terça-feira, agosto 23, 2011

Devagar e sempre

No DC de sábado Mário Pereira, sem pressa, nos levou a uma viagem no tempo. Começou citando o filósofo grego Epicuro de Samos, do período helenístico, que propunha uma vida de prazer como meio de alcançar a felicidade. Depois Mário chega até Thoreau, escritor e pensador americano, que na metade do século já criticava o consumismo e o materialismo. Largou a vida que levava na cidade e foi morar no campo. No artigo, Mário destaca uma das suas principais citações:"Um homem é rico na proporção da quantidade de coisas das quais pode abrir mão". E assim segue o texto, de forma leve e agradável, até chegar a loucura dos dias de hoje onde ter pressa é virtude e não perder tempo é uma condição de vida. Com isso estão criados dois grandes grupos: o dos estressados e o dos infartados. Mas, felizmente, nem todos pensam assim. E Mário traz para o texto, para alívio nosso, Carl Honoré, escritor escocês, porta-voz do Movimento Slow. Autor do livro Devagar- Como um Movimento Mundial Está Desafiando o Culto da Velocidade, Honoré está convencido de que "a velocidade é como uma droga. Pode causar um prazer imediato. Mas, ao longo do tempo, é prejudicial".

Mário termina seu texto com humor: "Senhoras e senhores, jamais esqueçam que o apressado come cru".

PS- Na prática me sinto um militante do Movimento Slow. Faço tudo que posso a pé. Caminho, em média, 10 km por dia. Não aceito carona, não pego taxi nem onibus. Quando chove uso guarda-chuva e no sol uso um chapéu. Isso tira a ansiedade e a relação com o tempo passa a ser outra. Recentemente li uma entrevista de um urbanista famoso. Para ele o homem moderno é aquele incorpora a caminhada como o seu principal meio de mobilidade urbana. Segundo ele, dá para resolver boa parte dos seus compromissos diários com caminhadas de uma a duas horas. Que é um tempo razoável comparado com o que se perde parado no trânsito das grandes cidades. Vejam só: sou um homem moderno e não sabia!

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