sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A Hantei e a Ponta do Coral

O projeto apresentado pela Hantei para a Ponta do Coral é assustador. A Beira Mar, com seu sistema viário já saturado, vai ficar intransitável. O impacto que o empreendimento com 600 unidades vai causar na região como um todo, ninguém comenta. Só o acesso ao emprendimento já interfere no sistema viário, na ciclovia e no calçadão da Beira Mar. Os engarrafamentos que já estão na rótula do CIC, se agravarão. Basta observar, que: a Beira Mar do lado do mar, onde fica a Ponta do Coral, não conta com as duas pistas marginais que existem do outro lado, onde estão os prédios.

Afora isso, o projeto é totalmente dependente de uma área de aterro. Sem ela, nada será feito! Agora, repasso a voces perguntas que não querem calar: por que a União vai permitir o aterramento de Área de Marinha para um empreendimento privado? Por que o empreendedor insiste num projeto cujos vícios de origem são insanáveis?

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

FICHA LIMPA, agora é prá valer

Em março de 2011, portanto há um ano atrás, o STF por 6 votos a 5 julgou que a lei da Ficha Limpa, sancionada em 2010, não poderia ser aplicada nas eleições de 2010. Como consequência, um série de "fichas sujas" voltaram ao cenário político. O mais emblemático dos retornos foi do senador Jader Barbalho, com direito a caretas do filho e tudo. As palhaçadas do rebento tiveram grande repercussão na mídia nacional. Hoje, para felicidade geral da nação, por 7 votos a 4, o Supremo votou pela constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa e sua aplicação para as eleições municipais desse ano. Outra situação escandalosa que a lei corrige é a do artifício da renúncia. Toda vez que um parlamentar se sentia ameaçado de ter seu mandato cassado, renunciava evitando a punição. Agora, quem renunciar para escapar da cassação se torna inelegível por 8 anos. Quem ganha com o resultado do Supremo é a democracia e a cidadania. A democracia porque ela vai evitar que quem foi condenado encontre abrigo no Poder Legislativo. E a cidadania porque a lei teve origem na mobilização da sociedade, através de um abaixo-assinado que posibilitou sua tramitação no Congresso.

PS- me enganei na contagem - foi 6 a 5.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A Alemanha e a crise européia

Ainda estava refletindo sobre a crise da Grécia, meu último comentário, quando sou envolvido pela excelente entrevista de Humberto Saccomandi com o Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, no jornal Valor. Perguntas duras, respondidas de forma clara e objetiva fizeram da entrevista uma leitura obrigatória. Questionado se não há por parte da Alemanha um excesso de rigor no pacto fiscal imposto aos países da UE, com pacotes de reformas que atingem os salários dos trabalhadores, renda dos aposentados e desemprego, o ministro foi claro: "só queremos que esses países que necessitam de reformas façam a lição de casa". Num outro momento da entrevista, indagado sobre como a comunidade européia vem reagindo a forma dura como a Alemanha vem se posicionando diante da crise, o ministro Guido foi duro: "não faz sentido dar dinheiro sem resultados". E frisou: "a Alemanha está comprometida com a Europa e com o euro. Queremos administrar essa crise mas você só pode ajudar alguém se esse alguém permitir isso". Quando a entrevista se deslocou para as relações Brasil/Alemanha, o clima melhorou. O ministro Guido fez questão de mostrar a excelente fase de colaboração, política e econômica entre os dois países. A Alemanha, que já é o país que mais recebe pesquisadores brasileiros nas áreas exatas, deve receber mais 10 mil estudantes brasileiros como parte do programa Ciência sem Fronteira do governo brasileiro.

PS- se voce estiver interessado em participar do programa Ciência sem Fronteira acesse o site do ME.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Pobre Grécia

Na Grécia, as manifestações contra as medidas aprovadas pelo Congresso tomam conta das ruas. Cada vez com mais gente, os protestos aumentam de intensidade, a violência e a repressão também. Fica dificil prever o que vai acontecer com a Grécia. O pacote grego é uma paulada nos aposentados e nos trabalhadores em geral. Corte geral de 10% nos salários, corte de 22% no salário mínimo, congelamento por 3 anos de todos os salários, demissão de milhares de funcionários públicos e corte nas aposentadorias. O governo do primeiro-ministro Lucas Papademos, perde espaço no Parlamento e bota em risco a governabilidade do país. Por outro lado, a Alemanha avalista do "presente grego" continua pressionando e exigindo rigor no corte de gastos. Sem essas medidas não há um novo empréstimo. Sem um novo empréstimo de 130 bilhões de euros, não há saída para a Grécia. Os gregos, nas ruas, agora se perguntam: não é melhor conviver com a falência e suas consequências, do que cortar a carne do próprio povo? A resposta cabe a eles encontrar. Só posso dizer que medidas de austeridade tem limites e quando ultrapassados só agravam a crise.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O DC e a Ponta do Coral

Dois domingos atrás escrevi para o Diário Catarinense o comentário abaixo:

Com a chamada "Construções irregulares não tem só na Joaquina" o DC dá
uma importante contribuição ao mostrar como nossa Ilha vem sendo
tomada por construções irregulares. A matéria tem como fundo a posição
do Ministério Público Federal, que anunciou a demarcação das terras de
Marinha na Ilha e alertou para sua obrigação constitucional de impedir
que obras irregulares ocupem áreas da União. Se obras antigas estão
agora ameaçadas de demolição, como se explica que o projeto em curso
de ocupação de área da União, com aterramento de área de Marinha,
proposto pela Hantei, na Ponta do Coral, ainda é uma ameaça a nossa
cidade?

Não é a primeira vez que escrevo para o jornal sobre a Ponta do Coral. Como também não é a primeira vez que o meu comentário, sobre esse projeto irregular e danoso para a cidade, não é publicado. A impressão que tenho é que quando se trata da Ponta do Coral há um filtro. Como cidadão, leitor, colaborador e assinante do jornal venho cobrando uma explicação. Até agora só recebi desculpas esfarrapadas e promessas não cumpridas.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Um jantar para não ser esquecido

Ao longo da vida participamos de jantares que nunca serão esquecidos. Alguns em função da comida servida, outros pelo vinho oferecido, mas na sua maioria é pela companhia. Tem um, em especial, que nunca vou esquecer. Foi em 2003, início do meu mandato de deputado federal, em Brasília. Na época, Dilma Rousseff era ministra das Minas e Energia e para falar do setor elétrico convidou para jantar eu e o deputado Fernando Ferro (PT/PE). Na mesa, no lugar de bons pratos, muito trabalho. Alguns posicionamentos do Executivo sobre políticas para o setor, não me convenciam. Estavam em desacordo com compromissos históricos do Partido. Conforme a noite avançava as divergências afloravam, e a conversa endurecia. No final do jantar, o clima estava pesado. Nem me lembro se tomamos o tradicional cafezinho. Esse fato, ocorrido há tanto tempo, me veio agora lembrança depois que escrevi sobre a greve na Bahia e a posição do Governador em relação a ela. Ser governo leva as pessoas a pensarem e agirem como governo, com um grau de responsabilidade muito diferente daquele exigido para quem não é governo. Confesso que sempre tive dificuldade de entender esse processo de mutação. Mas ele é real e faz parte do pragmatismo que envolve o poder. Hoje entendo melhor como se dá esse processo. Voltando no tempo, e relembrando o jantar, tenho que reconhecer que Dilma estava certa. O que o governo precisava, era o que ela defendia.

PS- não quero viver com as contradições do poder. Prefiro ficar com os meus sonhos........

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Bahia de todos os Santos

A Bahia é um lugar que me encanta. Os baianos, a comida o apreço pela vida fazem da Bahia um lugar muito especial. Nesse momento, atravessa sérias dificuldades. As vésperas do Carnaval, principal evento turístico de Salvador e da Bahia, uma greve da PM está prestes a completar duas semanas. Segundo analistas, por trás dessa movimentação, o que está em jogo é a aprovação da PEC 300 que unifica os pisos salariais de policiais de todo o Brasil. A imprensa tem noticiado a exaustão a greve. E, sempre que pode, lembra que o atendimento as reivindicações passam pela aprovação do governador Jaques Wagner, do PT, um ex-sindicalista. Conheci Jaques Wagner no final dos anos 80. Uma liderança importante no meio sindical, tanto assim que foi deputado, ministro e agora governador. Quando leio jornalistas comentando com insistência essa incoerência/contradição do governador/sindicalista, fico me perguntando: o queriam que ele fizesse? Que pegasse o mega-fone e se juntasse aos grevistas? Acho estranha essa cobrança. Governador, numa greve, tem o seu papel e suas obrigações. Assim como um líder sindical. Querer cobrar de funções distintas , no meio de um confronto dessa dimensão, compromisssos com o passado cheira manipulação da opinião pública. Fico aqui distante pensando com os meus botões ... e se o governador apoiasse a greve em função de sua antiga militância sindical. O que estariam agora escrevendo sobre ele?

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