sábado, junho 15, 2013

Curando as feridas


De Paris, onde se encontravam, o prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin de São Paulo viram as manifestações do Movimento Passe Livre crescer nas ruas de São Paulo. Como acontece nessas ocasiões, é sempre mais fácil associar ao viés político os protestos. No caso de São Paulo, em particular, não vejo a menor sustentação nesse tipo de afirmação. Lá, mais do que em qualquer outro lugar, a política virou uma geléia. Recentemente, o Governo Federal criou mais um ministério para abrigar um ex-desafeto político. E não estamos falando de qualquer desafeto: estamos nos referindo ao vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos. Embora grave, nenhuma novidade. Caso parecido já tinha ocorrido com um outro desafeto do PT, o ex-prefeito Gilberto Kassab. É justamente por isso que as pessoas se distanciam da politica partidária e se unem na defesa de outras bandeiras. E em razão disso, os partidos e os políticos tradicionais não conseguem entender esses movimentos. “São bandeiras contemporâneas que ainda não foram incorporadas às pautas formais das organizações políticas”, comenta Luis Fernando Vitagiano.   

Portanto, autoridades paulistanas, deixem a política para 2014. E tratem de entender o que está motivando as manifestações em São Paulo e em outras capitais. O Movimento Passe Livre não nasceu agora.  Quando o governo retira impostos para baratear as passagens, e a resposta é aumento de tarifa- estão provocando. Quando se orienta a policia para reagir com violência, estão aumentando a tensão e atraindo novos manifestantes.  Combustível para o movimento se prolongar, tem: a avaliação do transporte público em São Paulo (como no resto do país, salvo exceções) é ruim e pesquisas publicadas mostram que 60% da população de São Paulo aprovam o movimento (embora 80% repudiem a violência de ambos os lados).

Por falar em violência, também quero distância dela. Sou daqueles que acho que o argumento é o principal instrumento do convencimento. No entanto, por experiência própria, sei que quem participa de manifestações não tem nada de acomodado e indiferente no seu DNA. E que a probabilidade de surgir extremados e infiltrados nessas manifestações é real.  Nessa hora, a inteligência em administrar conflitos tem que prevalecer. Ao que parece, por tudo que se viu em São Paulo isso não aconteceu.

As manifestações acontecem em todo o mundo. E por diferentes motivos. Foi assim na Grécia, na Espanha, em Portugal ou na praça Tahrir. As redes sociais estão cada vez mais ativas e conseguem mobilizar com muita rapidez. Portanto, protestos vão continuar e fazem parte da democracia. O que se espera é que se aprenda com as feridas causadas e que os conflitos rejeitem a violência e o vandalismo como resultado final.

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