quinta-feira, junho 22, 2017

América sem Carbono: sementes estão sendo lançadas



Por onde passo espalho sementes do novo programa do Instituto IDEAL - América sem Carbono. Foi assim na última terça-feira, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, durante o sexto seminário "Cidade bem tratada". Na foto acima a mesa de abertura. Ao centro o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Filho. Na Tribuna a secretária do Meio Ambiente que representava no ato o governador José Ivo Sartori.


Nem o frio afastou os gaúchos do seminário, o que confirma o enorme interesse pelo tema da sustentabilidade e de uma matriz energética mais limpa. Para quem acompanha essa temática há um bom tempo, logo percebe que da curiosidade passamos para a necessidade de nos  envolver mais com politicas globais do bem. Só assim programas como o América sem Carbono deixarão de ser sementes espalhadas pelo vento, para se transformarem num novo paradigma de desenvolvimento.

PS- Mais de mil pessoas passaram por lá. E com certeza terão muita história para contar. São elas que vão fazer sementes virarem árvores e árvores virarem florestas. Só por curiosidade, na foto que recebi contei 34 mulheres e 20 homens. Nada mal, afinal o futuro do mundo é delas.  (Foto acima de Claiton Dornelles) 

quarta-feira, junho 21, 2017

Energia solar: bem acolhida pelos gauchos.

Para surpresa dos próprios gaúchos, o Rio Grande do Sul é o terceiro estado no ranking das instalações de energia solar fotovoltaica ligada a rede (*). De todas as informações que apresentei aos participantes do 6° Seminário "Cidade bem tratada", ontem na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, essa talvez tenha sido a mais impactante. No Jornal do Comércio de hoje o tema abordado foi capa do  jornal.

No dia anterior, na abertura do evento, autoridades locais tinham expressado o compromisso do governo com o setor carbonífero, historicamente presente na matriz energética do Rio Grande do Sul. Utilizando dados do último relatório da Bloomberg, de 15 de junho, procurei mostrar o atraso que representa defender o uso de combustíveis fósseis para o mundo do futuro: inovador e sustentável.

Ao repassar a avaliação da Bloomberg para os próximos anos, que mostra a geração de energia elétrica a partir da queima do carvão desabando na Europa e nos EUA,  penso que é o tipo de informação que irá ajudar os gaúchos a reavaliarem a expansão do uso do carvão em larga escala. Outro dado importante do  relatório sobre o  uso do carvão na matriz energética dos países, sem dúvida foi ter identificando como os dois únicos grandes mercados que ainda sobraram, a China e a  Índia. Aliás, no momento, os dois países que mais tem investido em energia solar fotovoltaica. O mundo, já se deu conta: o carvão polui e o seu custo de extração é crescente (**).

(*) A boa performance do Rio Grande do Sul aparece no  estudo de mercado fotovoltaico 2016, do Instituto IDEAL em parceria com a AHK (RJ) e apoio da ANEEL.

(**) Apesar do presidente Trump pensar ao contrário. América sem Carbono é o caminho.

segunda-feira, junho 19, 2017

América sem Carbono: é o que se quer.

Começa hoje o seminário Cidade Bem Tratada, na Assembleia  Legislativa do Rio Grande do Sul. Porto Alegre amanheceu nublada e fria. Temperatura perto dos 10 graus. Acho que durante os debates no seminário e na TV "o tempo vai esquentar". Afinal o Estado aposta no carvão e nós do Instituto IDEAL- numa América sem Carbono.

Poucos por aqui sabem que a energia solar fotovoltaica cresceu 340% em 2016. E tão pouco sabem, que Rio Grande do Sul ocupa o terceiro lugar no ranking nacional de instalações já realizadas. E que em países com forte presença do uso da carvão na matriz energética, como Alemanha, Austrália e EUA, o custo da energia solar já é competitivo com a energia produzida pela queima do carvão.

Segundo o relatório da Bloomberg, de 15 de junho, o uso do carvão como fonte de energia desaba na Europa e nos EUA (*). E por aqui a ENGIE, maior empresa privada de geração de energia, dona das grandes usinas térmicas a carvão operando no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, já anunciou que vai se desfazer de suas usinas.(**)

(*) A Bloomberg é a principal agência de risco no setor de energia.

(**) A ENGIE, antiga Tractebel, é a maior empresa de energia elétrica do mundo. A decisão de abandonar a energia elétrica produzida pela queima de carvão, recentemente anunciada, está de acordo com a politica global da empresa em defesa do clima e das energias renováveis.

PS- num final de semana onde Joesley e Temer mostram o que realmente são, a boa nova ficou por conta da Parada Gay em São Paulo. Três milhões de pessoas ocupam as ruas em paz para protestar contra o governo e em defesa do Estado laico. 

sexta-feira, junho 16, 2017

Ninguém merece

Um feriado sempre nos  faz refletir. Principalmente num momento como esse, onde cada dia é uma agonia. Nunca se sabe qual vai ser a nova denúncia, o novo escândalo. O constrangimento é geral. Quem foi para as ruas avalizar o impeachment de Dilma, mesmo sabendo do que foi chamado de "pedalada fiscal" era uma farsa, agora se escondem em casa. O pior de todos os legados é que "ninguém merece" viver assim, num estado de desânimo total. A sociedade precisa reagir. Até entendo seu estado de apatia. Afinal o que se observa nos Três Poderes, como possíveis alternativas para a crise, não é nada animador.

Saindo um pouco da política rasteira que abala a sociedade em função de tudo que presenciamos, a ponto de querer mandar às favas juristas, políticos, delatores e corruptos, não podemos fechar os olhos. Até porque temos responsabilidade com as novas gerações. Sobre nós e sobre os que virão, o preço a ser pago pelas consequências dos desatinos praticados será muito alto. A falta de bons gestores e de políticas públicas, só irá se agravar. Nossas cidades crescem de forma desordenada, sem a devida atenção com o futuro. Mais uma vez a melhor expressão para resumir o caos urbano, é: "ninguém merece". Na foto acima um registro sobre o que está acontecendo em Florianópolis. Na última quarta-feira, véspera do feriado, o tempo que levei para sair da ilha foi de duas horas (*). A distância do Instituto IDEAL até a ponte é de 10 km. Parecido com esse estresse, só São Paaulo ! 

(*) Para quem conhece Florianópolis sai da UFSC às 16 horas. A foto acima foi batida antes de chegar na ponte,  às 18 horas. Se já é assim agora, com 500 mil habitantes,  como será no futuro? Com a palavra prefeito e vereadores de uma linda cidade ameaçada pela falta de gestão.


quarta-feira, junho 14, 2017

O melhor para o país é a renúncia de Temer

Depois do esperado resultado no TSE, o próximo desafio de Temer é o Congresso: onde a maioria é cumplice dos malfeitos. Sendo assim, Temer ganha uma nova sobrevida. Quanto ao país, que se dane. A renúncia de Temer, não que perceba qualquer sinal nessa direção, no momento é a melhor saída. Novas denúncias e ameaças pairam sobre Brasília. A renúncia nunca é vista com bons olhos por quem tem o poder. Aliás, cabe aqui uma explicação: o poder é do povo. E cabe a ele delegar o poder. Só que muitas vezes quem assume o poder acaba ficando cego por ele!

Segundo as mais recentes pesquisas, Temer não  tem 1%  de aceitação popular. Não se tem notícia de nenhum outro governante com tamanha rejeição. A Síria um país em guerra civil desde 2011, com 200 mil mortos, o ditador Bashar al Assad, ainda conta com forte apoio popular. Antes que me condenem pelo extremo da comparação utilizada: ontem na Rússia, centenas de milhares de pessoas protestaram contra a corrupção no país. Lá o presidente Putin ainda conta expressivo apoio popular. Aqui perto, nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump, com todos os seus equívocos e suspeitas, também mantem um considerável índice de aceitação. Quanto a Temer ........(*)

(*) Segundo Carlos Roberto Siqueira Castro, professor de direito constitucional da UERJ e, professor convidado da Sorbonne, Temer "mostra mais apego ao cargo do que às responsabilidades" e "rechaça o acusador, mas não a acusação". A renúncia é um ato unilateral. Irretratável e irrevogável. Acho que com a renúncia ele pouparia muito a nação deste momento de angústia e de um custo altíssimo.

PS - Sei que nada vai mudar e a renúncia não virá. Amanhã é feriado, um bom dia para refletir. Vou dar um tempo. Tenho outros temas me esperando. A mobilidade urbana, carros elétricos, o  seminário na FIESC, a palestra na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e a entrega das nossas áreas de preservação.

 


terça-feira, junho 13, 2017

O que fazer para sair do atoleiro

Ontem comentei que um país não vai "para o brejo" de um dia para outro. É um processo lento e gradual, que envolve malfeitos de governantes e a cumplicidade de parte da sociedade. Salvo melhor juízo, o Brasil é o retrato fiel dessa tragédia. O texto intitulado "Suicídio" de Bernardo Carvalho, nos alerta para o atoleiro que nos empurraram. Para reflexão de vocês, um pouco da introdução e parte do final do artigo.

- "Não é preciso ter estudado direito para saber que não se condena uma pessoa por convicção. Mas tampouco era preciso esperar pelos áudios de Michel Temer e Aécio para entender onde estamos. De todas as surpresas das últimas semanas, a que mais me surpreendeu foi o espanto de quem desde o impeachment capitaneado por Eduardo Cunha, com o Congresso a reboque, ainda confiava na lisura do governo formado no dia seguinte para "estancar a sangria".(*) 

-"Logo após a revelação dos áudios de Temer e Aécio, um sujeito no vestiário da academia de ginástica me perguntou o que eu estava achando daquilo tudo. Ele estava injuriado e saiu com essa: Logo agora, quando tudo parecia estar voltando  ao  normal, essa brigalhada toda."(**)

-"Pelo menos agora está tudo escancarado e você pode decidir no que quer acreditar, porque é um direito seu, mas já não pode impor o seu  autoengano aos outros, eu disse. E completei: Quem faz o país é a gente."(***)

(*) Sempre é bom lembrar o papel de Temer, Aécio e Eduardo Cunha no impeachment de Dilma. Afinal fazem parte de uma armação que nos envergonha. É ingenuidade acreditar na lisura de um  governo assim criado.

(**) Como ingenuidade também é achar que tudo está voltando ao normal. "Normal" para quem.

(***)  O único poder soberano é o do povo. Cabe a nós tirar o Brasil do  atoleiro. Para isso a sociedade precisa fazer sua parte: exigindo o devido respeito dos poderes constituídos, que lhe assegure a cidadania plena. Inclusive escolher quem deve nos governar.