sexta-feira, março 30, 2012

O Código dos códigos

Foi com o título acima que Efraim, sempre atento, comenta no seu blog a novela do Código Ambiental. Reproduzo abaixo seu comentário. Pela relevância do tema, sempre que puder vou deixar registrado no blog as diferentes opiniões (que nem sempre coincidem com as minhas). Boa leitura!

"Sempre desconfie quando a coisa parece simples demais.Será possível que em um país com milhões de pessoas envolvidas com a produção de alimentos e outros milhões preocupados com nossa situação a longo prazo, que a coisa toda se reduza a "preserve-se 15 ou 30 metros à margem dos rios e outros detalhes similares ?Por que tão poucos produtores sabem dos aspectos positivos do código atual, como a permissão para uso sustentável de reservas legais, ou também a possibilidade destas reservas serem fora de sua propriedade ?A quem interessa reduzir a discussão sobre o código florestal a um simples embate entre a turma de Kátia Abreu com a turma de Marina Silva ?Em sua campanha, a presidente Dilma afirmou que vetaria o Código Florestal se ele contivesse uma anistia aos produtores que já desmataram. Há grande pressão ambientalista para que ela exerça este poder, mas poucos sabem que há também grande pressão dos deputados ruralistas para um veto que jogaria todos os votos do agribusiness no colo do futuro candidato a presidente Aécio Neves.Deputados e senadores estão na mesma de seus eleitores, pouco preocupados com o problema, que é um embate do "paguei pela minha terra e faço nela o que quiser? com "construção do bem-comum?. Assim como o eleitor, seus deputados só querem saber do que os afeta diretamente e em curto prazo. É até surpreendente que se preocupem com uma eleição que ainda será em alguns anos.Já esmiucei nesta coluna os erros hipopotâmicos nos números de Reinhold Stephanes, mas saúdo, por exemplo, seu projeto de atrelar importações de arroz às condições ambientais de produção em seus países de origem. Se vamos melhorar as condições ambientais da produção de alimentos aqui, devemos exigir também naquele arroz que vamos comer. Produtores rurais e ambientalistas não precisam, e muito menos devem, estar em lados opostos.O ex-presidente da Sociedade Rural de Londrina Alexandre Kireeff disse ontem para um auditório cheio, que a classe produtiva está menos exigente com o Código Florestal que seus deputados. Produtores são empresários e como tal, adaptar-se-ão a qualquer ambiente. Não há empresas vendendo hambúrguer de vaca na Índia ? Os empresários acharão o caminho, desde que tenham regras claras.Uma coisa que ficou clara neste debate é que nem ruralistas nem ambientalistas conhecem o novo código. Para os que quiserem beber direto da fonte, vejam o texto aqui. É melhor do que repetir o que outros estão falando, porque também eles estão repetindo o que outros falaram.Vincular a votação do código à legislação da copa é golpe velhaco por parte dos deputados, contrário aos interesses de eleitores produtores, ambientalistas e também da maioria que não quer saber nem de onde vem seu feijão com arroz e muito menos qual será o preço da comida daqui a dez anos.A vida não se resume em festivais. A melhoria ambiental não se limita ao Código Florestal e nem terminará com ele, mesmo que uma luz celestial desça no planalto e seja aprovada uma lei que satisfaça gregos e troianos.Este código não entrará em vigor em outro país senão este mesmo, com suas dificuldades para aplicação da lei e suas chicanes jurídicas".

Efraim Rodrigues, Ph.D. (efraim@efraim.com.br) é Doutor pela Universidade de Harvard, Professor Associado de Recursos Naturais da Universidade Estadual de Londrina, consultor do programa FODEPAL da FAO-ONU, autor dos livros Biologia da Conservação e Histórias Impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores. Também ajuda escolas do Vale do Paraíba-SP, Brasília-DF, Curitiba e Londrina-PR a transformar lixo de cozinha em adubo orgânico e a coletar água da chuva. É professor visitante da UFPR, PUC-PR, UNEB - Paulo Afonso e Duke - EUA

quinta-feira, março 29, 2012

Os BRICS

Com a entrada formal da África do Sul, o Bric virou Brics. Agora são 5 países. Embora a África do Sul seja o menor PIB e a menor população, seu ingresso no grupo é bem vinda pela importância que tem no continente africano. Na Índia, Dilma voltou a pautar a crise econômica mundial. Para ela a guerra cambial vem prejudicando as relações comerciais dos países emergentes, entre eles o Brasil. Outra medida aprovada hoje foi a criação de um banco de fomento voltado para finaciar obras de infraestrutura nos países do Brics. Uma boa iniciativa. Embora a distância, a cultura e a língua dificultem a integração, não impediram que o comércio entre eles chega-se a US$ 250 bilhões em 2011.

PS- a Espanha parou hoje. Os trabalhadores ocuparam as ruas em protesto as medidas de austeridade. Os números impressionam 850 mil pessoas foram às ruas protestar contra o governo.

quarta-feira, março 28, 2012

Até tu Demóstenes....../ Pena que foste tu Millôr

Quem não se lembra do esforço diário do senador do DEM de Góias, Demóstenes Torres, de se apresentar como "um senador fora de qualquer suspeita". No entanto, suas ligações com o empresário do jogo do bixo Carlinhos Cachoeira levou o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, anunciar hoje abertura de inquérito para apurar eventuais irregularidades cometidas pelo senador. Demóstenes, visivelmente abalado, trocou os corredores e as luzes do Senado pelo silêncio do seu gabinete. Fragilizado com as denúncias optou por renunciar à liderança do DEM no Senado.

Distante de Brasília, no aconchego do seu apartamento, morre no Rio de Janeiro um verdadeiro brasileiro, um grande intelectual, um cidadão fora de qualquer suspeita - Millôr Fernandes!

PS- é de Millôr a máxima: "se no Congresso alguém gritar pega ladrão finge que não é com voce".

terça-feira, março 27, 2012

TÉCNICA x CIÊNCIA

Confesso que as vezes somos levados a pensar que a tecnologia pode tudo e estará pronta para responder os desafios futuros da humanidade. Eu mesmo já escrevi sobre essa possibilidade. Não deixa de ser animador acreditar que a inteligência vai superar as limitações naturais do planeta terra. Lendo recente artigo de Ricardo Abramoway, professor titular do Departamento de Economia da FEA e do Instituto de Relações Internacionais da USP, sobre a RIO + 20 vem um alerta "Os documentos iniciais da ONU e o do Brasil para a RIO + 20 cultivam o mito do crescimento econômico perpétuo de forma completamente acrítica". Abramoway lembra que a civilização contemporânea vive a explosiva combinação da evolução tecnológica rápida e evolução ética e social lenta, comprometendo, já numa primeira constatação, a qualidade de vida na terra. Um estudo recente publicado na revista Nature mostra os efeitos desse descompasso. Para os cientistas responsáveis pelo estudo o "mito do crescimento econômico eterno adotado entusiasticamente por políticos e economistas para evitar decisões dificeis", basea-se no poder da técnica que a ciência não autoriza e a ética não recomenda. O artigo de Ricardo Abramoway(FSP- 27/3), nos ajuda a refletir sobre o mundo que encontramos e o mundo que vamos deixar para os que virão.

segunda-feira, março 26, 2012

Ponta do Coral: vale a pena lutar por esse lugar





Fazia um bom tempo que não percorria os 500km que separam Porto Alegre de Florianópolis em menos de 5 horas. Sem cometer imprudências, com a estrada livre, foi possível chegar a tempo para participar da grande manifestação em defesa de Ponta do Coral. Como nos velhos tempos, jovens sonhadores se misturavam com velhos militantes. A chegada do Afonso e a Mirian de guarda-chuva protegendo dos primeiros pingos que começavam a cair no final da tarde de sexta-feira ilustra bem o clima que tomou conta da Ponta do Coral, no dia que Florianópolis fazia 286 anos. A camiseta que eu vestia, tirei do baú. Embora desbotada pelo uso e pelo tempo ainda dava para ler - Ponta do Coral: vale a pena lutar por esse lugar! A camiseta era de 2002, mas a luta é de 20 anos atrás. Muitos dos manifestantes que estavam lá, não tinham ainda nascido. O que os levou até a Ponta do Coral para protestar é algo mágico, que só a cidadania explica.

domingo, março 25, 2012

Florianópolis, 300 anos

Olhar para o futuro me encanta. Acho que está no meu DNA. No próximo dia 23, Florianópolis comemora 286 anos. Como nesse dia as programações são festivas, falta espaço para refletirmos se há motivos para se festejar. Por isso resolvi escrever sobre a Florianópolis do futuro, com 300 anos de idade. Como tenho minhas dúvidas de que os prefeitos e vereadores que virão serão capazes de criar restrições ao crescimento urbano desordenado, a cidade que vislumbro será pior da que temos hoje. Sem um planejamento e com uma população beirando um milhão de habitantes, inevitavelmente, Florianópolis perderá qualidadede vida. As ruas, pelo tipo de cidade que temos, serão praticamente as mesmas. Só que os carros a disputá-las serão mais de 500 mil. A especulação imobiliária continuará muito ativa nesse período de tempo que nos separa dos 300 anos de nossa capital. Portanto, nesses 14 anos que faltam, a cidade vai incorporar milhares de novas edificações. Morros e mangues ocupados, ruas engarrafadas, praias lotadas são imagens que me vêm à cabeça nos 300 anos de Florianópolis. No entanto, esse cenário que vislumbro não é o que a grande maioria da população quer. Impedir o caos urbano é obrigação nossa. Sem nos preocuparmos com as rotulações, a hora é de unir esforços em defesa de uma cidade preservada. Dizer NÃO a especulação é o presente simbólico que devemos dar a Florianópolis pelos seus 286 anos de vida.

PS- o artigo acima foi publicado no Diário Catarinense na semana das comemorações dos 286 anos de Florianópolis. Pela repercussão que teve resolvi repassá-lo para o blog.

sexta-feira, março 23, 2012

A vez da Brasil (parte 3)

O último comentário que faço, do porque acho que é a "vez do Brasil", fica por conta da China. Como é o último, e por se tratar da China, confesso que é o mais impreciso. Primeiro, por uma questão de honestidade intelectual, porque conheço muito pouco da China. Segundo, pelo fato da China ser um dos poucos países que se programa no longo prazo e sua estratégia de desenvolvimento é restrita a cúpula partidária. Terceiro, pela tamanho de sua economia onde um espirro pode abalar tanto economias emergentes como consolidadas. Com esta introdução, me arrico a registrar algumas preocupações que podem gerar dúvidas sobre o futuro da China. As indicações de analistas apontam para uma retração do gigante asiático, atingindo não só os seus parceiros comerciais (Brasil entre eles) mas também a própria China. O governo repensa o forte crescimento urbano das duas últimas décadas, por algo mais controlado que contemple a permanência dos chineses no campo. As cidades estão saturadas e devem ser repensadas. Obviamente, isso implica em menos investimento na construção civil e redução na demanda por commodities. Um país mais voltado para si, priorizando a renda e o consumo interno pode ser o novo desenho da China. Como uma decisão dessa natureza gera uma reação a setores que se beneficiaram muito nas últimas décadas, vale a pena acompanhar para que lado vai a balança.

quinta-feira, março 22, 2012

A vez da Brasil (parte 2)

Depois da análise sobre os EUA comento agora as razões pelas quais não vejo a Europa, como o modelo econômico que irá prevalecer nesse século. Sem falar na crise do euro, na Grécia ou em Portugal, no velho continente a crise também atende pelo nome - desemprego! Sem resolver esse problema as dificuldades sociais, políticas e econômicas continuarão presentes na Comunidade Européia. E o pior: não é fácil criar empregos por lá. A infraestrutura está pronta, a indústria competitiva está em poucos países (basicamente na Alemanha), a mão de obra é cara e a migração que recebe de países periféricos é constante e onerosa. Vide a Espanha, quarta ou quinta economia do bloco, mesmo com nova administração já dá sinais de esgotamento. O governo acaba de trocar e as contas não fecham. As duras medidas de austeridade adotadas ainda não mostraram seus efeitos na economia. A dívida pública atinge o recorde, 68% em relação ao PIB, deixando a Europa de prontidão. O nível da dívida espanhola, o maior desde o início da série estatística em 1995, supera o limite de 60% estabelecido pelo pacto fiscal assinado no início desse mês por 25 países europeus. (Fonte: Rodrigo Russo/FSP)

quarta-feira, março 21, 2012

A vez do Brasil (parte 1)

Os comentários que faço são curtos. Ontem me alonguei um pouco. Deixei em aberto as dúvidas que tenho em relação aos EUA, Europa e China como projetos de desenvolvimento hegemônicos para o mundo nesse século. Analisá-los ia estender demais o comentário. Por isso resolvi tratá-los individualmente. Pela proximidade começo pelos EUA. A crise que atingiu os EUA deixou o governo Obama na defensiva. Sem maioria no Congresso teve dificuldade de aprovar medidas que constavam de sua plataforma eleitoral. O grande desafio americano continua sendo criar empregos. Para os empregos serem criados, Obama precisa de mais impostos e criatividade na hora de utilizar os recursos públicos. Desde que assumiu tem demonstrado compromisso com as energias renováveis. A bem da verdade tem feito pouco. Talvez se reeleito possa se libertar das guerras, dos lobbies do petróleo e dar mais atenção as energias limpas. Com certeza elas criam emprego em larga escala.

Como estamos num ano eleitoral, tudo pode acontecer. Para a sorte de Obama (e do mundo), os republicanos vão sair das prévias pior do que entraram. Os resultados até agora mostram o partido sem rumo e sem uma liderança que os una. Paul Krugman, um profundo conhecedor da economia e da política americana, em recente artigo comentou:"para ser um republicano respeitado, você precisa acreditar, ou fingir que acredita, em duas curas mágicas para o que quer que esteja prejudicando a economia: mais cortes de impostos para os ricos e mais prospecção de petróleo".

A estas duas bandeiras republicanas soma-se a relação histórica do partido com a indústria bélica. Em pleno século XXI, se envolver com guerras, incentivar o uso do petróleo e reduzir impostos das grandes fortunas não pode servir de modelo para um mundo melhor.

PS- Nem o encontro do BID em Montevidéu, com mais de 3000 particpantes, foi capaz de ocupar as primeiras páginas dos jornais locais. Todos vem destacando o escândalo envolvendo dezenas de mortes(ainda não se sabe o número certo) praticadas por enfermeiros homicidas há mais de oito anos. Segundo a polícia o número de mortos pode chegar a 200. Injetavam morfina em grande quantidade provocando parada cardiorespiratória.

terça-feira, março 20, 2012

O Brasil visto de fora

Num texto recente de Thomas Friedman para The New York Times, ele comenta sobre o livro Power, Inc de David Rothkopf, diretor e editor-geral da revista Foreign Policy. Segundo ele, a grande indagação sobre o século XXI será qual versão do capitalismo predominará. Cita, textualmente, os modelos: chinês, europeu, americano ou o novo capitalismo que favorece o desenvolvimento democrático, como o do Brasil.

Depois dessas obervações iniciais, Rothkopf volta-se para os EUA e seus desafios objeto dos seus estudos e do livro que publicou. Como não li o livro e nem me considero um expert na situação econômica e política dos EUA, o comentário que faço é sobre a citação que foi feita ao Brasil. Identificá-lo como uma referência num projeto global de desenvolvimento democrático era, convenhamos, algo impensável há 10 anos atrás. Essa condição que conquitamos, lá fora é muito mais reconhecida que aqui. Ontem, por exemplo, recebi uma ligação da Embaixada da Austria na Argentina para ver se podia agendar um encontro com Josef Hofer, do Conselho Comercial da Austria para a América Latina, e com Christian Gessi, membro da Federação Econômica da Europa Central e dos Países Bálticos. Como souberam que eu estava em Montevidéu e eles na Argentina procuraram viabilizar uma agenda.

Almoçamos juntos e trocamos informações. Da parte da Austria há um claro interesse de se aproximar com o Brasil. Um país pequeno, com 8 milhões de habitantes, mas tecnologicamente muito avançado. Viena, a capital, é considerada a cidade melhor resolvida no mundo sobre o ponto de vista urbano. Vamos ter a oportunidade de conhecer um pouco melhor a Austria no seminário que o Instituto IDEAL irá promover dias 24 e 25 de abril, em Florianópolis.

Nosso contato com a Austria é muito recente, é desse ano. No entanto, são situações como essa que seguidamente nos envolvemos é que confirmam o título desse comentário. Lá fora tem muita gente de olho no Brasil. Penso que estamos num momento ímpar para criar o que David Rothkopf chamou de "desenvolvimento democrático". Imaginem o Brasil servindo de modelo para o mundo. Nada impossível: a Europa em crise, os EUA patinando e os nossos parceiros do BRIC com dificuldades políticas, sociais e ambientais bem mais complexas do que as nossas. O Brasil, ao que parece, é mesmo a bola da vez!

segunda-feira, março 19, 2012

la RAMBLA

Toda vez que estou em Montevidéu acho um tempo para caminhar na Rambla. No domingo, logo que cheguei, foi o que fiz. Como sempre acontece num dia de sol, a Rambla estava tomada de gente. Ali é o lugar para passear, jogar bola, andar de patins, de bicicleta, correr, caminhar com o cachorro, pescar ou sentar na grama para ler um livro. A Rambla é o grande parque da cidade. Criada na primeira década do século passado, unindo o centro ao bairro de Carrasco, a Rambla é um largo passeio de 20 km de vista permanente para o mar. Nada é permitido construir. Tudo é público. E todos se sentem donos da Rambla. Quando eu vejo o que fizeram com Florianópolis, e o que ainda querem fazer, sinto pena. Agora mesmo sobre o emprendimento da Ponta do Coral, com 660 apartamentos bloqueando o passeio e a vista, fico pensando se esse projeto fosse na Rambla. O país parava. Jamais permitiriam tamanha violência a cidade e ofensa a cidadania. Alías, cidadania é algo de muito valor no Uruguai.

PS- hoje nos reunimos na Parlamento do Mercosul para avaliar o Concurso Mercosul/2011 e como vamos promovê-lo no ano que vem. Aprovamos incorporar no próximo concurso experiências empresariais na área da sustentabilidade, da eficiência energética e das energias renováveis. Vai ser dado um importante salto.

sexta-feira, março 16, 2012

Rubens Ricupero e a Lei Geral da Copa

Diante das trapalhadas na condução da Lei Geral da Copa, a permissão de venda de bebidas alcoólicas deixou todos "batendo cabeça" bem antes das bebidas serem tomadas. Uma espécie de porre antecipado. Eu, como muitos, acho um retrocesso a liberação. Mas ela consta do acordo que o governo fez com a FIFA para o Brasil ser sede da Copa. E isso é o que vale. No meio do tiroteio o relator do projeto, deputado Vicente Cândido, do PT/SP, saiu-se com essa: "temos que contratar psiquiatras, psicólogos e neurologistas para entender o que aconteceu". Caro deputado não precisa nada disso. Basta ler o que foi acertado entre o governo brasileiro e a FIFA. Em 2003 quando apresentei o projeto "Estádios Solares" ao presidente Lula, ele gostou da idéia e foi claro: "tens que tratar isso com a FIFA, a Copa é com eles". E todos no governo sabem disso. O problema é que as coisas boas são divulgadas e o que é ruim para a imagem, aquilo que dá desgaste, é escondido. Aliás, há muitos anos atrás Rubens Ricúpero deixou de ser ministro por ter usado essa expressão.

quinta-feira, março 15, 2012

Mui amigos

A base aliada tem dado trabalho a presidente Dilma. Em represália ao constrangimento que a fizeram passar no Senado os líderes do governo na Câmara e no Senado dançaram. As mudanças feitas no afogadilho agravaram ainda mais o clima. Se aproveitando do momento os senadores do PR, ainda ressentidos com a saída do Ministério dos Transportes, se afastam da base aliada. Até o Collor aproveitando-se da crise, da Tribuna, relembra seu passado. Como querendo associar as dificuldades atuais de Dilma ao processo que o levou ao impeachment. É muita cara de pau.

quarta-feira, março 14, 2012

A Unicamp

Considerada uma das melhores universidades do Brasil, a Unicamp tem tudo para liderar o ranking das melhores universidades latinas. Com espaço físico para se expandir e produção científica de qualidade, a Universidade de Campinas é uma referência no Brasil. Ontem a universidade acolheu o 2º INOVA Fotovoltaico, que reuniu especialistas, governo, profissionais, empresas e instituições de pesquisa que atuam na área da energia solar. O encontro reuniu mais de 300 participantes, do Brasil e do exterior, confirmando nossas previsões pelo interesse crescente sobre o tema. Como os próprios organizadores lembram: ¨o evento serviu para catalisar a construção de uma ação coordenada para o setor nos âmbitos tecnológico, regulatório, de infraestrutura física, talentos, mercado e investimentos" .

terça-feira, março 13, 2012

O Japão depois de um ano de Fukushima

A semana começou com tanta notícia, que foi dificil escolher o comentário de hoje. Para os amantes do futebol a renúncia do Ricardo Teixeira, depois de 23 anos a frente da CBF, deve ocupar boa parte do noticiário esportivo do dia. A outra parte, penso que vai ficar por conta do cartão vermelho que o imperador Adriano levou do Corinthias. Para quem acompanha a onda de violência no mundo, o noticiário também está farto: ataques na Faixa de Gaza, assassinatos no Afeganistão e a crescente morte de civis na Síria.

Como ontem escrevi sobre o petróleo resolvi continuar no tema. Para subsidiar meu comentário de hoje sobre uma possível crise energética global, o apoio veio das informações de Paula Leite, enviada especial da FSP ao Japão. Ao completar um ano do desastre de Fukushima a recuperação das cidades atingidas tem encantado o mundo. No entanto, o desafio energético da quarta economia do mundo está longe de ser resolvido. O Japão não tem petróleo, nem gás. Seu potencial hidroelétrico está esgotado. Depois de Fukushima, das 54 usinas nucleares existentes só duas estão funcionando. Além do mais, depois do ocorrido, a opiniãopúlica tem se colocado contra a operação e construção de usinas nucleares. Só que, antes de Fukushima, o plano do governo japonês era elevar a participação da energia nuclear dos atuais 24% da energia elétrica gerada, para 50% em 2030, comenta Paula. Repensar a matriz energética exige tempo, inteligência, dinheiro e novas alternativas. Em razão das restrições naturais que o Japão tem, a saída da crise energética do país vai vir da inteligência e da determinação do povo japonês. O desafio é grande, afinal importam 99% do petróleo que consomem. Novas tecnologias e uso racional da energia é pauta do governo japonês para as próximas décadas.

PS- o Japão depois dos EUA e da China é o país que mais importa petróleo, e boa parte vem do Irã.

segunda-feira, março 12, 2012

Petróleo, até quando?

Em dólar o preço do barril deu um pulo, está custando no mercado 127 dólares. As consequências ainda não chegaram no bolso do brasileiro porque a Petrobras vem assumindo as variações no preço do mercado internacional. Até quando, ninguém sabe. No entanto, basta acompanhar o noticiário para concluir que novos aumentos virão. A demanda cresce acima da oferta, logo....
Se a Petrobras vai continuar segurando o preço não sei dizer.

Se não bastasse as regras do mercado, o preço do petróleo também é afetado pelos conflitos na região. O Irã, por exemplo, é o segundo país que mais produz petróleo na OPEP, só fica atrás da Arábia Saudita. Como todos sabem o Irã é a bola da vez de um possível conflito na região. Esse "pequeno detalhe" já é suficiente para fazer os preços flutuarem.

Independente dos conflitos e do mercado, o futuro do petróleo também está diretamente ligado ao comportamento da economia no mundo: principalmente, nos países emergentes. O crescente consumo em países como a China e a Índia vão fazer a diferença. Nessa década, ainda vamos ouvir falar muito sobre preço e disponibilidade do petróleo.

sexta-feira, março 09, 2012

Base aliada puxa o tapete da Dilma

Diz o ditado que política é a arte de engolir sapo. Nessa semana, "aliados" que juram fidelidade a presidente Dilma puxaram seu tapete impondo sua maior derrota no Senado. Para alguns um golpe de mestre, para outros foi o troco por não terem sido atendidos. A sociedade, que repudia essas manobras, mais uma vez se solidariza com Dilma como tem se verificado nas pesquisas de opinião. Por 36 votos a 31 os senadores impediram a recondução de Bernardo Figueiredo a direção da ANTT. O pior veio no dia seguinte, como o voto é secreto ficou o dito pelo não dito. Protegidos pela dúvida voltam a cena política para cobrar a liberação de suas emendas. Acuado, o governo dá sinais de que pode liberar os recursos para conter a "rebelião dos aliados". Se conheço um pouco a presidente Dilma deve estar sendo duro engolir esse sapo. O tempo dirá.

quinta-feira, março 08, 2012

Nem todos são especuladores (ainda bem)

Nos debates promovidos pela TV COM sobre a Ponta do Coral ficou clara a intenção do empreendedor de desconsiderar a lei e transformar seu projeto num fato consumado. Alías, esta tem sido a forma encontrada de se implantar projetos pelo Brasil afora. No lucrativo jogo da especulação imobiliária, os ganhos justificam os meios. No entanto, ontem a noite, enquanto aguardava o debate, folhando o encarte de uma publicação do BB desse mês fiquei conhecendo Jayme Vita Roso. Apresentado como um obstinado pela preservação ambiental, logo despertou meu interesse. Advogado, descendente de italianos, seus ancestrais se estabeleceram em São Paulo no início do século passado, período de grande fluxo migratório. Em 1964 seu Vita Roso adquire com suas economias um terreno, com cerca de 75 hectares (750 mil metros quadrados- 70 vezes maior que a área da Ponta do Coral). Localizado a 20 km da Praça da Sé, logo a área despertou o interesse de investidores. Sensível as causas ambientais e preocupado com o futuro da cidade, seu Vita não pensou duas vezes: trocou altos ganhos com o empreendimento imobiliário, pela criação do Ecoparque Curucutu, a única Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) localizada dentro do município de São Paulo. No local ele já plantou mais de 800 mil mudas de árvores nativas. Embora o Ecoparque Curucutu seja fruto do trabalho obstinado e quase solitário de Vita Roso, o que chama a atenção é que ele não reconhece o parque como seu patrimônio. Para o ambientalista o parque é o seu legado para a cidade de São Paulo e as pessoas que nela vivem.

PS- depois do que ouvi sobre a Ponta do Coral, só cresce a minha admiração pelo senhor Vita.

quarta-feira, março 07, 2012

Ponta do Coral, o debate continua (parte II)

Durante o segundo debate na TV COM, a intervenção da Superintendente do Patrimônio da União, Isolde Espíndola, não deixou dúvida sobre os vícios de origem no projeto da Hantei para ocupação da Ponta do Coral. Para Isolde o projeto, que se baseia numa lei de 2005, da Câmara Municipal, é inconstitucional. Não cabe ao Município legislar sobre terra da União. Depois veio a intervenção do Loreci, com um resgate histórico sobre a Ponta do Coral. Profundo conhecedor da cidade e de como a especulação imobiliária se apropria das melhores áreas que nos restam, Loreci foi incisivo nas suas intervenções. Para quem assitiu o debate ficou claro que interesses obscuros estão por trás da ocupação daquela área.

terça-feira, março 06, 2012

Ponta do Coral, o debate continua.

Ontem, a Ponta do Coral voltou a ser debatida. A composição da mesa na TV COM, visivelmente pró empreendimento, não impediu que a manifestação da maioria dos telespectadores fosse de repúdio ao projeto. Com vícios de origem, a ocupação da área fere a legislação, agride o belo cenário da Beira Mar e agrava ainda mais o problema de mobilidade urbana que ameaça a qualidade de vida de Florianópolis. Hoje a noite, um novo debate irá ao ar. É um bom sinal. Quanto mais debatido for o projeto e suas motivações, melhor para cidade.
A população, que para se deslocar enfrenta engarrafamentos diários, sabe o quanto irá impactar na Beira Mar já saturada um empreendimento com mais de 600 unidades. Com os engarrafamentos chegando na Rótula do CIC, com o novo empreendimento vão chegar na UFSC.

segunda-feira, março 05, 2012

Energia no lugar de armas

A Arpa-E, a agência estatal americana, embora com o orçamento pequeno, começa a dar sinais promissores de resposta ao imenso desafio que é produzir energia limpa e renovável. Na semana passada a Agência de Projetos Avançados em Energia apresentou 250 projetos de pesquisa que se encontram entre a transição da experiência e o interesse do mercado. São tecnologias de ponta que estudam bacterias geneticamente modificadas capazes de produzir biodiesel de alta qualidade, até projetos futuristas capazes de extrair mais energia do vento e do sol. O grande esforço no caso da energia solar é baixar seu preço. Dentre os projetos da Arpa um, por exemplo, é fabricar placas com preço 60% inferior ao que hoje se encontra no mercado. Se conseguir, a energia solar será a grande fonte de energia dessa década. (Fonte: Rafael Garcia, de Washington - FSP)

PS- segundo a fonte, o orçamento da agência é de 180 milhões de dólares/ano - o equivalente a um dia de gasto do exército americano no Afeganistão.
No nosso caso investimos menos de 0,5% do PIB em pesquisa e desenvolvimento.

domingo, março 04, 2012

O Brasil é bem maior que a Copa

A Lei da Copa começou a ser debatida na semana passada no Congresso. Como sempre acontece, os tópicos mais polêmicos foram adiados para essa semana. Entre eles, o que mais preocupa é a volta da venda de bebida alcoólica nos estádios. Suspensa há algum tempo, a proibição foi um importante avanço que veio junto com o Estatuto do Torcedor. Liberar a bebida durante a Copa, para atender interesses comerciais da FIFA, é um grande retrocesso. Espero que nossos congressistas reflitam sobre isso e pensem no Brasil, que aliás é muito maior que a COPA.

quinta-feira, março 01, 2012

Ponta do Coral - uma praça à beira mar

Pela manhã, quando estou em casa, leio os jornais do dia tomando café. Hoje, no espaço dedicado aos leitores do Diário Catarinense, duas cartas sobre a Ponta do Coral me chamaram a atenção. A de Nery Arthur Eller, por exemplo, é um manifesto em defesa da cidade "contra essa aberração ambiental, paisagística e cultural". A outra, de Francisco Nakagawara, nos leva as antigas instalações que haviam no local e foram "destruídas na surdina". Lendo, percebi o quanto o megaprojeto da Hantei está incomodando as pessoas. Parece que a "ficha caiu". Depois de 7 anos, com o reconhecimento da ilegalidade do projeto aprovado pela Câmara de Vereadores de Florianópolis, as reações aos interesses obscuros que o projeto carrega estão aflorando. Sai de casa animado, vestindo minha camiseta de 2003 com os dizeres: Ponta do Coral, uma praça à beira mar!