O título é do Celso Vicenzi. Aliás foi a leitura do texto desse amigo e grande jornalista, publicado no Caderno de Cultura do Diário Catarinense, que me fez escrever no domingo. Embora escrever me dê prazer, nos finais de semana procuro deixar o blog de lado para não me transformar num "blogueiro alucinado". E tem dado certo. É bom você não ficar refém de nada. Mas voltando ao Celso, que motivado pelo filme Invictus, sobre o líder sul-africano Nelson Mandela, transforma seu texto, com rara sabedoria, numa verdadeira tese sobre a democracia e suas limitações.
Quando Celso identifica o filme dirigido por Clint Eastwood, com o excelente Morgan Freeman no papel de Nelson Mandela, como um tributo à palavra, encontra o foco da sua tese. Depois seu trabalho fica facilitado para demonstrar como líderes respeitados internacionalmente, Lula e Mandela, utilizam o poder da palavra de forma pragmática para fazer concessões e consolidar o caminho de quem chega ao poder.
Um líder, nos lembra Celso, costuma ser idealizado por seus seguidores. Há muita adoração e pouca reflexão. Para fazer mudanças, é preciso ter poder. E para ter poder é preciso ocupar espaços, às vezes lentamente, em outras, o mais rápido que puder. Nem sempre os militantes históricos dos movimentos sociais, no Brasil ou na África do Sul, concordam no tempo e na prática de se chegar ao poder, mesmo sabendo que poucas vezes na história o poder pôde ser exercido sem concessões. Sentem-se, por isso traídos. Celso, trata no artigo com rara habilidade esse tema. Comenta, que como governante: "Lula aliou-se a setores que no passado foram duramente criticados e combatidos por ele e pelo Partido dos Trabalhadores. Lula e o PT aceitaram os riscos e pagam um preço. Pelas decisões tomadas, podem ser acusados ou inocentados. Houve avanços, políticos, sociais, econômicos. A vida melhorou para os mais pobres. Se foi pouco ou muito diante das circunstâncias, cada um escolherá o veredito."
Com Nelson Mandela, não foi muito diferente. O filme "Invictus", mostra isso. Não vou me estender. Deixo duas sugestões: vejam o filme e leiam o artigo do Celso Vicenzi. Um bom domingo.
domingo, fevereiro 28, 2010
sexta-feira, fevereiro 26, 2010
Capital à deriva. (Parte II)
Se tem alguma coisa que eu não me lembro, é de quantas vezês cheguei em Brasília. Já foram algumas centenas. Com chuva ou com sol, com escândalos ou não, sempre senti a falta de calor humano em Brasília. Parece uma cidade sem alma. Até os taxistas falam pouco, quando muito perguntam de onde você é. Nessa semana, pela primeira vez, senti que algo de novo havia no ar seco de Brasília. Do aeroporto ao hotel, um vibrante e indignado taxista me atualizou com os mínimos detalhes, a crise gerada pelo "mensalão do DEM". Na recepção do hotel, no lugar da tradicional boas vindas, um comentário jocoso de que Brasília está "sob nova direção", uma referência às churrascarias de beira de estrada. No almoço, com meu amigo Laurez, acompanhado das boas cabeças que circulam na capital, a conversa girava da cela da PF, onde Arruda permanece trancafiado, até o sangramento final do DEM, com a renúncia de Paulo Octávio. Para quem conhece os bastidores de Brasília, muita água ainda vai rolar. A rede de pessoas que tomou de assalto os cofres públicos da capital é muita grande. A contaminação dos poderes é visível. A delação premiada que possibilitou que o arquivo vivo, Durval Barbosa, abrisse a boca, pode ser oferecida pela Justiça à outros envolvidos. No Poder Legislativo o Corregedor da Câmara, deputado Raimundo Ribeiro, surpreendeu ontem seus colegas, recomendando a abertura de processo contra nove distritais. Na Justiça, a defesa do governador afastado pediu que o julgamento fosse adiado. No Poder Executivo, o governador em exercício, Wilson Lima, já dá sinais de pouca condição administrativa e política para gerenciar Brasília e sua crise. Diante desse quadro estarrecedor de falência dos poderes, volto para o aeroporto. Novamente, sou surpreendido. Um outro taxista, também falante e indignado, me olhando pelo espelho, com a sabedoria das ruas e a convicção de um renomado cientista político, sem vacilar, dispara: "doutor, olha o que fizeram. A capital tá à deriva".
quinta-feira, fevereiro 25, 2010
O petróleo vai sobrar, acredite se quiser....
O Economist Intelligence Unit (EIU) é o instituto de pesquisa do grupo que edita a "Economist". Na semana passada apresentou o resultado de seus estudos, concluindo: "a demanda de petróleo deve cair, e assim o preço". Segundo o Instituto, pesquisas de novas fontes de etanol e a busca continuada de eficiência energética, irão contribuir na redução de demanda por petróleo. Com todo o respeito ao estudo, tenho minhas dúvidas sobre esse cenário otimista. Nada indica por uma acentuada redução no consumo, bem pelo contrário, ele cresce na Índia e na China. O número de carros rodando nas ruas do mundo também. Uma substituição em larga escala pelos biocombustíveis é impensada na maioria dos países. A princípio, sem exageros, o Brasil é um caso único nesse jogo. Tem petróleo, etanol e energia de fonte renovável. O que nos falta são padrões mais altos de eficiência energética e recursos para pesquisa e desenvolvimento. Fica a sugestão para um próximo governo.
quarta-feira, fevereiro 24, 2010
Capital à deriva.
Depois de Arruda, ainda preso, agora o vice, Paulo Otávio, também abandona o cargo. Já era esperado. Sem apoio político, o rico empresário deve ter sido orientado por seus advogados que o barco estava fazendo água e era hora de cair fora. Seus principais assessores foram flagrados nas gravações do "mensalão do DEM". Na segunda, por coincidência, conversei com uma pessoa muito próxima do prefeito Dario Berger, sobre o risco que os homens públicos correm ao contratar cantores e arranjos natalinos. Ontem, os jornais locais apresentavam os números da conta que a Prefeitura pagou pelo show que não existiu. Segundo a matéria foram 2,5 milhões de reais. É muito dinheiro! Agora, pasmem, a Prefeitura busca na Justiça pela devolução do dinheiro pago. Então tá combinado. Vamos aguardar para ver o que vai dar.
terça-feira, fevereiro 23, 2010
Uma aventura atrás da energia
Longe do Carnaval e atrás de uma energia alternativa produzida pela queima de casca de arroz, entrei no Uruguai por Jaguarão rumo a Trinta e Três. No final da tarde, chegamos na beira da Lagoa Mirim do lado uruguaio. Como lá escurece tarde e o calor era forte, todos se banhavam na lagoa. Quando os primeiros banhistas avistaram um jacaré, a gritaria foi grande. Os salva-vidas do local, prontamente fizeram as pessoas sair da água. Foi muito mais um susto do que uma ameaça. Pelo que vi do jacaré, estava cansado, assustado e louco para chegar na areia. Acho que precisou esperar a noite para encontrar seu merecido descanso nas areias da Lagoa Mirim. (Foto 1)

No dia seguinte, cedo da manhã, ficamos sabendo que o Arroio Sarandi tinha transbordado e interrompido a estrada para Trinta e Três. Seguimos mesmo assim. Ao chegarmos no local atingido pelas águas vimos que a travessia exigia cuidados. Com água dos dois lados e muita atenção, conseguimos atravessar o trecho alagado. (Foto 2)
Finalmente, chegamos a Trinta e Três. Lá está sendo construída a segunda maior usina do mundo de produção de energia a partir da queima da casca de arroz. São 14 MW instalados. Para abastecer a usina são necessários 3,5 milhões de sacas de arroz. Nove moinhos abastecem a unidade. A usina deverá entrar em operação a partir do próximo mês. Toda a energia produzida será entregue a UTE ( a Eletrobrás de lá). O investimento feito é da ordem de 25 milhões de dólares. A previsão de receita com a venda da energia é da ordem de 8 milhões de dólares/ano. O que me chamou a atenção é de que toda a parte elétrica da usina é da WEG e a parte metal-mecânica da Pagé, de Araranguá. Uma boa surpresa, duas empresas catarinenses resolvendo um problema ambiental e energético no Uruguai. Só confirma minhas convicções da importância de uma integração energética limpa no Mercosul. Valeu a viagem! O jacaré e as águas do Sarandi, fazem parte da aventura. (Foto 3)
No dia seguinte, cedo da manhã, ficamos sabendo que o Arroio Sarandi tinha transbordado e interrompido a estrada para Trinta e Três. Seguimos mesmo assim. Ao chegarmos no local atingido pelas águas vimos que a travessia exigia cuidados. Com água dos dois lados e muita atenção, conseguimos atravessar o trecho alagado. (Foto 2)
Finalmente, chegamos a Trinta e Três. Lá está sendo construída a segunda maior usina do mundo de produção de energia a partir da queima da casca de arroz. São 14 MW instalados. Para abastecer a usina são necessários 3,5 milhões de sacas de arroz. Nove moinhos abastecem a unidade. A usina deverá entrar em operação a partir do próximo mês. Toda a energia produzida será entregue a UTE ( a Eletrobrás de lá). O investimento feito é da ordem de 25 milhões de dólares. A previsão de receita com a venda da energia é da ordem de 8 milhões de dólares/ano. O que me chamou a atenção é de que toda a parte elétrica da usina é da WEG e a parte metal-mecânica da Pagé, de Araranguá. Uma boa surpresa, duas empresas catarinenses resolvendo um problema ambiental e energético no Uruguai. Só confirma minhas convicções da importância de uma integração energética limpa no Mercosul. Valeu a viagem! O jacaré e as águas do Sarandi, fazem parte da aventura. (Foto 3)
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
ARRUDA: Justiça x Confraria
ARRUDA: Justiça x Confraria
O grande acontecimento desse início de ano, sem dúvida, foi a prisão do Arruda. Talvez me engane, mas pode ser a notícia do ano. Um governador preso é um fato novo e pode abrir o caminho para outros tantos. E as notícias que chegam cada vez mais me encantam. Imagine, depois do Carnaval (onde tudo acaba em samba), ler o Editorial de um dos nossos principais jornais do país, a Folha de S. Paulo, iniciar nesse tom: “O Distrito Federal, centro político da República, está à deriva. Não bastasse o ineditismo de ver seu governador, José Roberto Arruda, preventivamente trancafiado, eis que outra tempestade se abate sobre o seu vice, o empresário Paulo Otávio”. E, segue: “O quadro em Brasília inspira preocupações e expõe os males que debilitam a instituição política brasileira, cuja legitimidade se esvai em sucessivos escândalos.......Aos olhos da população, políticos são comparáveis a gangsteres e a vida pública tornou-se sinônimo de enriquecimento ilícito e fácil”. Sabemos, que quando se generaliza incorre-se em erro. No entanto, pelo que já vivenciei, existe uma confraria dentro do Congresso. Confraria, segundo Aurélio, é um conjunto de pessoas com o mesmo interesse. E é exatamente o que eu percebia. Formam seus blocos, constrangem os outros, fazem dos seus mandatos um balcão de negócios e desconhecem o que é ética. Em comum todos tem “rabo preso”. No fundo é o que unifica o grupo, e faz valer o pacto do silêncio entre eles. Não é por acaso que há no ar uma preocupação dos parceiros de Arruda com um possível acordo de uma delação premiada. Com as informações que detêm, Arruda é uma ameaça. Portanto, esperar que o próprio organismo político fosse capaz de impedir e punir desvios como esses cometidos por Arruda, é acreditar em Papa i Noel. A confraria existe porque protege os seus!
Portanto, estou convencido de que tudo isso só foi possível pela ação e postura do Poder Judiciário. Se tivesse ficado por conta da CPI da Câmara Distrital, nossas esperanças morriam na Quarta-Feira de Cinzas. E o samba enredo do bloco campeão, seria: “Arruda: a Fênix de Brasília”. O tema retrata o ressurgindo das cinzas, como Fênix, de um governador de volta ao poder, sem lenço, nem documento, mas com os bolsos cheios de ..............panetone.
O grande acontecimento desse início de ano, sem dúvida, foi a prisão do Arruda. Talvez me engane, mas pode ser a notícia do ano. Um governador preso é um fato novo e pode abrir o caminho para outros tantos. E as notícias que chegam cada vez mais me encantam. Imagine, depois do Carnaval (onde tudo acaba em samba), ler o Editorial de um dos nossos principais jornais do país, a Folha de S. Paulo, iniciar nesse tom: “O Distrito Federal, centro político da República, está à deriva. Não bastasse o ineditismo de ver seu governador, José Roberto Arruda, preventivamente trancafiado, eis que outra tempestade se abate sobre o seu vice, o empresário Paulo Otávio”. E, segue: “O quadro em Brasília inspira preocupações e expõe os males que debilitam a instituição política brasileira, cuja legitimidade se esvai em sucessivos escândalos.......Aos olhos da população, políticos são comparáveis a gangsteres e a vida pública tornou-se sinônimo de enriquecimento ilícito e fácil”. Sabemos, que quando se generaliza incorre-se em erro. No entanto, pelo que já vivenciei, existe uma confraria dentro do Congresso. Confraria, segundo Aurélio, é um conjunto de pessoas com o mesmo interesse. E é exatamente o que eu percebia. Formam seus blocos, constrangem os outros, fazem dos seus mandatos um balcão de negócios e desconhecem o que é ética. Em comum todos tem “rabo preso”. No fundo é o que unifica o grupo, e faz valer o pacto do silêncio entre eles. Não é por acaso que há no ar uma preocupação dos parceiros de Arruda com um possível acordo de uma delação premiada. Com as informações que detêm, Arruda é uma ameaça. Portanto, esperar que o próprio organismo político fosse capaz de impedir e punir desvios como esses cometidos por Arruda, é acreditar em Papa i Noel. A confraria existe porque protege os seus!
Portanto, estou convencido de que tudo isso só foi possível pela ação e postura do Poder Judiciário. Se tivesse ficado por conta da CPI da Câmara Distrital, nossas esperanças morriam na Quarta-Feira de Cinzas. E o samba enredo do bloco campeão, seria: “Arruda: a Fênix de Brasília”. O tema retrata o ressurgindo das cinzas, como Fênix, de um governador de volta ao poder, sem lenço, nem documento, mas com os bolsos cheios de ..............panetone.
sexta-feira, fevereiro 19, 2010
Gasolina importada!
Por essa ninguém esperava, viramos importadores de gasolina. Depois de 40 anos abastecendo nosso mercado, a Petrobras anunciou a compra de 2 milhões de barris de gasolina. Pode até não ser uma compra significativa, menos de 3% da produção nacional, mas mostra o estrago que os produtores do setor sucroalcooleiro fizeram ao destinar grande parte da cana para a produção e exportação de açucar.
Optaram pelo lucro fácil pondo em risco a confiabilidade do mercado consumidor de etanol, consolidado no Brasil com a introdução e os incentivos recebidos do governo para os carros flex. Já tinha me manifestado, em comentários anteriores, minha preocupação em relação a falta de uma visão estratégica de longo prazo desse segmento empresarial. Minhas preocupações agora se confirmam. O próprio presidente da respeitada Associação dos Engenheiros da Petrobras, Fernando Siqueira, nos jornais de hoje, alerta para o risco de não ter uma politíca de Estado para o setor.
Siqueira cita que as reservas mundiais de petróleo conhecidas, são o sinal de que novas fontes terão que ser, obrigatoriamente, encontradas. Lembra, que os Estados Unidos, com 30 bilhões de barris de petróleo em reservas, goza de relativa tranquilidade por pelo menos três anos. Adverte, que uma mudança de matriz energética deverá demorar um quarto de século, pois 80% dos produtos no mercado contêm componentes petroquímicos, dos remédios as canetas escolares. E, conclui: "a solução energética do futuro é a biomassa, e o Brasil tem as três condições essenciais para a sua exploração - terra, sol e água".
Optaram pelo lucro fácil pondo em risco a confiabilidade do mercado consumidor de etanol, consolidado no Brasil com a introdução e os incentivos recebidos do governo para os carros flex. Já tinha me manifestado, em comentários anteriores, minha preocupação em relação a falta de uma visão estratégica de longo prazo desse segmento empresarial. Minhas preocupações agora se confirmam. O próprio presidente da respeitada Associação dos Engenheiros da Petrobras, Fernando Siqueira, nos jornais de hoje, alerta para o risco de não ter uma politíca de Estado para o setor.
Siqueira cita que as reservas mundiais de petróleo conhecidas, são o sinal de que novas fontes terão que ser, obrigatoriamente, encontradas. Lembra, que os Estados Unidos, com 30 bilhões de barris de petróleo em reservas, goza de relativa tranquilidade por pelo menos três anos. Adverte, que uma mudança de matriz energética deverá demorar um quarto de século, pois 80% dos produtos no mercado contêm componentes petroquímicos, dos remédios as canetas escolares. E, conclui: "a solução energética do futuro é a biomassa, e o Brasil tem as três condições essenciais para a sua exploração - terra, sol e água".
quinta-feira, fevereiro 18, 2010
Unidos da Tijuca
Nunca me passou pela cabeça falar do Carnaval 2010. Longe dos ensaios das escolas, dos blocos de rua e do clima do Carnaval, acabei sendo envolvido pelo que li e pelo que vi da apresentação da Unidos da Tijuca, o grande destaque desse ano. Antes mesmo do anúncio do esperado resultado já havia uma novidade no ar, público e Comissão Julgadora compartilhavam da mesma opinião: o carnavalesco Paulo Barros tinha se superado.
Daí prá frente, a sintonia da escola com a opinião pública era uma "harmonia" só. A explosão de criatividade levada ao sambódromo pela Unidos da Tijuca, passou a ser considerada como um marco na história do nosso Carnaval. Desde o surgimento de Joãozinho Trinta, nada tão explendoroso tinha sido apresentado.
Dos vários comentários lidos, sobre a impactante apresentação da Unidos da Tijuca, me chamou a atenção o registro de Paulo Roberto Falcão que, sob o título "A ousadia premiada", compara o Carnaval com o futebol, ressaltando: "tanto para sambar como para jogar, é preciso ensaio, treino, preparação e muito profissionalismo". Paulo Barros, segundo Falcão, soube agregar esses valores na Escola, levando a magia para a passarela. Fez isso com profissionalismo, ensaindo à exaustão para que nada desse errado. Conquistou a torcida e mereceu todas as notas 10 que levou.
Quanto ao futebol, outra paixão nacional, Falcão nos lembra a importância do futebol bonito, bem jogado, que conquita o apoio da torcida, reforça a autoestima dos jogadores e deixa marcas na história. As equipes mais lembradas não são aquelas que simplesmente venceram. São as que vencem e encantam. Assim como foi com a Unidos da Tijuca.
Daí prá frente, a sintonia da escola com a opinião pública era uma "harmonia" só. A explosão de criatividade levada ao sambódromo pela Unidos da Tijuca, passou a ser considerada como um marco na história do nosso Carnaval. Desde o surgimento de Joãozinho Trinta, nada tão explendoroso tinha sido apresentado.
Dos vários comentários lidos, sobre a impactante apresentação da Unidos da Tijuca, me chamou a atenção o registro de Paulo Roberto Falcão que, sob o título "A ousadia premiada", compara o Carnaval com o futebol, ressaltando: "tanto para sambar como para jogar, é preciso ensaio, treino, preparação e muito profissionalismo". Paulo Barros, segundo Falcão, soube agregar esses valores na Escola, levando a magia para a passarela. Fez isso com profissionalismo, ensaindo à exaustão para que nada desse errado. Conquistou a torcida e mereceu todas as notas 10 que levou.
Quanto ao futebol, outra paixão nacional, Falcão nos lembra a importância do futebol bonito, bem jogado, que conquita o apoio da torcida, reforça a autoestima dos jogadores e deixa marcas na história. As equipes mais lembradas não são aquelas que simplesmente venceram. São as que vencem e encantam. Assim como foi com a Unidos da Tijuca.
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
Infraestrutura, um problema latino
Sempre que se fala em infraestrutura as lembranças não são das melhores: portos assoreados, estradas precárias e aeroportos saturados. Nós no Brasil conhecemos bem essa situação. Infelizmente não estamos sozinhos. É uma triste realidade latinoamericana. Seguindo os ensinamentos de Karl Marx, no século 19, infraestrutura é a base econômica que determina a estrutura social e o desenvolvimento. A China, considerada a locomotiva do mundo, só chegou onde está porque investiu pesado na infraestrutura do país. Em plena crise foram US$ 590 bilhões para melhorar suas estradas, ferrovias e portos. Na América Latina está se investindo muito pouco. Enquanto na China o investimento mínimo é de 4% do PIB, alguns dos nossos países não chegam a investir 1%.
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FESTA: Hoje é o aniversário da minha filha Andréia. Também é o começo do Carnaval. Como vou estar longe dela e da folia desejo a ela e a todos os foliões, felicidades e muita alegria. Nos vemos depois do Carnaval.
FESTA: Hoje é o aniversário da minha filha Andréia. Também é o começo do Carnaval. Como vou estar longe dela e da folia desejo a ela e a todos os foliões, felicidades e muita alegria. Nos vemos depois do Carnaval.
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
No México são poucos os internautas
Sem incentivos públicos, o México "patina" no acesso à internet. A famosa e necessária "inclusão digital" não tem recebido a devida atenção por parte do governo mexicano. Lá a tendência é de se comercializar tudo num pacote: TV a cabo, internet e telefone. Isso vem inibindo o crescimento dos internautas, em razão do preço cobrado. No México, em cada mil habitantes, 215 estão conectados. No Brasil são 340 e no Chile 330 a cada mil.
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
BRASIL - presente!
É visível uma maior presença brasileira na América. O governo tem dado claros sinais de sua determinação nessa direção. A Eletrobrás, criada há mais de 50 anos, anunciou sua intenção de se internacionalizar como empresa de energia. No final do ano passado abriu um escritório em Montevidéu. O BNDES também. O Banco do Brasil, reabriu o seu. E agora mostra interesse em comprar o tradicional banco da Patagônia, na Argentina.
terça-feira, fevereiro 09, 2010
A América é o nosso foco.
Durante esta semana, o foco do blog é a América. Começamos, na segunda, rebatendo a idéia (de alguns) de relacionar o resultado eleitoral do Chile com as eleições no Brasil, no final deste ano. Até sexta nossa intenção é de passar algumas observaçõe e informações sobre o que está acontecendo na nossa volta.(Fonte: América economia)
PARTE I - Aumentam os interesses de investidores brasileiros no Peru. A mega empresa na área da petroquímica, criada com a fusão da Petrobras com a Braskem, e agora com o controle sobre a Quattor, está de olho no bloco 58 recentemente descoberto pela Petrobras, no Peru. A idéia é de instalar uma planta capaz de produzir até 1,2 milhões de toneladas de petroqímicos básicos naquele país. Se tudo der certo o projeto entra em operação em 2015.
PARTE I - Aumentam os interesses de investidores brasileiros no Peru. A mega empresa na área da petroquímica, criada com a fusão da Petrobras com a Braskem, e agora com o controle sobre a Quattor, está de olho no bloco 58 recentemente descoberto pela Petrobras, no Peru. A idéia é de instalar uma planta capaz de produzir até 1,2 milhões de toneladas de petroqímicos básicos naquele país. Se tudo der certo o projeto entra em operação em 2015.
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
O Chile não é aqui.
Desde quando saiu o resultado das eleições no Chile, tenho lido de jornalistas e cientistas políticos, que a vitória de Sebastián Piñera é um recado para o Brasil. Li, que a volta ao poder da “direita” no Chile, representa uma retomada de consciência. E que regimes autoritários anacrônicos, não se coadunam com a geopolítica da região. Tenho acompanhado o que se passa na América Latina e, em particular, com nossos vizinhos, em função da defesa que faço de uma maior presença de energias limpas no nosso continente. Isso me permitiu apontar os vencedores das eleições no Uruguai e na Bolívia, bem antes do resultado das urnas. Com o Chile, também não foi diferente. Comentei no blog que, no segundo turno, Sebastián Peñera seria o vencedor, mesmo tendo Michelle Bachelet a aprovação de 86% dos chilenos. A mais alta aprovação de um governante em todo o mundo. Só essa informação já deveria ser suficiente para os analistas de plantão (à distância), não afirmarem que os nossos governantes não estão preparados para o poder. Bachelet não disputou a garantida reeleição porque no Chile não há esse instrumento (felizmente).
Portanto, meu comentário/registro é de que o Chile não é o Brasil. As diferenças são enormes. Bachelet não conseguiu unificar as esquerdas, que foram divididas para as eleições. O ciclo de 20 anos do seu grupo político, à frente do Chile, dava claros sinais de esgotamento. Seu candidato, Eduardo Frei, já tinha sido presidente, não era nenhuma novidade para o eleitor. A máquina e o peso do governo, não se fizeram presentes nas eleições. Promessas de reforma na previdência e no ensino acabaram não se realizando, sem falar que a crise mundial pegou em cheio no Chile.
Já no Brasil, os números turbinam qualquer candidatura ligada ao atual governo. São inquestionáveis. Vinte e seis milhões de pessoas migraram para a classe C nos últimos cinco anos. O risco Brasil, desabou: de 2700 pontos caiu para 200. O Salário Mínimo, que valia 78 dólares, vale hoje 210 dólares. O crédito de 14% do PIB foi para 34%. Isso gera um forte sentimento de continuidade por parte do eleitor. Sentimento esse que não foi identificado pelo eleitor chileno. Estamos ainda sem candidaturas formalizadas, as alianças na fase do namoro, qualquer prognóstico é pura especulação.
Portanto, meu comentário/registro é de que o Chile não é o Brasil. As diferenças são enormes. Bachelet não conseguiu unificar as esquerdas, que foram divididas para as eleições. O ciclo de 20 anos do seu grupo político, à frente do Chile, dava claros sinais de esgotamento. Seu candidato, Eduardo Frei, já tinha sido presidente, não era nenhuma novidade para o eleitor. A máquina e o peso do governo, não se fizeram presentes nas eleições. Promessas de reforma na previdência e no ensino acabaram não se realizando, sem falar que a crise mundial pegou em cheio no Chile.
Já no Brasil, os números turbinam qualquer candidatura ligada ao atual governo. São inquestionáveis. Vinte e seis milhões de pessoas migraram para a classe C nos últimos cinco anos. O risco Brasil, desabou: de 2700 pontos caiu para 200. O Salário Mínimo, que valia 78 dólares, vale hoje 210 dólares. O crédito de 14% do PIB foi para 34%. Isso gera um forte sentimento de continuidade por parte do eleitor. Sentimento esse que não foi identificado pelo eleitor chileno. Estamos ainda sem candidaturas formalizadas, as alianças na fase do namoro, qualquer prognóstico é pura especulação.
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
Calor inesquecível
Foi o que eu acabei de sentir preso no elevador. Se em Florianópolis os termomêtros estão marcando quase 40 graus, imaginem dentro do elevador. No escuro e com pouco ar não foi uma boa experiência. Como também não é uma boa experiência ter que ir a São Paulo. Na quarta-feira precisei passar por lá para participar do 1º Fórum de novas energias. Felizmente a minha participação foi pela manhã o que me possibilitou deixar São Paulo antes da chuvarada. A cidade ficou alagada, duas pessoas morreram e o caos novamente se instalou. Do avião pude ver como as nuvens vão se formando sobre São Paulo. Não sou da área, mas a impressão que tive é que a grande concentração de calor (asfalto e concreto) sobre a cidade, faz com que as fortes precipitações aconteçam.
quinta-feira, fevereiro 04, 2010
E os combustíveis, que não param de subir...
Dentre as manias que tenho, uma é a de me manifestar/protestar quando situações que visivelmente incomodam a sociedade, não são devidamente esclarecidas pelos responsáveis. O pedágio é uma delas. Já cansei de falar sobre ele. Agora mesmo nesse final de semana, voltei a me sentir um otário. Toda a vez que pago pedágio numa estrada inacabada, como é o trecho sul da BR 101, ou em estradas que não foram duplicadas, como o trecho Porto Alegre/Rio Grande, o sentimento de estar sendo lesado é muito grande.
Agora a novidade é o aumento dos combustíveis. Uma das explicações que deram para o aumento da gasolina é porque reduziram o percentual de álcool na mistura. Poupem-nos, ou então devolvam o dinheiro cobrado a mais quando passou de 20% para 25% a mistura do álcool na gasolina. Como sei que vão ficar calados, e que já pensam até em importar álcool, fico em dúvida se vale a pena comentar a dimensão do estrago que os usineiros estão fazendo ao priorizar a produção de açúcar para o mercado internacional.
A referência e o reconhecimento da tecnologia flex desenvolvida pelo Brasil, inédita no mundo, pode ficar com sua imagem prejudicada em razão do etanol tornar-se um combustível caro e desvantajoso em relação à gasolina. O consumo nacional é de quase 20 bilhões de litros por ano. Só esse mercado já é uma garantia para os produtores. O que não pode acontecer e o governo aceitar, são os usineiros de olho no lucro fácil em razão do preço internacional do açúcar, prejudicar um programa nacional mundialmente reconhecido.
Agora a novidade é o aumento dos combustíveis. Uma das explicações que deram para o aumento da gasolina é porque reduziram o percentual de álcool na mistura. Poupem-nos, ou então devolvam o dinheiro cobrado a mais quando passou de 20% para 25% a mistura do álcool na gasolina. Como sei que vão ficar calados, e que já pensam até em importar álcool, fico em dúvida se vale a pena comentar a dimensão do estrago que os usineiros estão fazendo ao priorizar a produção de açúcar para o mercado internacional.
A referência e o reconhecimento da tecnologia flex desenvolvida pelo Brasil, inédita no mundo, pode ficar com sua imagem prejudicada em razão do etanol tornar-se um combustível caro e desvantajoso em relação à gasolina. O consumo nacional é de quase 20 bilhões de litros por ano. Só esse mercado já é uma garantia para os produtores. O que não pode acontecer e o governo aceitar, são os usineiros de olho no lucro fácil em razão do preço internacional do açúcar, prejudicar um programa nacional mundialmente reconhecido.
quarta-feira, fevereiro 03, 2010
Siemens, de olho no futuro.
Agora em janeiro, em Abu Dhabi, na reunião de líderes que buscam soluções para a redução global das emissões de CO², o CEO da Siemens no setor de energia, Wolfgang Dehen, anunciou a decisão de contribuir ativamente na busca de idéias e soluções para o futuro energético do planeta. Segundo ele, "enquanto o século XX se caracterizou por uma procura crescente de energia, da qual resultou um crescente consumo de combustíveis fósseis, no início no século XXI enfrentamos o problema de criar uma base sustentável para as nossas necessidades energéticas face às alterações demográficas e climáticas e o declínio dos combustíveis fósseis". Aí, a energia elétrica aparece como a principal fonte de energia pela versatilidade do seu uso. A Siemens se apresenta nesse cenário futurista como uma parceira tecnológica ideal. Seu amplo portofólio de componentes para centrais de energia solar, aerogeradores e transmissão de energia, fazem com que ela se habilite neste projeto futurista. (Fonte: IP Jornal - Lisboa)
terça-feira, fevereiro 02, 2010
Calor insuportável
Pela primeira vez fui vencido pelo calor. Os termomêtros em Florianópolis marcavam, às 14 hs, 37 graus. Nos três anos do Instituto IDEAL sempre vou para o escritório a pé. Quando chove, uso o guarda-chuva. Quando tem sol, uso o meu "panamá". Carona, nem pensar. Esse costume me faz caminhar 10 km por dia. Hoje, o "bafo" era tanto que recorri ao carro. Calor como esse ocorreu no dia 3 de março de 2008, em Palmas, no município de Governador Celso Ramos. Na foto ao lado, na praia de Palmas, um registro fotográfico de uma tromba d'água que se formou no mar em função das altas temperaturas . Segundo as previsões, o calor segue até o final de semana. Cuidado com a desidratação. Tomem bastante água.
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
Celesc, a ponta do iceberg (Parte III)
Dando continuidade as denúncias que recebo sobre a administração da Celesc, me chamou a atenção à terceirização dos serviços de cobrança de faturas não pagas. A empresa contratada é a MONREAL, de Campinas Até aí tudo bem. Cobrar faz parte, e a Celesc sempre foi muito benevolente com os maus pagadores. Tanto assim que convive com uma considerável carteira de inadimplentes. O que chama a atenção são os valores já pagos a MONREAL. O contrato é de fevereiro de 2004, e os valores já pagos a MONREAL, são muito altos. Em 2008, por exemplo, a Celesc repassou R$ 48 milhões. O comentário interno é que a MONREAL já recebeu mais de R$ 150 milhões. Como a taxa de remuneração é de 13,85%, o esperado é a entrada nos cofres da Celesc, de cobranças atrasadas, de mais de R$ 1 bilhão. Segundo os técnicos da Celesc, isso não aconteceu. Para eles a diretoria da Celesc autorizou pagamentos por serviços não prestados, o que é muito grave. E faz sentido essa preocupação. Uma empresa de consultoria, contratada pela própria Celesc, a Galeazzi & Associados, alertou que a Celesc vem pagando para a MONREAL, R$ 40 milhões por ano a mais do que seria aceitável. Com a palavra os diretores da Celesc.
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