De Paris, onde se encontravam, o prefeito Fernando Haddad e
o governador Geraldo Alckmin de São Paulo viram as manifestações do Movimento
Passe Livre crescer nas ruas de São Paulo. Como acontece nessas ocasiões, é sempre
mais fácil associar ao viés político os protestos. No caso de São Paulo, em particular,
não vejo a menor sustentação nesse tipo de afirmação. Lá, mais do que em
qualquer outro lugar, a política virou uma geléia. Recentemente, o Governo
Federal criou mais um ministério para abrigar um ex-desafeto político. E não
estamos falando de qualquer desafeto: estamos nos referindo ao vice-governador de
São Paulo, Guilherme Afif Domingos. Embora grave, nenhuma novidade. Caso parecido já tinha ocorrido com um outro desafeto do PT, o ex-prefeito Gilberto Kassab. É justamente por isso que as pessoas se distanciam da politica partidária e se unem na defesa de outras bandeiras. E em razão disso, os partidos e os políticos tradicionais
não conseguem entender esses movimentos. “São bandeiras contemporâneas que
ainda não foram incorporadas às pautas formais das organizações políticas”,
comenta Luis Fernando Vitagiano.
Portanto, autoridades paulistanas, deixem a política para
2014. E tratem de entender o que está motivando as manifestações em São Paulo e
em outras capitais. O Movimento Passe Livre não nasceu agora. Quando o governo retira impostos para baratear
as passagens, e a resposta é aumento de tarifa- estão provocando. Quando se
orienta a policia para reagir com violência, estão aumentando a tensão e
atraindo novos manifestantes. Combustível
para o movimento se prolongar, tem: a avaliação do transporte público em São
Paulo (como no resto do país, salvo exceções) é ruim e pesquisas publicadas mostram
que 60% da população de São Paulo aprovam o movimento (embora 80% repudiem a
violência de ambos os lados).
Por falar em violência, também quero distância dela. Sou daqueles
que acho que o argumento é o principal instrumento do convencimento. No
entanto, por experiência própria, sei que quem participa de manifestações não
tem nada de acomodado e indiferente no seu DNA. E que a probabilidade de surgir
extremados e infiltrados nessas manifestações é real. Nessa hora, a inteligência em administrar
conflitos tem que prevalecer. Ao que parece, por tudo que se viu em São Paulo
isso não aconteceu.
As manifestações acontecem em todo o mundo. E por diferentes
motivos. Foi assim na Grécia, na Espanha, em Portugal ou na praça Tahrir. As redes
sociais estão cada vez mais ativas e conseguem mobilizar com muita rapidez.
Portanto, protestos vão continuar e fazem parte da democracia. O que se espera
é que se aprenda com as feridas causadas e que os conflitos rejeitem a violência
e o vandalismo como resultado final.
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