quinta-feira, novembro 03, 2011

Presente grego

Quando os gregos deixaram em frente os portões de Tróia um enorme cavalo de madeira, os troianos não desconfiaram de nada. Acharam que era um presente e colocaram o cavalo para dentro das muralhas que potegiam a cidade. Conta a história que durante a noite algumas pessoas saíram de dentro do cavalo, abriram os portões e os soldados gregos devastaram a cidade. Dessa história lendária, que ocorreu há 3000 anos atrás, veio a expressão até hoje usada "presente grego". Passados 30 séculos, o mundo se depara com um novo presente grego. Na terça-feira, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, anuncia a necessidade de uma consulta popular (referendo) para ver se a sociedade aceita ou não os termos do acordo proposto pela Comunidade Européia à Grécia. As Bolsas despencaram em todo o mundo: Milão 6,8%, Paris 5,3% e Frankfurt 5%. A decisão inesperada de Papandreou deixou os principais líderes europeus, avalistas do acordo, como Angela Merkel e Sarkozy, falando sozinho. O pacote econômico acordado com a cúpula européia, que previa a redução de 50% da dívida grega e um novo empréstimo de 100 bilhões de euros - está suspenso! A consulta popular é legítima. O primeiro-ministro Papandreou sabe que os ajustes propostos são impopulares e quer dividir a responsabilidade da decisão. O plebicito foi a fórmula encontrada. O "presente grego" deixou o mercado globalizado mais exposto ainda a suas fragilidades políticas e estruturais. Vamos aguardar os resultados do G 20 e os próximos movimentos da Grécia.

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