sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Fatos e fotos (parte II)

Ministro das Relações Exteriores do Uruguai na abertura do Seminário
Secretária de Energia do México
Barragem que abastece de energia uma propriedade rural em Colinas GarzonPara se chegar a propriedade no interior de Maldonado utilizou-se um caminhão boiadeiro
Assinatura do convênio em Piriápolis: Instituto IDEAL, Intendência de Maldonado e CEFIR.


No final de novembro participei de três importantes eventos no Uruguai. Em Piriápolis assinamos o convênio com a Intendência de Maldonado e o Cefir. O objetivo: estudar a solarização das cidades litorâneas. Ainda em Piriápolis participamos do seminário internacional sobre experiências de projetos sustentáveis na área rural (com o apoio da GIZ). E em Montevidéu, com o apoio do Ministério de Relações Exteriores do Uruguai, GIZ e Cefir, se discutiu as possibilidades de integrar com energia renovável os países latinos.

PS- a todos um FELIZ NATAL. Nos encontramos em 2012 com as energias renovadas.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Fatos e fotos



Parque Eólico de Cerro Chato em Santana do Livramento/RS. Foto de outubro. O parque será inaugurado agora em janeiro.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Seu Chico

Através do Ci fiquei sabendo da morte do Seu Chico. Foi no final da tarde de terça-feira. Logo me veio a lembrança o bar e a luta da comunidade para mantê-lo em pé. Da varanda, onde ele gostava de ficar olhando o mar, recebia a todos com um seu jeito suave de ser. Carismático, chefe de familia exemplar, Seu Chico vai deixar saudades. Ontem no seu enterro, numa tarde quente e ensolarada, centenas de amigos foram até o Campeche se despedir do velho homem do mar. Tinha gente de todas as tribus: a turma do bar, da política, os nativos e familiares. Ao longo dos 20 anos do bar, sem perceber, Seu Chico criou sua própria tribu. Da praia da Joaquina a do Campeche o único lugar para se parar, ter uma sombra, comer um pastel, tomar uma cerveja, era o Bar do Seu Chico. Muito antes da expressão "point" existir, o Bar do Seu Chico já era o "point". Pai do Lázaro e de mais de uma dezena de outros filhos, Seu Chico lutou até o final para manter o bar em pé. No ano passado, atendendo uma ordem judicial, a Prefeitura derrubou o bar. O motivo alegado é que ele estava sobre as dunas. Vinte anos sobre as dunas. Uma instalação simples, de madeira, onde ele antigamente guardava seu pequeno barco de pesca. Ontem mesmo, depois do enterro, fui olhar como a especulação imobiliária está descaracterizando o Campeche. Fiquei estarrecido com a ocupação das dunas. São condominios enormes, com centenas de apartamentos, um do lado do outro. De imediato me veio a lembrança as máquinas derrubando o Bar do Seu Chico. Ele, um homem simples, um pescador, não pode ficar ali. Mas se fosse um empreendedor ....... e tivesse ......talvez seu bar fosse hoje um resort.

Desprezar as ruas, é esquecer a história

Tudo começou há um ano atrás, quando um vendedor na Tunísia tocou fogo no próprio corpo. Assim começou o movimento que passou a ser conhecido como Primavera Árabe. Como uma avalanche, o povo indignado foi para as ruas derrubando históricos ditadores no norte da África. Enraizados no poder por décadas, governavam com mão de ferro. Bajulados por boa parte dos líderes ocidentais, que, de olho no petróleo da região, fechavam os olhos para a tirania que eles praticavam contra o seu próprio povo. Nunca passou pelas cabeças mofadas desses tiranos que regimes consolidados durante décadas, pudessem cair em função de mobilizações e manifestações populares. Para seus analistas políticos isto era impensável. Sempre acreditaram que ameaça maior era de fora para dentro. Erraram feio, os inimigos do regime estavam dentro das casas, esperando o momento de tomarem ruas e praças. Em 14 de janeiro, como resultado dos protestos crescente na Tunísia, Ben Ali e sua família fogem para a Arábia Saudita. Antes mesmo de completar um mês, no dia 11 de fevereiro, no Egito, Hosni Mubarak renuncia. As imagens dos protestos na praça Tahrir correm o mundo. O povo toma gosto. O todo poderoso Muammar Gaddafi, 42 anos no poder, não resiste ao ímpeto revolucionário e é morto no interior da Líbia. Em novembro, no Iêmen, o ditador Ali Saleh anuncia eleições livres em 2013. Na Síria, Bashar Assad continua resistindo. Até quando, ninguém sabe. A que preço, todos sabemos: milhares de mortos por todo o país. Que fique a lição: não desprezem o clamor das ruas!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

NATAL em casa

Nessa semana as tropas americanas que ocuparam o Iraque, por longos oito anos, começam a voltar para casa. Foram 3192 dias de guerra. Por lá passaram 1,5 milhão de soldados americanos, que deixaram um rastro de sangue. Morreram nessa aventura bélica: mais de 110 mil civis, 10 mil soldados iraquianos (estimados) e 4.487 militares americanos (esses devidamente contados). Segundo fontes oficiais a guerra custou mais de 1 trilhão de dólares. Uma insanidade. Maior ainda se recordarmos porque o presidente George Bush declarou guerra ao Iraque: a alegação, depois desmentida, era de que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa. O presidente Obama, que tinha prometido na campanha eleitoral retirar as tropas do Iraque, felizmente, cumpriu com a promessa. Declarou que invadir o Iraque foi uma "estupidez" e trouxe os soldados de volta para casa antes do prazo estabelecido. Não sei o que vai acontecer no Iraque com a saída dos americanos. Só sei que eles nunca deveriam ter ido para lá. A guerra em si é uma atitude extrema e condenável. Já a guerra do Iraque, além disso, carrega também um pesado fardo moral: o custo de um conflito sangrento fundamentado num falso pretexto.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Valeu, Fábio!

Saber esolher sobre o que vai escrever é o grande diferencial de quem escreve. Assim aconteceu nessa semana com o Fábio Brüggemann, ao escolher o que ocorreu na Barra da Lagoa a uma semana atrás. Não deixou passar em branco "o quase linchamento, por parte de moradores da comunidade da Barra da Lagoa, de um grupo de supostos traficantes locais". Um fato grave que poderia ter manchado para sempre a bucólica e pacata Barra da Lagoa. O pior, nos lembra Fábio, "é uma parte mais ignorante ainda da sociedade que se acha no direito de apoiar a atitude típica dos tempos da barbárie". Num outro momento do seu artigo, Fábio registra sua preocupação com a crescente violência urbana, em razão da ausência do Estado, contaminar a sociedade fazendo-a acreditar que pode fazer justiça com as próprias mãos. A sociedade passa a aceitar o que ocorreu na Barra da Lagoa como desculpa pela omissão do governo em relação a segurança pública. "Afinal, pagamos impostos em troca também de segurança, e, ao invés de lincharmos politicamente a omissão e o despreparo dos governantes que elegemos por estupidez e desinformação, preferimos matar nossos vizinhos. É um enorme paradoxo social", destaca Fábio.

PS- embora todos já tenham falado da aula que o Barcelona deu no Santos, não comentar pode parecer uma alienação do blogueiro. E, não é o caso. Me programei para assistir o jogo do ano e acabei vendo o treino do ano.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Um bom recado

Gosto de ler o que Efraim escreve no seu blog. Sempre que posso ajudo na socialização dos seus lúcidos comentários. Nos conhecemos dividindo a Mesa num seminário no exterior. Nossa participação: os desafios de se criar uma sociedade global sustetável. Tenham uma boa leitura!




"Esta semana fui provocado pela frase: a ditadura de especialistas é um pesadelo que não queremos sonhar? impressa em mídia nacional.
Há tempos venho colecionando evidências que vivemos uma nova época medieval e a desvalorização do conhecimento é mais um item para minha lista.
Especialistas não são boa matéria prima para ditadores porque seguem o conhecimento científico, que nada mais é do que bom senso assentado em camadas por milênios. Especialistas seguem a evidência dos fatos e se permitem mudanças de rota, de pensamento. Lidam bem com a contradição e oposição.
Bons ditadores têm que ter um verniz fino de conhecimento bem enviesado, aplicado em tenra idade, e têm que conviver por longo tempo com seus iguais para que quando crescerem sejam capazes de seguir obsessivamente uma única verdade.
O exemplo mais próximo de especialista é o médico. Para os que acham que é "ditadura? seguir o que o médico diz, que experimentem a ignorância de não seguir.
Desde criança resistimos a seguir o caminho melhor, geralmente também o mais difícil. Meus alunos resistem ler, meu filho resiste segurar a mamadeira sozinho. Não os recrimino muito por isso, a preguiça é inerente à condição humana, mas os tento colocar no caminho que traga o melhor resultado, ainda que com um pouco mais de trabalho hoje. A expressão "ditadura dos especialistas"? soa a ressentimento juvenil com o trabalho ou estudo, enfim, aquele caminho que todos sabemos que é certo, mas que é menos atraente no curto prazo.
A expressão ecoa também em nível internacional, onde muitos julgam que a ciência compete com a fé religiosa. A fé só compete com a ciência na cabeça dos cientificamente mal treinados, que olham para conclusões cientificas sem entendimento das camadas que as antecederam e por isso as igualam aos dogmas religiosos, com origem totalmente diversa, mas não menos valiosa.
Se queremos avançar em todas áreas do conhecimento humano, incluindo o ambiente, precisamos ouvir o que os especialistas têm a dizer. Não porque eles sejam ditadores que irão nos obrigar a um caminho inadequado, mas porque eles pensaram em determinada questão por mais tempo que nós. Nem tampouco devemos ouvi-los porque eles trazem dogmas indiscutíveis, mas principalmente porque vêm aprimorando suas idéias ao longo de milênios, tirando o joio e pondo o trigo geração após geração.
No paraíso, o manobrista é inglês, o garçom é francês, e o cozinheiro italiano. Cada especialista com sua função. No inferno, o manobrista é francês, o garçom italiano e o cozinheiro é inglês.
Trocando em miúdos, o sonho que a Senadora Kátia Abreu quer sonhar é com os especialistas quietos nas Universidades, os ruralistas mandando no país e a população pagando quieta a conta.
Há algo de muito errado quando um Senador da República menospreza a ciência em um jornal de circulação nacional".


Efraim Rodrigues, Ph.D. (efraim@efraim.com.br) é Doutor pela Universidade de Harvard, Professor Associado de Recursos Naturais da Universidade Estadual de Londrina, consultor do programa FODEPAL da FAO-ONU, autor dos livros Biologia da Conservação e Histórias Impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores. Também ajuda escolas do Vale do Paraíba-SP, Brasília-DF, Curitiba e Londrina-PR a transformar lixo de cozinha em adubo orgânico e a coletar água da chuva. É professor visitante da UFPR, PUC-PR, UNEB - Paulo Afonso e Duke - EUA
http://ambienteporinteiro-efraim.blogspot.com/

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

De olho nas ONG`S

Depois do ocorrido no Ministério dos Esportes, as chamadas Organizações Não Governamentais passaram a ser vistas com desconfiança. Independentemente do que fazem, do grau de transparência de seus atos e do compromisso com a sociedade, viraram saco de pancada. Repete-se a velha história: o justo pagando pelo pecador. A mensagem que Maria Alice Setúbal, doutora em psicologia pela PUC-SP, deixa para quem milita nesse setor é bastante animadora. As ONGs são fundamentais para a sociedade. Funcionam como guardiãs dos direitos inalienáveis dos cidadãos, contribuem para aprimorar as políticas públicas e incentivam a capacidade de se produzir conhecimento. A natureza de suas ações é sempre voltada para promover a igualdade social e a universalização ao acesso as políticas públicas. As ONGs existem para trabalhar pelo bem comum. Se há desvio de finalidade, uso indevido dos recursos, cabe ao Estado agir e punir. Nunca se omitir. As ONGs quanto mais fiscalizadas e transparentes forem, mais respeitadas serão.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Enquanto isso o LIXO cresce

Se tem alguma coisa que só cresce é o LIXO. E o que é pior - ninguém quer saber dele. No ano passado, enquanto a nossa população cresceu um pouco mais do que 1%, o volume de lixo que produzimos cresceu 6,8% (Fonte: RENERGY). Esses dados ainda são mais impactantes por terem sido constatados no ano que o Brasil aprovou a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Foram 61 milhões de toneladas. Para Carlos Silva Filho, diretor da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, o aumento se deve a melhor condição de vida da população. Mais consumo gera mais resíduo. Outro fator importante é a ausência de ações de educação e conscientização. Os dados apresentados pelo Brasil revelam um forte descaso das autoridades com o tratamento adequado para o lixo. Quase metade do lixo que produzimos não recebe tratamento adequado. Vão para lixões - contaminando o solo e a água. Pela nova lei, a partir de 2014, é responsabilidade dos municípios cuidarem de forma adequada do lixo produzido. Tenho minhas dúvidas se vai funcionar. Não vejo motivação nessa direção. Falta planejamento, conhecimento e vontade. Cuidar do lixo, não dá voto!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Belo Monte: guerra de informações

Belo Monte está longe de ser construída - mas já ganhou o título da usina mais comentada do país. Antes de gerar energia está gerando uma verdadeira batalha virtual de informações. Começou com o Movimento Gota D'Água, formado por atores globais, se manifestando contra a barragem. Logo depois veio o movimento "Tempestade em Copo D'Água", criado por alunos da engenharia civil da Unicamp. Os dois movimentos só tem em comum, nomes sugestivos e muito bem escolhidos. Fora isso, só divergências! Os números, sobre a viabilidade do empreendimento, não fecham. Outras disputas virão. Já estão anunciando um grande complexo hidroelétrico no rio Tapajós, com 5 barragens. Espero que nos futuros estudos de barragens na Amazônia se faça uma comparação: a energia gerada pela hidroelétrica x o potencial de energia solar gerada na área inundada pela barragem. Para mim não seria surpresa estar se produzindo muito mais energia com o sol do que com esses imensos reservatórios. Além do mais não se precisaria investir bilhões de dólares em extensas linhas de transmissão, com sérios problemas ambientais de implantação e perdas consideráveis ao longo do sistema. Trazer a geração para perto do consumo é sempre a melhor alternativa. A única fonte de energia capaz de atender essa condição é a solar. Não me sinto senhor da verdade, gostaria apenas que fizessem os estudos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A Mega Sena e a energia solar

Que eu saiba foi a primeira vez que uma Mega Sena saiu para Florianópolis (e não foi para mim). Do anúncio do resultado até a identifcação do ganhador, milhares de pessoas fizeram seus planos. Afinal, é bom sonhar (nem que seja por algumas horas). Hoje com o assunto na primeira página dos jornais, me veio cabeça o que fazer com esta dinheirama toda. Para minha surpresa, me vi projetando vida longa para o Instituto IDEAL e a energia solar. Os recursos da Sena iriam para um fundo de apoio a projetos nessa área. E na construção desse sonho, cada passo bem pensado, focado em projetos viáveis cada mais próximos de acontecer. No mesmo dia, como para confirmar minhas convicções, duas notícias animadoras: o Estádio de Brasília para a Copa de 2014 vai ser solarizado e a nova fábrica da GM em Joinville também. Na próxima segunda-feira vou estar lá, testemunhando a assinatura do contrato de um grande telhado fabril coberto por uma estrutura solarizada. Santa Catarina passará a ter o primeiro prédio público (Eletrosul) e a primeira fábrica a receber placas fotovotaicas.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Ayres Brito, um bom exemplo

O ministro Ayres Brito, do Supremo Tribunal Federal, tem se notabilizado como magistrado por seus posicionamentos, formação e cultura. É prazeroso ouví-lo. Na última sexta-feira esteve em Porto Alegre a convite da RBS. Entrevistado por jornalistas, magistrados, políticos e autoridades presentes, o sergipano Ayres Brito deu uma aula de conhecimento jurídico, compromisso com a democracia e com os valores éticos. Sobre tudo que falou registro sua resposta a jornalista Carolina Bahia sobre a resistência das autoridades ao controle do cidadão:

"Às vezes, para não dizer muitas vezes, o administrador confunde tomar posse no cargo com tomar posse do cargo. Daí o nepotismo, que nós proibimos lá no Supremo numa ação específica, da qual eu fui o relator. O nepotismo golpeia de uma só vez o princípio da moralidade, da impessoalidade e o princípio da eficiência administrativa. De sorte que os tribunais de contas ficam cada vez mais habilitados, como o Ministério Público e a imprensa, a escarafunchar a vida dos administradores públicos e também dos juízes. Eu acho que os juízes devem ser sindicados mesmo na sua atividade, porque é absolutamente impensável, chega ser uma hecatombe do ponto de vista ético, um magistrado venal, um magistrado corrupto. Então é natural e até necessário que a sociedade se organize em torno dessa curiosidade maior, dessa cívica ou santa curiosidade pelas coisas do poder, porque quem detém o poder, aí eu vou citar Montesquieu, tende a abusar dele. E Lord Acton criou naquela frase também definitiva, de que o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente".

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Europa em crise

Para muitos analistas essa semana era decisiva para a crise européia. Com a saída dos ingleses do acordo, não sei o que irão comentar na segunda. Ao que parece, os argumentos de Merkel e Sarkozy não foram suficientes para convencer o primeiro-ministro britânico, David Cameron, a se juntar ao grupo. O Reino Unido sempre resistiu a moeda única, tanto é que não aderiu ao euro, como também agora sinaliza que não irá se submeter aos tratados que impõem punições e obrigam os países a manter o déficit até 3% do PIB e a dívida até 60% do PIB. Duas condições, a rigor, "só para inglês ver" já que quase todos os países não as cumprem. A chanceler alemã, Angela Merkel, insiste no ponto da austeridade fiscal e que a crise da dívida da zona do euro levará anos. Novas medidas de austeridade começam a ser implementadas na Grécia, Itália, Portugal e Espanha. São novos governantes utilizando velhas fórmulas de reajuste fiscal: corte de gastos e aumento de impostos. Até quando irão aguentar os protestos nas ruas é a pergunta que todos fazem?

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Senado aprova novo Código Florestal

No meio a manifestações (a favor e contra), o Senado aprovou na última terça-feira o novo Código Florestal. Como o projeto aprovado pela Câmara sofreu modificações no Senado, a matéria terá que retornar à Câmara. Segundo o presidente da Casa, o deputado Marcos Maia, a matéria só será votada no próximo ano. O texto aprovado no Senado já produziu reações na Câmara, onde a força da bancada ruralista é bem maior. Ontem mesmo os principais líderes do movimento, como o deputado Ronaldo Caiado, já protestavam contra o que tinha sido aprovado pelo Senado. Alegavam que o novo código limita as atividades no campo: tanto na agricultura como na pecuária. Outro ponto polêmico foi a anistia dada a quem desmatou até julho de 2008. Pelo projeto da Câmara estavam livres de recompor a área que desmataram. E não era pouca coisa: são 55 milhões de hectares de floretas desmatadas - área do tamanho da França. O texto do Senado obriga os fazendeiros de recomporem a mata ciliar. Áreas sensíveis como topo de morro e beira dos rios ficaram também menos protegidas no novo Código. Sempre me posicionei contra uma legislação ambiental menos restritiva. Tenho lá minhas razões: o poder destrutivo do homem; a falta de consciência coletiva; o descaso com o meio ambiente - estão sempre acima do poder de ficalização do Estado. Ontem mesmo, em cadeia nacional, assistimos grandes empresas laranjas sendo autuadas por estarem produzindo carvão vegetal a partir do desmatamento de mata nativa.

PS- POR FALAR EM DESMATAMENTO ..... parece que no próximo domingo, para o bem da nação, o Estado do Pará não será desmembrado. Pesquisas recentes mostram que o movimento separatista perde força. Sempre é bom lembrar que o Pará é o campeão do desmatamento. Com a divisão, mais árvores tombariam.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Morte na cozinha

Em Évora, Portugal, durante os debates que antecederam a criação da Academia Solar Global ( já comentado no blog), um tema que chamou a atenção de todos foi sobre a utilização dos fogões a lenha pelas camadas mais pobres da população. Um gravíssimo problema de saúde pública, desconhecido por muitos, que atinge 3 bilhões de pessoas. É a dura realidade dos que ainda se utilizam dessa forma rudimentar de cozinhar, com consequências seríssimas à saúde. Respirar, diariamente, a fumaça proviniente da queima da madeira, segundo a Organização Mundial da Saúde é o fator ambiental responsável pelo maior número de mortes no mundo. Segundo o doutor Drauzio Varella, morre mais gente como consequência desse tipo de poluição doméstica do que de malária. Mulheres e crianças que vivem na pobreza extrema são as que correm mais riscos: justamente por ficarem mais tempo em casa respirando o ar impregnado pela fumaça do fogão a lenha. Além da tragédia humana, a queima doméstica de lenha contribui para a degradação do meio ambiente e para a destruição das florestas. Segundo o doutor Drauzio, no Peru, cerca de 10 milhões de habitantes vivem em casas pequenas e pouco arejadas, dispersas por 70 mil comunidades espalhadas pela cordilheira dos Andes. E lá os fogões a lenha funcionam os 365 dias do ano. Para cozinhar e aquecer . E eles matam. Estudos da OMS indicam que nessas habitações a poluição interna é intensa e que mais de 40% das mulheres apresentam graves problemas de saúde associados à doenças pulmonares obstrutivas crônicas.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A foto de Dilma - Parte II

Foram inúmeros os comentários que recebi sobre a "a foto de Dilma". Alguns publiquei, outros respondi diretamente. O sentimento geral foi a beleza da foto que registrou a altivez com que uma jovem revolucionária se portou diante dos seus inquisidores. Quantas "dilmas" passaram pelos porões da ditadura por defenderem um Brasil livre e democrático? Quantas delas de lá nunca sairam? A foto de Dilma de alguma forma conforta homens e mulheres que por lá passaram sem nome e sem registro.

Você pode ver a foto, clicando neste link.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A foto de Dilma

Falar da queda do ministro Carlos Lupi no mesmo dia que os principais jornais divulgaram a foto emblemática da jovem Dilma Rousseff, aos 22 anos, sendo interrogada por seus inquisidores, dá uma idéia da enorme distância que os separa. Lupi fez de tudo para continuar no cargo: foi ameaçador ao afirmar que só sairia a bala, patético quando declarou seu amor a presidente Dilma e desrepeitoso com a Comissão de Ética da Presidência que recomendou sua demissão. Dilma comeu o pão que o diabo amassou durante a ditadura. Agiu como militante de esquerda, com dignidade e desejo de liberdade. Seu olhar na foto impressiona: é de uma pessoa segura e convicta. Quem passou por tudo que ela passou sabe muito bem que uma sociedade não tem futuro se insistir em ignorar valores éticos. Lupi foi o sétimo ministro a ser afastado. Quem conhece um pouco da política sabe a dificuldade que é promover afastamento de ministros em série como Dilma vem fazendo. Se há algo em comum numa foto de hoje da presidente Dilma, com aquela de 40 anos atrás é o olhar seguro de suas convicções.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Mancha

Ele entrou na minha vida há 14 anos atrás. Me lembro perfeitamente do dia que nos encontramos. Fui pegá-lo no interior de Santa Vitória do Palmar, quase fronteira com o Uruguai, vindo de uma viagem de carro ao Chile. Diferentemente da grande maioria de sua raça ele era alto e magro. Todo preto e com uma mancha branca no peito. Seu nome veio na hora: "mancha". Pernas compridas e um jeito de vira-lata, seu biotipo fugia um pouco do padrão tradicional dos labradores. A explicação dada foi de que numa ninhada de 9 o último a ser escolhido foi ele, portanto...... os mais bonitinhos já tinham sido dados. Inteligente e carinhoso, adorava a rua. Bastava um pequeno descuido e o Mancha sumia. Numa ocasião a festa foi tão grande que eu pensei que não voltaria mais. A cena de sua chegada cambaleante, magro e com o "pinto" quebrado retrata com precisão o que foi sua vida. Nos seus últimos dias, Mancha dava claros sinais de que ia nos deixar. Sabia que a morte estava chegando e não tinha vontade de prorrogar a vida. Já não comia. Cada dia mais fraco, também não se levantava mais. Na quinta-feira, quando embarquei em Montevidéu no Aeroporto de Carrasco, me chamou a atenção um enorme out-door, com a seguinte mensagem:"no és un cachorro és un miembro de nuestra familia". Na hora me veio a lembrança o Mancha. Cheguei em casa na quinta à noite, no dia seguinte ele morreu.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

De volta a Ilha

Sempre é bom voltar para casa (mesmo sabendo dos engarrafamentos que te esperam). Depois de dois bons eventos sobre energias renováveis e eficiência energética na América Latina volto com a certeza que há muito a fazer. Por outro lado é confortável saber que há consensos, como por exemplo: as condições únicas da AL; a necessidade de se descarbonizar o continente; a importância de nos integrarmos. Também foram levantadas as principais barreiras que nos impedem de avançar na integração plena de nossos países: a desconfiança e a geopolítica. São dois desafios a serem superados. A melhora na infraestrutura exigirá investimentos na região da ordem de 5% do PIB regional. Atualmente investimos 2%. O comércio regional, que em 1990 representava apenas 3% do que os países exportavam ganhou espaço, e em 2010 chegou a 25% do total das exportações. Com a melhora na infraestrutura deve dobrar seu tamanho. Especialistas do CEPAL, CAF, CIER e outras instituições de carater regional acreditam muito nas potencialidades latinas para as próximas décadas. A renda per capita regional esperada é de 20 mil dólares, mais do que o dobro do que se tem agora.

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