O principal legado dos oito anos do governo Lula foi a criação de empregos formais. "Nunca antes na história desse país se criou tantos empregos" deve comentar nas suas palestras pelo mundo afora o ex-presidente. E ele tem toda a razão de comemorar os números que o Brasil registra. A boa imagem de um país só é possível ser criada se a população estiver confiante em relação ao seu futuro. E essa condição passa, necessariamente, pelo emprego. Escrevo sobre isso porque acho que a crise americana está diretamente relacionada a falta de perspectiva de milhões de desempregados americanos encontrarem trabalho. Na Europa a crise também é de incerteza em relação ao futuro. O quadro é sombrio na Espanha, com a taxa de desemprego de 43% para os jovens com menos de 25 anos, e em Portugal (taxa de 21%). O calote da dívida em casos como estes não é ideológico, mas sim uma necessidade político-social. Se as medidas tomadas pelo Congresso americano não trouxerem o resultado esperado, o calote vai estar presente no calor dos debates das eleições do próximo ano. A procupação maior é com governantes com pouca percepção da realidade das ruas e acham que podem esticar a corda. Muitas vezes exigir mais da sociedade é um grave erro político. As frequentes manifestações e protestos em países rigoramente democráticos como o Chile, Espanha, Portugal, Grécia, Itália, Reino Unido e outros, mostram a fragilidade dos governos diante da falta de perspectiva da população. Políticas econômicas precisam estar voltadas para a melhoria das pessoas. E elas precisam perceber essa relação. O calote da dívida como fez a Argentina, na época gerou desconfiança do mercado. Hoje todos reconhecem que fez bem para o país. Os bancos credores, com os juros que estão sendo cobrados, vão muito bem obrigado. Estão com gordura suficiente para suportar um calote e renegociar dívidas dentro de condições que não destruam economias já exauridas.
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