sábado, maio 26, 2018

Que semana tensa: desgoverno e fake news.

Quando deixei a praia do Cassino, na segunda-feira passada, sem pressa para chegar, logo me deparei com a primeira grande manifestação de caminhoneiros na entrada de Pelotas. Como já relatei, foram quase 1000 km ao longo da BR 101 registrando protestos de toda a natureza. Uma experiência  única para um blogueiro caseiro. Pura coincidência: "repórter por um dia", no meio do furacão que parou o país. Tudo ao vivo e a cores.

De tudo que presenciei, o que mais me preocupou foram as chamadas "notícias falsas". Uma arma contra a cidadania. O seu alcance é devastador. Seus autores, inconsequentes e insanos agem de forma pensada. O alvo pode ser você, um determinado grupo de pessoas ou a sociedade como um todo. Logo que cheguei no gabinete do prefeito de Imbituba, que me aguardava para uma reunião (*), o alvoroço era grande. O assunto era um vídeo que mostrava tanques do Exército se aproximando de Tubarão para retirar os caminhoneiros da estrada(**). Como tinha acabado de passar por Tubarão e não havia nenhuma movimentação do Exército em toda a BR 101, foi fácil desmentir.  Só que o clima de insegurança e pânico que queriam criar: estava criado.

A mesma intenção de provocar o caos, se repetiu ao longo da semana  em relação aos super mercados e postos de gasolina. Novamente, as redes sociais se encarregaram de agravar a crise via as "Fake News". Quanta insensatez. Diante da falta de governo, tudo fica mais fácil. As notícias falsas ganham certa veracidade e se espalham numa velocidade assustadora. 

(*) A reunião em Imbituba era para tratar  da primeira Usina Solar Municipal.

(**) Na sexta-feira, Temer ameaçou colocar o Exército nas estradas. Na mesma hora o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, declarou: governo fraco é que costuma usar a força. Chega ser patético o desencontro entre os Poderes, num momento grave como esse. Se juntaram para colocar Temer e agora não sabem o que fazer com ele.

sexta-feira, maio 25, 2018

Os caminhoneiros e o desgoverno

Uma única certeza vem da greve dos caminhoneiros: o desgoverno é real. Agora todos alegam que foram surpreendidos.  A corda está apertando e não tem plano B. Como observador de ruas e estradas, mesmo sem ser especialista em nada, quando vi os agricultores se juntaram ao movimento e levarem suas máquinas para a estrada, como em Araranguá (foto abaixo), comentei com os meus botões: que encrenca.



Quando estive em Imbituba, os dois trevos da cidade portuária estavam bloqueados (foto abaixo). Os navios ao largo aguardavam a  vez para atracar. O que todos querem saber é sobre a extensão do possível acordo. A trégua anunciada é provisória. Como sempre, meias verdades estão sendo ditas. Em relação ao dólar, a Petrobrás e a politica de preço dos combustíveis. Enfim, até o próximo sufoco.



As consequências da paralização chegaram nas estradas, nas ruas e no dia a dia das pessoas. A origem de tudo partiu dos caminhoneiros autônomos, sem vinculação com as grandes transportadoras. Uma greve sem líderes e com forte adesão. O governo foi surpreendido pela mobilização, o que é lamentável. Sem informação e sem iniciativa, deu no que deu.

quinta-feira, maio 24, 2018

Protesto dos caminhoneiros avança pelo país

Na quarta-feira, durante o meu retorno pela BR 101, pude testemunhar o quanto ganhou força o protesto dos caminhoneiros. Ainda no Rio Grande do Sul, em Terra de Areia, já dava para perceber que o movimento era forte. (foto abaixo)

No terceiro dia de greve em Torres, na fronteira com Santa Catarina, mais caminhões parados. (foto abaixo)


Mais à frente, em Araranguá, os caminhoneiros ganharam o apoio dos agricultores. Em Imbituba, nos dois trevos, tudo parado. Com a prefeitura sem diesel para os ônibus escolares, o prefeito estava para anunciar a suspensão das aulas até sexta-feira. Outra consequência da paralisação é a falta de combustível nos postos. Grandes filas de carro se formavam ao longo da estrada.

Enquanto o caldo engrossa, o governo bate cabeça. Até aí nada de novo.

PS- O diesel já subiu 56% nos últimos 10 meses. Em três meses, a gasolina subiu 24% . A inflação anual ficou em 3%. Os números falam por si. E legitimam a luta dos caminhoneiros.

quarta-feira, maio 23, 2018

Diante o protesto dos caminhoneiros, Temer tremeu

Na praia do Cassino, onde passei o final de semana, também foi bom ficar longe do  noticiário. Não fiquei sabendo do resultado do  Inter e muito menos da mobilização dos caminhoneiros. Quando do meu retorno, na segunda-feira, para minha surpresa, dois grandes protestos de caminhoneiros entre Pelotas e Camaquã. Trânsito lento, a ponto de permitir fotografar o belo por do sol sobre a ponte do rio Camaquã. (foto abaixo)


Temer, bem mais informado  do que eu, tremeu diante o risco da mobilização se estender por todas as estradas. Com seu governo cambaleante, os reajustes da gasolina e do diesel foram a gota d'água. Sem apoio politico e com a popularidade descendo a ladeira, governo e Petrobras buscam uma saída. E por falar em Petrobras, já se deram conta das novas delações? Os delatados e envolvidos ou estão ligados ao PP de Paulo Roberto, ou ao grupo do PMDB do Rio. O que só vem confirmar um  antigo comentário que publiquei aqui no blog: o papel do PT foi de coadjuvante. Queriam tirar a Dilma e prender o Lula. Só não sabem o que fazer com o Temer. A história costuma cobrar por isso...   

terça-feira, maio 22, 2018

Relembrar e registrar

Depois do evento da ABGD em Porto Alegre, um merecido descanso na praia do Cassino em Rio Grande. No extremo sul do Brasil, na maior praia do mundo (*), o final de semana com vento e frio me fez relembrar o passado. E foi assim, caminhando pelas ruas do Cassino que  veio a certeza da importância de se registrar a nossa passagem por aqui. A vontade que já tinha de escrever um livro, se confirmou. A ideia de selecionar comentários publicados ao longo do tempo, no blog de OLHO NO FUTURO, amadureceu nas ruas do Cassino.

A casa que meus pais construíram - na década de cinquenta, onde passei minha infância, continua lá.

O primeiro açougue que tinha no Cassino, também está lá. Virou um cervejaria. Sinal dos tempos.

A antiga estação de trem, que no início do século passado levava as pessoas de Rio Grande até a praia do Cassino, cercada de eucaliptos, virou um centro de cultura.


Da mesma época, o bem conservado Hotel Atlântico resiste ao tempo e continua tendo o seu  valor arquitetônico e histórico (foto acima). Como os velhos casarios, preservados e tombados (foto ao lado e abaixo). Mas o Cassino não é só passado, se modificou com o tempo. Quem quis relembrar o passado foi justamente quem olha para o futuro. Cabe o registro.

(*) Inicialmente a praia do Cassino era conhecida como Vila Siqueira. Sua extensão é de 220 km. Vai até o Chuí, fronteira do Brasil com o Uruguai.







segunda-feira, maio 21, 2018

Ainda sobre o dólar

Durante o seminário sobre energia solar em Porto Alegre, o preço do dólar foi um dos assuntos. E nem poderia ser diferente. Afinal, os painéis solares são importados. Longe de me considerar um conhecedor dos humores da moeda americana, em razão das indagações que fazem procuro ler um pouco.

Para muitos, o fortalecimento do dólar se deve as tensões geopolíticas que envolvem os Estados Unidos. Nada a ver com as incertezas políticas dos vizinhos latinos. As consequências que nos atingem, maiores ou menores, se devem ao grau de comprometimento de cada país com a moeda americana.

Outro consenso que vem do mercado é que o dólar se fortalece diante da expectativa de alta de juros nos EUA. Quanto a isso, se ocorrer, nada se pode fazer. A tendência é de que o dólar irá migrar para o país de origem, se valorizando diante as outras moedas.

Para nós o maior problema vai ser o agravamento do endividamento dos estados. Nada mal para um ano eleitoral, onde os postulantes só pensam nos votos que precisam. Segundo o Banco Central, só até agora a alta do dólar já elevou a dívida dos estados em R$ 15 bi. Perguntem aos candidatos, se eles tem essa informação. E se tiverem, o que pretendem fazer...