terça-feira, novembro 29, 2011

Energia Renovável: a hora dos latinos

Nessa terça, em Montevidéu, o dabate foi longo e proveitoso. Os temas pautados, por si só, nos levaram a avançar no tempo. Começamos discutindo como se removem barreiras e se criam oportunidades para o desenvolvimento de uma matriz regional limpa. Depois passamos pelas mudanças climáticas e chegamos até as energias renováveis como instrumento de integração regional. As apresentações, de excelente nível, nos deram uma idéia de como estão se inserindo as energias renováveis em diferentes países da América Latina. Do México, por exemplo, pouco sabia. Claudia Hernandez, Diretora de Energia e Meio Ambiente do México, apresentou o quanto o país vem investindo nesse setor. Da Fundación Bariloche e do Cepal, Daniel Bouille e Fernando López deram uma aula de como um novo modelo pode abrir possibilidades e oportunidades na América Latina. No entanto, também deixaram suas preocupações quanto a necessidade da vontade política de nossos governantes com a integração regional. Muito boa também foi a a presentação do deputado Rolf Linkohr, do parlamento europeu, sobre a experiência da União Européia. Finalizei o último painel lembrando as excelentes condições que se apresentam para nós latinos, nesse setor ainda virgem cheio de oportunidades de emprego, investimentos, renda e desenvolvimento. Como é tarde, e amanhã tem mais, fico por aqui.

segunda-feira, novembro 28, 2011

Direto de Montevidéu

Depois de ter encerrado minha participação no Seminário sobre Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável na área Rural, em Piriapólis, começa hoje o Seminário sobre Políticas de Integração Energética no Mercosul. O encontro vai até quarta. Como sempre faço, quando viajo leio os jornais locais. O El País de domingo já me fez modificar um pouco minha a apresentação. Não pretendia falar de energia nuclear, no entanto diante do que saiu no jornal sobre a intenção da Argentina em expandir seu programa nuclear preciso mostrar o equívoco que é insistir com projetos nucleares na América Latina. Em primeiro lugar poque não precisamos. Diferentemente da Europa temos terra, sol, água e vento para desenvolvermos uma matriz energética limpa e renovável. Em segundo lugar países que detem a tecnologia, como Japão e Alemanha, já declararam que estão abandonando seus projetos de usinas nucleares e, por coerência, também estão se retirando de projetos semelhantes que mantinham em outros países. No caso da Argentina há outra contradição: resolveram (e já era tempo) parar de subsidiar a energia. Como está muito defasada vai precisar de um grande reajuste. Com a construção de novas usinas nucleares, cuja energia é bem mais cara, o reajuste da tarifa vai ser ainda maior. Essa conta terá que ser paga pelo consumidor argentino que, por outro lado, já vai ser penalizado pelo impacto do aumento da energia no cálculo da inflação.

Duas outras notícias também me chamaram a atenção:
1- encerrado o Senso de 2011 no Uruguai os números confirmam o que se comentava - no Uruguai a população está diminuindo. Em relação ao último censo de 2004 apenas as províncias de Canelones e Maldonado cresceram. Em todas as demais regiões a população decresceu.
2- pegou muito mal a declaração do ex-presidente Tabaré de que tinha solicitado apoio militar dos EUA em caso de uma invasão da Argentina no episódio das papeleiras.

sexta-feira, novembro 25, 2011

Somos 7 bilhões de pessoas

O novo modelo que começa a ser desenhado, o da economia verde, por ser globalizado tem que considerar um mundo de 7 bilhões de pessoas (por enquanto). Essa verdade coloca de pronto um grande desafio: a segurança alimentar para toda essa gente. Sobre esse desafio, Roberto Rodrigues, professor e ministro da Agricultura no governo Lula, em recente artigo aborda com propriedade essa preocupação permanente.

Para ele a saída está na tecnologia. Está demonstrado no Brasil, que pode-se aumentar a produtividade agrícola por hectare incorporando na atividade rural tecnologia. Hoje se tem 40 milhões de hectares de áreas degradadas. Todas possíveis de serem recuperadas com projetos sustentáveis focados, principalmente, no uso adequado da água.

Por outro lado, lembra Rodrigues, não basta só aumentar a oferta de alimentos para garantir a segurança alimentar, precisa-se aumentar a renda das pessoas. Um bilhão de pessoas que vivem nos países mais pobres, recebendo menos de US$ 2 por dia, não vão ter acesso a alimentação necessária mesmo havendo disponibilidade.

Sabe-se também que quando aumenta a renda per capita eleva-se o padrão de consumo. Não só de alimentos como de energia, educação, saúde, vestuário etc.. Construir esse equlibrio é a grande tarefa que se apresenta à inteligência humana.

Nesse cenário provocativo é que o Brasil recebe, no ano que vem, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a "Rio + 20". Dois grandes eixos temáticos nortearão as discussões nesse evento:
1- a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza
2- a governança internacional para o desenvolvimento sustentável
(Fonte: FSP 19/11/2011)

PS- os 3 últimos comentários do blog estão servindo para orientar minha participação na conferência que ora se realiza em Piriápolis, Uruguai. O tema do seminario: Energias Renovables para el Desarrollo Sostenible.

quinta-feira, novembro 24, 2011

Economia sustentável: dever de todos

De 17 a 20 de outubro, em São Paulo, na Fundação Getúlio Vargas, participei como palestrante da oitava edição do Encontro Ibero-americano de Desenvolvimento Sustentável. Minha intervenção foi na área da energia limpa, fundamental na mudança de modelo de desenvolvimento. Outra constatação que veio do encontro é da necessidade de se compreender que esse novo modelo de economia verde ou sustentável: é global, não tem dono e exige a participação de todos. Em outras palavras o agente transformador é uma mistura do Estado, de empresas e de organizações da sociedade civil. Não há como prosperar sem o compromisso do conjunto.

quarta-feira, novembro 23, 2011

A preocupação com a terra

Em boa hora a presidente Dilma prepara um projeto para dificultar a compra de terras por estrangeiros. Segundo o Incra, 43 mil km² de terras estão registradas em mãos de estrangeiros. O alvo, segundo se comenta, é a China que através do seu fundo tem adquirido terras em vários países. O governo vem tratando essa questão como de soberania nacional. O limite máximo que o governo estabeleceu para a compra por estrangeiros é de 5000 hectares, variando por região. Outra dificuldade a ser acrescentada na nova legislação é impedir a compra de uma empresa brasileira, assumindo as propriedades rurais que ela possa ter. Também estabelece que nos casos dos bancos que venham a receber terras como pagamentos de dívidas não quitadas haverá cláusulas de "revenda obrigatória", no prazo de um ano. (Fonte: FSP, Valdo Cruz e Lucio Vaz)

terça-feira, novembro 22, 2011

Eleições: indiferença e protesto

INDIFERENÇA - Duas eleições realizadas recentemente retrataram o desencanto das pessoas com as urnas, infelizmente! Na Universidade Federal de Santa Catarina, na eleição para Reitor, num dia normal de atividade acadêmica, portanto, com professores, funcionários e alunos no campus, apenas 1/3 dos habilitados para votar compareceram as urnas. E não foi por falta de opção: haviam 5 candidatos. A indiferença registrada no caso da UFSC precisa ser analizada. Não pode ser natural tamanho distanciamento entre a comunidade acadêmica e o processo legítimo de escolha do futuro reitor.

PROTESTO - Na Espanha o resultado das eleições gerais realizadas no último domingo, está sendo visto como um sinal de protesto. Boa parte dos socialistas, que sempre foram maioria, se afastaram do processo eleitoral diante dificuldades econômicas que se abateram sobre a Espanha. A falta de resposta do governo Zapatero a crise contribuiu muito para esse posicionamento. A abstenção bateu a casa dos 40%. Um dia depois da esmagadora vitória dos conservadores, a Bolsa de Madri fecha o dia em queda de 3%. Para os analistas um caso raro que bem retrata a situação de desespero da Espanha. Nem a vitória da oposição trouxe esperança para os espanhóis.

domingo, novembro 20, 2011

Bons momentos

Bons momentos, normalmente, são aqueles que estamos cercados de amigos. Sábado a noite foi um desses momentos. Em Jurere, formandos da Engenharia de Rio Grande, turma de 1971, se encontraram para comemorar os 40 anos de formado. Embora sendo uma turma anterior a minha, tanto eu como o Juliano, a Ana e o Zé Gordo, por morarmos aqui, também fomos convidados. Num clima descontraído, amigos que há muito não se viam puderam relembrar os melhores momentos de suas vidas. Alguns mais gordos, outros com menos cabelo, mas todos muito felizes por estarem novamente juntos. Marco veio do Panamá, Pepe do Equador, João Ivo, o paraninfo da turma, com seu inseparável sax, brindou a todos com seu último CD. Rochinha, o anfitrião, recebeu a todos no melhor estilo. E Florianópolis os acolheu com um belo dia de sol.

sábado, novembro 19, 2011

O silêncio dos culpados

As imagens e as fotos (que agora circulam) mostrando o vazamento de petróleo na bacia de Campos, são assustadoras. Duas semanas depois do início do vazamento no campo do Frade, o silêncio dos responsáveis foi finalmente rompido. O diretor da norte-americana Chevron, responsável pela exploração, ontem comentou que a pressão na fenda era muito maior do que tinham avaliado. Como consequência, o volume de petróleo contaminando o mar também é maior do que a empresa tinha informado. As fotos, só agora divulgadas, comprovam isso. O que mais me chamou atenção nesse episódio foi o atrazo na divulgação de informações. A falta de transparência envolvendo um grave desastre ambiental na costa brasileira. As responsabilidades técnicas e operacionais sobre o ocorrido estão sendo agora apuradas pela Polícia Federal. Ainda bem. Quanto ao papel institucional da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que só se manifestou dez dias depois do vazamento ter ocorrido, só resta lamentar. A sociedade tem o direito de saber o que aconteceu para esse inexplicável e prolongado silêncio. As ações tomadas em relação a esse vazamento deixaram a desejar. Que sirva de exemplo. O pré-sal ainda nem começou. Os riscos lá serão muito maiores.

quinta-feira, novembro 17, 2011

Frei Beto e a corrupção

Frei Beto conhece como poucos os homens e o poder. Conhece também o mal que faz a corrupção e suas consequencias. Destaca o quanto a impunidade é facilitadora desse processo espúrio e das dificuldades de se combater com rigor essa vergonha que se espalha por todos os setores da sociedade. Em recente artigo Frei Beto foi preciso e didático em mostrar como o corrupto funciona. Começa lembrando que o corrupto não se expõe; extorque. Não se considera um ladrão e nem admite a corrupção como um crime. Age movido pela ambição ao dinheiro. Quando numa função pública se vale da mesma para extrair vantagens a si, à familia e aos amigos. Considera natural o superfaturamento, a ausência de licitação, a concorrência com cartas marcadas. Não se envergonha do que faz. Sua única preocupação é de ser apanhado é ter seu nome estampado nos jornais e a cara na TV ( leia o artigo de Frei Beto na íntegra -FSP 15/11/2011- vale a pena).

quarta-feira, novembro 16, 2011

Portugal: com medo de ser feliz.

Parece até final de festa. O novo governo não está conseguindo animar os portugueses. Com uma Greve Geral marcada para a próxima semana, prostestos dos militares nas ruas e os taxistas de Lisboa mantendo a tradição de reclamarem de tudo, sobra pouco para mobilizar a sociedade. Aliás, caminhar em direção a crise é o sentimento cada vez mais presente entre os portugueses. Apaixonados por futebol, como nós, os portugueses também sofrem com a situação dos seus clubes. Benfica, Porto e Sporting, os três principais, juntos devem 350 de euros para os bancos. Os bancos, que também passam por dificuldades, suspenderam os créditos. Os dirigentes, por sua vez, não sabem a quem recorrer. Outra dificuldade batendo na porta são os preços do petróleo e dos combustíveis. Dependente da importação de petróleo, a combalida economia portuguesa assistiu os preços subirem só esse ano 33% no mercado internacional. A boa comida, o bom clima e a hospitalidade portuguesa não estão sendo suficientes para atrair os turistas europeus que nessa época fugiam do frio e se descolocavam para Portugal. "É a crise do euro a nos atrapalhar", resmungam os taxistas de Lisboa com uma certa razão. Os portugueses estão precisando levantar seu astral e assumirem "sem medo de ser feliz" que a história desse país, pequeno mas encantador, é de superação.

terça-feira, novembro 15, 2011

Desertec, a energia do deserto

Já tinha comentado sobre o gigantesco projeto solar no deserto do Saara. Concebido para atender 15% da energia consumida na Europa em 2050, o Desertec volta a ganhar força em função do ocorrido em Fukushima. Na semana passada, no Cairo, Jochen Homann, secretário da Economia e da Tecnologia da Alemanha reafirmou que o Desertec é uma realidade e um compromisso da Alemanha com as energias renováveis. Empresas como a Siemens, da Alemanha, a Abengoa Solar, da Espanha, a Enel, da Itália e a francesa Saint-Gobain, todas envolvidas no projeto, dão uma idéia da importância e da dimensão do Desertec. Os investimentos previstos também impressionam: 400 bilhões de euros. Muito para uma Europa endividada e em crise, pouco para uma Europa cada vez mais dependente energéticamente das energias renováveis. A tecnologia a ser empregada está sendo desenvolvida em diversos centros de pesquisa. Em Évora, por exemplo, a Siemens desenvolve um protótipo de produção de vapor a partir de "sais fundidos". Com o vapor passa-se a gerar energia por 24 hs e não mais só quando há sol. O primeiro projeto de 150 MW deve começar em 2012, em Quarzazatte, no Marrocos. Serão 12 quilômetros quadrados de espelhos que irão captar os raios solares. Só como curiosidade, no Saara há tanta energia solar que em 6 horas o sol fornece energia suficiente para atender o consumo do mundo em um ano.

sexta-feira, novembro 11, 2011

Évora: comprometida com o futuro

Nasceu dia 11/11/11, em Évora, a Global Solar Academy (GSA). Seu espaço físico, a Universidade de Évora. A Universidade, fundada em 1951 por D.Henrique, é uma das mais antigas instituições de ensino do mundo. Em 1759 foi fechada por ordem do Marquês do Pombal, quando da expulsão dos jesuítas. Em 1973 foi reaberta como uma universidade pública. A universidade tem hoje cerca de 10 mil alunos sendo que mais de 1000 fazem mestrado ou doutorado. A partir de agora a Universidade de Évora também vai receber, nas suas belas e históricas instalações, a Academia Global Solar. A Academia, conceitualmente, tem como missão promover a energia solar nos países em vias de desenvolvimento. Inicialmente focado em alguns países da África e da América Latina, o trabalho da Academia é sensibilizar governos e instituições pela necessidade de se levar energia para todos. Segundo dados da ONU mais de 1,5 bilhões de pessoas ainda não tem acesso a eletricidade. Para essas pessoas a energia solar é a alternativa. Vivem em regiões isoladas, sem a menor possibilidade de serem atendidas pelas formas convencionais. Para elas Évora pode ser o futuro. Vamos trabalhar para criar esse compromisso.

quinta-feira, novembro 10, 2011

Évora, sede do Primeiro Fórum Solar Global

Évora, cidade histórica, de rara beleza, tombada pela UNESCO, é a sede do Primeiro Fórum Solar Global. Pode-se dizer que é o passado se comprometendo com o futuro. Distante duas horas de Lisboa, cercada por muralhas, Évora recebe especialistas de todo o mundo para debater os rumos da energia solar. Se, por exemplo: vai ser integrada a rede de distribuição ou se limitará aos sistemas isolados; vão ser grandes centrais ou pequenas fontes de geração incorporadas em prédios, públicos, comerciais e residenciais. Por coincidência, se é pode haver coincidência no mundo dos negócios, grandes investidores anunciaram ontem aqui na Europa a retomada do projeto Desertec. Um gigantesco projeto solar a ser implantado em Marrocos, para atender a Europa de energia. Os números anunciados impressionam: 500 mil MW até 2050, 3000 km de rede e 400 bilhões de euros de investimento. Esse megaprojeto que sai do norte da África, atravessa a Europa e chega no Oriente vai estar em discussão. Só para dar uma idéia da grandiosidade do projeto é a instalação de uma potência 5 vezes maior do que o Brasil tem hoje. Amanhã falo um pouco mais sobre o Fórum de Évora.

quarta-feira, novembro 09, 2011

O prazer de um "furo".

Se tem uma coisa que essa "vida de blogueiro" faz é te manter atento. Só por isso já vale a pena. Depois dos sessenta, estar ligado te ajuda a viver melhor. Ontem a noite pude confirmar isso. Quando saiu a anúncio da renúncia de Berlusconi, não pensei duas vezes: fui para o blog. Nos jornais europeus a motivação e a repercussão da renúncia só saiu hoje pela manhã. Confesso que senti um certo prazer de comentar a renúncia do primeiro-ministro italiano em tempo real. Quanto a Berlusconi, segundo relato dos próprios italianos, já vai tarde.

terça-feira, novembro 08, 2011

A face oculta

Até parece nome de novela: "a face oculta". Mas trata-se do mais recente golpe praticado à combalida economia portuguesa, que sofre por total escassez de recursos. Diante da crise econômica o interesse dos portugueses de acompanhar o escândalo aumentou muito. A audiência cresce a cada dia, como se fossem os capítulos finais de uma novela. Assim que cheguei a Lisboa e tomei o taxi, o motorista já me deu um resumo detalhado da operação batizada pela polícia de "face oculta".
O inquérito apurou e indiciou trinta e seis pessoas, todas próximas do então primeiro-ministro José Sócrates. São agora acusadas por roubo e formação de quadrilha. Como era de se imaginar, todos negam sua participação. O julgamento começou ontem no Tribunal de Aveiro. A imprensa se deslocou para lá e os noticiários, com chamadas extraordinárias a todo o momento, despertam o maior interesse. Pelo que pude apurar trata-se de um esquema que desviou milhões de euros de recursos públicos

PS- são 22:30hs em Lisboa. Acaba de ser anunciado na TV o afastamento do primeiro-ministro Sílvio Berlusconi . A Itália é a terceira economia da zona do euro. Todos sabiam das dificuldades por que passava. Sua dívida é maior do que seu PIB.

segunda-feira, novembro 07, 2011

Direto da Bahia

Duas importantes reuniões estão previstas para hoje em Salvador: na Coelba e com Gehrlicher. Na pauta o Pituaçu Solar. A Coelba vai ser a dona da usina solar que está sendo instalada sobre a cobertura do estádio. A Gehrlicher foi a empresa alemã que ganhou a concorrência para fazer a obra. Para nós do Instituto além da idéia também nos cabe acompanhar e divulgar essa que será a primeira grande instalação solar num estádio. Cabe destacar o papel importante que teve nesse processo o Governo da Bahia já que o Pituaçu pertence a ele. Nesse projeto pioneiro também foi decisiva a participação da Aneel que entendeu a importância do mesmo para desenvolvermos a tecnologia solar no país. Amanhã a noite sigo de Salvador para Lisboa para participar do Fórum Global Solar que acontece em Évora, interior de Portugal.

domingo, novembro 06, 2011

Vida eterna

Para o blog "de olho no futuro" nada melhor que comentar a vida futura. Para falar da vida, nada melhor que estar de bem com ela. Para estar de bem com a vida, nada como um bom hotel, uma bela praia, água de coco e acarajé. No Plaza Bahia, na praia de Busca Vida, a 8 km do aeroporto de Salvador, me senti motivado para escrever sobre a vida. Fui atrás de informações. Me chamou atenção a matéria de Marta Barcelos, para o Valor. A manchete: Um longo amanhã. A chamada: a primeira pessoa que viverá 150 já nasceu. A curiosidade foi tanta que li com redobrada atenção essa esperada extensão da longevidade, segundo afirmam renomados pesquisadores. As previsões são de que nossa longevidade dobrará nesse século. Isso significa que a expectativa de vida para quem está nacendo agora é de 150 anos. Progressos na medicina e na biotecnologia irão dar suporte a essa busca pela "vida esterna". Marta Barcellos nos lembra que na última Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o neurocientista Miguel Nicolelis impressionou a platéia ao afirmar que "estamos próximos do instante em que o cérebro vai se libertar dos limites físicos do corpo". Em outras palavras: vai se poder trocar orgãos que começam a falhar por outros feitos sob medida com o nosso DNA, enquanto nosso cérebro estiver saudável. O que hoje parece ficção e até nos assusta sob o ponto de vista filosófico sobre a existência humana, já vem apresentando resultados concretos - e impressionantes - de cura, a partir de utilização de células-tronco.
E a vida segue ........

sábado, novembro 05, 2011

O cavalo de Papandreou

Enquanto o "Cavalo de Tróia" entrou para a história pela ardilosa manobra grega, o de Papandreou não resistiu as pressões dos líderes da UE. O referendo foi abortado e os gregos vão continuar nas ruas lutando contra o acordo proposto. O futuro da Grécia contiua sendo uma incerteza ...... e por consequência a crise dos paises da zona do euro também. Escrevo de Salvador, onde cheguei ontem a noite vindo de Belo Horizonte. Em BH tivemos uma proveitosa reunião com a Infraero e Cemig sobre a solarização do Aeroporto de Confins. Na segunda-feira, aqui em Salvador, acompanho as obras do Pituaçu Solar, cuja inauguração está prevista para o dia 4 de dezembro. Aos poucos percebo que as barreiras que haviam em relação a energia solar estão desaparecendo. Ainda bem.

quinta-feira, novembro 03, 2011

Presente grego

Quando os gregos deixaram em frente os portões de Tróia um enorme cavalo de madeira, os troianos não desconfiaram de nada. Acharam que era um presente e colocaram o cavalo para dentro das muralhas que potegiam a cidade. Conta a história que durante a noite algumas pessoas saíram de dentro do cavalo, abriram os portões e os soldados gregos devastaram a cidade. Dessa história lendária, que ocorreu há 3000 anos atrás, veio a expressão até hoje usada "presente grego". Passados 30 séculos, o mundo se depara com um novo presente grego. Na terça-feira, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, anuncia a necessidade de uma consulta popular (referendo) para ver se a sociedade aceita ou não os termos do acordo proposto pela Comunidade Européia à Grécia. As Bolsas despencaram em todo o mundo: Milão 6,8%, Paris 5,3% e Frankfurt 5%. A decisão inesperada de Papandreou deixou os principais líderes europeus, avalistas do acordo, como Angela Merkel e Sarkozy, falando sozinho. O pacote econômico acordado com a cúpula européia, que previa a redução de 50% da dívida grega e um novo empréstimo de 100 bilhões de euros - está suspenso! A consulta popular é legítima. O primeiro-ministro Papandreou sabe que os ajustes propostos são impopulares e quer dividir a responsabilidade da decisão. O plebicito foi a fórmula encontrada. O "presente grego" deixou o mercado globalizado mais exposto ainda a suas fragilidades políticas e estruturais. Vamos aguardar os resultados do G 20 e os próximos movimentos da Grécia.

terça-feira, novembro 01, 2011

Novo Maracanã já nasce velho

Com o título acima, André Trigueiro, jornalista e apresentador do JORNAL das DEZ, da Globo News, escreveu no Globo do dia 27 de outubro, sobre o novo Maracanã que já nasce velho. Para ele, como para nós, o Rio de Janeiro perde muito por não inserir no projeto do Maracanã a energia solar. Quando lançamos o nosso projeto Estádios Solares o material entregue ao presidente Lula foi a imagem simulada do Maracanã solarizado (até hoje aparece na parte direita do meu blog). Confira abaixo o texto na íntegra!



"Que estupidez a nossa desperdiçar a imensa área das marquises do novo Maracanã – quase 29 mil metros quadrados – que poderiam abrigar um vistoso conjunto de placas fotovoltaicas capazes de gerar energia elétrica para até 3.000 domicílios.

O projeto do novo Maracanã confirma a exclusão de um item absolutamente importante para que qualquer projeto de engenharia do gênero possa ser chamado de “moderno e sustentável”. Apesar do variado cardápio de estádios de futebol espalhados pelo mundo com aproveitamento energético do sol, a caríssima obra de reconstrução do Maracanã – quase 1 bilhão de reais – ignorou essa possibilidade.

Estranho que isso tenha acontecido num país onde o sol brilha em média 280 dias por ano. Ainda mais estranho que isso tenha acontecido na cidade que sediou a Rio-92, que vai sediar a Rio+20, e que está situada na mesma faixa de exposição solar que Sidney, na Austrália, que se notabilizou por realizar os primeiros Jogos Verdes da História, inteiramente abastecidos de energia solar.

Cobri como jornalista os Jogos de Sidney em 2000 e lembro-me das imensas estruturas com placas fotovoltaicas que captavam energia solar para iluminar as competições no estádio olímpico, no Superdome e em todas as instalações esportivas. A Vila Olímpica com 665 casas se transformou no maior bairro dotado de energia solar do planeta. O porta-voz do Comitê Olímpico Internacional, o australiano Michael Bland, justificou assim os investimentos em energia solar: “Queremos fazer com que a energia solar se torne popular em todos os países. É ridículo que, na Austrália, todas as casas não usem um captador de energia solar. Temos os telhados, temos o sol, e os desperdiçamos. É um jeito estúpido de levar a vida”.

Que estupidez a nossa desperdiçar a imensa área das marquises do novo Maracanã – quase 29 mil metros quadrados – que poderiam abrigar um vistoso conjunto de placas fotovoltaicas capazes de gerar energia elétrica para até 3.000 domicílios. O custo varia de dez a vinte milhões de reais, dependendo da tecnologia empregada. Alguém poderá dizer: “É caro demais! Não vale a pena”. Mas será que a forma usual de comprar energia está valendo a pena?

Vivemos num país onde, segundo o IBGE, a tarifa de energia elétrica subiu mais do que o dobro da inflação oficial nos últimos 15 anos. A opção pelo solar – embora mais cara – oferece como vantagem a amortização do investimento em alguns poucos anos.

Alguém poderá dizer que a nova marquise – mais leve – poderia não suportar as tradicionais placas fotovoltaicas. Pois que se pensasse numa estrutura compatível. O que está em jogo é a possibilidade de tornar o estádio útil mesmo em dias que não aconteçam partidas de futebol. O Maracanã poderia ser uma usina de energia – ainda que com potência modesta – que além do benefício direto de gerar eletricidade, funcionaria também como elemento indutor de mais pesquisas e investimentos em energia solar no Brasil.

E quem disse que o custo de instalação de um projeto como esse só seria possível com recursos públicos? Se houvesse vontade política para promover inovação tecnológica no setor energético usando o novo Maracanã como garoto-propaganda, seria perfeitamente possível sondar o interesse de grandes empresas com know-how em energia solar que aceitassem instalar os equipamentos fotovoltaicos a custo zero, sem ônus para o governo. E o que essa empresa ganharia em troca? O direito de explorar a imagem do Maracanã como “estádio solar” graças à tecnologia oferecida pela empresa. Alguém duvida que a imagem aérea do estádio tanto na Copa de 2014 quanto nas Olimpíadas de 2016 alcançará bilhões de telespectadores pelo mundo? É mídia espontânea, super-exposição positiva de imagem, e tudo aquilo que um bom negociador não levaria mais do que alguns minutos para convencer o investidor a botar a mão no bolso e bancar a ideia.

Com recursos públicos ou privados, o certo era fazer. Não basta instalar alguns coletores solares para aquecer a água do banho usadas pelos atletas nos vestiários. É pouco. Se os responsáveis pelo projeto do Maracanã marcaram um gol contra desprezando o sol, os estádios de Pituaçu, em Salvador, e Mineirão, em Belo Horizonte, terão a energia solar como aliada para a produção de energia elétrica. Acorda Rio! Maracanã sem energia solar é como o Rio sem praia. Infelizmente os cariocas continuarão usando o sol apenas para se bronzear.Símbolo da sustentabilidade por suas belezas naturais e por sediar grande conferências ambientais da ONU, o Rio de Janeiro continua com um Maracanã aquém do que merece."