E agora? Imagino que deva ter sido a primeira pergunta que Dilma
fez hoje na reunião que convocou para avaliar os protestos da última semana.
Realmente o Brasil se sacudiu como nunca antes nesse país. Inicialmente, o
motivo alegado era o aumento nas tarifas de ônibus. Depois a pauta se estendeu e
as ruas foram tomadas por centenas de milhares de pessoas. Nesta semana, por
compromissos de trabalho, acompanhei mais de perto o que se passou em São Paulo
e no Rio. Pelos jornais e noticiários
deu para ter uma idéia da dimensão que as manifestações tomaram. De tudo que vi
uma das imagens mais marcantes foi a da capa do Diário Catarinense de hoje. Conheço
bem Florianópolis e suas manifestações- nunca vi nada igual. As duas pontes
tomadas por uma multidão.
Em Brasília, Dilma suspende sua viagem ao Japão e reúne o núcleo
político do governo para avaliar a crise. Se não bastasse o tamanho da
encrenca, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, toma a equivocada decisão de
conclamar a militância para engrossar as manifestações. Ato contínuo (e obvio),
os petistas e militantes de outros partidos foram hostilizados por boa parte
dos manifestantes que não querem nem saber da partidarização do movimento.
Enquanto analistas políticos, sociólogos, parlamentares e o
próprio governo batem cabeça sem saber prever o futuro do movimento, que não arrefeceu
com a derrubada das tarifas, Kenzo Soares, estudante de Jornalismo da UFRJ e
integrante do Fórum Contra o Aumento da Passagem, em entrevista ao Brasil
Econômico dá algumas pistas: “Todo o movimento precisa ter vitórias concretas, por
mais difuso que pareça. O movimento não se esgota nessa pauta (de reajuste da
tarifa), mas é fundamental que se conquiste isso.” O sociólogo, Paulo Gajanigo,
também entrevistado pelo Brasil Econômico, segue na mesma direção: “ o reajuste
é apenas a ignição. Acho que o movimento não acaba. O conflito vai aparecer em
algum momento”.
Na minha avaliação, a indiferença que havia foi quebrada. Quem
tomou gosto pela rua volta ao ser chamado. O que o governo precisa é não dar
motivos para que isso não aconteça. Esse é maior desafio para os governantes daqui
para frente.
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