terça-feira, outubro 23, 2018

Que país queremos?

A poucos dias da eleição não se teve um debate. Independente de suas opções, você há de concordar que isso não é normal. Quando o Supremo Tribunal Federal é ameaçado de ser fechado por um cabo e um soldado, você há de concordar que isso não é normal. Quando um candidato a presidente da República, declara que o país que ele quer não terá opositores, ou estarão presos ou longe daqui, você há de concordar que isso é uma temeridade. Afinal, liberdade é um direito de todos. Sem liberdade não há futuro.

Portanto é importante refletir nos poucos dias que nos restam, sobre o país que queremos. Com certeza não é o que temos hoje. A mudança é salutar, desde que seja para melhor. O que não se pode é mudar para pior. E o risco existe.

A partir do momento que se nega o debate, a possibilidade de se errar na hora de votar é maior. Quanto mais conhecida e debatida forem as proposta, mais consciente é o voto. Só que quem pensa assim é uma minoria. Regredimos na política e a crise se estabeleceu. Aliás, um tema para os estudiosos: afinal que país queremos?

domingo, outubro 21, 2018

Liberdade abre as asas sobre nós(*)


No sábado, 20, uma ONG internacional que eu desconhecia, a Walk For Freedom, algo como caminhando por liberdade, saiu em fila indiana, vestindo uma camiseta preta, em absoluto silêncio, pelas ruas do centro de Florianópolis. 


Ao contrário de outras manifestações, a preocupação do grupo é com a cidadania. O compromisso é com a  LIBERDADE!


Claro que eles não estavam ali por acaso. Diante da perspectiva da liberdade estar ameaçada, se anteciparam: foram para as ruas dar o recado. De forma silenciosa, organizada mas também  impactante. Não é com uma sociedade armada que vai se encontrar a liberdade. O caminho da liberdade está no exercício pleno da cidadania.


A liberdade está muito mais perto de um livro, do que de uma arma. Ela está muito mais próxima de um professor, do que de um capitão. 


A escola e o professor tem tudo a ver com a formação do cidadão para que ele seja livre e criativo. Cabe ao professor ser o guia e orientador do aluno. Valorizando a escuta,  incentivando  o protagonismo, dando aos jovens as condições básicas para escolher o melhor para as suas vidas. 


(*) O Hino da República é de 1890. E começa assim: LIBERDADE! LIBERDADE!/ Abre as asas sobre nós. Nada tão atual.
 
PS - Como nos ensina Estela Renner: A escola terá que ter em sua base a vontade de vida, e não a vontade do capital. A escola tem que ser inclusiva, aberta a pessoalidade e a diversidade. Só que sem debate,  os candidatos não vão saber: QUE ESCOLA QUEREMOS? Estela é diretora, roteirista e fundadora da Maria Farinha Filmes.

sexta-feira, outubro 19, 2018

Um homem livre para construir uma sociedade melhor


A liberdade não tem preço. Defendê-la é obrigação de todos nós. A história nos ensina isso. As vezes parece que nos esquecemos do básico: viver em liberdade! Foi caminhando por Santiago que encontrei a relíquia acima. A frase é de Salvador Allende e fica exatamente em frente do Palácio La Moneda onde perdeu sua vida por defender suas ideias.

Salvador Allende (1908 a 1973), ex-presidente do Chile, era médico. Até hoje lembrado por todos, Salvador Allende ao longo da vida só fez o bem. Ao fundo, o Ministério dos Direitos Humanos do Chile. Aliás, direitos humanos sempre foi uma de suas grandes preocupações. Abaixo, sua última morada -  o Palácio de La Moneda.

 O preço que pagou por ter sido o primeiro presidente socialista eleito na América Latina foi alto. Quem passa pela Praça da Cidadania sempre vê chilenos e turistas (como se fosse possível),  indo se encontrar com Allende. Cidadania: como faz bem!






quinta-feira, outubro 18, 2018

Chile: vivendo e aprendendo


Depois de uma exaustiva maratona chilena, de volta para casa trago vinho e boas lembranças. Santiago continua crescendo e o Chile também. Como todos os países latinos a desigualdade é visível, mas no Chile o regime democrático se consolida a cada eleição. (*)


O Chile é hoje a porta de entrada e a grande vitrine para os países asiáticos. Quando se trata de negócios, são bastante cuidadosos. Nada é feito de boca, tudo por escrito. Por ser um mercado muito aberto, todo o cuidado é pouco. O Chile, como um grande comprador do mercado externo, já faz parte de sua cultura essa atenção toda.


Ao contrário de nós, o Chile não é um país federativo. São poucos os impostos. Se abre uma empresa em 10 dias. Se for de fora, 80% dos empregos tem que ser locais. Sua principal fonte de emprego e de receita é a mineração. Os chilenos sabem que o cobre é finito e já pensam no futuro. A Ásia está sendo vista pelo governo do Chile como uma grande  plataforma de serviços e negócios. Comércio exterior é uma expertise dos chilenos. Se relacionam comercialmente com mais de 70 países. 


Os grandes empregadores chilenos estão nos setores da mineração, construção civil, agricultura e pesca. No momento o Chile tem energia disponível acima de sua demanda, em função de grandes investimentos em parques eólicos no sul e usinas solares no norte do país. O norte do Chile, onde fica o deserto do Atacama, é uma das regiões de melhor insolação do mundo. Já no sul, são os fortes e constante ventos vindo da Patagônia que geram energia. 


Os grandes investimentos em energias alternativas, 3 bilhões de dólares em 2018, são privados. Quase sempre associados a atividade de mineração, que consome cerca de 30% da energia elétrica do  Chile. Em razão disso, o governo se liberta de produzir energia e fica focado na mudança da matriz energética do futuro ( o Chile apenas produz 5% do petróleo que consome), para atender entre outras necessidades - a chegada dos carros elétricos.


Na lista das prioridades do governo no setor energético, estão: gestão de uma matriz mais renovável possível, veículos elétricos, baterias mais eficientes, uso racional da energia, certificação de empresas e negócios associados a eficiência energética. Esse programa da cerificação, já está em curso. Só nesse ano, a previsão é economizar  85 milhões de dólares. Nada mal para um PIB bem menor do que o nosso. (população do Chile, cerca de 18 milhões; PIB cerca de 250 bilhões de dólares US$)


(*) Na segunda-feira, 15, quando cheguei em Santiago,  o presidente Piñera tinha acabado de afastar dois militares do primeiro escalão que promoveram uma homenagem a um brigadeiro condenado por crimes cometidos durante a ditadura do general Augusto Pinochet. Tudo dentro da maior normalidade. Enquanto isso, por aqui... 

quarta-feira, outubro 17, 2018

Mais um pouco sobre o Chile, onde a democracia vem sendo respeitada


Sempre é bom retornar ao Chile e conhecer melhor as razões das mudanças em curso. Um país aberto que consegue se manter estável, mesmo tendo sérios problemas de fronteira com os seus vizinhos. Segundo a nossa embaixada, o que tem facilitado os avanços comerciais é que somos "amigos sem fronteira". O recente acordo firmado entre os dois países ACE - 35, que isenta tributos de importação entre o Chile e o Brasil, tem ajudado bastante os negócios entre os dois países.


A Petrobras que era o maior investimento brasileiro no Chile, em função de sua nova gestão vendeu todos os seus ativos no Chile. Atualmente, o maior investidor brasileiro no Chile é o Banco Itaú. No momento, o principal projeto de integração regional é a ligação Atlântico /Pacífico. Uma rota alternativa, que corta o  Paraguai. A atual rota, é por Mendoza na Argentina. Além de ser bem mais curta, também é mais segura evitando as seguidas interrupções no inverno em função da neve nos Andes.


O Chile, basicamente, se sustenta pelas exportações de cobre, frutas e pescados. Na América Latina é líder nesses três itens. Por uma decisão política, deixou de produzir o que não tinha competência e abriu seu mercado a quase tudo. Esporta o que pode e importa o que precisa. Como a balança comercial é superavitária e a população pequena, 18 milhões de pessoas, o PIB per capita é o segundo maior entre os países latinos. Só perde para o Panamá. 


O Brasil é o terceiro país que mais exporta para o Chile, principalmente petróleo e carros. O comércio no último ano cresceu 20%. Na América Latina, o Chile é o nosso segundo maior parceiro. Só fica atrás da Argentina. 


PS - Amanhã comento mais sobre o Chile, um país que respeita a democracia.  


terça-feira, outubro 16, 2018

O Chile aprendeu com a ditadura. E quanto a nós?

 Quando se cruza a cordilheira dos Andes é que se percebe a grandiosidade dela. Diante da dimensão das montanhas e dos vales profundos, nos vem a certeza de que não somos nada. Do outro lado dos Andes a bela Santiago, a capital do Chile.


Durante a ditadura, Santiago serviu de abrigo para muitos brasileiros. Depois veio a derrubada de Allende e a chegada do general Pinochet, iniciando um dos regimes mais violentos da América Latina. Não se tinha mais para onde correr, todos rezavam da mesmo cartilha: Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. Tempos duros, que ninguém gostaria que voltasse. (*)

Por estar no Chile, onde amanhã dou uma palestra sobre o mercado brasileiro de energia fotovoltaica, recuperar um pouco dessa história faz sentido. Afinal, se trata de um vizinho. De costas para a cordilheira e de frente para o Pacífico, que pouco nos relacionamos. E por essa falta de uma maior curiosidade da nossa, é que desconhecemos as razões do Chile se apresentar como o mais promissor dos países latinos.

Em parte, imagino eu, muito se deva a estabilidade política do Chile. O regime democrático chileno não apresenta sinais de ruptura, mesmo com os contínuos mas  respeitosos enfrentamentos entre Michelle Bachelet e Sebastián Piñera. Lá os militares retomarem o poder, nem pensar.  (**)    

(*) Allende foi morto, antes de concluir seu mandato (de 1970 a 1973). Já o  general Augusto Pinochet governou o Chile, com mãos de ferro, por 17 anos (de 1973 a 1990).

(**) Quem conhece bem o Chile, afirma que o país se transformou. Aprendeu com  o bom debate, o respeito a cidadania, valorização da educação em todos os níveis e soube  incorporar inovação tecnológica em larga escala.