quarta-feira, junho 29, 2011

Suicídio da agricultura

Normalmente as pessoas ficam famosas por suas atitudes, pelo que falam ou pelo que pensam. Por outro lado, o inverso também acontece. Rubens Ricupero é um caso desses: ficou famoso por ter falado o que não devia. Quem não se lembra de seus comentários, ao vivo na TV, em cadeia nacional: "o que é ruim a gente esconde o que é bom a gente divulga". Como homem público, na época Ministro de Estado, Ricupero não aguentou as pressões e logo se afastou. Passados os anos percebe-se que Ricupero foi sincero, só não contava que estava no ar sendo assistido por milhões de brasileiros. Levou azar.

Relembro o ocorrido com o ministro Ricupero, num passado distante, para comentar sobre sua sinceridade. Logo depois da aprovação do novo Código Florestal, por 408 votos dos nossos ilustres representantes na Câmara, o ex-ministro escreve sob o "Suicído da agricultura". Em vez de ficar calado, como muitos fizeram, Ricupero aproveita seu artigo para alertar que, de forma inexorável, a fronteira agrícola avança rumo ao coração da floresta amazônica.

Desmatar é um grave erro. A tecnologia que se tem hoje, os ganhos de produtividade no setor, os 70 milhões de hectares de pastagens degradadas (que já deviam estar sendo recuperadas), são suficientes para se expandir a produção sem devastar mais a floresta e o cerrado que restam. No entanto, na prática, o que se vê é a devastação em todos os biomas: mata atlântica, caatinga, Amazônia e cerrado.

Ricupero encerra seu artigo "Suicído da agricultura" (FSP 26/6)lembrando que a erosão e a secagem das nascentes se agravarão ainda mais com o aquecimento global. E que mais cedo ou mais tarde sentiremos as consequências. Sem compatibilização entre produção e ambiente, não há futuro para a agricultura.

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