Desde quando saiu o resultado das eleições no Chile, tenho lido de jornalistas e cientistas políticos, que a vitória de Sebastián Piñera é um recado para o Brasil. Li, que a volta ao poder da “direita” no Chile, representa uma retomada de consciência. E que regimes autoritários anacrônicos, não se coadunam com a geopolítica da região. Tenho acompanhado o que se passa na América Latina e, em particular, com nossos vizinhos, em função da defesa que faço de uma maior presença de energias limpas no nosso continente. Isso me permitiu apontar os vencedores das eleições no Uruguai e na Bolívia, bem antes do resultado das urnas. Com o Chile, também não foi diferente. Comentei no blog que, no segundo turno, Sebastián Peñera seria o vencedor, mesmo tendo Michelle Bachelet a aprovação de 86% dos chilenos. A mais alta aprovação de um governante em todo o mundo. Só essa informação já deveria ser suficiente para os analistas de plantão (à distância), não afirmarem que os nossos governantes não estão preparados para o poder. Bachelet não disputou a garantida reeleição porque no Chile não há esse instrumento (felizmente).
Portanto, meu comentário/registro é de que o Chile não é o Brasil. As diferenças são enormes. Bachelet não conseguiu unificar as esquerdas, que foram divididas para as eleições. O ciclo de 20 anos do seu grupo político, à frente do Chile, dava claros sinais de esgotamento. Seu candidato, Eduardo Frei, já tinha sido presidente, não era nenhuma novidade para o eleitor. A máquina e o peso do governo, não se fizeram presentes nas eleições. Promessas de reforma na previdência e no ensino acabaram não se realizando, sem falar que a crise mundial pegou em cheio no Chile.
Já no Brasil, os números turbinam qualquer candidatura ligada ao atual governo. São inquestionáveis. Vinte e seis milhões de pessoas migraram para a classe C nos últimos cinco anos. O risco Brasil, desabou: de 2700 pontos caiu para 200. O Salário Mínimo, que valia 78 dólares, vale hoje 210 dólares. O crédito de 14% do PIB foi para 34%. Isso gera um forte sentimento de continuidade por parte do eleitor. Sentimento esse que não foi identificado pelo eleitor chileno. Estamos ainda sem candidaturas formalizadas, as alianças na fase do namoro, qualquer prognóstico é pura especulação.
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