segunda-feira, julho 11, 2011
Ainda sobre os nossos aeroportos
No dia em que mais uma vez o trem bala não decolou volto a comentar sobre a crise dos nossos aeroportos. No fundo, está tudo relacionado. Os aeroportos não podem ser tratados isoladamente, como um transtorno. Eles precisam ser concebidos como projetos integrados criando novas regiões de desenvolvimento. Não é o nosso caso. Estamos apenas tentando melhorar aeroportos já saturados, inseridos em áreas densamente ocupadas, com péssimas condições de acesso. Vejam, por exemplo, a opinião de um especialista, o consultor Douglas Targa, sobre o aeroporto de Viracopos, em Campinas. Sem integrar o aeroporto com um transporte de massa eficiente, o aeroporto não se viabiliza. A distância entre São Paulo e Campinas é um impeditivo para quem viaja a negócios (70% do total), sobrando para Campinas atender no máximo, a demanda de lazer. Como o trem de alta velocidade, pelo que se viu hoje, está cada vez mais distante de se tornar realidade, o impacto nas estradas da demanda projetada para Viracopos irá levar mais de 1 milhão de pessoas por ano a se deslocar de Campinas para São Paulo, na Rodovia dos Bandeirantes. Os bem sucedidos projetos de aeroportos vem de fora. Não temos nenhuma boa experiência para mostrar. Os aeroportos mais modernos do planeta são projetados com capacidade de movimentar até 30 milhões de passageiros a mais do que o necessário. Até porque não há condições de se fazer aeroportos a toda hora. Tem que se ampliar a via útil ao máximo dos novos terminais. Infelizmente, vamos investir muito e sair da Copa numa condição muito aquém da ideal.
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