O ministro Ayres Brito, do Supremo Tribunal Federal, tem se notabilizado como magistrado por seus posicionamentos, formação e cultura. É prazeroso ouví-lo. Na última sexta-feira esteve em Porto Alegre a convite da RBS. Entrevistado por jornalistas, magistrados, políticos e autoridades presentes, o sergipano Ayres Brito deu uma aula de conhecimento jurídico, compromisso com a democracia e com os valores éticos. Sobre tudo que falou registro sua resposta a jornalista Carolina Bahia sobre a resistência das autoridades ao controle do cidadão:
"Às vezes, para não dizer muitas vezes, o administrador confunde tomar posse no cargo com tomar posse do cargo. Daí o nepotismo, que nós proibimos lá no Supremo numa ação específica, da qual eu fui o relator. O nepotismo golpeia de uma só vez o princípio da moralidade, da impessoalidade e o princípio da eficiência administrativa. De sorte que os tribunais de contas ficam cada vez mais habilitados, como o Ministério Público e a imprensa, a escarafunchar a vida dos administradores públicos e também dos juízes. Eu acho que os juízes devem ser sindicados mesmo na sua atividade, porque é absolutamente impensável, chega ser uma hecatombe do ponto de vista ético, um magistrado venal, um magistrado corrupto. Então é natural e até necessário que a sociedade se organize em torno dessa curiosidade maior, dessa cívica ou santa curiosidade pelas coisas do poder, porque quem detém o poder, aí eu vou citar Montesquieu, tende a abusar dele. E Lord Acton criou naquela frase também definitiva, de que o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente".
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