Pela 15ª vez o Uruguai ganha a Copa América. Uma conquista sem reparos. Entrou na competição para ganhar e levou o cobiçado troféu. Na final despachou o Paraguai por três a zero. Cabe lembrar que o Brasil, um dos favoritos, jogou 120 minutos e não marcou nenhum gol no Paraguai (pior, não marcou nem nos quatro penaltis que cobrou). Para mim o Uruguai não foi nenhuma surpresa. Embora sendo o menor país da Copa, com 3 milhões de habitantes, o Uruguai tem raça e qualidade para ser campeão tantas vezes. Boa parte dos seus principais jogadores atuam fora e apenas dois times se destacam: o Nacional e o Penharol. No entanto, para quem conhece o Uruguai, a razão do sucesso está na seriedade com que trata o futebol. O resultado da Copa América é um prêmio ao trabalho sério do seu técnico, Oscar Tabárez. Muito do que o Uruguai apresentou em campo se deve a ele. Ele é mais do que um técnico tradicional. É um professor, com visão de futuro, que sabe a importância de planejar. Seus ensinamentos estão na rua. Basta passar pela Rambla para perceber como os uruguaios estão comprometidos e envolvidos com o futebol. São centenas de crianças devidamente uniformizadas participando de torneios bem organizados, com juiz, bola nova e torcida. É um processo permanente de formação de bons jogadores. A atenção está voltada para a base. Não foi por acaso que o jovem zagueiro da seleção uruguaia, Coates, foi eleito revelação da Copa América. Entrou na competição pronto. Não foi o caso dos nossos três jovens e talentosos atacantes: Pato, Ganso e Neimar. Desapareceram na Copa. Será que não faltou planejamento e um trabalho de preparação para apresentarem o bom futebol que todos tem ?
PS - a Rambla é a principal via de Montevideu, com quase 20 km de extensão. Ao longo dela existem dezenas de campos para as crianças praticarem o futebol.
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