domingo, outubro 31, 2010

Sem medo de errar!

Estou saindo para votar. Como não podia ser diferente VOTO no 13. Voto em Dilma! Sei que essa hora muitos estão se preparando para fazer o mesmo. As pesquisas (sempre elas) apontam que o Brasil vai ter, pela primeira vez, uma mulher presidente. Até nesse aspecto vai ser muito bom. As mulheres estão chegando e vieram para ficar. Conheço Dilma de longa data. Tem iniciativa e sabe o que quer. Enganam-se os que pensam ao contrário. O Brasil que Lula vai deixar é bem diferente do país que recebeu. Dilma resumiu muito bem essas diferenças no artigo publicado hoje na Folha de São Paulo:

"O país da recessão deu lugar a uma economia dinâmica, que gerou 15 milhões de empregos formais, multiplicou exportações e fez renascer setores estratégicos como a indústria naval, a construção civil e a agricultura familiar.
Por outro lado, ninguém pode negar que a ascensão à cidadania de 28 milhões de pessoas que saíram da pobreza, graças ao crescimento econômico e a programas sociais abrangentes e eficazes, deu uma dimensão substantiva, e não meramente formal, ao desenvolvimento da nossa democracia.
É como também devemos ver os 36 milhões de brasileiros da nova classe média, ou quase 2 milhões de jovens no ensino superior, graças ao ProUni e às universidades públicas que devemos seguir ampliando. Seguindo por esse caminho, alcançaremos novo patamar, em que a noção da liberdade ultrapassa o justo direito de reinvidicar.
Por tudo isso, contados os votos, seja qual for a decisão soberana da maioria dos brasileiros, devemos voltar os olhos para o futuro e somar forças, na construção de um país melhor."

É inegável que no governo Lula a vida melhorou para milhões de brasileiros. Até a oposição reconhece isso. São justamente esses milhões de brasileiros que irão fazer a diferença na hora de votar.

sexta-feira, outubro 29, 2010

CARTA ABERTA A FHC

O blog tem entre outras finalidades registrar momentos importantes da vida do País. Domingo que vem é um desses dias. Das urnas sairá o novo presidente. Já comentei sobre a forma que os publicitários tratam os candidatos, trabalhando com pesquisa de opinião, tendências, fragilidades, promessas, enfim: como se fossem um produto a ser apresentado ao mercado. O que é lamentável. Recebi "Carta Aberta" escrita por um amigo de Fernando Henrique. Gostei do que li. É um registro histórico. Vai para o blog.

Faça uma boa leitura e VOTE CONSCIENTE!

CARTA ABERTA A FERNANDO HENRIQUE CARDOSO.

Meu caro FernandoVejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960. A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete com tudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, já no começo do seu governo, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependencia: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000).Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartir com você... Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário. No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos. TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese?Conclusões: O plano real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.Segundo mito; Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade.E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. UM GOVERNO QUE CHEGOU A PAGAR 50% AO ANO DE JUROS POR SEUS TÍTULOS, PARA EM SEGUIDA DEPOSITAR OS INVESTIMENTOS VINDOS DO EXTERIOR EM MOEDA FORTE A JUROS NORMAIS DE 3 A 4%, NÃO PODE FUGIR DO FATO DE QUE CRIOU UMA DÍVIDA COLOSSAL SÓ PARA ATRAIR CAPITAIS DO EXTERIOR PARA COBRIR OS DÉFICITS COMERCIAIS COLOSSAIS GERADOS POR UMA MOEDA SOBREVALORIZADA QUE IMPEDIA A EXPORTAÇÃO, AGRAVADA AINDA MAIS PELOS JUROS ABSURDOS QUE PAGAVA PARA COBRIR O DÉFICIT QUE GERAVA. Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou dráticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. VERGONHA FERNANDO. MUITA VERGONHA. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identifica com o seu governo...te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.Terceiro mito - Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição ns 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia.Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em conseqüência deste fracasso colossal de sua política macro-econômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar... Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este pais. Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso faze-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional. Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente.Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o vedadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora. Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês ( e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a freqüentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder. Com a melhor disposição possível mas com amor à verdade, me despeçoTheotonio dos Santos*
http://theotoniodossantos.blogspot.com/2010/10/carta-aberta-fernando-henrique-cardoso.html
*Theotonio dos Santos é Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense, Presidente da Cátedra da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas sobre economia global e desenvolvimentos sustentável. Professor visitante nacional sênior da Universidade Federal do Rio de Janeiro. _

quinta-feira, outubro 28, 2010

Energia eólica: o Brasil é a bola da vez.

Depois de visitar Cerro Chato, o parque eólico que a Eletrosul está construindo junto com a Wobben em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, me veio uma certeza: as eólicas vieram para ficar. Começou com a Wobben em Fortaleza, depois ganhou escala com o parque de Osório. A seguir, com os leilões o setor acabou se consolidando. A Wobben, pioneira no Brasil, começou em 1999 e já implantou 16 parques no País. Agora vê a chegada de outras concorrentes o que demonstra o interesse estrangeiro pelo potencial brasileiro. Isso é bom. Os preços devem baixar e uma nova fonte de energia limpa se apresenta como alternativa para a nossa matriz energética. Das empresas que já estão aqui, temos: a Impsa, a GE e a Alstom. Com projetos para se estabelecerem no Brasil também se fala na: Suzlon, Gamesa e Vestas. As coreanas e chinesas também estão de olho no mercado brasileiro. Segundo a Abeeólica, associação ligada ao setor, estão previstos investimentos da ordem de 13 bilhões de reais até 2013.

quarta-feira, outubro 27, 2010

O desafio do sistema previdenciário

Recentemente a Folha de S. Paulo publicou uma série de matérias do New York Times. Uma das que mais me chamou a atenção foi "O preço alto das vidas longas". Trata-se de uma análise sobre as consequências de uma perspectiva de vida maior nas contas previdenciárias de qualquer país. Viver mais: é uma boa notícia! Em alguns países como Espanha, Grécia e Áustria, por exemplo, a expectativa de vida dobrou no século passado. Segundo Natasha Singer, autora da matéria, pela primeira vez na história da humanidade, as pessoas com mais de 65 anos são em maior número do que as com menos de 5 anos. Essa informação vem confirmar a preocupação com o futuro dos sistemas previdenciários. A rigor, quando criados, não contemplaram esta nova situação: as pessoas, depois de aposentadas, vivem ainda muito tempo. Em alguns casos mais de 30 anos, que é em média o tempo de contribuição. Só que durante a contribuição o valor retido para a previdência é muito menor do que o valor do benefício que o aposentado recebe. Portanto, não precisa ser um gênio para entender que essa conta não fecha. E tratar com responsabilidade esse problema, ninguém quer. O desgaste é grande. Que o diga Sarkozy, onde mais de um milhão de pessoas sairam nas ruas da França para protestar contra as mudanças propostas e aprovadas pelo governo francês (elevando a idade mínima de 60 para 62 anos). Aqui, em ritmo de campanha, José Serra, segue outro caminho propondo reajustes consideráveis tanto na aposentadoria como no SM (ambos com forte impacto nas contas da previdência tupiniquim). A verdade é que as nações não se prepararam para o envelhecimento da população. E que as medidas anunciadas de reforma da previdência, segundo especialistas, são respostas insuficientes e inadequadas à gigantesca mudança demográfica em curso. O tema, embora relevante, passou batido durante a campanha eleitoral. Quando a crise bater na porta vai ser tarde......

terça-feira, outubro 26, 2010

Que pena!

Entre "bolinhas de papel" e "bixiga de água" entramos na última semana. Domingo falam as urnas. Vai terminar o segundo turno sem ter havido um debate de idéias e propostas de governo. Fica para a próxima. Pessoalmente esperava mais. Deixaram a desejar: afinal são dois candidatos bem preparados. Que pena! Pelo menos, se serve de consolo, foi "a bolinha de papel" que tirou de cena os sentimentos religiosos e conceitos ultrapassados da disputa eleitoral que acabou tomando conta da mídia há duas semanas atrás. Os eleitores agradecem.

FALANDO EM ELEITOR bem que Serra poderia explicar a razão de tanta bondade: salário mínimo de R$ 600,00 e correção de 10% para todos os aposentados. Podia ter implantado essas políticas quando foi governo. Aliás, como a memória é curta, vale a pena lembrar, naquela época o SM não chegava a 100U$$, mal dava para comprar uma Cesta Básica.

FALANDO NO SERRA que se diz preparado e estudioso da macro economia imagino que deva ter lido o encarte da Folha, de ontem, com trechos selecionados do The New York Times. Um deles, "O preço alto das vidas longas", tem tudo a ver com as propostas oportunistas de Serra . Escrito por Natasha Singer trata, com sabedoria, as preocupações com as despesas crescentes que a vida prolongada está acarretando no sistema previdenciário de todo o mundo. Amanhã volto a falar sobre o artigo.

segunda-feira, outubro 25, 2010

SUSTENTABILIDADE

EM PORTUGAL - Uma das palavras do momento "sustentabilidade" pode estar presente em quase tudo. Depende muito de como você vê as coisas. Visitando a usina eólica de Cerro Chato, em Santana do Livramento (RS), com o Zank, presidente da empresa, ouvi atentamente suas experiências em Angola. Um país destruído por guerras internas, que agora se apresenta como um lugar de inúmeras oportunidades. Por coincidência, na Usina de Salto, por onde também passei, lendo o EL PAIS, fico sabendo da forte presença dos portugueses em busca de trabalho em Angola. Por outro lado, cresce a preocupação em Portugal com sua própria "sustentabilidade": nos últimos 10 anos 700.000 portugueses deixaram o país. A fuga da inteligência portuguesa é a maior da OCDE. Para o economista português, Alvaro Santos Pereira, ele mesmo professor em Vancouver, no Canadá, essa onda migratória em Portugal deverá trazer sérias dificuldades para o país. Segundo ele, são jovens entre 25 a 30 anos que estão deixando o país.

NO CHILE - Passado o resgate histórico dos 33 mineiros, ficam as palavras de Luis Urzúa: "que uma tragédia como a da mina da Santa Fé nunca mais ocorra no Chile". Sobre holofotes do mundo uma frase de grande efeito, sobre o silencioso e seco Atacama, um desabafo de pouco efeito. Se sabe, por exemplo, que havia advertências sobre possíveis desabamentos na mina de Santa Fé desde 2001. A situação encontrada lá não é em nada diferente de tantas outras explorações de jazidas minerais pelo mundo afora. A atividade nunca foi das mais "sustentáveis".

NA HUNGRIA -as imagens do desastre ambiental na Hungria, que arrastou 800 milhões de um barro tóxico, vão ficar para sempre na memória de cada um de nós. Uma cena chocante. Sabe-se agora, talvez em função do ocorrido na Hungria, que um estudo de 2007 identificou 97 lugares contaminados por rejeitos tóxicos nas margens do Danúbio. Atividades sem "sustentabilidade ambiental" deixam para sempre suas marcas.

quinta-feira, outubro 21, 2010

ARTIGAS 40 GRAUS

De volta ao Brasil entrando por Artigas me deparo com uma cidade vazia, sem ninguém nas ruas e o comércio fechado. A explicação estava no termômetro que registrava 40ºC. Depois de passar pela Usina de Salto Grande, na fronteira da Argentina com o Uruguai, para conhecer o local onde será instalada a primeira usina solar da América Latina, percorri os 200 km que separam Salto de Artiga sem passar por nenhum vilarejo ou posto de abastecimento. Em Artigas, com muito esforço, consegui encontrar uma padaria para atenuar meu problema de fome e de sede. Vencida essa sofrida etapa, foram mais 100 km até Santana do Livramento. Amanhã vou com o pessoal da obra visitar o local do novo parque eólico da Eletrosul.

De noite, no hotel, lendo o Correio do Povo, me deparo com a manchete "Dilma tem 56% e Serra, 44%". Não gosto de comentar pesquisa. Por duas razões: se a pesquisa é séria, tem fundamentação científica, portanto não cabe aos "leigos" questioná-la; e se for "encomendada", não tem crédito, logo também não merece ser comentada. Portanto, sem entrar no mérito dos números apresentados, fico com minha tese inicial: os votos de Dilma e de Serra, do primeiro turno, estão consolidados, dificimente mudam; os votos da Marina estão mais perto da Dilma que do Serra; os indecisos do primeiro turno são os indecisos do segunto turno, podem ir para qualquer lado. Se a minha tese estiver certa, Dilma deve ganhar no segundo turno.

quarta-feira, outubro 20, 2010

Domingo no Parque

Quem é da minha geração com certeza se lembra da letra e do sucesso que fez a música "Domingo no Parque", de Gilberto Gil, no final dos anos sessenta. Só que o domingo no parque que eu me refiro não é o do Gil, é o meu. Distante de Florianópolis (cerca de 1500 km), a caminho de Santa Fé, na Argentina, onde me encontro participando da 17ª Jornada dos Jovens Cientistas, passei a noite de domingo em Tacuarembó, no Uruguai. Sem ter o que fazer fui "esticar as pernas" caminhando no imenso parque que a cidade possui. Como na letra do Gil o parque estava cheio. O forte calor que fazia me levou a tomar um sorvete. Pois foi tomando esse sorvete que me veio uma sensação prazerosa que raramente nos acontece. Logo vi que não podia ser do sorvete, já que não tinha nada de especial. Do parque também achei que não era: estava quente e seco demais. Refletindo um pouco sobre a vida, sobre o trabalho que venho fazendo, o envolvimento com os jovens e os compromissos que surgem a cada dia, cheguei a conclusão que o motivo desse sentimento de felicidade interna, de bem estar com a vida, está diretamente relacionado com a motivação pessoal. Estar motivado te dá prazer. Percorrer, de carro, sozinho, 2 mil qulometros para falar com jovens de diferentes países me fez perceber isso. No parque, conversando com meus botões, tive a certeza que a felicidade é um estado de espírito. Foi muito bom sentir isso. Não vou me esquecer desse "domingo no parque" em Tacuarembó.

terça-feira, outubro 19, 2010

Biodiversidade e a Amazônia.

A Conferência do Clima em Cancun está chegando. Com bem menos visibilidade que Copenhague mas com muita esperança(face o fracasso do encontro anterior). A estratégia dos países em desenvolvimento e detentores de grande parte da biodiversidade do planeta deve ser comprometer a questão das mudanças climáticas com biodiversidade. Dentro dessa condição o Brasil passa a ser um importante protagonista. Aqui se encontra a maior biodiversidade do mundo e 4,2 milhões de quilômetros quadrados de floresta na Amazônia. Uma dádiva. A importâcia das duas para a humanidade exige uma grande atenção. A Amazônia, por exemplo, vem sendo atacada sem piedade. Em 1995, chegou a perder 30 mil quilômetros quadrados, sessenta vezes a área da Ilha de Santa Catarina. Quase uma Ilha por semana. Os dados recentes apontam para uma significativa redução de desmatamento: 7 mil quilômetros quadrados. Mesmo assim, enquanto a floresta estiver sendo derrubada não temos o que comemorar. Ao que se sabe, o governo deve levar para Cancun compromissos com a ampliação das áreas protegidas e combate ao desmatamento. São boas bandeiras para preservar o planeta.

segunda-feira, outubro 18, 2010

E o cambio?

Enquanto o dolar derrete, pressionado pela continua e crescente entrada de dólares no país (só nessa semana foram 5 bilhões), nossa competitividade está cada vez mais ameaçada. Se por um lado o real valorizado tem levado milhões de brasileiros para o exterior (e para as compras), o dolar desvalorizado tem dificultado (e muito)nossas exportações. E, ao que parece, a chamada disputa cambial está longe de acabar. A China que controla sua moeda- o yuan, conforme seus interesses comerciais, tem dificultado as negociações que evitem o desiquilíbrio cambial que preocupa o mundo. Segundo informações oficiais suas reservas são da ordem de U$$ 2,6 trilhões de dólares. O Brasil que através dos juros praticados tem atraído de dólares de toda a parte deve chegar esse mês com U$$ 300 bilhões de dólares de reserva. O próprio ministro da fazenda, Guido Mantega, vem alertando para a entrada excessiva de dólares no Brasil. Só que seus comentários não estão dando resultado. O mercado está adorando o real valorizado. E uma boa parte dos brasileiros também. O que fazer se ninguém quer mudar? Vamos assumir que seremos um país importador? Vamos por em risco a competitividade das exportações brasileiras? Quem sabe Dilma e Serra se afastem um pouco do tema do aborto e de tanta religiosidade e incorporem nos debates suas opiniões sobre a política cambial. Com certeza irão aparecer na TV bem mais a vontade. Afinal, são dois economistas.


LÍCIO MAURO DA SILVEIRA - ja pronto para seguir para a Argentina, onde dou uma palestra na abertura da 7ª Jornada dos Jovens Cientistas, na Universidade do Litoral, em Santa Fé, nessa terça-feira, fiquei sabendo da inesperada morte do Lício. Reeleito deputado estadual, Lício tinha um importante trabalho na Assembléia - a defesa das empresas públicas! Embora de outro partido, Lício foi sempre um parceiro nessa luta.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Hermann Scheer que o sol te ilumine

Ontem, no início da noite, veio a má e inesperada notícia: Hermann tinha morrido. Nascido em abril de 1944, membro do Parlamento da Alemanha, o Bundestag, desde de 1980, Hermann dedicou seu mandato e sua vida à causa das energias renováveis. Presidente da Eurosolar, do Conselho Mundial das Energias Renováveis (WCRE) e do Fórum Parlamentar Internacional, Hermann, além de amigo, era uma grande figura. Nos conhecemos em 2003, quando nos procurou para assumirmos compromissos dentro do Congresso Nacional com a causa das energias limpas. Foi o início de uma amizade e de iniciativas que me levaram a ser membro do WCRE e a criação do Instituto IDEAL. Economista, passou depois pela sociologia, ciência política e direito público. Doutor em Economia pela Universidade Livre de Berlin, Hermann tinha o dom da palavra. Suas paletras a todos encantava. Não usava power point nas suas apresentações. Essa era uma das suas marcas. Gostava de escrever. Seus artigos e livros, publicados em vários idiomas, são leituras obrigatórias para quem está envolvido na luta por um outro modelo de desenvolvimento. Segue abaixo, como registro, um dos seus inúmeros recados:

"A humanidade está no limiar de uma era de oportunidades sem precedentes. Nas últimas décadas, muitas tecnologias inovadoras, tornaram-se disponíveis e acessíveis, que pode transformar nossa economia atual baseada em combustíveis fósseis poluentes em economias de energias renováveis. Esta transformação irá fornecer milhões de novos empregos. Vai parar o aquecimento global. Vai criar um mundo mais justo e equitativo."

quinta-feira, outubro 14, 2010

Da Lagoa da Conceição ao deserto do Atacama

Quando chegamos na Lagoa, eu e Sílvia, nos chamou a atenção o número de pessoas que ocupavam a área conhecida por Vassourão, no centrinho da Lagoa. Para um dia de feriado, com muito sol, a presença dos manifestantes deu vida e esperança a mais uma luta da comunidade. O protesto visa chamar a atenção para mais uma área que sucumbe diante da pressão imobiliária que tomou conta de Florianópolis. Os moradores da Lagoa, legitimamente, buscam tranformar os 10 hectares de mata nativa (vassourão) num parque. Desde quando vereador tenho me envolvido em viabilizar parques para a cidade. Foi assim com o Parque da Luz, com a Ponta do Coral, com o Parque do Córrego Grande, a Praça do Bermann, o Parque Metropolitano, na Via Expressa, o Parque do Campeche e o Parque de Coqueiros. Aonde tem mobilização por parque estou junto. As vezes dá certo, outras vezes não. Lutar é que importante. A luta conscientiza, disponibiliza cidadania e permite que se conheça melhor a cidade, seus gestores e os interesses obscuros que permeiam as relações entre o público e o privado.
Retornando para casa acompanhei a luta dos mineiros resgatados da mina de San José, no deserto de Atacama. Ao contrário do dia ensolarado e quente da Lagoa, o resgate começou na madrugada fria do deserto. Para lá estavam voltados os olhos do mundo. Enquanto aqui a comunidade buscava assegurar qualidade de vida, ar puro, área verde para as gerações futuras, lá o esforço era para dar esperança e vida aqueles 33 trabalhadores confinados num buraco a 700 metros de profundidade, desde de agosto. Quando o primeiro mineiro apareceu, todos festejaram. O mundo inteligado saldou a superação vitoriosa de um coletivo. Que dois belos exemplos!

quarta-feira, outubro 13, 2010

Uma homenagem de John Lennon para Brooks Harrop

Brooks Harrop é um físico da Universidade de Washington. Não o conheço. Acho que deve ser um grande sonhador. Aliás, como todos os outros que defendem a energia solar como "a mãe de todas as energias" (inclusive eu). No dia que John Lennon (outro sonhador)faria 70 anos, Brooks anuncia seu grande invento: um satélite projetado para receber energia solar - uma super fonte energética capaz de gerar 100 bilhões de vezes mais do que a demanda atual do mundo. Segundo Brooks, não existe nenhum empecilho tecnológico para que o satélite seja construído. Tá pronto. Já foi até batizado - se chama Dyson-Harrop. O que falta de tecnologia é trazer essa massa de energia para a Terra. O tempo irá responder as incertezas que temos. Assim caminha a humanidade. E se John Lennon estivesse vivo estaria apresentando sua nova versão de Imagine, pegando um sol no Central Park: "imagine todas as pessoas se utilizando da energia que vem do sol, limpa e permanente........".

segunda-feira, outubro 11, 2010

Votar com grandeza

Já tinha comentado que poucos países tiveram uma relação de candidatos à presidência da República tão qualificada como a nossa. Por ordem alfabética Dilma, Marina, Serra e Plínio, são pessoas com uma história de vida e de compromissos com a luta pela democrácia invejável. Se olharmos para os últimos 40 anos, todos eles estão lá: contribuindo de forma significativa para o Brasil que temos hoje.

Legitimados pelas urnas saíram dois para o segundo turno: Dilma e Serra. O que se espera agora, com tempos iguais para debater e apresentar suas propostas, é que façam desse momento o melhor para a nossa jovem democracia valorizando o bom debate. Tenho lá minhas dúvidas se é isso que vai acontecer. O espaço descabido que vem sendo dado sobre temas como religiosidade e aborto que até então estavam fora do debate político me incomoda.

Embora ciente que por trás de tudo está à luta pelo voto, e que por ele "vale tudo", não compactuo com essa forma ardilosa e pequena de se fazer política. Está se reduzindo o debate e se perdendo a oportunidade de discutir as grandes questões presentes num país em crescimento, mas ao mesmo tempo desigual como o nosso. Acho que não estou sozinho. Vejam o que li sobre isso nesse final de semana de pessoas bem mais envolvidas e preparadas com a temática da religiosidade do que eu.

"Gostaria de expressar a minha indignação em relação ao baixo nível das campanhas eleitorais. Vivemos num país talebã, como disse Simão. Os candidatos falam sobre assuntos do século 19!"
Ricardo Junqueira - SP
"Entre pré-sal, Brasil no jogo político planetário, células tronco, construção de foguetes, submarinos nucleares, feitos esplêndidos e silenciosos de laboratórios científicos, liderança mundial de exportação de vários alimentos - enfim uma República presente no século 21 sob tantos aspectos, de repente a eleição de seu presidente reduz-se ao aborto, se crime ou não".
Janio de Freitas
"O embate entre o obscurantismo medieval e a sociedade tecnológica de agora não é privilégio do Brasil: o mundo enfrenta uma guerra santa". Fernanda Torres
"A infantaria do tucanato emburrece o debate, rebaixa a campanha e ofende a biografia dos beneficiários". Elio Gaspari.



sexta-feira, outubro 08, 2010

Economia verde: quais as oportunidades do Brasil?

Na última quarta-feira participei de evento promovido pela Fundação Konrad Adenauer com o objetivo de debater as oportunidades do Brasil diante uma economia global verde. A Fundação Konrad Adenauer é uma fundação política da República da Alemanha que desenvolve trabalhos na área dos direitos humanos, democracia representativa, justiça social e desenvolvimento sustentável. Há muitos anos no Brasil a fundação tem atuado ativamente nos temas acima. No seminário para o qual fui convidado os palestrantes, foram: Israel Klabin (Fundação Klabin), Suzana Kahn Ribeiro (UFRJ) e Maria Marta Vasconcelos (FIESP). Como debatedores (além de mim), cerca de 20 especialistas na área da economia verde. O encontro foi fechado. As apresentações, debates e opiniões servirão para futuras publicações da Fundação. Nas conversas paralelas, no almoço e no jantar, me chamou a atenção a repercussão da votação da Marina. Para todos uma grande surpresa. Enquanto a maioria creditava os votos a "uma onda verde", minhas observações eram no sentido de uma migração espontânea de eleitores descontentes com o caráter plebicitário da eleição. O Partido Verde é um partido com muitas contradições e sem uma estrutura nacional. Os votos canalizados para Marina são, na minha opinião, em sua maioria, votos do desencanto. Acredito que em boa parte VOTO dos jovens.

quinta-feira, outubro 07, 2010

Casa Branca: a volta dos painéis solares

Segundo o secretário de Energia dos Estados Unidos, Steven Chu, os painéis solares voltarão a fazer parte do telhado da Casa Branca. "No final da primavera haverá painéis solares que convertam a luz do sol em eletricidade. A Casa Branca passa a ser um símbolo do compromisso norte-americano com o futuro da energia limpa", comentou Chu, um fervoroso defensor das energias renováveis.

A Casa Branca já teve painéis solares em seu telhado instalados em 1979 por Jimmy Carter. No governo de Ronald Reagan, em 1986, foram retirados.

Em Brasília, um dos lugares de melhor insolação do Brasil, na recente reforma do Palácio do Planalto não foi nem cogitada a possibilidade de se instalar painéis solares. Uma pena!

quarta-feira, outubro 06, 2010

Estudantes na Argentina




Uma das coisas que mais me chamou a atenção durante o I Seminário Internacional Universidad-Sociedad-Estado, em Buenos Aires, foi o grande interesse dos estudantes em debater o futuro das universidades. Logo na chegada, tomando conta da praça (foto acima), estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Buenos Aires apresentavam ao público seus projetos e debatiam os problemas das mega-cidades.



De manhã cedo as filas já se formavam no pavilhão principal da Feira de Palermo. Milhares de estudantes latinos atenderam o chamado da Universidad de Buenos Aires: "veni a conocer la universidad que tenés". (foto ao lado). Nos próximos dias 19 e 20 de outubro, em Santa Fé, na Argentina, os estudantes estarão participando de um outro grande encontro: o dos jovens cientistas.

terça-feira, outubro 05, 2010

Obrigado Reguffe!

- Não conheço José Reguffe (PDT/DF) mas fiquei muito satisfeito em saber que ele tinha feito 1,8 milhões de votos. Fui atrás para saber quem era: Reguffe é um jovem deputado distrital que lutou contra a corrupção no Distrito Federal. Foi um dos principais opositores do governo Arruda (aquele da farra com o dinheiro público). Com 19% dos votos válidos Reguffe tem 38 anos é economista e teve como bandeira a ética na política. Se o caro leitor está surpreso com esse meu entusiasmo por alguém que nem conheço, segue a explicação: se não fosse Reguffe, o deputado mais votado do Brasil seria o Tiririca. Ninguém merece!


AINDA SOBRE AS ELEIÇÕES - duas surpresas sobre a corrida ao Senado. No Rio, Lindberg Farias (PT) foi o mais votado com 27% dos votos válidos. Em São Paulo, o mais votado foi Aloysio Nunes (PSDB) com 30,47% dos votos válidos. Nenhum dos dois aparecia nas pesquisas como favorito.

- a organização e a logística do sistema brasileiro de votação merecem ser comentadas. Num país da dimensão do nosso ter o resultado poucas horas depois do fechamento das urnas, impressiona a todos.

- o resultado da expressiva votação de Marina não se limita a ter provocado o segundo turno. O mais importante é que vai obrigar Dilma e Serra a incorporarem nos debates, na campanha e nos compromissos de governo o tema meio ambiente/sustentabilidade. Marina, que tinha 10% nas pesquisas, chegou a 20%. Sua frágil candidatura foi levada pelos bons ventos de um novo modelo de desenvolvimento que a humanidade almeja.

segunda-feira, outubro 04, 2010

Eleições: erros e acertos

Abertas as urnas vieram as surpresas. Minhas previsões em relação a Santa Catarina, por exemplo, que apontavam para um segundo turno, foram, literalmente, para o saco. Raimundo Colombo, candidato da chamada Tríplice Aliança, venceu no primeiro turno. Foram decisivos o tempo de TV, a qualidade dos programas, a estrutura partidária e a forte nominata dos candidatos proporcionais. Para presidente minhas previsões também falharam. A eleição vai ser decidida no segundo turno. Acredito que para o país e para a democracia vai ser bom. Os candidatos (agora só dois) vão poder explicar melhor seus projetos e promessas. Acerto mesmo, só me restou um: Marina! No mesmo dia que foi anunciada a sua candidatura comentei que ela era a novidade dessa eleição. E acabou sendo. Sem estrutura partidária, sem tempo de TV, sem recursos, sem máquina (federal/estadual/municipal), Marina chega aos 20 milhões de votos surpreendendo analistas políticos e institutos de pesquisa. Marina sai dessa eleição bem maior do que entrou. Suas principais bandeiras meio ambiente/sustentabilidade serão, obrigatoriamente, encampadas por Dilma e Serra no segundo turno. O Brasil agradece!

CURIOSIDADES

- Tiririca, conforme se comentava, é o deputado mais votado do Brasil;
- Weslian Roriz, uma desconhecida senhora, vai para o Segundo Turno no Distrito Federal;
- Agaciel Maia, pivô do escândalo dos atos secretos no Senado, se elegeu para a Câmara Legislativa no DF;
- nós temos 5 milhões a mais de mulheres do que homens entre os eleitores;
- no exterior são cerca de 200 mil brasileiros aptos a votar.

sábado, outubro 02, 2010

América Latina

Na próxima segunda vou deixar de comentar "as curtas da semana" para me dedicar ao resultado das eleições de domingo. Em razão disso aproveito o sábado para tratar do "mini golpe" no Equador e do bom debate que ocorreu em Buenos Aires: Universidade/Estado/Sociedade.

EQUADOR - o que aparentemente parecia ser um movimento em defesa de direitos trabalhistas quase virou um golpe de Estado. Conhecido por ser bastante voluntarioso, o presidente Rafael Correa foi golpeado no meio do tumulto. Levado para o hospital o presidente Correa também acabou ficando "retido" por mais de 9 horas. Um tipo de sequestro inaceitável. Um constrangimento para o país e para a democracia. Os policias não mediram as consequências do que fizeram. Que o fracasso da rebelião sirva de lição.

BUENOS AIRES I - o apoio que Correa teve de todos os países foi determinante para por um fim à aventura dos rebelados. Uma reunião urgente da Unasur trouxe para Buenos Aires vários presidentes de países da região que prontamente se solidarizaram com Correa.

BUENOS AIRES II - enquanto os presidentes se reuniam na Casa Rosada, distante da li, no Parque de Palermo, milhares de estudantes debatiam o tema: Universidade/Sociedade/Estado. Em paralelo, reitores e professores de 21 universidades participavam do I Seminário sobre Energias Sustentáveis. Convidado deixei minha contribuição.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Buenos Aires em alerta

No ar e nas ruas se percebia que alguma coisa de grave estava acontecendo em Buenos Aires. O trânsito caótico, o taxista indignado, muita sirene ligada. Os noticiários da noite esclareceram minhas suspeitas: naquela tarde o movimento liderado por Hebe de Bonafini, presidenta da Associação Madres de Plaza de Mayo, tinha saído às ruas para protestar contra a Suprema Corte. Com ameaças de "tomar el Palacio de Tribunales", Bonafini criou um problema político. Segundo a oposição e analistas políticos, o movimento tem por trás o aval do governo em guerra permanente com o Poder Judiciário. O conflito de poderes foi manchete dos principais jornais locais. De uma maneira geral a intimidação a Corte foi repudiada.