sábado, dezembro 03, 2011
Mancha
Ele entrou na minha vida há 14 anos atrás. Me lembro perfeitamente do dia que nos encontramos. Fui pegá-lo no interior de Santa Vitória do Palmar, quase fronteira com o Uruguai, vindo de uma viagem de carro ao Chile. Diferentemente da grande maioria de sua raça ele era alto e magro. Todo preto e com uma mancha branca no peito. Seu nome veio na hora: "mancha". Pernas compridas e um jeito de vira-lata, seu biotipo fugia um pouco do padrão tradicional dos labradores. A explicação dada foi de que numa ninhada de 9 o último a ser escolhido foi ele, portanto...... os mais bonitinhos já tinham sido dados. Inteligente e carinhoso, adorava a rua. Bastava um pequeno descuido e o Mancha sumia. Numa ocasião a festa foi tão grande que eu pensei que não voltaria mais. A cena de sua chegada cambaleante, magro e com o "pinto" quebrado retrata com precisão o que foi sua vida. Nos seus últimos dias, Mancha dava claros sinais de que ia nos deixar. Sabia que a morte estava chegando e não tinha vontade de prorrogar a vida. Já não comia. Cada dia mais fraco, também não se levantava mais. Na quinta-feira, quando embarquei em Montevidéu no Aeroporto de Carrasco, me chamou a atenção um enorme out-door, com a seguinte mensagem:"no és un cachorro és un miembro de nuestra familia". Na hora me veio a lembrança o Mancha. Cheguei em casa na quinta à noite, no dia seguinte ele morreu.
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