quinta-feira, dezembro 16, 2010

COP 16 - as grandes diferenças

Passada a COP 16, em Cancún, é hora da leitura e da interpretação do que foi apresentado lá. Foram muitos temas, preocupações e manifestações. Como todo o grande evento quantificar os resultados não é uma tarefa fácil. São países muito distintos procurando algo em comum: a preservação do planeta. Só para exemplificar, vou focar a América Latina. Até porque a conheço melhor. Vou pegar a Guatemala e o Brasil. A Guatemala trouxe um manifesto. O Brasil apresentou inúmeros estudos e projeções sobre o clima e suas consequências. No manifesto da Guatemala, de uma página, um comunicado à imprensa do país mais vulnerável às mudanças climáticas do continente americano. Não conheço a Guatemala mas o relato é uma fotografia de um país pobre, com 33 vulcões, situado na rota dos furacões que vem do Atlântico e do Pacífico. Convive com constantes desastres naturais, como o furacão Mitch, em 2001 e a tormenta tropical Stan, em 2005. Depois vieram as inundações e finalmente, a grande tormenta Agatha, em 2010, que terminou de destruir toda a estrutura viária do país. Quanto ao Brasil, os estudos apresentados pelas diferentes entidades mostram compromisso com as questões relacionadas as mudança do clima e ao mesmo tempo contribuições e propostas de políticas públicas para uma economia de baixo carbono. Ações já em curso por parte da indústria brasileira, como: diversificação das fontes de energia renovável, melhoria da produtividade e da eficiência energética, inovação no desenvolvimento de novos materiais e de biomateriais, inovação e aumento no uso dos biocombustíveis, utilização dos recursos naturais das florestas plantadas, modernização tecnológica do processo produtivo em setores intensivos em energia entre outras, dão uma idéia da distância que nos separa da Guatemala. Enquanto aquele pequeno e sofrido país da América Central, com cerca de 100 mil quilômetros quadrados, não sabe como e quando vai recuperar as 300 pontes destruidas pela tormenta deste ano, tem ao seu lado, no mesmo fórum, um país pujante com forte participação no desenvolvimento de novas tecnologias voltadas para os chamados empregos verdes. Como as deliberações são por consenso, imaginem a dificuldade que deve ser encontrar esse consenso. Por isso que eu acho que devemos continuar apoiando esses encontros e entender melhor as dificuldades inerentes ao processo de decisão, onde são visíveis e compreensíveis as posições antagônicas entre países tão distintos.

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