terça-feira, maio 31, 2011
Depois da Espanha a França
Domingo milhares de franceses se reuniram na praça da Bastilha em Paris. Lugar de história e de grandes concentrações foi palco de protestos por reformas políticas. A onda que começou na África, passou pela Espanha chegou agora na França. Novamente o instrumento de mobilização foi por meio das redes sociais da internet. A motivação é sempre a mesma: protestar contra o desemprego, crise econômica e falta de perspectiva. O foco dos protestos são lideranças políticas que não lideram mais. É o desencanto acumulado por falsas promessas que desaparecem no ar após cada eleição. São Paulo, a maior cidade da América Latina, passa por um acelerado processo de frustação gerencial. O prefeito tomado pela idéia fixa de criar um partido deixou a agenda política tomar conta da agenda administrativa e a cidade vem perdendo qualidade e oportunidades. Ricardo Young reforça em artigo na FSP que, paradoxalmente, foi exatamente depois do seu mandato tampão que Kassab, eleito, passou a perder popularidade e colher derrotas. Qualquer hora os paulistanos, como os franceses e os espanhóis, também vão encontrar na internet o instrumento para protestar contra as promessas não cumpridas.
segunda-feira, maio 30, 2011
As consequências de Fukushima
Embora ainda cedo para afirmar, o acidente nuclear no Japão deixou muito governo falando sozinho. Na Alemanha, por exemplo, berço da indústria nuclear, onde 22% da energia produzida vem da fonte atômica, o governo de Angela Merkel muda a orientação e anuncia o abandono das usinas nucleares até 2022. A Alemanha depois da França é o país com maior número de usinas atômicas em operação - 17. É um plano audacioso mas necessário. A sociedade vem cobrando do governo mais investimento em energias renováveis e pressionando o governo na desativação de seus reatores atômicos. Preocupada com as eleições a chanceler vem sinalizando pela desativação das usinas nucleares.
No Brasil, onde não se domina a tecnologia nuclear, onde não se precisa dela, onde os recursos naturais são quase que inesgotáveis, onde pouco se explorou de energia eólica e nada se fez em relação a energia solar - ainda tem gente defendendo usinas nucleares no nordeste!
PS - voce sabia que uma pequena área de 30 km por 30 km, menos do que se desmata por ano no Brasil, se fosse coberta por placas fotovoltaicas a energia solar produzida seria suficiente para atender toda a demanda de energia elétrica do Brasil. Pense nisso?
No Brasil, onde não se domina a tecnologia nuclear, onde não se precisa dela, onde os recursos naturais são quase que inesgotáveis, onde pouco se explorou de energia eólica e nada se fez em relação a energia solar - ainda tem gente defendendo usinas nucleares no nordeste!
PS - voce sabia que uma pequena área de 30 km por 30 km, menos do que se desmata por ano no Brasil, se fosse coberta por placas fotovoltaicas a energia solar produzida seria suficiente para atender toda a demanda de energia elétrica do Brasil. Pense nisso?
sábado, maio 28, 2011
Ainda sobre o novo Código Florestal
Perguntas que não querem calar:
a) o que vai apresentar o Brasil de compromisso com o meio ambiente após a aprovação do novo Código Florestal?
b) qual vai ser a posição do governo brasileiro na Conferência da ONU RIO + 20, marcada o ano que vem no Rio de Janeiro?
c) diante do novo Código qual vai ser a posição do governo em relação aos compromissos internacionais firmados pelo Brasil nas áreas da biodiversidade, reconhecido por todos como uma grande vitória obtida na mesa de negociações por parte do nosso governo?
d) qual o exemplo que fica para a sociedade anistiar quem ocupou áreas de preservação, devastou nossas reservas naturais e derrubou nossas matas?
a) o que vai apresentar o Brasil de compromisso com o meio ambiente após a aprovação do novo Código Florestal?
b) qual vai ser a posição do governo brasileiro na Conferência da ONU RIO + 20, marcada o ano que vem no Rio de Janeiro?
c) diante do novo Código qual vai ser a posição do governo em relação aos compromissos internacionais firmados pelo Brasil nas áreas da biodiversidade, reconhecido por todos como uma grande vitória obtida na mesa de negociações por parte do nosso governo?
d) qual o exemplo que fica para a sociedade anistiar quem ocupou áreas de preservação, devastou nossas reservas naturais e derrubou nossas matas?
sexta-feira, maio 27, 2011
Carros elétricos x baterias
Que o carro elétrico é uma realidade, isso não se discute mais. O desafio agora é encontrar a bateria perfeita. A corrida é pela tecnologia de armazenar a energia a custo baixo e com eficiência. A Nissan que se prepara para lançar seu primeiro carro elétrico mundial, o Leaf, em 2012, já achou a forma para não precisar ficar esperando a bateria do futuro. Pretende vender os carros sem a bateria. Assim conforme a tecnologia vai avançando o proprietário passaria a usar essa nova bateria. A venda em separado da bateria - e um processo simples de troca, já incluído no projeto do carro, dá ao proprietário a condição de poder ter sempre a bateria mais atual no seu carro. A idéia da Nissan, se der certo, pode revolucionar o mercado do carro elétrico.
quinta-feira, maio 26, 2011
As aposentadorias da Assembléia
Foi na última sexta-feira que os catarinenses tomaram conhecimento do escândalo envolvendo as aposentadorias na Assembléia Legislativa. O valor pago e a forma como obtiveram o benefício causa indignação. Tem aposentado recebendo R$ 35 mil. Além dos valores pagos chama também a atenção a quantidade de aposentadorias concedidas por invalidez permanente. Quase metade dos aposentados da Assembléia se aposentaram dessa forma. Em nenhum lugar do Brasil se tem conhecimento de tanta gente se aposentando por invalidez permanente. Estão todos sob suspeita. Quem concedeu, quem se beneficiou e quem vem pagando. A sociedade espera a apuração rigorosa dos fatos e se comprovada a fraude que os envolvidos sejam devidamente identificados e punidos.
quarta-feira, maio 25, 2011
Código Florestal: puxaram o tapete da Dilma!
Resolvi escrever ontem, antes da Sessão na Câmara, sobre as dificuldades da presidente Dilma na votação do Código Florestal. Tinha certeza que a "base aliada" ía puxar o tapete. Só não sabia que seriam tantas mãos: 410 votos a favor! Até deputados do PT votaram pela flexibilização da legislação ambiental. Depois, não satisfeitos com o que fizeram com o Brasil, veio a facada final: por 273 votos aprovaram a anistia aos desmatadores. Mesmo o apelo que a presidente fêz, de não ter vinculada sua imagem ao desmatamento, foi considerado. Uma vergonha, a "base aliada" deixou a presidente literalmente no pincel. O que chamou a atenção foi o fato do próprio líder do PT, o deputado Paulo Teixeira, ter encaminhado a favor do relatório de Aldo Rebelo, duramente criticado por oito ex-ministros do Meio Ambiente. Cabe agora ao governo se articular e tentar reverter no Senado esse desatino. Enquanto isso as motosseras continuam roncando, as árvores caindo e as nossas florestas desaparecendo. Tudo isso em pleno Século XXI, num país que no ano que vem será sede da Conferência RIO mais 20.
Código Florestal e a base "aliada"
A presidente Dilma tem ampla maioria no Congresso. Deveria estar segura em relação a votação do Código Florestal. No entanto, a chamada base "aliada" dá sinais que não vai acompanhar a orientação do governo. Escrevo antes da votação (se é que vai haver), e espero estar enganado. O debate começou torto e o relator do projeto, Aldo Rebelo, se encarregou de entortá-lo ainda mais. Não falta terra para plantar e nem ninguém deixou o campo por restrições ambientais. A preservação faz parte de uma nova visão de agricultura sustentável que o atrazo, o conservadorismo e a desinformação não permitiram que fosse incorporado no debate do novo Código. Temas como plantio direto, inclusão do sistema lavoura-pecuária-floresta, com novas tecnologias, combatem o aquecimento global e a liberação de carbono no ar.
terça-feira, maio 24, 2011
Dilma e o Código Florestal
Conforme o andar do mandato vai se percebendo as diferenças entre Lula e Dilma. Em Lula parecia que nada colava. O presidente, criado em assembléias de porta de fábrica, sabia como ninguém se livrar dos incômodos. Já Dilma tem mais dificuldade para se desvencilhar dos "micos". Vide o episódio Palocci. Independente do desfecho Palocci vai sair bem menor do que entrou, o que para a presidente Dilma é muito ruim. Outro "mico" que está batendo na sua porta é o famigerado Código Florestal. Contrariada com o texto do relator, o deputado Aldo Rebelo, da base aliada, Dilma tem dito para os mais próximos que não quer ter seu nome associado ao desmatamento. Os últimos dados do que ocorreu no Mato Grosso são desabonadores à qualquer dirigente. E Dilma sabe disso. Segundo o que apurou o jornal Valor, a presidente disposta a enfrentar a maioria que se estabeleceu no Congresso pró- Código, resolveu defender quatro pontos fundamentais: impedir a anistia aos que promovem derrubadas de mata ilegais, compensar matas ciliares em beira dos rios, manter as áreas de reserva legal e dar prioridade à agricultura familiar. Estamos acompanhando e torcendo para que a aprovação do novo Código contemple as preocupações da presidente Dilma Rousseff.
segunda-feira, maio 23, 2011
Eleições na Espanha
O resultado eleitoral de ontem na Espanha não me surpreendeu. Os jovens tomando conta das praças, milhares de manifestantes nas ruas, o governo proibindo e o povo descumprindo, são sinais dos novos tempos. São os ventos da África chegando na Europa. São reflexos de uma sociedade cansada da política e dos políticos que se organiza espontaneamente utilizando-se dos intrumentos de comunicação virtual. Essa é a novidade. A exemplo do que vem ocorrendo na África, agora foi a vez da Espanha. Quem se benficiou dessas mobilizações foi o Partido Popular, de centro-direita, que impôs uma grande derrota aos socialistas de José Luis Zapatero. Por trás do resultado eleitoral: desemprego e falta de perspectiva. Atualmente a Espanha lidera o ranking do desemprego na Europa: mais de 20%!
No ano passado, quando estive lá, já eram visíveis as dificuldades econômicas do país. A economia espanhola baseada no turismo e na construção cívil dava sinais de esgotamento. O "boom" imobiliário fez com que o preço dos imóveis se tornassem proibitivos. A "bolha" se formou, sem compradores, o desemprego aumentou.
No ano passado, quando estive lá, já eram visíveis as dificuldades econômicas do país. A economia espanhola baseada no turismo e na construção cívil dava sinais de esgotamento. O "boom" imobiliário fez com que o preço dos imóveis se tornassem proibitivos. A "bolha" se formou, sem compradores, o desemprego aumentou.
quinta-feira, maio 19, 2011
Etanol e aeroportos: o que fazer?
A nova safra de cana de açucar chegou. Os preços na bomba vão cair. Os flex vão continuar sendo vendidos. A demanda por etanol continuará crescendo. O preço do açucar no mercado internacional vai continuar determinando a produção do etanol (lei da oferta e procura). As áreas para expandir a produção estão cada vez mais caras e distantes. Boa parte das nossas usinas foram vendidas para grandes grupos estrangeiros. Diante desse quadro, assegurar o preço e proteger os consumidores, só mesmo com políticas públicas para o setor. E quanto aos aeroportos, a situação não é diferente. A incomodação dos usuários que utilizam nossos aeroportos se assemelha a impotência dos proprietários dos carros flex diante dos preços crescentes nas bombas. Sem a devida expansão nas instalações, nossos aeroportos não conseguem atender o crescimento do mercado. Assim como falamos do etanol e aeroportos, coisas aparentemente distintas, poderíamos falar de estradas e saúde. O que queremos é mostrar que esse novo Brasil, no campo e nas cidades, começa a exigir respostas para atender as demandas próprias do seu crescimento.
AEROPORTOS
Na última quarta-feira desembarquei no Hercílio Luz com chuva. Se o nosso aeroporto já é precário com sol imaginem com chuva. Não sei quanto tempo ainda vamos conviver com esse descaso. A "Capital Turística do Mercosul" em termos de infraestrutura é uma fraude. Ao contrário daqui, Montevideu, que não tem a pretensão de ser capital de coisa alguma, recebe seus visitantes e oferece a seus moradores um dos mais belos aeroportos do mundo. Moderno e funcional
o Aeroporto de Carrasco chama a atenção pelo seu design arrojado e clean. Vale a pena descer lá: tanto com chuva como com sol. Nas fotos que tirei, externa e interna, dá para dar uma idéia da distância que separa o Hercílio Luz do Aeroporto de Carrasco.
FATOS e FOTOS da semana
Dia 16, na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, o Instituto IDEAL organizou um seminário sobre as perspectivas da energia solar no Brasil. Assim como aconteceu em Berlim, dia 3, foi grande o interesse do empresariado brasileiro no assunto. Três projetos de grande visibilidade foram apresentados: a cobertura do Edifício Sede da Eletrosul; o Mineirão em Belo Horizonte e a Usina Solar de Tauá de Eike Batista, no Ceará(fotos do auditório e Mauro e Ricardo do Instituto IDEAL)
Dia 17, em Maldonado, no Uruguai, visitamos a usina de aproveitamento de biogás do aterro sanitário da Província. Funcionando desde 2007 a usina além de resolver um problema ambiental, pois recebe o lixo de vários municípios, também produz energia. A energia é toda ela entregue e distribuida pela UTE (a Eletrobras do Uruguai). Uma bela experiência que deverá ser aplicada em larga escala no Brasil com a recente aprovação da Política Nacional dos Resíduos Sólidos.
Dia 17 também foi o lançamento do Concurso Mercosul de Monografias sobre Energias Renováveis e Eficiência Energética no Uruguai. Assim como tínhamos feito na UFSC dia 5 de abril fizemos o mesmo na Universidade católica do Uruguai.
quarta-feira, maio 18, 2011
Encerrada a "maratona uruguaia"
Depois de Maldonado e da EUROLAT, a noite de terça-feira foi reservada para o lançamento do Concurso Mercosul na Universidade Católica do Uruguai. O evento bem organizado pelos professores Oscar, Daniel e Camilo nos possibilitou apresentar o projeto e conversar com a academia. Saí de lá com a certeza de que teremos boas monografias, tanto na graduação como na pós-graduação. Pela manhã, encerrando a "maratona uruguaia", participei do café da manhã com o Ministro da Indústria, Roberto Kreimerman, que recebeu uma comitiva de empresários alemães da região da Bavária interessados em investir no Uruguai. Durante sua apresentação o ministro ao abordar o tema das energias limpas no Uruguai, foi enfático: "investir em energias renováveis como eólica e solar é uma necessidade e um compromisso ético com a humanidade". O Uruguai que depende do petróleo importado para atender suas necessidades de energia está determinado em incentivar a presença de fontes alternativas na sua matriz energética.
terça-feira, maio 17, 2011
De Maldonado, boas novas!
Maldonado é o estado que mais cresce no Uruguai. O turismo e a constução civil vem dando suporte a esse crescimento. Nossa programação foi cumprida no pouco tempo que tínhamos. De manhã cedo, junto com Hector e Alicia do Cefir, visitamos a usina de energia movida pelo gás produzido pelo aterro sanitário que recebe o lixo coletado em toda a Província. Já funciona a cinco anos. É um bom exemplo para aplicarmos em cidades brasileiras. Depois tivemos uma reunião com o intendente (o governador). Na pauta um velho sonho: solarizar Punta del Este. A idéia foi bem recebida. Mas ainda precisamos trabalhar muito para realizá-la. Foi o primeiro passo. No meio da tarde voltamos para Montevideu par participar da EUROLAT e a noite do lançamento do Concurso Mercosul na Universidade Católica. Na minha volta informo mais.
domingo, maio 15, 2011
Energias renováveis: cresce o debate
Depois do ocorrido no Japão com a usina nuclear de Fukushima crescem as oportunidades para as energias renováveis. Falta tempo para atender tanto seminário. Na quinta e sexta-feira estive participando do ERACS 2011, na PUC, em Porto Alegre. Fazia um bom tempo que não ia até a PUC. Fiquei impressionado como cresceu. O Campus, arborizado, com praças e jardins bem cuidados, é um lugar muito agradável. O Centro de Eventos e o Museu são referências em Porto Alegre. Minha participação no seminário foi no Painel Mitigação dos Efeitos das Mudanças Climáticas: Programas e Projetos Nacionais e dos Países do Cone Sul. Dividi a Mesa com: José Domingos Gonzalez Miguez, Secretário Executivo da Comissão Interministerial de Mudanças Global do Clima e o professor Roberto Kozulj, da Fundación Bariloche, da Argentina.
Hoje a noite sigo para o Rio de Janeiro onde amanhã, no BNDES, o Instituto IDEAL promove um encontro com empresários brasileiros, semelhante ao que organizamos na Embaixada do Brasil na Alemanha. Na pauta os projetos solares que estão para serem licitados ainda esse ano no Brasil. De lá sigo para Montevideu onde vamos apresentar o Concurso Mercosul sobre energias renováveis na EUROLAT- Assembléia dos países da América Latina e Europa de língua portuguesa e espanhola. Dentro da programação também está previsto o lançamento do Concurso na Universidade Católica do Uruguai.
Hoje a noite sigo para o Rio de Janeiro onde amanhã, no BNDES, o Instituto IDEAL promove um encontro com empresários brasileiros, semelhante ao que organizamos na Embaixada do Brasil na Alemanha. Na pauta os projetos solares que estão para serem licitados ainda esse ano no Brasil. De lá sigo para Montevideu onde vamos apresentar o Concurso Mercosul sobre energias renováveis na EUROLAT- Assembléia dos países da América Latina e Europa de língua portuguesa e espanhola. Dentro da programação também está previsto o lançamento do Concurso na Universidade Católica do Uruguai.
quarta-feira, maio 11, 2011
Geladeira solar
Quem diria: conheci ontem na USP uma geladeira solar. E não é que faz gelo. Vai para a Amazônia dar um pouco de conforto aos que vivem nas comunidades isoladas sem acesso a energia. Projetos como esse podem se multiplicar através do Fundo Amazônia - recursos do exterior destinados a projetos sustentáveis naquela região.
Durante a reunião tivemos a prazerosa visita do professor José Goldemberg. Com 82 anos e muita disposição passa todas as tardes na Universidade. Renomado físico e profundo conhecedor do uso da energia nuclear, Goldemberg comentou que o ocorrido no Japão deve acelerar a entrada das energias renováveis no mundo. Comentou a decisão do governo japonês de suspender oito projetos que estavam para ser implantados e também a surpreendente posição da França de propor um limite operacional para as atuais plantas em operação. Tanto a França como o Japão são países que convivem com uma forte presença de usinas atômicas na matriz energética de seus paises.
Durante a reunião tivemos a prazerosa visita do professor José Goldemberg. Com 82 anos e muita disposição passa todas as tardes na Universidade. Renomado físico e profundo conhecedor do uso da energia nuclear, Goldemberg comentou que o ocorrido no Japão deve acelerar a entrada das energias renováveis no mundo. Comentou a decisão do governo japonês de suspender oito projetos que estavam para ser implantados e também a surpreendente posição da França de propor um limite operacional para as atuais plantas em operação. Tanto a França como o Japão são países que convivem com uma forte presença de usinas atômicas na matriz energética de seus paises.
terça-feira, maio 10, 2011
Código Florestal: ameaça a vista
Cerca de 600 km separam Paris de Grenoble. Mais ou menos a mesma distância separa Berlim de Frankfurt. Por necessidade de trabalho precisei fazer os dois trajetos. Minha opção foi por terra: trem e carro. As áreas da França e da Alemanha são equivalentes a dos estados do Rio Grande do Sul mais Santa Catarina. No entanto, a população de cada um é cerca de 7 vezes maior do que gauchos e catarinenses somados. Feita essas observações iniciais pode-se constatar que eles precisam muito mais de terra do que nós. Se formos considerar o inverno rigoroso, áreas desapropriadas para auto-estradas e inúmeras ferrovias, a necessidade de terra para produção de alimento é ainda muito maior. No entanto o que observei por onde andei, são áreas plantadas envolvidas por áreas reflorestadas. As nascentes dos rios totalmente preservadas. O famoso Sena, por exemplo, não passa de um pequeno fio d'agua que nasce nas proximidades Dijon. Ao longo dos 200 km que separam a nascente de Paris, o que se vê é mata ciliar protegendo suas margens, possibilitando sua condição de navegalidade. Escrevo sobre o que vi na distante Europa, onde o cultivo da terra se mistura com preservação ambiental, no dia que se anuncia a votação do Código Florestal no Congresso, justamente para alertar sobre o risco que corremos de ver aprovada uma legislação bem menos restritiva.
Conheço os interesses que estão em jogo e sei da capacidade e poder de articulação que tem junto a Câmara e ao Senado. Vão tentar flexibilizar ao máximo a legislação ambiental alegando a necessidade de se aumentar as áreas plantadas. Vão querer retirar a obrigatoriedade dos proprietários rurais recomporem as áreas de reserva legal. Vão propor a anistia dos que desmataram ilegalmente.
No momento em que tanto se fala da necessidade de estimular o homem do campo a permanecer na atividade rural, de agregar valor as pequenas propriedades, a hora é de se propor e de se implementar medidas práticas nessa direção. Remunerar quem mantêm "mato em pé", por exemplo, pode ser uma boa iniciativa. Precisamos nos acostumar com a idéia de quantificar e remunerar a proteção do meio ambiente e da biodiversidade. Exercitar e projetar essa nova possibilidade de renda no campo é o que deve ser incorporado pelo novo Código Florestal. Cabe aos congressistas terem essa percepção.
Conheço os interesses que estão em jogo e sei da capacidade e poder de articulação que tem junto a Câmara e ao Senado. Vão tentar flexibilizar ao máximo a legislação ambiental alegando a necessidade de se aumentar as áreas plantadas. Vão querer retirar a obrigatoriedade dos proprietários rurais recomporem as áreas de reserva legal. Vão propor a anistia dos que desmataram ilegalmente.
No momento em que tanto se fala da necessidade de estimular o homem do campo a permanecer na atividade rural, de agregar valor as pequenas propriedades, a hora é de se propor e de se implementar medidas práticas nessa direção. Remunerar quem mantêm "mato em pé", por exemplo, pode ser uma boa iniciativa. Precisamos nos acostumar com a idéia de quantificar e remunerar a proteção do meio ambiente e da biodiversidade. Exercitar e projetar essa nova possibilidade de renda no campo é o que deve ser incorporado pelo novo Código Florestal. Cabe aos congressistas terem essa percepção.
segunda-feira, maio 09, 2011
Apresentação em Berlim
Na foto ao lado, da esquerda para direita: o senhor Klein representado o Ministério do Meio Ambiente; eu pelo Instituto IDEAL; o Ministro Roberto Collin, representando a Embaixada do Brasil e o presidente da Eletrosul
Eurides Mescolotto.
domingo, maio 08, 2011
De volta a terra
Para muitos o melhor da viagem é a volta. Chegar em casa é muito bom. No entanto, o bom humor acaba ao passar por São Paulo. Cinco da manhã e as filas de entrada fazem voltas por um saguão apertado, totalmente impróprio para acolher brasileiros e estrangeiros que chegam do exterior. Um caos. As pessoas, como não tinham o que fazer, fotografavam e enviavam mensagens anunciando o que nos espera se as obras de infraestrutura não ficarem prontas até a Copa. Realmente o que vivenciei em Guarulhos nos desabona. O risco que corremos de pagar "um mico" durante a Copa é real.
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