terça-feira, outubro 04, 2011
As enchentes e o Código Florestal
Parece até ironia do destino: o Estado que mais flexibilizou as restrições ambientais é justamente o que mais sofre com as enchentes. Santa Catarina nem chega a recuperar os estragos da enchente passada e já contabiliza os prejuízos da última. Todo o ano a tragédia se repete. As razões são conhecidas: construções em áreas de risco, rios assoriados, desmatamento nas encostas dos morros e falta de gestão. Minha formação em hidrologia e em planejamento de recursos naturais me permite avaliar o quanto custa à sociedade catarinense a ausência de políticas públicas nessa área. A insensibilidade diante das repetidas tragédias pode-se constatar com a aprovação do recente Código Florestal de Santa Catarina. O novo código, pasmem, é menos restritivo a urbanização inadequada de encostas e ocupação das margens dos rios. Quem trata com propriedade esse assunto é Olympio Barbanti Jr, no site Congresso em Foco. Numa rápida pesquisa em dados disponíveis na Internet ele identificou que houve inundações em Santa Catarina em 1974, 1983, 1985, 1987, 1992, 1995, 1997, 2000, 2001, 2002, 2003, 2008, 2010 e a atual. Sendo que em alguns desses anos, ocorreu mais de uma catástrofe por ano. Só essa impressionante constatação já deveria exigir dos governos que passaram criar um "Código Contra Enchentes". Certamente, bem mais útil e urgente que o "novo Código Florestal". Mas Olympio, um jornalista experiente, vai além. Segundo ele, em 2011, 68% dos municípios catarinenses com mais de 30 mil habitantes tiveram problemas com eventos climáticos. Pior: 89% dos municípios com mais de 50 mil habitantes passaram por inundações ou deslizamentos de terra em encostas! Ou seja, os principais centros econômicos de Santa Catarina são os mais afetados pelas chuvas. Mestre em Desenvolvimento Social pela Universidade de Wales, PhD em Políticas Sociais pela London School of Economics e especializado em Gestão de Conflitos, pela Universidade de Boulder, no Colorado, Olympio me autorizou a registrar nesse artigo seus oportunos comentários sobre as cheias em Santa Catarina e suas graves consequências no futuro. Para ele, os atuais desastres ambientais, humanos e econômicos que vivenciamos são o resultado de riscos não gerenciados pelos poderes públicos nas últimas décadas. Até a próxima enchente.
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