Quase nunca assisto o "Globo Reporter". No entanto nessa última sexta acabei totalmente envolvido pela bela apresentação. Passado na Toscana o programa não se limitou a mostrar a beleza natural e arquitetônica da região. O foco principal foi a mudança em curso da população local na busca de melhor qualidade de vida. Os italianos estão repensando valores, valorizando o passado e se afastando, conscientemente, da vida estressada que a maioria de nós leva. Chegaram a conclusão de que descansar faz bem. Sabem que podem encontrar na quietude de uma vila o prazer pela vida. Por uma feliz coincidência, no sábado, Fábio Brüggemann, escreve: "Sou vagabundo, confesso". Ao tomar emprestado o título de sua crônica da banda Dazaranha, Fábio critica o atual modelo de valorização "ocupacional", mostrando como a sociedade capitalista desconsidera atos de ler, pensar, pintar, compor e escrever como parte da atividade produtiva. Um escritor não trabalha, descansa. Um músico profissional então nem se fala. Quando passa horas a fio ensaiando, procurando tirar do seu instrumento o melhor som, vendo seus dedos criarem calos, aos olhos dos outros não passa de um vagabundo. Fábio identifica esses desvios da sociedade com extrema precisão. Olhem só o que nos deixa para reflexão: "Acham que escrever é coisa de desocupado, de quem não tem o que fazer. Sendo assim, sou vagabundo, e confessado está.....Levei anos estudando para ser vagabundo, e não existe ainda esse diploma, talvez o mais importante da cadeia produtiva".
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