sexta-feira, junho 10, 2011

O valor da democracia

Toda a vez que nos desencantamos com a política e com os políticos (e não são poucas as vezes), precisamos rever as lições do passado. Ler, por exemplo, ajuda a conhecer melhor a história. Já a história nos ajuda a entender melhor o mundo. E nessa busca do conhecimento da humanidade, o Século que passou é uma extraordinária escola: duas grandes guerras, a revolução industrial, os meios de comunicação, os avanços na ciência e na tecnológia. Durante a Segunda Grande Guerra o valor da liberdade do pensamento sofreu os horrores do regime nazista. Como consequência, a humanidade passou a dar mais importância a liberdade. Prova disso é que até hoje os regimes autoritários só se mantem pela força. Lembrar o que aconteceu na Alemanha naquele período, como fez no seu belo texto Sabine Ochaba, nos ajuda a reforçar convicções e defender "o valor da democracia".


1935: Nazistas retiram a cidadania alemã de escritores e oposicionistas

Em 8 de junho de 1935, o Ministério do Interior do Reich divulgava a quarta lista com nomes de pessoas que perdiam a cidadania alemã,incluindo nomes famosos como Bertolt Brecht e Erika Mann.

A quarta lista de desnacionalizados pelo regime nazista foi divulgada
em 8 de junho de 1935. Nela constam os nomes de 41 pessoas, entre elas
personalidades como os escritores Erika Mann e Bertolt Brecht e o
jornalista Karl Höltermann. Todas foram declaradas indignas de manter
a cidadania alemã.

Em outras palavras: desde aquele 8 de junho elas não eram mais cidadãs alemãs.

A base para a retirada da cidadania de pessoas contrárias ao regime
havia sido estabelecida já meio ano após a ascensão dos nazistas ao
poder, com a Lei sobre a revogação da naturalização e a privação da
nacionalidade. A lei retirava todos os direitos políticos dos
atingidos, e a pessoa que perdia a cidadania alemã não era mais
protegida pelo Estado.

Entre as primeiras vítimas da desnacionalização promovida pelos
nazistas estavam os escritores Heinrich Mann e Kurt Tucholsky (que se
matou no exílio, na Suécia), Erich Weinert e muitos outros. Todos
foram condenados ao expatriamento. A justificativa para a lei era que
as pessoas por ela atingidas haviam faltado ao "dever de fidelidade ao
Reich e ao povo."

Na prática, a cidadania era cassada mesmo sem justificativas
concretas. No caso de políticos e escritores, bastava estar no
exterior. O patrimônio dos cassados era, naturalmente, confiscado -
uma boa oportunidade para o enriquecimento dos seguidores de Hitler.

Até 1938, os nazistas divulgaram mais de 80 listas, contendo 5 mil
nomes de expatriados. No total, a expatriação atingiu 40 mil pessoas -
um número que não inclui, entretanto, os judeus deportados pelos
nazistas. Todas puderam voltar a requerer a cidadania alemã depois da
Segunda Guerra Mundial. Atualmente, o artigo 16 da Lei Fundamental
Alemã proíbe a cassação da cidadania.

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