quinta-feira, junho 30, 2011

PÃO DE AÇUCAR + CARREFOUR = BNDES

A polêmica "fusão" entre dois mega supermercadistas anunciada essa semana, Pão de Açucar e Carrefour, está dando o que falar. As explicações sobre a operação aumentaram ainda mais a especulação em relação ao negócio. Alegar que isso vai possibilitar uma maior distribuição de produtos brasileiros nas gôndolas de um mundo cada vez mais globalizado cheira piada. Todos sabemos que é o câmbio quem resolve isso. O sócio do Pão de Açucar, coincidentemente um grupo francês, o Casino, já está com advogado constituído e nota em jornal chamando o ocorrido em "golpe de Estado". A briga, já deu para ver que é de "cachorro grande". Na internet os internautas estão se posicionando: 14% a favor, 71% contra e 15% acham o negócio muito esquisito. Está na hora de botar a "barba de molho". Povo é sábio. Os 86% dos contrários devem achar que o dinheiro do BNDES é para outras coisas. Criar emprego, desenvolver tecnlogia, fortalecer o setor produtivo. A se dispor a investir R$3,9 bilhões nesse negócio, concentrando ainda mais o mercado de varejistas, o banco está indo contra a competição salutar, que reduz preços e benefícia os consumidores.

PS - como curiosidade: o Grupo Casino sócio do Pão de Açucar é também dono dos supermercados Devoto, o melhor do Uruguai. Lá a chamada "linha branca" é dominada por produtos chineses. E nós, hem seu Abílio?

quarta-feira, junho 29, 2011

Suicídio da agricultura

Normalmente as pessoas ficam famosas por suas atitudes, pelo que falam ou pelo que pensam. Por outro lado, o inverso também acontece. Rubens Ricupero é um caso desses: ficou famoso por ter falado o que não devia. Quem não se lembra de seus comentários, ao vivo na TV, em cadeia nacional: "o que é ruim a gente esconde o que é bom a gente divulga". Como homem público, na época Ministro de Estado, Ricupero não aguentou as pressões e logo se afastou. Passados os anos percebe-se que Ricupero foi sincero, só não contava que estava no ar sendo assistido por milhões de brasileiros. Levou azar.

Relembro o ocorrido com o ministro Ricupero, num passado distante, para comentar sobre sua sinceridade. Logo depois da aprovação do novo Código Florestal, por 408 votos dos nossos ilustres representantes na Câmara, o ex-ministro escreve sob o "Suicído da agricultura". Em vez de ficar calado, como muitos fizeram, Ricupero aproveita seu artigo para alertar que, de forma inexorável, a fronteira agrícola avança rumo ao coração da floresta amazônica.

Desmatar é um grave erro. A tecnologia que se tem hoje, os ganhos de produtividade no setor, os 70 milhões de hectares de pastagens degradadas (que já deviam estar sendo recuperadas), são suficientes para se expandir a produção sem devastar mais a floresta e o cerrado que restam. No entanto, na prática, o que se vê é a devastação em todos os biomas: mata atlântica, caatinga, Amazônia e cerrado.

Ricupero encerra seu artigo "Suicído da agricultura" (FSP 26/6)lembrando que a erosão e a secagem das nascentes se agravarão ainda mais com o aquecimento global. E que mais cedo ou mais tarde sentiremos as consequências. Sem compatibilização entre produção e ambiente, não há futuro para a agricultura.

terça-feira, junho 28, 2011

Integração: um processo de confiança

Recentemente comentei sobre a parceria que deveríamos buscar. Acredito firmemente que nossos parceiros naturais são nossos vizinhos. Escrevi sobre isso num artigo sob o título "Quando o BRIC vira IC". Logo depois li sobre as dificuldades que empresas brasileiras enfrentam na aproximação com países da América Latina. A matéria publicada na Folha (26/6) analisa como vão as relações de empresas brasileiras com grandes projetos nos países vizinhos. Os problemas levantados vão desde cancelamento de contratos, suspeita de favorecimento e desconfiança no relacionamento. São mega projetos na área de exploração de petróleo e gás, portos, mineração e hidrelétricas. A luz vermelha acendeu. O Brasil não pode se relacionar de"salto alto". Tem que ter cuidado para administrar as reações a sua expansão na região. Buscar a confiança e amenizar as hostilidades são iniciativas que devemos tomar. Segundo a matéria para Matias Spektor, coordenador do Centro de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, "há uma percepção de que o Brasil em ascensão vai se comportar do mesmo modo que as potências coloniais, como EUA e Espanha". A perdurar essa desconfiança corremos riscos de não nos integrarmos com os vizinhos. O caminho é investir em cooperação acadêmica, na pesquisa e no desenvolvimento tecnológico. Criar um ambiente favorável a uma integração saudável e solidária. Aliás é o que estamos fazendo no Instituto IDEAL ao propor o Concurso Mercosul em Energias Renováveis e Eficiência Energética.

segunda-feira, junho 27, 2011

PONTA DO CORAL e as redes sociais

Num intervalo de três dias duas grandes mobilizações em São Paulo: a Parada Gay e a Marcha para Jesus. Públicos bem distintos: quem participou de uma dificilmente foi na outra. Portanto, dá para se dizer que quase 5 milhões de pessoas foram as ruas se manifestar. É um número impressionante. "Representa força de organização coletiva numa sociedade com baixa capacidade de mobilização popular e muito pouco interesse pela política", nos lembra Fernando Silva em seu artigo de hoje.


Em Natal, no Rio Grande do Norte, crescentes mobilizações da sociedade civil tem exposto a prefeita Micarla de Souza e os vereadores a constrangimentos diários. No Espírito Santo, o governador Casagrande, eleito com quase 70% dos votos e com ampla maioria na Assembléia Legislativa, também tem enfrentado dificuldades diante das moblizações da sociedade através das redes sociais.

Quero com os exemplos acima mostrar que tem clima. Basta encontrar a boa causa. As facilidades que as redes sociais propagam idéias, criam bandeiras e ganham adeptos é um fenômeno de comunicação novo mas muito eficaz. Fico pensando na defesa Ponta do Coral como um movimento a se criar através das redes sociais. Tem tudo para dar certo. É uma boa causa. Está em sintonia com o Ministério Público Federal e tem simpatia por parte da sociedade. Se bem conduzido pode ser um movimento exitoso.

segunda-feira, junho 20, 2011

O sol nasceu para todos e a energia solar também

ENERGIA SOLAR I - Recente pesquisa promovida pelo Instituto IDEAL e a Cooperação Alemã para o Desenvolvimento, GIZ do Brasil, apresenta a energia solar como uma alternativa bem aceita pelos brasileiros. Dá para afirmar que tanto consumidores residenciais como industriais veem com bons olhos incorporar a energia fotovoltaica (como é chamada a geração de energia elétrica a partir do sol) nas suas instalações ou edificações.

ENERGIA SOLAR II - Entre as 100 iniciativas escolhidas pela ONU Habitat para fazer parte do Bright Green Book chamou a atenção o projeto do Centro de Pesquisa da General Electric, na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. ( o Projeto América do Sol do Instituto IDEAL, conforme já comentei, também foi selecionado para o livro)
Focado em pesquisas sobre transporte e energias renováveis a vinda de um centro de P&D deste nível para o Brasil demonstra intenção e compromisso com o desenvolvimento tecnológico nessas áreas no país.
A GE aposta na energia solar e acredita que novas tecnologias irão torná-la acessível e competitiva com qualquer outra fonte de energia. Segundo o diretor global de pesquisa da GE, Mark Little, os preços dos painéis fotovoltaicos caíram 21% este ano. Tudo indica que continuarão em queda. Já se projeta valores de R$0,23/kwh, muito abaixo da tarifa hoje praticada no Brasil.

ENERGIA SOLAR III - hoje, na sede da empresa, o Projeto MegaWatt da Eletrosul estará sendo apresentado aos interessados em participar da licitação internacional que a empresa está promovendo para solarizar o telhado e os estacionamentos do Edifício Sede em Florianópolis. Um marco na história da energia solar no Brasil. Será o primeiro prédio totalmente solarizado e servirá de modelo para novas iniciativas como essa. Para nós que iniciamos as tratativas com os diretores da Eletrosul, que acompanhamos a implantação do projeto piloto num dos estacionamentos da empresa: uma sensação muito boa!

PS - como não vou puder acompanhar durante essa semana as "movimentações solares na Eletrosul" torço para que várias empresas se apresentem e tudo dê certo. Volto na próxima segunda.

sábado, junho 18, 2011

PONTA DO CORAL

Corre pela internet um grande movimento em defesa da Ponta do Coral. Já assinamos e estamos ajudando na divulgação. A Ponta do Coral, mais uma vez, está sendo ameaçada pela especulação imobiliária. A área sofre agora a pressão da Hantei, que projetou para o local um mega empreendimento. A intenção da constutora é levantar um prédio com 60 metros de altura em plena Av. Beira Mar, já totalmente comprometida pelo intenso tráfego que recebe. Os absurdos não param aí. Para viabilizar o emprendimento estão propondo um aterro que vai incorporar 40 mil metros quadrados na área. Pior, sem qualquer amparo legal. O Ministério Público Federal, acionado, já entrou com um Inquérito Civil Público. Felizmente!

sexta-feira, junho 17, 2011

Assembléia Legislativa: o escândalo dos inválidos.

Finalmente as suspeitas aposentadorias por invalidez na Assembléia Legislativa de Santa Catarina vão ser periciadas. A Assembléia deve ser o único lugar no mundo onde 46% das aposentadorias concedidas são por invalidez permanente. Em 1982, dos 87 aposentados 75 se aposentaram por invalidez permanente: uma coincidência e tanto. Agora a Receita Federal também entrou na luta para identificar se houve fraude nas perícias médicas. Quem se aposenta por invalidez permanente fica isento de pagar o Imposto de Renda. O "escândalo dos inválidos" vem sendo acompanhado pelo Ministério Público, OAB, Tribunal de Contas, IPREV e agora a Receita Federal. A sociedade catarinense, que não pactua com fraudes e farsas, está envergonhada com os fatos noticiados e espera que os responsáveis sejam identificados e punidos. A história é antiga. Foi trazida à tona agora graças a determinação do deputado Jailson Lima e do trabalho cuidadoso do assessor da Bancada do PT, Fernando Coelho Correia. Os catarinenses agradecem.

quinta-feira, junho 16, 2011

Até quando.......

Até quando vamos precisar esperar para conhecer nossa história. A sociedade tem o direito de saber. Os papéis sigilosos já estão preservados por 50 anos (25 podendo ser renovado por mais 25 anos). É tempo suficiente para proteger eventuais informações que possam preocupar o governo. Sempre é bom lembrar que o projeto aprovado pela Câmara limitava o tempo de sigilo e tinha o apoio da presidente Dilma Rousseff. Pelo que está sendo noticiado, a mudança no encaminhamento para manter a guarda permanente dos segredos de Estado se deve a pedidos dos ex-presidentes Collor e Sarney. Confesso que estou curioso para saber o que fizeram para estarem tão preocupados com o passado. Agora, o constrangimento está criado. O PT sempre defendeu o projeto. Como vai se comportar a bancada no Senado? Vota no que sempre defendeu, ou atende o pedido de Collor e Sarney?

quarta-feira, junho 15, 2011

Ainda sobre o mundo

Entender o que se passa nesse mundo cada vez mais globalizado é uma necessidade. Comentei a pouco sobre o BRIC x IC. Ontem lí na Folha sobre a movimentação econômica nestes cinco primeiros meses de 2011. Vou só registrar para poder comentar mais tarde. A economia perdeu força em todos os continentes. Na América Latina foi onde ela menos impactou. Segundo analistas a euforia com a economia na América Latina "parece longe de terminar". A Argentina e o Peru, que cresceram muito em 2010, respectivamente 9,2% e 8,8%, devem crescer bem menos em 2011. No entanto todos os países latinos irão aumentar seu PIB e apresentarem taxas de desemprego bem abaixo da média mundial. Já o mesmo não ocorre na Europa: as grandes economias apresentam avanço fraco, e inflação e desemprego preocupam. Entre as 10 maiores economias a maior taxa de inflação ficou com a Rússia (9,6%) seguida da Índia (9,4%). Quanto ao desemprego a liderança absoluta continua com a Espanha (20,7%).

"Uma conclusão que ainda parece relativamente segura é a de que os anos de crescimento robusto- registrados mais ou menos entre 2000 e 2007- serão, por um bom tempo, caso encerrado. Consumidores americanos e europeus parecem ter percebido que viviam acima de suas possibilidades, no topo de uma montanha de dívidas". (Érica Fraga - FSP)

terça-feira, junho 14, 2011

O lobby da Fifa

Que no futebol não tem "santo", todo mundo sempre soube. Que os interesses por trás de uma competição como a Copa do Mundo são de toda a natureza - também se sabia. Também não é novidade que as regras estabelecidas pela Fifa para um país sediar a Copa dão a entidade poder absoluto sobre o evento, impondo condições muitas vezes obscuras. Mesmo assim a matéria publicada ontem pela Folha denunciando a Fifa de impor condições às sedes do Mundial, pressionando cidades a "cooperar" com seus patrocinadores, pegou muito mal.
Segundo a matéria, a Folha teve acesso a um "e-mail enviado em janeiro deste ano aos coordenadores das 12 cidades-sede e assinado por Carlos de la Corte, consultor do COL, solicitando que a chinesa Yingli seja contratada por oferecer serviços de energia alinhados com a Fifa".
Quando o Instituto IDEAL criou em 2007 o Projeto Estádios Solares foi no sentido de dar visibilidade a energia solar fotovoltaica no nosso país. A idéia foi bem acolhida e já temos confirmação de alguns estádios que incorporaram a solarização no projeto. Nunca foi nossa intenção promover facilidades, encobrir escândalos. Espero que estas obras sigam as exigências de uma licitação internacional, pautadas no preço e na qualidade, sem direcionamentos que possam vir a comprometer o processo de escolha. Afirmo, se assim procederem ganhamos todos.

segunda-feira, junho 13, 2011

Quando o BRIC vira IC

Quatro grandes países, Brasil/Rússia/Índia/China pelo tamanho de suas economias, extensão territorial e mercado interno passaram a se apresentar, num mundo cada vez mais globalizado, como decisivos nos rumos da economia e do desenvolvimento. Batizados de BRIC, primeira letra de cada um deles, caminham com suas contradições e dificuldades próprias de culturas tão distintas.

O que sei desses países me faz pensar sobre como deve ser dificil, no mundo real, unificar compromissos e interesses comerciais. No momento, a relação mais próxima que temos é com a China. Embora a agenda entre os governos se amplie há uma desconfiança no ar. No meio empresarial e na própria opinião pública crescem as preocupações em relação ao futuro dessa aproximação. A China tem se mostrado muito mais competitiva que o Brasil, tanto é verdade que seus produtos tem invadido nosso mercado. A possibilidade de uma desindustrialização no país já preocupa setores do próprio governo.

Por em risco o parque fabril brasileiro, é uma temeridade: significa fechar fábricas e perder postos de trabalho. Para recuperar a capacidade produtiva perdida, só com um grandes sacrifícios. Quase sempre são medidas duras que a sociedade não aceita. Outras vezes são medidas macroeconômicas, como taxas de juros e câmbio, que nem sempre o país tem governabilidade para adotá-las. Portanto, preservar o nosso setor produtivo é estratégico.

Já no outro lado do mundo, onde o planejamento de longo prazo é um forte instrumento de política de Estado, Índia e China (IC) se aproximam cada vez mais. Juntas possuem 40% da população do planeta. O PIB desses dois países cresce acima da média mundial. Isto significa dizer mais demanda, mais atividade econômica. Outro fator que irá naturalmente aproximá-los é a própria proximidade. A menor distância significa menos custo na movimentação dos seus produtos. Já exportar da Ásia para o Brasil exige logística complexa e uma infraestrutura que ainda não dispomos

Por isso acho que o BRIC vai virar IC. Se essa despretenciosa observação estiver certa precisamos repensar o futuro. Para mim nossos parceiros naturais são nossos vizinhos. A América Latina como um todo. Acredito que com seu imenso potencial natural está pronta para crescer. Tem água, terra e sol em abundância. Florestas que guardam a mais rica biodiversidade do planeta. É um continente novo, em condições de se desenvolver incorporando: sustentabilidade como meta, atenção ao meio ambiente como compromisso e a distribuição da riqueza como estratégia. Desse tripe saem as condições de um bem estar social, capaz de assegurar políticas de integração regional permanentes.

sexta-feira, junho 10, 2011

O valor da democracia

Toda a vez que nos desencantamos com a política e com os políticos (e não são poucas as vezes), precisamos rever as lições do passado. Ler, por exemplo, ajuda a conhecer melhor a história. Já a história nos ajuda a entender melhor o mundo. E nessa busca do conhecimento da humanidade, o Século que passou é uma extraordinária escola: duas grandes guerras, a revolução industrial, os meios de comunicação, os avanços na ciência e na tecnológia. Durante a Segunda Grande Guerra o valor da liberdade do pensamento sofreu os horrores do regime nazista. Como consequência, a humanidade passou a dar mais importância a liberdade. Prova disso é que até hoje os regimes autoritários só se mantem pela força. Lembrar o que aconteceu na Alemanha naquele período, como fez no seu belo texto Sabine Ochaba, nos ajuda a reforçar convicções e defender "o valor da democracia".


1935: Nazistas retiram a cidadania alemã de escritores e oposicionistas

Em 8 de junho de 1935, o Ministério do Interior do Reich divulgava a quarta lista com nomes de pessoas que perdiam a cidadania alemã,incluindo nomes famosos como Bertolt Brecht e Erika Mann.

A quarta lista de desnacionalizados pelo regime nazista foi divulgada
em 8 de junho de 1935. Nela constam os nomes de 41 pessoas, entre elas
personalidades como os escritores Erika Mann e Bertolt Brecht e o
jornalista Karl Höltermann. Todas foram declaradas indignas de manter
a cidadania alemã.

Em outras palavras: desde aquele 8 de junho elas não eram mais cidadãs alemãs.

A base para a retirada da cidadania de pessoas contrárias ao regime
havia sido estabelecida já meio ano após a ascensão dos nazistas ao
poder, com a Lei sobre a revogação da naturalização e a privação da
nacionalidade. A lei retirava todos os direitos políticos dos
atingidos, e a pessoa que perdia a cidadania alemã não era mais
protegida pelo Estado.

Entre as primeiras vítimas da desnacionalização promovida pelos
nazistas estavam os escritores Heinrich Mann e Kurt Tucholsky (que se
matou no exílio, na Suécia), Erich Weinert e muitos outros. Todos
foram condenados ao expatriamento. A justificativa para a lei era que
as pessoas por ela atingidas haviam faltado ao "dever de fidelidade ao
Reich e ao povo."

Na prática, a cidadania era cassada mesmo sem justificativas
concretas. No caso de políticos e escritores, bastava estar no
exterior. O patrimônio dos cassados era, naturalmente, confiscado -
uma boa oportunidade para o enriquecimento dos seguidores de Hitler.

Até 1938, os nazistas divulgaram mais de 80 listas, contendo 5 mil
nomes de expatriados. No total, a expatriação atingiu 40 mil pessoas -
um número que não inclui, entretanto, os judeus deportados pelos
nazistas. Todas puderam voltar a requerer a cidadania alemã depois da
Segunda Guerra Mundial. Atualmente, o artigo 16 da Lei Fundamental
Alemã proíbe a cassação da cidadania.

quinta-feira, junho 09, 2011

Dilma demite seu principal ministro

Durante 3 semanas o principal ministro do governo, Antonio Palocci, sangrou. A multiplicação do seu patrimônio, seu silêncio e outras "cositas mais", foram as causas da crise que paralizou o governo. Sem apoio no seu próprio partido, Palocci, isolado, não tinha mais condições de ocupar a Casa Civil. Afastado em 2006 pelo próprio presidente Lula, por causa do escândalo envolvendo a quebra do sigilo do caseiro Francenildo, Palocci agora paga o preço do "alto preço" cobrado por suas consultorias que, segundo ele, multiplicaram por 20 seu patrimônio. Sobre a ministra Gleisi Hoffmann é cedo para fazer qualquer comentário. Torço para que faça um bom trabalho.

terça-feira, junho 07, 2011

POUPAR, nem pensar!

Pesquisa recente confirma o que muitos afirmam: brasileiro não é chegado a poupar. É um problema cultural, comentam os entendidos. Li outro dia um artigo de Luiz Alberto Marinho sobre "a farra do consumo no Brasil". Consultor em marketing Marinho apresenta números que confirmam a intenção dos brasileiros continuar comprando em 2011. Segundo pesquisa da Ipsos - nada menos do que 60% dos entrevistados acham que o país vai continuar crescendo este ano. Por trás desse "otimismo coletivo", bons números. A renda média familiar nacional subiu quase 60% nos últimos cinco anos. E o que é mais importante, a renda disponível também aumentou. Na média da familia brasileira a renda disponível é de R$368,00. Esse valor é maior nas classes A e B, cerca de R$1000,00. Na classe C fica perto dos R$250,00/mês. Nas classes D e E é bem menor, R$100,00/mês. Com esse dinheiro a mais no orçamento, o brasileiro não pensa duas vezes: vai às compras!

PS- segundo o autor, renda disponível é o que sobra por mês depois que pagamos todas as contas. É o nosso superavit.

segunda-feira, junho 06, 2011

FATOS e FOTOS na Semana do Meio Ambiente

Enquanto na semana passada "nuvens de fumaça" pairavam sobre a cabeça de Palocci, distante de Brasília, no Morro da Fumaça (SC), em plena Semana do Meio Ambiente, uma cena que sempre me choca: o céu totalmente encoberto pelas nuvens de fumaça das olarias da região. As olarias, em pleno Século 21, continuam queimando lenha e contaminando as pessoas com o ar poluído que respiram.

Deixando para trás Morro da Fumaça, cujo nome fala por si, sigo por uma não menos caótica BR-101/Sul, que mesmo inacabada cobra o famigerado pedágio. Chegando no Rio Grande do Sul, duas boas surpresas: o trecho da BR 101 está todo duplicado (com túnel e tudo) e não se cobra pedágio.

A próxima parada foi Santo Antônio da Patrulha, onde na manhã de quinta-feira, na Câmara Municipal (segunda foto), Fábio Rosa (que foi diretor do Instituto IDEAL)reuniu amigos e militantes ambientais para relatar experiências e debater o futuro das energias renováveis no Brasil e no mundo. À tarde fomos todos conhecer o Centro de Aprendizagem para as Energias Renováveis e Geração Descentralizada. A "menina dos olhos" do Fábio.

No alto do morro, no meio do mato, um sonho do Fábio vira realidade. O Centro de Aprendizagem é uma bela realização. Num espaço bonito por natureza a oportunidade de se conhecer um pouco de tudo: arquitetura bioclimática, conservação de energia, materiais renováveis, instalações elétricas, instalações hidráulicas e geração com fontes renováveis ( fotos 3 e 4)








A noite sigo para o Rio de Janeiro onde na sexta-feira pela manhã, na Sede da FIRJAN, o Instituto IDEAL é um dos homenageados pela ONU- Habitat por seu projeto América do Sol. Para nós do Instituto um reconhecimento ao trabalho que estamos desenvolvendo. Estar entre os 100 melhores projetos em sustentabilidade do mundo, não é pouca coisa!




Dividir o Livro Verde do Século 21, com empresas internacionais, governos e importantes centros de pesquisa de 43 países nos coloca como referência na América Latina na promoção da energia limpa e de projetos sustentáveis para o nosso continente (fotos 5 e 6)






Na Mesa, da esquerda para direita:




Carlos Minc, Secretário do Meio Ambiente do Rio de Janeiro; Jorge Chediek, Coordenador da ONU no Brasil; Alain Grimard, Coordenador do Programa ONUHabitat; Camilo Capiberibe, Governador de Rondônia e Mário Garnero, Presidente da Brasilinvest.





























sexta-feira, junho 03, 2011

América do Sol - o reconhecimento!

A caminho do Rio para receber o Livro Verde do Século 21, onde constam os 100 melhores projetos de sustentabilidade do mundo selecionados pela ONU Habitat, a ficha caiu. Como conseguimos, me perguntei? Em tão pouco tempo, quatro anos, o projeto criado pelo Instituto IDEAL- América do Sol, é um dos 100 melhores projetos do mundo. Na lista dos selecionados, empresas internacionais, centros de pesquisa, governos e iniciativas como a nossa. Me lembro muito bem de como o projeto nasceu. Fizemos até um concurso para definir a logo do projeto. Para nós, na época, uma grande surpresa: foram mais de 400 inscrições. Agora, pensando melhor, entendo porque tanto interesse. O nome América do Sol diz muito e o projeto é a porta de entrada da energia solar no nosso continente. Além do compromisso com as energias limpas e renováveis é um projeto sustentável, visionário e futurista.

quinta-feira, junho 02, 2011

Consultas populares

Li com atenção o artigo de Marcelo Coelho sobre como a internet vem mudando comportamentos e pondo em cheque a importância da representação parlamentar. Em todos os recentes episódios que levaram o povo para a rua não se viu a presença de lideranças políticas e muito menos de partidos políticos. O eleitor tem dado sinais de que está cada vez mais distante daqueles que deveriam lhe representar. Com o descrédito no Congresso crescente, e são muitas as razões para isso, tem que se introduzir com urgência novos instrumentos que aproximem a sociedade das instituições democráticas. As consultas populares poderiam dar essa legitimidade que falta ao Congresso. Para ilustrar utilizo a polêmica votação do Código Florestal, como exemplo: com 410 deputados votando a favor, sob o ponto de vista da representatividade, pode-se dizer que 80% do povo brasileiro concordou com o que foi votado. Uma grande farsa! Por acaso alguém acredita que 80 % dos brasileiros apoiam um Código que anistia quem desmatou irregularmente? Evidente que não! Pesquisas recentes mostram o contrário. A grande maioria dos brasileiros está preocupada com a preservação do meio ambiente. Convocar um referendo, uma consulta popular sobre o Código Florestal me parece algo extremamente oportuno. Primeiro porque está provado que o que votaram não representa a vontade da maioria. Segundo porque um tema que compromete as futuras gerações precisa ouvir a população. Terceiro porque o debate que aflora durante a consulta popular é conscientizador e educativo. Quarto porque dispomos de mecanismos rápidos de consulta graças a tecnologia que criamos e consolidamos das urnas eletrônicas.

quarta-feira, junho 01, 2011

Ainda sobre o Código Florestal

Na semana seguinte a aprovação do novo Código Florestal pela Câmara, na Amazônia, o conflito agrário produziu mais quatro mortes. Coincidência, pura coincidência, comentam os poderosos que estão por trás de grileiros e pistoleiros.
Na mesma semana, em Curitiba, foi realizada a Semana Nacional da Mata Atlântica. Na abertura do encontro, Renato Cunha, um batalhador das causas ambientais, coordenador das ONG's da Mata Atlântica, em boa hora, propôs um minuto de silêncio em repúdio a aprovação do novo Código. Um minuto simbólico: pelo que estão fazendo devia ser um ano de silêncio! Estão acabando com esse patrimônio da humanidade que é a Mata Atlântica. No Brasil só restam apenas 7% de remanescentes da Floresta Atlântica. Nos últimos dois anos se perdeu o equivalente a 30 mil campos de futebol. Os estados que mais desmataram, foram: Minas Gerais (12467 hectares), Bahia (7725 hectares) e Santa Catarina (3701). Proporcionalmente a área do estado, Santa Catarina acabou ficando com o troféu "motoserra". Uma vergonha!
Fonte: CarbonoBrasil