela luta que sempre travei em defesa do setor, nada mais natural que a consulta tefefônica da ministra Dilma. Minha orientação foi no sentido de que ela aproveitasse na direção das empresas os bons profissionais que o setor elétrico sempre teve. Em parte me senti atendido. Boa parte dos diretores das empresas são oriundos do quadro. Foi uma decisão acertada. Quem não se lembra dos "apagões"? Tivemos oito anos de crescimento, sem qualquer sinal de desabastecimento de energia. Mérito das profundas modificações que o setor passou, que permitiram novos investimentos em geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Agora, passados oito anos, tanto ela quanto eu estamos em situações bem distintas. Dilma, presidente da República. Eu um sonhador sem mandato, que acha que o sol vai ser a grande fonte de energia do futuro. Claro que nessa situação o telefone não tocou. Se tivesse tocado também ia dar minha contribuição, destacando: "presidenta" priorize a prática da boa política. Sei que não é fácil. Boa parte dos nossos partidos e aqueles que nos representam com seus mandatos estão cada vez mais longe desse compromisso. Na hora das eleições fazem de tudo para se elegerem. Eleitos votam, em sua grande maioria, de acordo com os seus interesses. Basta andar pelas ruas, ir no Mercado, nas universidades, conversar com os jovens, tomar um café no final da tarde na Lagoa da Conceição, para perceber o distanciamento que há entre o povo e a política contaminada por maus exemplos e condenáveis procedimentos. Dilma não é o Lula. E aí mora o perigo. É por isso que eu lhe desejo boa sorte!

Aos que acompanham o BLOG um FELIZ NATAL e um 2011 com as energias renovadas. Volto depois do dia 15 de janeiro. Um abraço, Mauro Passos.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Antes da virada do ano

Normalmente dezembro é um mês parado. Quase nada acontece. As prioridades são as festas de final de ano, a posse dos novos governantes, programação das férias......No entanto, para o setor da indústria e da infraestrutura não tem nada parado. Em dezembro, a Aneel realizou o último leilão de linha de transmissão do ano. Vinte quatro empresas e consórcios se inscreveram para participar da disputa de 560 Km de linhas e novas subestações de energia. A estimativa de investimentos, R$ 1 bilhão. Ainda na área da infraestrutura, o vice-presidente mundial da Schneider, Michel Crochon, anunciou, na semana passada, o quanto o grupo pretende investir no Brasil de olho no mercado de R$ 1 trilhão que serão investidos nessa década em projetos como a Copa do Mundo, Olimpíadas, Minha Casa Minha Vida e o pré-sal. Na mesma semana a OAS e a Odebrecht, gigantes da construção civil, anunciaram suas estratégias para virar as futuras arenas da Copa em novos modelos de negócios. Os investimentos previstos para novos estádios e reforma de outros também são da ordem de alguns bilhões de reais. O modelo adotado para as novas arenas esportivas virou padrão até mesmo para estádios que não serão sede dos jogos da Copa de 2014. É o caso do Olímpico, estádio do Grêmio, em Porto Alegre, e do Palmeiras, em São Paulo. Pelo que se pode ver, antes mesmo da virada do ano, tem muita gente já comemorando!

sexta-feira, dezembro 17, 2010

COP 16 - de olho no futuro

Boas idéias não faltam. Sempre achei que a inteligência vai encontrar respostas para os desafios que as mudanças climáticas vão impor à humanidade. Vejam só:

- Solução para emissão de gás carbono
Aparelho condensador de gases poluentes emitidos por motor a combustão de automóvel, é um aparelho desenvolvido para captar os gases produzidos por um motor a combustão;
- Solução para degelo do Ártico
São mantas e placas térmicas refletoras de raios solares.
- Solução para a poluição do ar
São árvores sintéticas, com tecnologia inovadora, desenvolvida com a finalidade de reproduzir com as mesmas características fundamentais, o ciclo de funcionamento químico e biológico do trabalho produzido por uma árvore natural.

PS - todos os produtos são certificados e patenteados.
Maiores informações, acesse: www.comosalvaroplaneta.com.br

quinta-feira, dezembro 16, 2010

COP 16 - as grandes diferenças

Passada a COP 16, em Cancún, é hora da leitura e da interpretação do que foi apresentado lá. Foram muitos temas, preocupações e manifestações. Como todo o grande evento quantificar os resultados não é uma tarefa fácil. São países muito distintos procurando algo em comum: a preservação do planeta. Só para exemplificar, vou focar a América Latina. Até porque a conheço melhor. Vou pegar a Guatemala e o Brasil. A Guatemala trouxe um manifesto. O Brasil apresentou inúmeros estudos e projeções sobre o clima e suas consequências. No manifesto da Guatemala, de uma página, um comunicado à imprensa do país mais vulnerável às mudanças climáticas do continente americano. Não conheço a Guatemala mas o relato é uma fotografia de um país pobre, com 33 vulcões, situado na rota dos furacões que vem do Atlântico e do Pacífico. Convive com constantes desastres naturais, como o furacão Mitch, em 2001 e a tormenta tropical Stan, em 2005. Depois vieram as inundações e finalmente, a grande tormenta Agatha, em 2010, que terminou de destruir toda a estrutura viária do país. Quanto ao Brasil, os estudos apresentados pelas diferentes entidades mostram compromisso com as questões relacionadas as mudança do clima e ao mesmo tempo contribuições e propostas de políticas públicas para uma economia de baixo carbono. Ações já em curso por parte da indústria brasileira, como: diversificação das fontes de energia renovável, melhoria da produtividade e da eficiência energética, inovação no desenvolvimento de novos materiais e de biomateriais, inovação e aumento no uso dos biocombustíveis, utilização dos recursos naturais das florestas plantadas, modernização tecnológica do processo produtivo em setores intensivos em energia entre outras, dão uma idéia da distância que nos separa da Guatemala. Enquanto aquele pequeno e sofrido país da América Central, com cerca de 100 mil quilômetros quadrados, não sabe como e quando vai recuperar as 300 pontes destruidas pela tormenta deste ano, tem ao seu lado, no mesmo fórum, um país pujante com forte participação no desenvolvimento de novas tecnologias voltadas para os chamados empregos verdes. Como as deliberações são por consenso, imaginem a dificuldade que deve ser encontrar esse consenso. Por isso que eu acho que devemos continuar apoiando esses encontros e entender melhor as dificuldades inerentes ao processo de decisão, onde são visíveis e compreensíveis as posições antagônicas entre países tão distintos.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Novos talentos

Não é por acaso minha insistência em promover, através do Instituto IDEAL, concursos de pesquisa e desenvolvimento na área da energia limpa. Na semana passada estive na sede do Santander para apresentar o projeto que estamos desenvolvendo nos países do Mercosul. O Santander, conhecido pelo banco que valoriza as idéias e que tem um projeto voltado para as universidades, ficou de avaliar a proposta de uma parceria. No entanto, independente da resposta, houve uma grande sintonia. Afinal, todos reconhecem que a prioridade que adotamos de focar a academia e os jovens - é o caminho. Há um mês atrás, Aderlânio da Silva Cardoso, da Universidade Federal de Tocantins, recebeu o prêmio Jovem Cientista, um dos mais importantes do país na área, por produzir biodiesel a partir de algas usadas para tratar esgoto. A tecnologia desenvolvida por ele, além de barata, produz energia e protege o meio ambiente. Assim como Aderlânio, no distante Tocantins, quantos outros jovens e quantas outras boas idéias não deve haver nos países do Mercosul a espera de uma oportunidade.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Altos e baixos

14 de dezembro, um dia de muita alegria e também de muita tristeza. Durante a manhã a alegria de ter em casa meu filho de volta. Depois do almoço, a tristeza. O Inter leva dois do Mazembe, campeão africano e zebra do torneio, e volta prá casa sem o sonhado título de Campeão Mundial.

No meio da tarde uma boa notícia: a Justiça da Grã-Bretanha resolveu soltar sob fiança o fundador do WikiLeaks, Julian Assenge.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Chávez ou Wikileaks: a escolha é sua.

Na semana que o criador do site Wilileaks, Julian Assenge, se entregou a polícia o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, encaminhou projeto para regular a internet. Preocupado com sites que atentem contra bons costumes e os poderes públicos, Chávez estendeu à internet restrições já existentes em jornais, TV's e rádios. A proposta encaminhada a Assembléia Nacional, prevê:

- sanções para os provedores de internet;
- punição para quem atingir autoridades legitimamente constituídas;
- punição aos que manipularem as informações;
- e a criação de mecanismos para restringir o acesso a portais com contéudos de violência, sexo..

Com todo respeito as diversas opiniões sobre o tema, prefiro sempre conviver com a plena liberdade de imprensa. Ter direito sobre as informações, responsabilidade sobre elas e discernimento para interpretá-las. Aliás foi graças ao site WikiLeaks, por exemplo, que ficamos sabendo como estava certa a posição do Brasil em relação ao golpe de Honduras. Se havia dúvidas na época, hoje não existem mais. Elio Gaspari, o sempre atento jornalista, comenta na sua coluna o telegrama divulgado pelo site WikiLeaks enviado pelo embaixador americano em Tegucigalpa, Hugo Llorens, a Washington, três semanas depois da deposição do presidente Manuel Zelaya: "Na visão da embaixada, os militares, a Corte Suprema e o Congresso armaram um golpe ilegal e inconstitutional contra o Poder Executivo", registra o embaixador americano. Tanto assim que, inicialmente, as posições do Brasil e dos EUA eram as mesmas em relação ao ocorrido em Honduras. Depois Washington mudou sua posição e o governo brasileiro ficou sozinho. Agora, graças ao polêmico site, ficamos sabendo um pouco mais sobre o golpe e a coerente conduta da diplomacia brasileira.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Desmatamento, uma boa notícia

Enquanto segue no México a COP 16, no Brasil, dados oficiais divulgados essa semana, mostram uma considerável redução na área desmatada na Amazônia. Embora os 6400km² seja muito, não dá para desconsiderar que foi a menor área já registrada desde de 1988. A queda, segundo Editorial da Folha, se deve a medidas que começaram na gestão de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente. Entre elas, sobressai a restrição ao crédito por bancos oficiais a produtores em situação ambiental irregular.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

E o Rio continua lindo....

Manchetes da semana: "Favela do Alemão, turistas paulistas visitam o local". "Comunidade festeja o clima de paz". "Líderes do tráfico buscam novos espaços". "Exército deve substituir polícia". Pelo que vem sendo noticiado, a vida segue, e o Rio continua lindo. Até quando, ninguém sabe. No entanto, algumas certezas começam a se consensar. Primeiro, não parece que o Exército deva permanecer por muito tempo na favela do Alemão. Segundo, a fuga das principais lideranças do tráfico, ainda não bem explicada, deixam preocupações no ar: aonde estão para aonde vão. Conhecedor do Rio, o ex-prefeito Cesar Maia, agora sem a responsabilidade do cargo, comenta que a ocupação do Alemão foi reativa, como resposta aos atos de microterrorismo perpetrados. Insinua, que as bocas de fumo do Alemão estão fechadas, mas que isso não tem nada a ver com a demanda de cocaína: os viciados continuarão procurando onde comprar. Como se vê, o Rio continua lindo mas ainda a muito a fazer.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

WikiLeaks

Dois nomes passaram, de uma hora para outra, a fazer parte do noticiário: o site WikiLeaks e o seu criador, Julian Assange. Ao tornar publico documentos secretos dos EUA, Julian se tornou inimigo público número 1. Acho um exagero considerá-lo uma ameaça. Bem coisa de americano. Vejam aonde essa historia já chegou: na Alemanha, a primeira baixa foi de Helmut Metzner, chefe de gabinete do ministro de Relações Exteriores. Seu crime: ter repassado à Embaixada dos EUA detalhes das negociações para a formação do novo governo da chanceler Angela Merkel. Olhem, aqui no Brasil comentar negociações sobre formação de governo está todos os dias em todos os jornais. Tirando aqueles que estão pleiteando os cargos, ninguém mais liga. Acho que Julian Assange não ia dar muito certo aqui.

terça-feira, dezembro 07, 2010

A bolha

Entramos em dezembro, mês do Natal, do Décimo Terceiro, das compras e dos presentes, com uma má notícia: Banco Cental freia o crédito e esfria o consumo. A medida extrema, segundo o governo, é para evitar a "bolha do crédito". Confesso que não entendi, até porque o presidente Lula repetidas vezes declarou que atravessamos a crise porque o nosso mercado interno reagiu pronta e positivamente. Ao restringir o crédito e retirar 61 bilhões de reais de circulação para desacelerar o crescimento, o Banco Central vai contra as medidas que criaram empregos e nos tiraram do centro da crise. A tendência é dos juros aumentarem e a economia esfriar. Confesso, que mesmo não sendo do meio, não me parece a melhor saída.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Energia solar, cada vez mais próxima

Em Berlim, na semana passada, durante a Assembléia do WCRE, foi lançado o filme sobre Hermann Scheer. O documentário de um visonário que dedicou boa parte da sua vida a promover a energia solar no nosso planeta. Infelizmente, sua súbita morte em outubro passado, vai impedir que Hermann possa acompanhar o resultado das sementes por ele plantadas mundo afora. Segundo, Christopher Martin, a geração solar deve atingir 980 gigawatts em 2020. É um salto e tanto. Serão quase 100 Itaipu's. O desenvolvimento de projetos de energia elétrica de fonte fotovoltaica e térmica solar reduzirá as emissões de dióxido de carbono em cerca de 570 milhões de toneladas ao longo da década. Para se ter um idéia de que isso representa seria o equivalente a desligar 100 usinas a carvão ou tirar 100 milhões de carros das ruas. Esse relatório foi apresentado na semana passada em Cancún, México, pela Solar Energy Industries Association. No caso dos EUA, o estudo mostra que um aumento de 139 gigawatts, como prevê o relatório, seria responsável por 5% da produção total, criaria 683 mil empregos e ajudaria a reduzir o custo da eletricidade dos atuais US$5,71 por watt para US$2,32.

sábado, dezembro 04, 2010

Descansar faz bem

Quase nunca assisto o "Globo Reporter". No entanto nessa última sexta acabei totalmente envolvido pela bela apresentação. Passado na Toscana o programa não se limitou a mostrar a beleza natural e arquitetônica da região. O foco principal foi a mudança em curso da população local na busca de melhor qualidade de vida. Os italianos estão repensando valores, valorizando o passado e se afastando, conscientemente, da vida estressada que a maioria de nós leva. Chegaram a conclusão de que descansar faz bem. Sabem que podem encontrar na quietude de uma vila o prazer pela vida. Por uma feliz coincidência, no sábado, Fábio Brüggemann, escreve: "Sou vagabundo, confesso". Ao tomar emprestado o título de sua crônica da banda Dazaranha, Fábio critica o atual modelo de valorização "ocupacional", mostrando como a sociedade capitalista desconsidera atos de ler, pensar, pintar, compor e escrever como parte da atividade produtiva. Um escritor não trabalha, descansa. Um músico profissional então nem se fala. Quando passa horas a fio ensaiando, procurando tirar do seu instrumento o melhor som, vendo seus dedos criarem calos, aos olhos dos outros não passa de um vagabundo. Fábio identifica esses desvios da sociedade com extrema precisão. Olhem só o que nos deixa para reflexão: "Acham que escrever é coisa de desocupado, de quem não tem o que fazer. Sendo assim, sou vagabundo, e confessado está.....Levei anos estudando para ser vagabundo, e não existe ainda esse diploma, talvez o mais importante da cadeia produtiva".

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Rei SOL

Nada se compara a um dia ensolarado. Seja em que estação do ano for, o sol muda o dia e o nosso humor. Sol é vida, nos lembra Sérgio da Costa Ramos na sua coluna de hoje no Diário Catarinense. Leitura obrigatória durante meu café da manhã, de preferência pegando um "solzinho", Sérgio nos lembra que: "o gosto de viver só prospera embaixo do sol". Na semana passada, em Berlim, assisti a chegada da primeira nevasca. Na capital da Alemanha as quatro da tarde já começa a escurecer. Os dias são cinzentos. Tristes, muito tristes. Na Embaixada do Brasil o Minsitro Roberto Colin, catarinense de Blumenau, me recebeu sentado de costas para a janela. "Não gosto de olhar para a rua. Não tem sol. Fico deprimido", comenta Colin. Deixei a Alemanha tomada pela neve. A tempreatura, -4ºC. Cheguei na sempre agradável e ensolarada Lisboa, com a temperatura na casa dos 16ºC. A noite, ao chegar em Salvador a temperatura estava em 26ºC. Atravessei o Atlântico tendo ao meu lado um alemão de Berlim. Conversamos o tempo todo. Era sua primeira viagem ao Brasil. Seu destino: a Bahia. Sua principal motivação: fugir da fria e cinzenta Berlim. O que mais queria era se encontrar com o SOL.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

COP 16

Começou nessa semana, no México, a 16ª Conferência das Partes da Convenção do Quadro da ONU para Mudanças Climáticas. Como todo grande encontro sobre clima, cercado de ceticismo e de esperança. Segundo analistas, depois da COP 15 em Copenhague, não há "clima" para um acordo global sobre o clima em Cancun. Mesmo assim, nós os esperançosos, aguardamos bons encaminhamentos. No final da convenção, que será dia 11, vamos poder avaliar os compromissos e os entendimentos que a Conferência produziu.

Na abertura da COP 16, o presidente do México, Juan Calderón, com sabedoria enumerou os temas de interesse global da humanidade: clima, pobreza e combate a violência. Calderón tem exemplos muito presentes em seu país desses desafiantes temas. Por isso, a importância do seu pronunciamento. Sabe, como poucos, o alto custo que a sociedade mexicana paga por conviver com esta situação. Calderón reconhece, que: "o que deixarmos de gastar agora para preparar o caminho de uma economia sustentável sairá muito mais caro depois".

PS - Alessandra Mathias, jornalista e assessora de comunicação do Instituto IDEAL, por ser a representante do Instituto nos fóruns estaduais que tratam da questão climática em Santa Catarina, está em Cancun participando oficialmente da COP 16.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Moura, terra de muito sol.


Nas fotos, pela ordem: o plenário, o laboratório e a Central Solar Fotovoltaica de Amareleja (Amareleja é uma comunidade que faz parte do Conselho de Moura )

Para quem não sabe Moura fica em Portugal, na região do Alentejo, a poucos kilometros da fronteira com a Espanha. Terra com muito sol. No verão chega fazer 50 graus. Por causa dessa insolação toda, José Maria Prazeres Pós-de-Mina, Presidente da Câmara Municipal (no nosso caso prefeito de Moura), um visionário, teve uma idéia: implantar em Moura a maior usina solar da Europa. Para muitos um delírio, para outros mais uma promessa de campanha. Conheci José Maria e Moura quando lá estive visitando o projeto da Central Fotovoltaica de Amaraleja. Voltei agora convidado que fui para participar do Seminário sobre sustentabilidade promovido pela Câmara de Moura. Encontrei a usina funcionando a plena capacidade: com 46 megawatts. Uma obra impressionante. Composta por 2500 estruturas que se movimentam, programadas para acompanhar automaticamente a trajetória do sol. Cada estrutura dessas tem mais de 100 painéis fotovoltaicos. São ao todo 262.080 módulos, compostos por mais de 12 milhões de células. A área da central ocupa 260 hectares. Um breve comentário: de uma terra abandonada, porque nada ali nascia. A energia gerada, 97 milhões de kwh/ano é suficiente para atender 30 mil casas. José Maria olha para tudo isso com muita humildade. E quer mais: graças a usina já implantou uma fábrica de placas fotovoltaicas e um laboratório. Tudo isso aconteceu em três anos. Longe de Lisboa numa pequena e acolhedora cidade com menos de 10 mil habitantes. Um belo exemplo de visão e determinação.