sexta-feira, janeiro 28, 2011

Agora é no Egito

Não faz uma semana que comentei sobre a Tunísia. Me lembro de ter registrado que as manifestações que levaram o ditador Zine el Abidine fugir da Tunísia iam chegar a outros países árabes. O episódio das "massas zangadas" chegou essa semana no Egito. Foi assim que comentou o secretário geral da Liga Árabe, Amr Moussa. Segundo ele o povo árabe está cansado e frustado com seus governantes. E, convenhamos, não é para menos. QUEM É QUE AGUENTA SER GOVERNADO PELA MESMA PESSOA POR TRÊS DÉCADAS. Hosni Murarak governa o Egito desde 1981.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

"A bolha"

Ontem, uma notícia me chamou a atenção: a dívida dos brasileiros com bancos e financiadoras de carros chega aos 120 bilhões de reais. Se por um lado é verdade que foi esse endividamento que nos fez movimentar a economia e criar empregos no setor, é também motivo de preocupação o endividamento de pessoas físicas, com finaciamentos de longo prazo, de um bem se deprecia rapidamente (carro velho perde valor). Está com isso criada a "bolha". Acho até que o governo já se deu conta do perigo. Vejam a manchete do jornal Valor, do mesmo dia: "Novo Código protegerá o consumidor endividado". Segundo a matéria pesquisa divulgada este mês pela Confederação Nacional do Comércio, 60% das famílias estão endividadas. Desse percentual, 22 % estão com contas em atrazo e 8% alegam que não terão como quitar seus débitos. Um quadro preocupante para esse início de governo.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Alessandra, boa sorte!


Foram anos de amizade e de muito trabalho. Nos conhecemos em fevereiro de 1997, quando recém formada em jornalismo foi trabalhar no SINERGIA. Depois, durante meu mandato de deputado, foi minha assessora de imprensa. Foi dela a iniciativa de criarmos uma comunicação direta com os eleitores, inovando e dando transparência ao mandato. Quando começamos a discutir a criação do Instituto IDEAL, lá estava ela trazendo sua energia, alegria e conhecimento. Durante esses quatro anos de vida do IDEAL, superamos, juntos, inúmeras dificuldades. Hoje, Alessandra se despede de nós. Segue para Brasília onde uma nova vida e outros desafios esperam por ela. Sei, como poucos, da sua capacidade. Brasília, a partir de fevereiro, ganha mais uma excelente profissional. Boa sorte, Alessandra!

terça-feira, janeiro 25, 2011

VERGONHA!

O episódio envolvendo as aposentadorias vitalícias de ex-governadores, é uma vergonha. Tem gente ganhando por ter ficado 10 dias no cargo. Tem alguns postulantes que deixaram cair a máscara de "franciscanos" e rigorosos com os gastos públicos, diante a oportunidade que tiveram de encher seus bolsos. As explicações e justificativas para receber a "bolada" são mais descaradas ainda. Tem ex-governador prometendo usar para fins beneficientes. Outros pedindo os atrasados, como se fosse um direito trabalhista. Só falta agora quererem cobrar hora-extra ou insalubridade pelas horas de helicóptero que voaram. Espero que a OAB tenha exito na sua iniciativa e que o Supremo Tribunal Federal acabe com a farra de nove estados que aprovaram as chamadas "aposentadorias vitalícias".

PS - só para esclarecer: fui duas vezes vereador em Florianópolis e Deputado Federal. Durante meus mandatos sempre devolvi verba de gabinete, passagens aéreas e remuneração de convocação extraordinária. Não requeri e, portanto, não recebo qualquer tipo de aposentadoria pela atividade parlamentar que tive. Ninguém é obrigado a receber o que acha imoral. Basta devolver.

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Tunísia: chega de corrupção

As manifestações que tomaram conta das ruas da Tunísia nos últimos dias podem ser vistas como um recado ao mundo árabe. Analistas políticos, inicialmente, achavam que os protestos foram fruto do desgaste de 23 anos no poder do ditador Zine el Abidine. Durante essa semana foi possível ver pelo noticiário que o ditador fugiu porque a reação dos tunisianos ia muito além do seu desgaste pessoal. Além do cansaço com a ditadura, da corrupção endêmica em quase todos os setores do governo foi determinante também a falta de esperança dos jovens em relação ao futuro. Com tantas informações comecei a conhecer melhor a Tunísia e as causas da revolta popular que aflorou num país considerado exemplo no mundo árabe. Embora com bons indicadores sociais, comparado com países vizinhos (IDH - 80 no ranking mundial, logo abaixo do Brasil), o sentimento de que os números favoráveis não se refletiam no dia a dia da população foi determinante para o povo tomar conta das ruas, comenta Samy Adghirni.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Liberdade de expressão

Cheguei de São Paulo, depois de muito trabalho, cansado. Não pretendia escrever. Comecei a ler os jornais do dia. No caderno de Cultura do DC a entrevista com Petra Reski, autora do badalado livro "Máfia - Padrinhos, Pizzaria e Falsos Padres", me fez deixar a preguiça de lado e registrar mais uma agressão a liberdade de expressão. Olhem o que aconteceu com ela, agora, por escrever sobre a Máfia: Obviamente os chefões mafiosos não gostam de jornalistas que descrevem seus negócios. Ou suas relações políticas. Eles não se importam nenhum pouco se se escreve sobre crime e sangue, pois isso reforça o mito da violência que envolve a Máfia. Como descrevi seus negócios, fui processada na Alemanha, e eles conseguiram que trechos do meu livro fossem encobertos com tarja negra a fim de proteger a "privacidade" de certos "comerciantes" italianos estabelecidos na Alemanha.

quinta-feira, janeiro 20, 2011

De volta ao Chile

Embora já tenha falado ontem sobre os violentos protestos no Chile ainda quero destacar um pouco mais o que está ocorrendo lá. As manifestações não tem nada a ver com a índole do povo chileno. As reações, que a todos surpreenderam, são fruto da insegurança e da incerteza em relação ao futuro de algo vital para todos nós: a energia. O Chile, embora sendo um dos países mais desenvolvidos da América Latina é dependente de petróleo e gás. E a dependência de um energético é fatal. Os chilenos sofrem com isso. A Argentina já cortou diversas vezes o fornecimento de gás para o Chile pondo em cheque a soberania do país. É uma ameaça constante. Embora nada justifique os constrangimentos por que passaram os turistas que visitam o sul do Chile, o aumento do preço e o risco do desabastecimento de energia é real e provocou a onda de protestos. Por isso que devemos estar sempre com "as barbas de molho" quando o assunto é energia, nos lembra o professor Carlos Lessa em recente artigo publicado no jornal Valor. Segundo ele: "a mão de Deus nos deu o pré-sal e uma capacidade tecnológica nacional que dominou a técnica de prospecção em águas profundas e abaixo de uma capa de muitos quilômetros de sal. As perfurações já feitas dobraram as reservas de petróleo brasileiro. É plausível encontrar muito mais petróleo pois a formação geológica submarina se estende de Espírito Santo até Santa Catarina". Nem por essa nossa condição, única no mundo, devemos nos descuidar. Proteger nossas reservas naturais, potencializar nossas pesquisas e desenvolver novas tecnologias energéticas é estratégico para um país que quer preservar sua soberania.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

O Chile, quem diria.

Considerado como modelo na América Latina, o Chile do recem empossado Sebastián Piñera, surpreendeu a todos com os violentos protestos na região de Puerto Natales, no sul do país. Turistas de todas as parte ficaram impedidos de retornar sofrendo constrangimentos, passando fome e sede. Entre eles duas catarinenses de Joinville que conseguiram, como num filme de James Bond, sair do país atravessando a fronteira com a Argentina escondidas num carro de um pescador. Foram 5 horas de estrada numa tensa viagem. Só se sentiram seguras quando chegaram a El Calafate, às 4 horas da manhã. Passado o susto vão ter muita historia para contar em sua cidade natal. Agora, o que chama a atenção é tudo isso ter acontecido no Chile conhecido por sua tradicional hospitalidade. A causa da revolta é o principal motivo desse comentário. Como um povo pacato e acolhedor reage de forma tão irracional diante o anúncio do aumento do gás? Mesmo sendo o gás natural um produto fundamental para combater o frio naquela região, a reação surpreendeu o governo chileno e ganhou destaque na imprensa internacional. Gás e petróleo são recursos naturais que logo se esgotarão. Historicamente são subsidiados, no Chile e em outros países vizinhos. O subsídio é a pior das políticas: incentiva o consumo, reduz as reservas e ameaça o abastecimento. Essa, portanto, foi apenas uma de muitas outras manifestações que virão. Não há petróleo e gás para segurar a atual demanda mundial. Vivemos na sociedade do desperdício e o tempo da descoberta de novas tecnologias corre contra nós. Estudos mostram que a demanda mundial por energia primária vai subir 50% até 2035. Se no Chile já falta gás hoje imaginem nesse horizonte. Urbanismo, energia, meio ambiente e tecnologia são palavras chaves para esse século. Se não estivermos convencidos disso, os recursos naturais se esgotarão, a mobilidade urbana e a vida nas cidades se tornarão cada vez mais difíceis. Está mais do que na hora de implantarmos um novo modelo de desenvolvimento. Sustentável, limpo e renovável. Por uma feliz coincidência é no Chile que estão as melhores condições de insolação. Quem sabe o governo chileno depois dessa pressão não busque no sol a energia que necessita para o seu desenvolvimento.

terça-feira, janeiro 18, 2011

Tostão x Ronaldinho

Não gosto de escrever sobre futebol. Raramente faço isso. Futebol é pura emoção. Vejam o "caso Ronaldinho". Na saída do Grêmio deixou o time chupando dedo. Na anunciada volta, um novo drible. Enquanto a torcida aguardava sua chegada no Olímpico, Ronaldinho assinava com o Flamengo. Por coincidência estava em Porto Alegre nesses dias decisivos do "caso Ronaldinho", tratando dos "Estádios Solares" com gremistas e colorados bem informados. Segundo eles, até a entrevista no Copacabana Palace, estava tudo certo de que Ronaldinho ia voltar para o Grêmio. Depois da patética participação de seu irmão Assis na coletiva, caiu a ficha dos eufóricos torcedores gremistas. Era tudo uma farsa.
Vejam o que Tostão, um profundo conhecedor dos bastidores do futebol, escreveu na sua coluna de domingo:
"Desde a Copa de 2006, Ronaldinho é um jogador de dois passes excepcionais e um ou outro drible espetacular, sem sair do lugar. Para os grandes times da Europa, é muito pouco.Desistiram dele..... Aqui investidores, marqueteiros e cartolas fingem que contrataram o melhor jogador do mundo....... Ronaldinho parece uma mercadoria, um boneco guiado por controle remoto, que sorri e fala sempre a mesma coisa e com a mesma cara"

segunda-feira, janeiro 17, 2011

A tragédia no Rio

Esperava retomar o blog comentando boas novas de um ano que se inicia. No entanto a tragédia no Rio me impediu. Logo me veio a lembrança a tristeza que foi registrar o ocorrido em Angra dos Reis na virada do ano passado. Agora, numa escala maior, tudo de novo. A lama volta a descer dos morros matando centenas de pessoas. O número de mortos já passa dos seiscentos. Com indignação faço o registro: mortes anunciadas, como outras que virão! Assim como Angra, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo são cidades antigas e importantes polos turísticos. Não estamos falando de um pequeno vilarejo que se criou à revelia do poder público na beira de um córrego. E o que mais nos revolta é que estudos de 2008 já apontavam os riscos na região. Até quando vamos conviver com isso. Pelo jeito até a próxima trajédia.

sábado, janeiro 15, 2011

DILMA, um bom começo.

Em apenas duas semanas de governo já deu para ver que um novo estilo se estabeleceu no Planalto. Dilma fala quando necessário, exige dos seus ministros compromisso com o horário e se fez presente na tragédia do Rio. Lá, inclusive, teve o cuidado de aguardar a chegada do governador Sérgio Cabral que estava fora do país. Deixou claro para o PMDB que não aceita a "faca no pescoço". Sinto que teve que engolir alguns ministros. Não sei se por muito tempo. A presidente Dilma não é de passar a mão na cabeça de despreparados e "descuidados". Quem viver verá!

Flávio Tavares, jornalista e escritor gaúcho, conhece Dilma muito bem. Aproveito seus recentes comentários, logo após a posse, sobre o grande desafio que vai ter de conviver com ministros indicados pelas pressões que permeiam a nossa conhecida má prática politica (ZH, 2/1/2011):

" Engana-se, porém, quem pensa que Dilma venha ser na Presidência da República apenas um boneco de ventríloquo que fale e aja pela boca e mãos do mago maior...... Dilma foi sempre protagonista, mas criativa e com visão própria. Mocinha ainda, na luta armada contra a ditadura forjou seu primeiro ato político concreto..... Vindo da esquerda, conviveu com a direita e, ao final dos oito anos de Lula da Silva, era das poucas figuras no governo em condições de disputar uma eleição sem a pecha de escândalos."

"